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19 May 2022

(You Belong There - álbum integral aqui
 
(sequência daqui) E, referindo-se ao facto de grande parte do disco ter sido concebido nas atmosferas rurais do Norte do estado de Nova Iorque e de Santa Fe, no Novo México, acrescentava; “Não sou uma pessoa particularmente espiritual. Não sou religioso. Mas, definitivamente, sinto uma espécie de relação misteriosa com certos lugares. É o mais próximo que chego de uma experiência espiritual”. É, então, num registo de art/rock/folk – de Van Dyke Parks a Baden Powell, Robert Wyatt, Jim O’Rourke, Nick Drake, a clássica de câmara e o jazz – que estas 10 matrioscas sonoras meticulosamente orquestradas circulam, entre espirais de guitarra, arrebatamentos orquestrais e oceânicas massas corais, à esquina de um quase aforismo Zen: “Our work for work’s sake, we’re useless in our way, clear the brush and push the paint, nothing’s lost when there’s nothing there, whatever was and whatever will”.

16 May 2022

10 MATRIOSCAS
 
 
Há 10 anos, a propósito de Shields, dos Grizzly Bear, pareceu-me inevitável sublinhar que – tal como já acontecia em Veckatimest (2009) – o que mais seduzia naquela música que nos afectava “do pescoço para cima”, era “a intrincada inteligência da arquitectura de cada peça que, laboriosamente, edificam”, prova definitiva de que “na linha evolutiva da música do século XX, o prog-rock não desembocou, irremediavelmente, nem beco sem saída” e era perfeitamente possível “recusar o juramento-de-sangue punk e não acabar a tocar os Brandeburgueses para banda rock com a Filarmónica de Swindon”. Agora, coincidindo com a publicação de You Belong There, primeiro álbum a solo de Daniel Rossen (com Ed Droste, o motor criativo dos Bear, desde 2020, em pausa de duração imprevisível), este, em entrevista à “Uncut”, afirma que “Para mim, fazer música é nuito semelhante a construir mundos. Na minha opinião, faz sentido enquanto forma de criar objectos – a escrita confessional de canções não é, realmente, aquilo que faço”. (daqui; segue para aqui)