(sequência daqui) Em Furésta (2º e último álbum de La NIÑA, 2025), o "L'Unità" deu relevo à "mistura de melodias mediterrânicas, sons urbanos, versos hipnóticos e pop experimental" e sublinhou "a alternância entre melodias corais enraizadas nas tradições medievais italianas, ritmos das pistas de dança e experiências com a pandeireta, enquanto a voz parece transitar entre séculos". Inspirado nas tammurriate das zonas rurais da Campânia; o "Glamcult" assegura que "Ouvir LA NIÑA é como entrar numa tempestade mágica: selvagem, melódica e absolutamente viva, evocando pássaros, gatos e espíritos nas suas tapeçarias vívidas, misturando ritmos pagãos, tremores vulcânicos e instrumentos barrocos - tammorra, espineta e a chitarra battente - que é simultaneamente tradicional e singularmente contemporâneoo"; e o "Gay.it" fala de "um exército de mulheres que, com os seus coros, sustentam a raiva, e as influências sul-americanas e mexicanas do bolero". Enquanto a jangda de pedra napolitana não atraca ao porto de Sines, podemos autorizar que Lydia Palumbo, Francesca del Duca (voz e percussões) Denise di Maria (voz, guitarra, percussões), Alfredo Maddaluno (voz, bandolim, teclados, electrónica), e LA NiÑA (voz, percussões, guitarra) nos enfeiticem via-YouTube, através do registo na KEXP da mui memorável apresentação nas Trans Musicales de Rennes do ano passado.
La Niña live al Concerto del Primo Maggio a Roma 2026
(sequência daqui) Foi em 2014 que Carola conheceu o produtor e músico Alfredo Maddaluno que viria a tornar-se o seu produtor executivo e comparsa na dupla Yombe. Após um curto período em Londres, regressariam a Itália para assentar raízes em Nápoles e inventar La NIÑA, reanimar tarantelas e guapparie, integrar elementos estilísticos e tradições da cultura tradicional do Mediterrâneo. "A minha música é uma conversa entre opostos. Algo antigo e moderno, delicado e brutal, sagrado e comum", explica La NIÑA. "Sinto-me sempre atraída por vozes ou sons que não deveriam combinar, mas que, de alguma forma, combinam. Nápoles, e a zona rural à sua volta, é o pulso subjacente a tudo isto. Não é um lugar que se aprenda a compreender, é um lugar que se aprende a sentir. Componho canções de outro tempo e espaço, habitadas por fantasmas, pelos mortos do passado da minha história", confessa à "Songlines". E, à "Fräulein Magazin", acrescentou: "Lembro-me das vozes das mulheres a cantar das varandas, o caos musical dos mercados de rua, o mar a bater nas rochas como um tambor. Esses sons ensinaram-me o ritmo muito antes de qualquer instrumento o ter feito. E as mãos da minha avó, sempre ocupadas com alguma coisa, sempre a abençoar ou a lutar contra algo, ensinaram-me o que é a devoção e a ternura. Nunca toquei em mãos mais suaves do que as dela. Essas memórias são a espinha dorsal do meu trabalho". (segue para aqui)