14 June 2026
11 June 2026
08 June 2026
05 June 2026
26 April 2026
NÃO SERÁ UM ACASO
No início de 2023, aquando da publicação de Anadolu Ejderi, da turca Gaye Su Akyol, foi oportunidade para parar um pouco e reflectir sobre o imenso e maravilhoso mundo que, ao longo dos anos, fomos capazes de ir descobrindo sempre que nos demos ao trabalho de espreitar para lá dos muros do nosso quintal. Recordámos, então, a afegã Elaha Soroor, a saudita-paquistanesa Arooj Aftab e a israelo-iraniana Liraz, o - pelos piores motivos - recém-descoberto universo ucraniano (Folknery, DakhaBrakha, Torbán, Dakh Daughters, Joryj Kloc) ou o inesgotável baú das inúmeras variantes chinesas contemporâneas. Na verdade, era apenas uma actualização do que já antes, em Setembro de 2021, havia sido recenceado: preciosidades como Le Mystère des Voix Bulgares, Les Nouvelles Polyphonies Corses, Cocanha, San Salvador, Lankum, John Francis Flynn, Lisa O'Neill e Stick In The Wheel. Podemos, pois - enquanto as occitanas Cocanha não nos revelam o seu último álbum ("Flame Folclòre") e as estonteantes napolitanas La Niña não nos oferecem uma oportunidade de, ao vivo, nos fazer levitar ao som de Furèsta -, ir abrindo uma vaga para o quarteto integralmente feminino Seera, oriundo de Riade, capital da Arábia Saudita, estado islâmico no qual a condição feminina não é propriamente exemplar. (daqui: segue para aqui)
05 July 2023
15 April 2022
"Meu Coração Emigrou"
(sequência daqui) Mas como surgiu, afinal, a ideia para um álbum no qual, à excepção de José Salgueiro (percussões e fliscorne) e Catarina Anacleto (violoncelo), apenas se escutam a(s) voz(es) de Amélia Muge sobrepostas no mil-folhas sonoro dos arranjos e cenografia electrónica de António José Martins? “Durante a pandemia quando, aparentemente, não era possível fazer nada e a própria disponibilidade mental nos obrigava a estar quase todo o dia frente à televisão a tentar perceber o que se passava. Por outro lado, parecia que a única coisa que tínhamos era a voz, só contactávamos com as outras pessoas através do telefone. Perante isto, pensei que fazer um novo trabalho era quase uma questão de sobrevivência mental. Por outro lado, o que poderia eu fazer que usasse o mínimo de recursos possivel dado que o contacto com outros músicos seria complicado? Claro que ter o António José Martins é logo possuir os recursos de uma central nuclear. Pensei, pois, no Zé mais as vozes de mim. E foi isso que aconteceu. À medida que se foi avançando com o trabalho, mais eu percebi que trabalhar apenas com esta ideia da voz não era um recurso pequeno, era um recurso enorme. Ligado a toda a experiência e a todas as memórias. Não numa atitude de 'antes era tão bonito, eu podia fazer isto, ai agora já não posso', mas como recurso a retirar de uma experiência vivida que nos permite ir um bocadinho mais além. Isso, articulado com o conhecimento que tenho do trabalho de outros músicos como a Laurie Anderson, as Zap Mama ou, mais recentemente, as Cocanha e os San Salvador. Houve sempre muita gente com quem trabalhei ou que ouvi e que iam tendo um bocadinho a ver com a minha própria experiência. Cada um ouve como pode e como sabe. Sabia que podia diversificar a minha voz em matéria de timbres, de alturas, de ressonâncias. Tinha as minhas experiencias com os outros e o conhecimento daqueles com quem nunca trabalhei mas sempre me inspiraram. Uma voz é feita de muitas vozes”. (segue para aqui)
28 December 2021
20 December 2021
15 December 2021
11 April 2021
31 March 2021
20 March 2021
09 March 2021
(sequência daqui) "Enfim, os cocanianos passam a vida a comer, beber e fazer sexo. A integrarem-se, portanto, na Natureza. A fundirem-se com ela. Logo, a Cocanha não é uma festa qualquer, é um tipo especial, é a festa por excelência, é uma orgia. É o momento (ilimitado no caso cocaniano) no qual, graças a cantos, danças e vinho, atinge-se o ékstasis ("sair de si"), possibilitando a sensação de enthusiasmós ("ter um deus dentro de si"), consequentemente de manía ("loucura sagrada"), enfim, de órguia (possessão divina na celebração). (...) De maneira semelhante às antigas festas gregas em honra de Diónisos, a Cocanha é uma comemoração de carácter agrário, carnavalesco, orgiástico, igualitário, propiciatório" (Hilário Franco Júnior - Cocanha - A História de Um País Imaginário - 4: segue para aqui)
27 February 2021
(sequência daqui) "The Land of Cockayne is one of the oldest English utopias, even pre-dating Thomas More. For the feudal and downtrodden peasant class of the Middle Ages, troubadours singing of Cockayne offered a compensatory vision of unimaginable plenty without effort; where unending physical and gastronomical pleasure was on tap and no punishment was meted out for laziness. 'The Big Rock Candy Mountain', a song originally collected in the 1930s by John Lomax, updates Cockayne for the Great Depression's discontents. Fittingly, the song as recorded by Burl Ives in 1949, was one of the first singles in the new Americam 'folk guitar' idiom to hit the big time back in the Old Country. The hobo's paradise where 'there ain't no short-handed shovels, no axes, saws, or picks... where you sleep all day, where they hang the Turk that invented work' is a post-industrial iteration of utopia that sounded mighty fine to a grey, somber Britain licking its war wounds" (Rob Young - Electric Eden/Unearthing Britain's Visionary Music) (segue para aqui)







