06 May 2026

A Dialéctica nas margens do Reno

 A dialéctica. Já ouvi falar da dialéctica: 

era assim uma espécie de regra de três

simples no papel pardo das mercearias,

a penitência dos bígamos, 

um motor a três tempos engatado

na quarta velocidade do pensamento. 

O jovem Carlos leu GWF nas longas, 

teutónicas noites de inverno e escreveu 

na Rheinische Zeitung um artigo 

sobre o roubo da lenha aos camponeses ou 

pelos camponeses: não sei bem. 

Alguns discutiram se O Capital é 

uma obra de maturidade ou um efeito 

secundário da furunculose. 

Por mim confesso: tenho saudades de tais tempos 

em que despontavam as mamas em raparigas 

acossadas pelo acne e pela delicadeza.

"Pussy Riot and FEMEN protest at Venice Biennale forces Russian pavilion to briefly close"

Uma página e não é de todo seguro que ele a tenha lido 
até ao fim sem cabecear

Uma página com letras grandes e bonecos
Seera - "Wahm Al Qimmah (Illusion of the Summit)"

03 May 2026

Goblin Band - "Clyde Water"

"At some point in the last few years, London’s folk scene reimagined some much-needed vitality. At the heart of that resurgence are Goblin Band, a queer, celebratory, roguish quartet who have enlivened traditional music with the breezy irreverence of punk. They have won over audiences with their openness, and their gigs emphasise the rebellious joy of shared experience" (ver + aqui)

"Akhir Sarkha (The Last Scream)"
 
(sequência daqui) Entremos, então, pela magnífica "Shams", uma espiral de guitarra contaminada de flamenco que se deixa aproximar perigosamente de um espectro dos Doors, nos conduz até ao ponto no qual o perfil sonoro da canção se altera imprevisivelmente e, a seguir, os teclados de "Athar" abrem as portas a uma deriva de som e poesia praticamente sem palavras. A articulação de vertiginosas texturas rock e frases melódicas arabizantes parece inevitável, como se esta fosse a única forma de estas canções poderem existir, desde a radiação das linhas de guitarra exploratórias de Haya à inteligencia quase fisiológica do elástico baixo de Meesh até à bateria implacavelmente firme de Thing. Após a estreia internacional no final do ano passado, na Southbank londrina, "tudo nos convenceu que a nossa música não é coisa de nicho; vale por si mesma sem necessitar de explicações". Não será um acaso que este EP tenha sido publicado pela Women in CTRL Records / CTRL Music.