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13 January 2025

"Gato Diplomata" (E. Lisboa)

(sequência daqui) Outra parceria peculiar foi com Michales Loukovikas: "Dar a um grego um poema francês, 'Les Chats', do Baudelaire, quando ele (que nem gosta de gatos!) de francês sabe muito pouco e ele ter aceitado, foi, realmente, uma prova de amor: só uma pessoa que não quer deixar ficar mal uma amiga é que aceita um pedido desses..." Com António José Martins, outro dos compositores, ocupar-se de 'Os Gatos (Lembro Que Um Dia)' tratou-se quase de um pedido expresso dele: "Achou imensa piada ao poema do Ary dos Santos que é quase um momento Disney, numa daquelas situações em que os rafeiros se enamoram das senhoras da nobreza de uma forma muito mais interessante do que acontece nos nossos romances mais humanos. 'Os Gatos (Há Um Deus)', do Manuel António Pina, independentemente da dificuldade que aquilo pudesse conter (e continha!), eu tenho uma admiração tremenda por ele - gatófilo notório - e nunca me permitiria deixá-lo de fora. Por outro lado, o Eugénio Lisboa foi logo o primeiro. Os amigos eram presenteados quase diariamente com sonetos de aviso, sonetos de amor, sonetos de compaixão, que, como ele intitulou o último livro dele, são todo um Manual Prático De Gatos Para Uso Diário E Intenso. Felizmente, ele ainda chegou a ouvir o 'Gato Diplomata" à guitarra: deu-me a sua aprovação e contou-me da alegria que isso lhe trouxe". (segue para aqui)

10 January 2025

"Se o Gato Fosse Só Gato"
 
(sequência daqui) Por essa altura, já interiorizara alguns dos muito mais do que 10 mandamentos que o Felis Catus, ao longo dos séculos, foi revelando a alguns dos infinitamente inferiores humanos cuidadosamente seleccionados : "O mais pequeno felino é uma obra-prima" (Leonardo Da Vinci); "Vivi com diversos mestres Zen - eram todos gatos" (Eckhart Tolle); "Não há gatos vulgares" (Colette); e "Na antiguidade, os gatos eram venerados como deuses; nunca se esqueceram disso" (Terry Prattchett) são apenas alguns dos muitos dogmas da felinologia cujas declinações Amélia Muge foi investigar junto de autores como Hélia Correia, Ary dos Santos, Manuel António Pina, Fernando Pessoa, José Jorge Letria, Teresa Muge, Eugénio Lisboa, W.B. Yeats e Charles Baudelaire. Daí - acrescentando-se aos 31 poemas - resultaram 16 canções (acessíveis através de código QR presente no livro), na voz de Amélia, dois coros infantis (um da Póvoa de Varzim e outro de Linda-a-Velha), na guitarra de André Santos, de um quarteto de cordas e no ilusionismo electrónico de José Martins. E também na voz de Hélia que, em "Se o Gato Fosse Só Gato", repete a proeza vocal do "Epitáfio de Seikilos", do álbum Periplus (2012): "Tive a sorte de ter a Hélia Correia a responder a uma chamada e a um pedido urgente de poema - escreveu a 'Deusa' - que, para minha desgraça, me remeteu para um lado mais oriental que, para cantar, é um bocadinho complicado. Caio sempre na mesma esparrela: alguma coisa transporta-me para determinado ambiente e nem sequer penso na dificuldade que irá ser cantá-lo. Mas estou aqui para servir os poemas, se eles me põem trabalhos, que remédio tenho eu senão aceitar isso?... Por outro lado, a Hélia já tinha cantado no 'Seikilos' que era um tema sagrado. E não me parece que, para ela, o tema sagrado fosse mais sagrado do que os gatos". (segue para aqui)

19 October 2012


(sequência daqui)
MANUEL ANTÓNIO PINA (1943 - 2012)



Algumas Coisas

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

(in "Aquele que Quer Morrer")

04 April 2012

(O 2º ANO A SEGUIR AO) ANO DO TIGRE (LXXXII)


Os gatos

Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos
(Manuel António Pina - Como se desenha uma casa)

08 July 2010

HÁ COISAS QUE CUSTA MUITO A COMPREENDER



Aparentemente, descobrir Jesus no Google Earth, num cano, em Coventry, ou no óleo de uma frigideira, quando se está a fritar bacon, é coisa perfeitamente banal e nenhum motivo de escândalo.



Mas dar com ele, numa homenagem a um Nobel da Literatura, na capa e nas páginas da "Playboy" - uma revista praticamente familiar, respeitável, e com décadas de currículo -, a levar a Boa Nova a jovens amigas em demanda da Luz, da Verdade e do Bem, é razão suficiente para encerramento imediato (mais estranho ainda: por parte da própria direcção internacional da revista!).



Querem ver que alguém, às escondidas do Hugh Hefner, está feito com a Vaticano S.A.?!...






Aparições alternativas: Jesus do Cano; Jesus do Google; Jesus da Frigideira.

(mas já houve, pelo menos, outra "Playboy" igualmente interessante...)

(2010)

22 October 2009

NEM EU O DIRIA MELHOR *


M. A. Pina

Saramago é crente

Saramago dizendo "Deus não é de fiar: é vingativo, é má pessoa" lembra-me as animadas conversas das empregadas domésticas nos autocarros a caminho do trabalho, revoltadas com a Ivone do "Caminho das Índias" e prontas para, dando com a actriz Letícia Sabatella na rua, tirarem desforço dela. Saramago, afinal, é crente, e fundamentalista, levando a novela bíblica a peito e as "más práticas" de Deus (espécie de Ivone da Bíblia) à conta de literalidade. Não me admirava que, podendo, também o invectivasse ("Aquilo faz-se, meu malandro, mandar Abrãao matar Isaac?") e o espancasse se ele lhe aparecesse, como à Alexandra Solnado, no metro. Alguém que diga a Saramago que a Bíblia é um livro, uma narrativa (na verdade muitas e belíssimas narrativas, misturando verdade histórica e fábula), "escrita" há milénios por autor colectivo e anónimo a quem os cristãos, na parte que lhes toca, chamam Espírito Santo (como chamamos Homero a todos os gregos autores da "Odisseia"). Não é uma obra de História ou de Geografia, de Biologia ou de Astronomia. Era de supor que um romancista percebesse isso melhor que ninguém. (Manuel António Pina, aqui)

* ... embora não faça a menor ideia de quem é a Ivone...

(2009)

10 May 2009

QUADRAGÉSIMO TERCEIRO COMUNICADO DO C.A.L.A.
(Comité de Apoio a Laurinda Alves)

Luís Resina

Como já, há dias, foi anunciado, o C.A.L.A. associou-se entusiasticamente à fulcral iniciativa que é o I Congresso Internacional de Sincronização com o Planeta Terra, o qual, num reconhecimento da sua indiscutível utilidade pública - tal como já, anteriormente, acontecera com a Fundação Casa Índigo, registada como IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) pelo Ministério da Educação em 11 de Outubro de 2008 -, se integra nas Festas da Capital, no próximo mês de Junho, numa felicíssima parceria com a Câmara Municipal de Lisboa.


É, pois, nesse sentido, oportuno divulgar alguns aspectos essenciais do pensamento do seu principal organizador, Luís Resina, iniciado na Astrologia "através de um pequeno curso promovido pelo Centro Rosacruciano de Lisboa, em 1978" e, desde então, investigador e professor "nos campos da Astrologia Tradicional, Humanista, Transpessoal e Jungiana e temas ligados à Nova Era". Segundo ele próprio revela, "A ideia central deste Congresso surgiu-me na Primavera de 2008, por vezes o fogo primevo do Carneiro, eclode em ideias, intuições e novos projectos. Faz precisamente agora um ano que comecei a elaborar a ideia central de que o ano de 2009 seria um ano extremamente significativo do ponto de vista humano e de suma importância para as grandes questões que se colocam ao nível do Inconsciente Colectivo na conjugação com as grandes influências astrais deste período. Passando à acção, elaborei um texto relacionado com as principais energias do signo de Aquário que estarão bem presentes ao longo do ano. Em seguida, passei a enviá-las para alguns pensadores, cientistas e humanistas deste planeta. A partir daí a sincronicidade começou a actuar e as respostas começaram a surgir".

Dr. Masaru Emoto

Uma delas veio do "Dr.Masaru Emoto" que apresentará o tema "As Mensagens da Água": "Nesta palestra teremos a oportunidade de perceber até que ponto é que o mundo material, sensível e palpável está relacionado com outras frequências mais subtis. Refiro-me à interacção entre as emoções e os sentimentos com o plano concreto da matéria através da formação de figuras geométricas nos cristais da água!"; o próprio Luís Resina dissertará sobre “2009 a 2012 Interpretando as Influências Cósmicas: Alinhamento da Terra e do Sol com o Centro Galáctico” que "irá enquadrar numa perspectiva 'Conscencial' o fecho de vários Ciclos. Começando pelo Grande Ano Sideral, passando pelos Ciclos Maia, Era de Aquário, Profecias e Teorias Milenaristas, até aos principais Ciclos Planetários do nosso Sistema Solar, iremos ver qual a proposta do Cosmo em termos simbólicos e energéticos para este Novo Ciclo que se avizinha. O Planeta Terra está quase a cumprir mais um dos seus grandes Aniversários através do alinhamento que está a fazer com o Sol e o Centro da Galáxia".

O C.A.L.A., para além de reiterar o seu apoio explícito e entusiástico ao I Congresso Internacional de Sincronização com o Planeta Terra, saúda vibrantemente os seus organizadores bem como o Dr. António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, capaz do rasgo visionário que o conduziu a prestar-lhe todo o seu apoio de autarca esclarecido. Bem hajam!

(2009)