DÉCIMO SEXTO COMUNICADO DO C.A.L.A.
(Comité de Apoio a Laurinda Alves)
Diva - real. Jean-Jacques Beineix, 1981
Mas por que motivo nunca ninguém se terá lembrado de pôr isto no cinema?...
"Se fosse cinema, as imagens da multidão a entrar e a sair do Metro seriam filmadas com a luz certa, no tempo certo. O desfile incessante de gente que sobe e desce escadas a correr, que se acotovela nas plataformas para chegar às portas, que olha sem ver, que ouve uma música que é só sua, que passa distraída sem se deter com nada nem ninguém porque tudo ali é feito de pressa, é incrivelmente cinematográfico.
Há uma urgência subterrânea que empurra e puxa as pessoas, que abre e fecha portas, que faz avançar os comboios na escuridão dos túneis onde o ronco metálico é mais ou menos acelerado conforme a proximidade das estações. O Metro tem um cheiro próprio e um embalo vertiginoso que arrasta as imagens das luzes reflectidas nos vidros. Luzes encarnadas, néons verdes e azuis de fora, mais o branco-gelo sempre aceso no interior, que risca ao comprido as janelas onde se vê o negativo das caras e dos ombros dos que vão sentados. Tudo isto faz outro filme dentro deste filme de multidões". (aqui)
(nota: recomendamos vivamente a leitura integral do post - não por uma mera questão de militância que poderia ser, legitimamente, atribuída ao C.A.L.A. mas em virtude da superior densidade do pensamento laurindiano que merece ser partilhado por todos)
(2009)
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25 January 2009
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