Ohmme/Finom Presents:
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21 January 2023
18 January 2023
LUGAR DE INVENÇÃO
Há dois anos, na qualidade de metade do duo (com Sima Cunningham), Ohmme - hoje, Finom -, Macie Stewart, a propósito da publicação de Fantasize Your Ghost, explicava como um concerto de Marc Ribot no “Constellation”, de Chicago, lhes tinha transformado por completo a forma como encaravam a música: “Não fazia a mais pequena ideia de que podia tocar-se guitarra assim... Foi o clique. Estávamos um bocado nervosas com a ideia mas também sabíamos que tínhamos conhecimentos de música suficientes que nos permitiam lidar com algo que nos era tão estranho e ser capazes de avaliar se o que faríamos valia a pena ou não prestava”. Não poderia ter mais razão: da mui improvável articulação de perfeitíssimas harmonias vocais com fórmulas como “tratar o feedback como um anel de fumo a que damos forma e expandimos” resultaria um dos mais surpreendentes álbuns de 2020. Para Macie, contudo, havia algo que permanecia por explorar: ela, criatura de formação clássica desde os 3 anos, mas também parte activíssima da cena experimental/"improv" de Chicago, próxima de gente como Claire Rousay, Weather Station, Lia Kohl ou Ken Vandermark, reconhecia que, no interior das comunidades musicais, a “polinização cruzada” era indispensável mas que isso a impedira de se conhecer a ela mesma. (daqui; segue para aqui)
21 December 2020
MÚSICA 2020 - INTERNACIONAL (V)
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 38)
* a ordem é razoavelmente arbitrária...
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17 August 2020
O LIMITE
Chicago é o centro do mundo e o Constellation, um clube de música improvisada/experimental, é o centro de Chicago. É, pelo menos, o que dizem Sima Cunningham e Macie Stewart, aliás, Ohmme, autoras de Fantasize Your Ghost, o único álbum de 2020 (até agora) do qual pode verdadeiramente dizer-se não se parecer com nada. Isso mesmo. Meninas de formação clássica, nunca tinham posto as mãos numa guitarra eléctrica mas havia “qualquer coisa no tipo de energia que se consegue extrair da guitarra” que as fascinava: “Não estávamos realmente familiarizadas com o modo como a guitarra funcionava e com o que poderíamos fazer com ela. Mas sentíamos que tinha possibilidades ilimitadas e a ideia de explorarmos isso entusiasmou-nos. Também costumávamos ir ao Constellation e recordo-me especialmente de um concerto do Marc Ribot, um guitarrista espantoso! Não fazia a mais pequena ideia de que podia tocar-se guitarra assim... Foi o clique. Estávamos um bocado nervosas com a ideia mas também sabíamos que tínhamos conhecimentos de música suficientes que nos permitiam lidar com algo que nos era tão estranho e ser capazes de avaliar se o que faríamos valia a pena ou não prestava”, contou Macie à “Indie Midlands”.
Vale muitíssimo a pena. Já era assim no álbum de estreia, Parts (2018) e, agora, Fantasize Your Ghost concretiza soberbamente o plano de entrançar harmonias vocais cirurgicamente precisas com perfeitamente modeladas devastações de turbulência eléctrica e a microexploração de timbres, "trompe l’oeil" rítmicos e resoluções improváveis – totalmente indiferentes à pertença a géneros musicais e muito mais estimuladas por ideias do tipo “tratar o feedback como um anel de fumo a que damos forma e expandimos” ou “a partir da percussão descobrir o caminho que conduz a uma melodia”. Um riquíssimo nó de contradições que, em "The Limit", expõem: “I reached my limit today, I tried to fly too high, can’t stomach the thought of it , although I’ve never tried, I move and move again, you went too slow, you moved a mountain, I tried to go below”.
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