11 July 2026

A má reputação de Espinho 
só atrai bandidagem...

 Trailer

(sequência daquiBroken English percorre a história de vida de Faithfull, abordando a sua experiência boémia, as ligações aos Rolling Stones, a tentativa de suicídio em 1969, a longa amizade com Allen Ginsberg, a queda no vício da heroína, os inúmeros regressos, as colaborações com o produtor Hal Wilner e muito mais. Tilda Swinton e George McKay interpretam funcionários do "Ministério do Não Esquecimento", cuja missão é assegurar que o seu trabalho mais importante receba o devido reconhecimento. Aparentemente, isto significa destacar as suas credenciais feministas pioneiras e as suas conquistas artísticas mais subestimadas, ao mesmo tempo que se minimiza a mitologia repugnante dos media sensacionalistas. Este retrato entrelaça imagens de arquivo e reflexões pessoais , tratando os realizadores Iain Forsyth e Jane Pollard de abordar o legado de Faithfull de um ângulo indirecto, combinando novas entrevistas com material de arquivo - as cenas em que mantém um diálogo melancólico com a sua versão mais jovem são inevitavelmente comoventes -, articulado com actuações musicais de Marianne, e de um elenco de apoio de amigos e seguidores, incluindo Nick Cave, Warren Ellis, Courtney Love, Suki Waterhouse, Thurston Moore e outros. Filmado durante o período final de uma longa luta contra o enfisema, a pneumonia e a Covid, Marianne Faithfull nunca chegaria a assistir ao seu derradeiro legado.

10 July 2026

Revisões da matéria dada (LIX) 

"Religion, a mediaeval form of unreason, when combined with modern weaponry becomes a real threat to our freedoms. This religious totalitarianism has caused a deadly mutation in the heart of Islam and we see the tragic consequences in Paris today. I stand with Charlie Hebdo, as we all must, to defend the art of satire, which has always been a force for liberty and against tyranny, dishonesty and stupidity. ‘Respect for religion’ has become a code phrase meaning ‘fear of religion’. Religions, like all other ideas, deserve criticism, satire, and, yes, our fearless disrespect" (Salman Rushdie)

08 July 2026

 Marianne Faithfull  - "It's All over Now Baby Blue" (B. Dylan) |  de The Girl on a Motorcycle
 
(sequência daqui) Quando, em 1993, se apresentou pela primeira vez em Portugal, o modo como recordava os seus primeiros passos tinha já muito pouco de nostálgico: “Nessa altura, em meados dos anos 60, eu tinha um tremendo desprezo pela música pop. Quando jovem, artisticamente, era uma enorme snob. Queria ser actriz, tinha uma excelente voz que me fazia pensar numa carreira na ópera, queria dedicar-me a qualquer coisa séria. E, não sei muito bem como, acabei por ser desviada (de certo modo, por engano) para a pop. Agora, sinto-me muito satisfeita e reconhecida por isso. Mas, na altura, o que cantava parecia-me puro lixo. Em certa medida, foi só quando comecei a entender o Andy Warhol que realmente compreendi que a pop também era arte. Até aí, não passava de matéria descartável, pronta para usar e deitar fora”(segue para aqui)
Numa enraizadíssima tradição, eis um dos mais entusiasmantes momentos de vertigem no zoo
 
 

05 July 2026

A MEMÓRIA E O MITO
Vestido como um detective de film noir - longo sobretudo cinzento e chapéu de feltro -, o "Record Officer" (na realidade, o actor George MacKay) chega a um centro de arquivos. Está nas instalações do Ministério do Não Esquecimento — uma instituição cinematográfica imaginária e vagamente orwelliana, onde a memória e a mitologia se atropelam. Aí irá conduzir uma entrevista com Marianne Faithfull, na qual lhe mostrará imagens dela própria num monitor e lhe fará diversas perguntas. Na verdade, uma apenas bastaria para a situar: "Acha que precisava assim tanto das trevas para ter sido uma grande artista?", pergunta ele à baronesa Erisso von Sacher-Masoch - da ilustre linhagem dos Habsburgos e sobrinha bisneta de Leopold von Sacher-Masoch - que alcançou a fama como uma angelical estrela pop loira de 17 anos e sofreu um rápido declínio para o alcoolismo, a dependência da heroína e a vida nas ruas pelos seus 20 anos. "Fuck, no!..", replica muito energicamente Faithfull. "Mas é um bom gancho para se pendurar as coisas, não acha?", acrescenta ela. (daqui; segue para aqui)