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19 October 2018

O adjuntivo, poeta/"diseur"


“...!?´´´´----------(...)???? ...!!!!``````/////\\\\\)” (Luís Marques Mendes, no Jornal da Noite, SIC, todos os domingos)

"Há uma injustiça de que é vítima todas as semanas o comentador Marques Mendes que eu gostaria de reparar: as suas palavras proferidas no laboratório televisivo das 20h de domingo são largamente citadas nos jornais do dia seguinte, mas o mais importante nunca é o que ele disse por palavras, mas antes a vivacidade espiritual da prosódia: as articulações não sintácticas, o staccato do seu débito verbal, o expressionismo das acentuações, os altos e baixos, as mudanças de tom, as habilidades miméticas que ora nos fazem pensar numa mosca lasciva, ora introduzem o tom grave do orador nos grandes momentos da vida, a gestualidade enfática. O expressionismo de Marques Mendes é uma poesia que está toda na prosódia e que só poderia ser citada por meio de sinais de acentuação, se houvesse, como há para a música, um código para a transcrição prosódica. O comentário político torna-se assim um exercício de elevado teor artístico, entre o livro sobre nada de Flaubert e a 'nada-logia' de Balzac, isto é, a sublime 'rienologie' que este escritor viu no jornalismo do seu tempo" (AG)

19 December 2009

A GRAVATA (PARTE III)
(porque aqui o assunto foi retomado)


"Na verdade, a gravata alimenta-se da originalidade e da simplicidade; a imitação, a submissão às regras desbotam-na, enregelam-na, liquidam-na. Não é através do estudo e do trabalho que alcançamos o bem; é espontaneamente e por instinto, por inspiração que pomos a gravata. Uma gravata bem colocada é um desses traços de génio que se sente, que se admira, mas não se investiga nem se ensina. Também me atrevo a dizer, pleno de convicção, que a gravata é romântica na sua essência; no dia em que ela se cingir a regras universais, princípios rígidos, será o fim da sua existência". (Do Vestir e do Comer - Algumas Notas, Honoré de Balzac)

nota: reafirmo que não possuo um único exemplar do adereço em questão.

(2009)

17 April 2009

A GRAVATA (PARTE II)



"Uma gravata bem escolhida irradia por todo o traje como um perfume exótico; ela está para o vestir como a trufa está para um jantar. (...) Efectivamente, considerando todas as partes do traje, a gravata é a única que é pertença do homem, a única em que se cumpre a sua individualidade. O mérito do chapéu, da roupa, das botas pertence ao chapeleiro, ao alfaiate, ao sapateiro, que os entregaram em todo o seu esplendor; quanto à gravata, não tendes auxílio nem amparo; fostes confiados à vossa mercê; é em vós que tendes de encontrar todos os expedientes. A lavadeira entrega-vos um retalho de cambraia engomado; de acordo com o que souberdes fazer, assim tirareis partido dele: é a diferença entre colocar um bloco de mármore nas mãos de Fídias ou de um entalhador de pedras. O valor do homem corresponde ao valor da sua gravata. Em abono da verdade, a gravata é o homem; é através dela que este se revela e se dá a conhecer". (Do Vestir e do Comer - Algumas Notas, Honoré de Balzac)

nota 1 - reafirmo que não possuo um único exemplar do adereço em questão;
nota 2 - questões afins já passaram por aqui e deambularam pela caixa de comentários daqui.

(à suivre)

(2009)