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25 August 2026

"Pawcio"
 
(sequência daqui) O resultado é uma linguagem sonora que desafia convenções sem perder a ligação às origens. No álbum de estreia, Prymat, reinventam as danças tradicionais polacas, transportando-as para um universo de sintetizadores, batidas eletrónicas e texturas contemporâneas. É um disco vibrante, excêntrico. Mais do que uma proposta estética, o Tercet Imperial apresenta uma visão artística que afirma a importância do local e da memória cultural que encontra a sua principal fonte de inspiração nas tradições rurais da região de Radom, evocando o folclore das aldeias, florestas e campos do interior da Polónia. Ao mesmo tempo, rejeita a ideia de que a música ancestral só pode existir através de instrumentos históricos, entregando-a uma geometria altamente variável de timbres electro-acústicos que constroem uma ponte entre passado e futuro e recuperam toda a sua força ritual.

22 August 2026

PSICADÉLICO IMPERIAL
Jan Emil Młynarski e Piotr Zabrodzki, conhecidos pela actividade desenvolvida nos Oberkas Travel - quarteto de músicos da cena alternativa de Varsóvia (os dois anteriores mais Piotr Domagalski, Mateusz Niwiński) - juntaram-se à cantora Joanna Sztucka (discípula da lendária Maria Siwiec) para reimaginar a música tradicional polaca. Eles tocam oberkas, uma dança popular local e, agora que regressam com o Tercet Imperial, voltam a explorar esse universo e, desta vez, rompem com a instrumentação tradicional, preservando apenas o núcleo rítmico da dança. Młynarski ocupa-se da bateria eletrónica, enquanto Zabrodzki recria o papel do violino e do acordeão através de sintetizadores que cruzam timbres psicadélicos e electrónica experimental. Młynarski faz convergir influências que vão dos ritmos angolanos às músicas da América do Sul e ao jazz, enquanto Zabrodzki oscila entre a recriação fiel das melodias tradicionais e momentos de desmedida improvisação e abandono quase free. (daqui; segue para aqui)

"Lesie"

23 February 2026

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (CII

 (com a indispensável colaboração do R & R)
 
(clicar na imagem para ampliar; ver e ouvir aqui)

12 September 2025

"Adieu Lovely Erin"

(sequência daquiComo já acontecera antes com vários elementos de diversas bandas, membros dos Landless e Lankum, convergiram para formar os Poor Creature: Ruth Clinton (ex-membro dos Niamh & Ruth e dos Landless) juntou-se a Cormac MacDiarmada dos Lankum, mais tarde - em consequência de desassossegos pandémicos - passando a trio com John Dermody dos The Jimmy Cake (e baterista em concerto dos Lankum). Com All Smiles Tonight, criaram um álbum cuja particular identidade se constrói em torno da tensão entre sonoridades acústicas e contaminações pós-rock e gentilmente psicadélicas, acomodando drones de cordas (viola de arco e violino) e electrónica. Muito em particular, rebuscada na fertilíssima area vintage à qual Ruth Clinton foi ressuscitar uma "keytar" nascida nos 80s, uma Organetta Hohner que ofereceria o esqueleto primordial de duas ou três faixas, um Otamatone japonês e um vetusto Theremin.

08 July 2025

The story of "Good Vibrations" is weirder than you thought

(sequência daqui) As gravações de Smile tinham começado em 1966 com "Good Vibrations". A estrutura da canção era modular, com secções, quase como se fossem andamentos de uma sinfonia. O single recebeu críticas positivas e Pet Sounds começou a ser reavaliado. Trata-se de um álbum inteiro composto por segmentos intermutáveis que fluiam uns nos outros, com repetições de secções, criando uma obra coerente. Brian trabalhava com os tubarões de estúdio de Phil Spector, The Wrecking Crew, e escrevia letras com Van Dyke Parks, enquanto os Beach Boys estavam em digressão. As sessões de gravação eram longas, à medida que Brian se torna cada vez mais perfecionista e obcecado com o seu trabalho. Eventualmente, os Beach Boys regressam ao estúdio e juntam-se a ele, adicionando as partes vocais. A banda, compreensivelmente, não entende totalmente o que são "The Smile Sessions" e Mike Love, embora tenha participado, mostrou-se desconfortável com algumas referências a drogas e com a diferença em relação aos álbuns anteriores dos Beach Boys. Wilson, no entanto, está ciente de que nos bastidores dos Abbey Road Studios, um grupo igualmente obcecado, natural de Liverpool, está a fazer as suas próprias experiências com a música pop. (segue para aqui)

16 June 2025

A FITA DO TEMPO
No ano passado, Rooting For Love apresentava-se com todos os preocupantes sintomas da obra de final de carreira: Laetitia Sadier, ao 5º álbum a solo após a separação dos Stereolab (2009), parecia desinteressar-se de vez do, até aí, fértil cruzamento entre a estética retro-futurista e o diálogo com o marxismo e o situacionismo e escorregava, ideologia abaixo, para o território das "personal politics", abeirando-se mesmo da involuntária comicidade "new age":“Smile at your spleen, inundated with light, and be serene, smile at your kidneys, lights escaping, color is blue, feel your organs smiling back at you”. Os Stereolab tinham emergido em Londres no acampamento "indie" local dos anos 90, mas, na verdade, nunca soaram como os seus contemporâneos. Se mantinham alguns pontos de contacto exteriores, estes situavam-se no pós-rock, no revivalismo do easy listening, na eletrónica experimental e na cena underground que revelou bandas como Pram, Broadcast e Plone.  (daqui; segue para aqui)

27 October 2024

Documentary movie about water in the Carpathians where special engineers created unique musical instruments that could "sound" only contacting the water. Using these sounds all of the musicians created a “Voice of Water" music track, which united ONUKA, Katya Chilly, The Maneken and DakhaBrakha
 

27 April 2024

"A Portal To Silver Linings"
 
(sequência daqui) E, à "Wire" acrescentaria: "A descoberta é a essência da minha prática. Está entranhada nos diferentes formatos segundo os quais o meu cérebro funciona quando penso em música, e na curiosidade de entender como tudo isto acontece e porque soa como soa. Uso muito o meu cérebro lógico e racional no acto de compor mas o objectivo é passar da lógica à emoção porque é aí que nos damos conta de que tudo está a correr bem. Ando sempre em bicos de pés entre duas versões de mim, procurando manter-me verdadeira em relação a ambas. A música ajuda-me a pertencer a esses dois mundos ao mesmo tempo". Composto à beira-mar na costa de Long Island, assenta todo ele em desdobramentos da clássica raga Bageshri (que exprime a emoção do encontro entre os amantes), rendilhada num psicadelismo translúcido de vagas de sintetizadores, voz, guitarra, violoncelo, marimba, flauta e sax, "drones" e fibrilhações sonoras.

24 April 2024

 DA LÓGICA À EMOÇÃO

Não confundir Arooj com Arushi. Até porque importa saber que Arooj Aftab - a saudita-paquistanesa radicada em Brooklyn, autora dos óptimos Vulture Prince (2021) e Love In Exile (2023) e primeira dama actual do que ainda se vai chamando "world music" (título que, aliás, rejeita: “Tenho raízes em imensos lugares. Vivi os últimos 20 anos em Nova Iorque e lá cresci musicalmente. Não me vejo na qualidade de artista ‘world’ ou ‘global’") - se inclui no mui activo círculo de apoiantes da indiana de Delhi, Arushi Jain. Após o estudo de música clássica indiana, também ela emigrou para os EUA - São Francisco e, depois, Nova Iorque -, onde se entregou â informática no Center For Computer Research In Music And Accoustics, da universidade de Stanford. Após a publicação de um primeiro álbum, Under The Lilac Sky (2021) que passaria despercebido no turbilhão pandémico, o novo Delight foi concebido como "um alerta para rejeitar firmemente qualquer existência da qual o deleite esteja ausente". (daqui; segue para aqui)

"Our Touching Tongues"

03 April 2024

"Vou Ficar Neste Quadrado"
 
(sequência daqui) Na verdade, o percurso apontava, desde o início, para uma ideia de articulação entre música popular tradicional portuguesa e música electrónica, com paragens de reabastecimento pelo meio: "Quando estudei piano, no convívio com a música clássica dei-me conta da preponderância dos dois modos - maior e menor. No estudo do jazz tive logo contacto com outros modos, dórico, frígio, mixolidio... que deixaram um rasto em mim. Estão presentes na minha música o que, antes, por não os ter conhecido nem estudado não afectava a minha forma de compor. Foram ferramentas que adquiri através do jazz embora este, em si, não esteja realmente presente", diz Ana Lua que, relativamente à música popular tradicional, confessa que - via dieta musical familiar - a descobriu através dos cantautores referidos acima, como igualmente por via de Michel Giacometti e descendência posterior. Muito em particular, em "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", o arquivo online de vídeos de Tiago Pereira: "Todas essas recolhas foram, evidentemente, importantes para mim como são hoje também as do Tiago que serão uma versão moderna do trabalho do Giacometti: uma forma de registar a evolução que todas essas praticas vocais e instrumentais foram assumindo". (segue para aqui)

25 March 2024

PERSONAL POLITICS
Nos anos 90, Robert Christgau, decano da crítica musical norte-americana, despachava os Stereolab classificando-os como “Marxist background music” e, numa interrogação que deveria ser lida como um elogio, acrescentava: "So it isn't just silly punk songs - yet other people want to fill the world with silly Marxist songs, and what's wrong with that?" Era a altura na qual a banda de Tim Gane e Laetitia Sadier, socorrendo-se de todas as referências a que podia deitar a mão ("avant-pop", "electronica", "post-rock", "krautrock", "lounge", minimalismo, John Cage, bossa nova, "chanson"), se entretinha a polvilhar de alusões anarco-situacionistas o "consomé" sonoro da dezena de álbuns de estúdio que, entre 1992 e 2010, publicou. Exemplo supremo destes exercícios de ironia assassina, "Ping Pong" (1994): "It's alright, 'cause the historical pattern has shown / How the economical cycle tends to revolve / In a round of decades three stages stand out in a loop / A slump and war then peel back to square one and back for more / There's only millions that lose their jobs". (daqui; segue para aqui)

"Panser L'Inacceptable"