07 August 2026

A VOZ ENTRE SÉCULOS
Carola Moccia, nome d'arte LA NiÑA, nasceu em Nápoles em 1991 e cresceu em San Giorgio a Cremano, cidade e comuna de Nápoles, na Campânia, frente ao temível Vesúvio. Começou a estudar guitarra e a compor canções ainda miúda. Licenciou-se em Filosofia e História e concluiu um mestrado em Comunicação Musical. Na cena musical italiana destaca-se pela visceralidade e pela poderosa presença em palco. "Mais do que uma ideia, LA NIÑA nasceu de uma necessidade. Percebi que precisava dela quando a linguagem deixou de me obedecer" revelou ela à "Glamcult". "O nome não tem nada a ver com a idade, mas com a origem. Ela é a primeira centelha, o instinto que sobrevive a todas as transformações. LA NIÑA é também o nome de um fenómeno natural, uma força climática poderosa e imprevisível, e foi, na verdade, a primeira coisa que me atraiu para ele. Queria um nome que parecesse ter sido gerado pela própria terra; algo selvagem, cíclico e vivo. A língua napolitana tem um poder evocativo irreprimível". (daqui; segue)

04 August 2026

"Born To Run"
 
(sequência daqui) Ele queria que todos os álbuns "tivessem a amplitude do cinema, mantendo-se, ao mesmo tempo, muito, muito pessoais. De certa forma, estava a usar os contornos e a forma dos filmes, ao mesmo tempo que tentava encontrar-me a mim próprio no meu trabalho. Mas a natureza cinematográfica das minhas canções nunca esteve longe dos meus pensamentos". É o perfeitíssimo caso da ópera de rua "Jungleland" (de Born To Run), com o seu protagonista em fuga, a namorada descalça e os miúdos a brandir guitarras "como navalhas". Essa canção "abriu-me um mundo de possibilidades porque se baseava inteiramente em imagens, foi a primeira vez que ouvi um solo de saxofone que me fez sentir como se estivesse a ver um filme em Technicolor". A arte, os filmes e a música "contextualizam a vida", permitindo que as pessoas se vejam reflectidas neles, proclama o credo de Springsteen. Isso explica por que razão as suas canções parecem tão cinematográficas: não são meras gravações, mas mundos plenamente concretizados onde pessoas comuns enfrentam a esperança, as dificuldades, a redenção e a promessa duradoura da estrada aberta.

 Por ter ultrapassado o número máximo de concorrentes  

"Adiada 82.ª edição de prova de natação histórica em Ceuta"

02 August 2026

 
(sequência daqui) Born To Run (1975), terceiro álbum de Springsteen e aquele que marcou a sua definitiva consagração, abre com "Thunder Road", uma canção cujo título é exactamente o de um filme de 1958 protagonizado por Robert Mitchum. Este, então a estrela de cinema mais 'cool', interpreta Lucas Doolin, um contrabandista do Sul dos Estados Unidos. Na verdade, Springsteen não tinha visto o filme mas apenas o cartaz de Thunder Road pelo que a canção não se baseia tanto no filme, mas sim no que o cartaz lhe fez imaginar. Depois de, finalmente, o ver, descreveu-o como "um excelente 'filme noir'" e referiu-o como um dos filmes que mais o marcaram. De facto, do "western", ao "film noir", ou ao "road movie", pouco ou nada do cinema clássico americano escapou à rede estética de Springsteen que, abertamente, reconheceria a influência duradoura do cinema "noir" clássico, em particular The Postman Always Rings Twice (1946), de Tay Garnett, e Double Indemnity (1944), de Billy Wilder, adaptações de romances de James M. Cain. O seu amor pelo cinema americano estendeu-se a filmes de culto como Rolling Thunder (1977), Jackson County Jail (1976) e Cockfighter (1974), cujos anti-heróis se assemelham a muitas das personagens que povoam os álbuns de Springsteen. Mas também The Searchers (1956), de John Ford, Mean Streets e Taxi Driver, de Martin Scorsese, ajudaram a moldar a sua imaginação visual e o seu estilo de interpretação. "Os actores ítalo-americanos da década de 1970 tiveram um enorme impacto em mim", diz ele. "Se tivessem vindo ver-nos em palco nos anos 70, teriam assistido a uma actuação muito teatral. Eu estava, de certa forma, a canalizar todos aqueles actores daquela época e a trazê-los para o palco comigo". (segue para aqui)
Tratar-se de "um engenho explosivo improvisado" pode querer dizer que voltou a atribuir-se o devido valor aos produtos caseiros e artesanais