05 February 2026

"The Cute Things" (legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) Entretenham-se, então com “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim”; “my dream house is a negative space of rock”, “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery”, “pilgrimage, private life, mortality, deep shock felt in the body", "a shell fallen down and dead, curled, like a heavy downy baby goose”, que ela permanecerá "waiting inside a talcum powder box, for you to lift the lid and discover me and lift me gently into your palm". No plano de acção estética mantêm-se a concisa instrumentação pós-punk - guitarra, Tom Dowse; baixo, Lewis Maynard, bateria, Nick Buxton, e a recém-acolhida Cate Le Bon na missão de produtora - em paleta sonora rigidamente controlada, com a voz de Florence, plana e declarativa, enquanto eixo central: ela soa menos como uma observadora distanciada e mais como alguém que trata de documentar cautelosamente os pensamentos em tempo real, através da elaboração de listas, recolha de fragmentos e detalhes aparentemente mundanos. (segue)

02 February 2026

CERCADOS PELA LINGUAGEM
No "Guardian", Alexis Petridis encontrou aquela que é provavelmente a melhor forma de caracterizar o papel da voz de Florence Shaw nos Dry Cleaning: "É um pouco como dizia o Stuart Moxham dos Young Marble Giants acerca da Alison Statton: 'Ela canta distraidamente como se estivesse na paragem, à espera do autocarro". Na verdade, Florence mal chega a cantar: da colagem de cut-ups e spoken word a que quase apaticamente se entrega qual Laurie Anderson dadaísta, resulta o que, ao longo dos três álbuns publicados - New Long Leg (2021), Stumpwork (2022) e, agora, Secret Love (2026) - foi encarado como poesia post-punk, sismogramas beatnick e surreal excelência idiossincrática de poetas punk londrinos. Nada, porém, de estratégias furtivas, jogos de dissimulação ou evasão. Apenas uma questão de acreditar numa ética do trabalho peculiar: "I make sure there are hidden messages in my work”. E de se manter fiel ao método que assegura que "the ordinary is worth mining for the extraordinary". (daqui; segue para aqui)
 
"Cruise Ship Designer" (legendas disponíveis)
 

01 February 2026


("CM")

Edit (02/02/2026) - ... e, do Sumo Patífice, não se espere melhor...
Music belongs to everyone. This principle, which was at the root of a socialist campaign to democratize musicianship in Hungary after World War II, should be part of a push for universal music literacy today

"You Stare" (daqui, álbum integral aqui)