15 July 2026
02 July 2026
29 June 2026
26 June 2026
23 June 2026
21 June 2026
Quando, em 1993, Johnny Cash estava a trabalhar no seu memorável 81º álbum, American Recordings, o produtor Rick Rubin sugeriu-lhe convidar um grupo de compositores criteriosamente selecionados. Assinalando um ressurgimento na carreira de Cash, American Recordings excluiria qualquer tipo de produção sobrecarregada, deixando-o sozinho com uma guitarra e as letras. Para capturar o som na sua forma mais crua, o álbum seria gravado entre a sala de estar de Rubin e a cabana de Cash no Tennessee. Para além das cinco faixas escritas por Cash, o álbum incluiria, então, igualmente uma coleção de canções assinadas por um grupo eclético de artistas, de que faziam parte Nick Lowe, Kris Kristofferson, Leonard Cohen.e Loudon Winright III. Tom Waits também foi convidado a contribuir com uma canção. Mas, como ele contaria a Jim Jarmusch no substack "Every Tom Waits Song", havia apenas “Down There By the Train” que, até à altura, "ninguém quisera gravar. E também não conseguimos encontrar uma forma de o fazer que nos satisfizesse, por isso deixámo-la para trás. E lá ficou ela, à espera". (daqui; segue para aqui)
20 October 2023
10 October 2023
17 April 2020
15 November 2009
(Frank Pictures Gallery, Santa Monica, California,
November 7, 2009 - January 2, 2010)

Margaret Thatcher

Angela Merkel and Alan Greenspan
Hilary Clinton and Nancy Pelosi

Pope Benedict XVI

Condoleeza Rice
"Waits (the daughter of musician Tom Waits and lyricist Kathleen Brennan) says that from the get-go, painting has been her medium. She went to art school, but left. 'I've been working on my own for almost three years', she says. 'I miss the guidance, but I'm really learning to make my own choices, solve problems on my own'". (aqui)
(2009)
11 February 2008

"Não sei bem o que são fantasmas mas estar numa sala cheia de máquinas, participar numa experiência musical e, noventa anos mais tarde, muito depois dela ter sido demolida e das pessoas que nela estiveram terem morrido, podermos ouvir o que se passou naquela sala, o que nela foi gravado, é um bocado fantasmagórico. Usamos a palavra 'captar' quando falamos acerca de registar qualquer coisa numa fita. É porque se trata de algo que está vivo. Não se trata de caçar um espécime morto ou vivo. Queremos capturar aquela música naquela fita. Tem mesmo de ser apanhada viva.
(...)
"Ninguém vive uma canção da mesma forma que outra pessoa. Quando escutamos uma canção, misturamos os nossos sonhos e experiências com essa canção. Por isso, é sempre uma coisa única, é a nossa vivência dessa canção, a nossa experiência. É como receber uma carta e misturar a nossa vida naquela poção. É como os desenhos que os nossos putos colocam na porta do frigorífico, passam a ser os nossos desenhos.
(...)
(de Coffee & Cigarettes - Jim Jarmusch, 2003)
"Eu sou a Ingrid Bergman e a Kathleen é o Bogart. Ela tem um brevet de piloto de aviação e, antes de nos casarmos, estava para ser freira. Pus um ponto final nisso. Ela sabe de tudo desde reparação de motos até à alta finança e é uma excelente pianista. Uma das maiores autoridades mundiais acerca da violeta africana. É feita de material muito rijo. É como a Super-Mulher, com a capa a flutuar ao vento. Funciona. Já andamos nisto há muito tempo.
(...)
"Uma vez, fui numa visita de estudo com um grupo de miúdos a uma fábrica de guitarras para lhes mostrar como elas são construidas. Andávamos por ali e eu olhava à volta à espera que alguém me reconhecesse ou dissesse 'Você não é aquele tipo da música? O cantor?' E nada. Ninguém. Ficámos por ali cerca de duas horas a vê-los colocar os trastos nas guitarras e eu à espera, à espera... Uma semana mais tarde, fui com o mesmo grupo de miúdos noutra visita de estudo a uma lixeira e, assim que parei, não me perguntem porquê, tinha a camionete rodeada de gente a pedir autógrafos. Era uma lixeira, por amor de Deus! Parece que nas lixeiras toda a gente me conhece...
(...)
2002
(2008)
28 November 2007
13 November 2007

"A minha mulher e eu temos uma pilha de artigos de jornal que achamos fora do vulgar, excêntricos ou bizarros. Quando o ano chega ao fim, pegamos na pilha e lemos os artigos, a versão condensada do jornal, o que muda a percepção que temos das coisas. Com os discos faço o mesmo. Compro-os e não os oiço logo. Arrumo-os nas traseiras e só vou buscá-los um ano depois. Às vezes, têm qualquer coisa a ver com o que vivemos nessa altura. É como nos filmes antigos: não conhecemos os actores, com quem namoram, nem sequer sabemos o apelido deles. E, no entanto, eles ali estão. Eles e uma história maravilhosa que paira sobre o tempo. É por isso que eu penso que, quando criamos, vivemos obcecados pela cultura popular. Ou é popular ou não existe.
(...)
"Há um bar chamado Red's Recovery Room. Claro que é tudo menos uma sala de recuperação. Mas isso também depende do que nós entendemos por recuperação. A maioria das pessoas que o frequenta está a recuperar da sobriedade.
(...)
"Em 'Big In Japan', imagino-me a entrar no porto, a destruir postes electricos, atirando automóveis ao ar, entrando por ali dentro como Godzilla e arrasando Tóquio. Há pessoas que são muito famosas no Japão e ninguém sabe quem elas são em mais sítio nenhum. É como ir até Marte. Ou como um mercado de sucata do 'entertainment'. Pode-se ir até lá e encontrar gente que não ouvíamos há vinte anos. Foram viver para lá e veneram-nos como deuses. E, depois, também há aqueles que têm uma imagem muito requintada e se recusam a fazer anúncios mas que, no Japão, fazem contrabando de cigarros, roupa interior, sushi, whisky, óculos de sol, carros em segunda mão e toalhas de praia.
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"Há muitos anos, estava num hotel no México e tinha apenas comigo um gravador pequeno. Pu-lo a gravar e comecei aos gritos e a bater numa cómoda com toda a força, procurando imitar o som de uma banda inteira. Guardei essa gravação. De vez em quando, ouvia essa cassete e dava-me muita vontade de rir. Acabei por usá-la em 'Big In Japan'.
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"A única razão para escrevermos canções novas, como dizia o Miles Davis, é termo-nos cansado das antigas. Deitam-se umas fora e arranjam-se outras. Não é assim nada como se tivéssemos sido atingidos por um raio. Tudo começa com qualquer coisa que me diverte e que eu deixo que passe através do meu espírito juntamente com muitas outras. Centenas de melodias e de ideias passam-nos pela cabeça quando não estamos a escrever. E nós permitimos que isso aconteça. Quando começamos a escrever construimos uma pequena barragem e começamos a apanhá-las. É a velha teoria da rede de borboletas.
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1999
(2007)
31 October 2007

"'Murder In The Barn' é como um conto da Flannery O'Connor. Compro os jornais locais todos os dias e eles estão cheios de acidentes de automóveis. Tudo depende do que nos atrai. Será o humor negro irlandês? A minha mulher também provém de uma família irlandesa.
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"O Greg Cohen, o Robert Wilson e eu fomos ter com o William Burroughs a Lawrence, no Kansas. Parecia uma cimeira literária. Ele tirou-nos fotografias a todos no portão. Levou-me até à garagem, mostrou-me as suas pinturas à pistola e o jardim. Por volta das três, começou a olhar para o relógio à medida que se aproximava a hora dos cocktails. Pareceu-me muito sério e erudito. Era, evidentemente, um perito em cobras, insectos e armas de fogo. Para mim, foi uma influência tão grande como Kerouac. Em Pela Estrada Fora, ele era o Bull Lee, uma espécie de Mark Twain mais ousado. Parecia concebido para ocupar a posição de poeta laureado da nação. Tinha uma visão mais ampla, cheia de cinismo e maturidade com um grande sentido de ironia que ia direito ao coração da experiência americana.
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"Hoje crio música muito mais agressiva do que quando tinha 23 anos? Pois é, estou sempre do lado errado. Deito fora o manual das instruções e, depois, fico a pensar como é que se monta o raio da geringonça... Não sei, talvez seja só eu a revoltar-me contra a luz que se vai apagando. Ou será, como se costuma dizer, que a juventude é desperdiçada nos jovens? Talvez, nos sintamos mais próximo desses sentimentos à medida que nos afastamos deles. O tempo não é uma linha recta ou uma estrada que nos vai afastando das coisas, é tudo exponencial. Tudo o que vivemos aos 18 anos permanece connosco. Todos os dias caem do espaço 43 milhôes de toneladas de poeira dos meteoros e o que isso terá a ver com isto, não faço a menor ideia.
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"Quando se produz um disco que também se está a gravar, é preciso dividir as tarefas. Ou tratamos nós da quinta ou temos de subcontratar mão de obra. Nem sempre sou em quem trata da reparação do material eléctrico lá em casa, habitualmente chamo um especialista. Por isso, contratámos músicos profissionais, um grupo do qual, honestamente, não sei se farei parte... Crio as formas e, às vezes, atrevesso-me no meu próprio caminho. O essencial é trabalhar com gente capaz de sucumbir ao poder da sugestão. É uma espécie de experiência hipnótica em que, quando se pede aos músicos que toquem como se tivessem o cabelo a arder, eles sabem exactamente o que queremos dizer.
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"Escrever canções com a minha mulher é assim: um segura no prego e o outro bate-lhe com o martelo. Colaboramos em tudo. Ela escreve mais inspirada por sonhos e eu pelo próprio mundo. Quando escrevemos canções, navegamos pelo meio da escuridão e não sabemos a direcção certa. Cinco minutos a mais e pode-se dar cabo de uma canção. Por isso, o tempo também participa do processo. Temos o nosso negociozinho familiar. Eu sou o prospector e ela cozinha. Eu trago o flamingo para casa e ela corta-lhe a cabeça. Eu meto-o na água e ela depena-o. Depois, ninguém lhe apetece comê-lo.
(...)
1999
(2007)
25 October 2007

"O Troubadour, em Los Angeles, era o lugar certo para tocar, nos anos 70. Punham uma grande fotografia nossa na vitrine e, se esgotássemos a lotação, estávamos em grande. O nosso nome era anunciado, um foco ilumináva-nos ao pé da máquina dos cigarros e acompanháva-nos até ao palco. Doug Weston, o patrão, aparecia e declamava 'The Love Song Of J. Alfred Prufrock'. Depois, havia tipos a tripar que queriam contar histórias. Era como o programa do Ed Sullivan sem o Ed. Chegava a haver gente que viajava até lá à boleia só para estar vinte minutos em palco.
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"Houve provavelmente mais canções de Small Change do que de outros discos que continuei a cantar em concerto. Há canções que se escrevem e nunca mais queremos saber delas. Outras, cantamo-las todas as noites e continuamos a perguntar o que querem dizer. 'Tom Traubert's Blues' foi, decerto, uma das canções que mais cantei e com que encerrava os concertos.
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"Na altura em que o Francis Ford Copolla me convidou para escrever as canções de One From The Heart, já tinha decidido afastar-me dessa cena 'lounge'. Quando ele me sugeriu uma opereta 'lounge', pensei 'chegaste com dois anos de atraso'. Para mim, isso estava no fim. Tive de voltar atrás e trazer tudo de volta. Foi como estar a crescer e bater com a cabeça no tecto. As pessoas têm uma imagem de nós a partir da qual nos definem e sabem o que hão-de exigir. É complicado mudar de atitude e operar mudanças no clima. Transportamos connosco a percepção que o público tem de nós.
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"Não sei se consegui conciliar muito bem essa tensão entre canções agrestes e suaves. Apetecia-me mais misturá-las do que colocá-las lado a lado. Ou, se calhar, é como rebentar uma parede a murro e, depois, pedir desculpa, o reflexo alcoólico. Provavelmente, tem mais a ver com as festas a que ia quando era adolescente. Havia quatro ou cinco canções rápidas e, a seguir, uma mais lenta em que se convidava as raparigas para dançar. Nunca me devo ter esquecido desse ciclo musical. Os DJs também funcionam assim. Está relacionado com o ritmo cardíaco. Há canções mais rápidas que o ritmo do coração e outras mais lentas. Acho que sempre distingui as duas.
(...)
"Para onde quer que se vá, o lugar terá de nos afectar. Em Nova Iorque, andei mais pelos clubes onde a mistura musical era maior. Em Greenwich Village, partilhava um quarto com o John Lurie e o Evan, o irmão dele. Escrevíamos canções até às tantas. O problema, quando se tem putos, é que se pode ficar a pé até às cinco da manhã mas é preciso voltar a casa para lhes dar de comer.
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"Muito do mérito em Swordfishtrombones foi da minha mulher, Kathleen. Esse disco foi o primeiro que fizemos sem um produtor externo. Foi ela que me disse que eu era capaz de o fazer. Estava convencido que era milionário e não tinha mais de 20 dólares no banco. A Kathleen ouviu os meus discos e percebeu que havia muitos géneros musicais que me interessavam e que eu nunca tinha explorado. Ela é uma DJ fantástica. Fez-me ouvir imensos discos. Foi ela quem, realmente, co-produziu esse disco. Eu andava à procura de música que se ajustasse melhor às personagens das canções em vez de as vestir todas com o mesmo fato como acontecia até aí.
(...)
1999
(2007)




