23 June 2026

 
(sequência daqui) Não por muito tempo. Alguns meses depois, Cash e Rubin deram-se conta de que tinham um músico em comum com Waits, o guitarrista Smokey Hormel, que, em missão de pombo-correio, foi para lhe perguntar se ele, por acaso, não teria alguma coisa guardada. Este rebuscou um pouco na memória e, não muito convictamente, sugeriu “Down There By the Train”: "Ei, tem tudo o que o Johnny gosta: comboios e morte, John Wilkes Booth, a cruz…" Depois de a canção lhe ter saido das mãos, Waits referiu que Cash "Fez-lhe algumas alterações, o que era de esperar. Eu faço o mesmo quando toco uma música de outro autor. É mesmo preciso fazê-lo, experimenta-se, e quando está um pouco apertado aqui, não encaixa bem ali, corta-se ou adapta-se. Queres que soe como se fosse tua". (segue)

21 June 2026

E, depois do pensamento Mao Tsé Tung, segue-se o pensamento Xi Jinping (a sério, não é para rir!!!)


(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)
DAS MARGENS PARA O CENTRO

Quando, em 1993, Johnny Cash estava a trabalhar no seu memorável 81º álbum, American Recordings, o produtor Rick Rubin sugeriu-lhe convidar um grupo de compositores criteriosamente selecionados. Assinalando um ressurgimento na carreira de Cash, American Recordings excluiria qualquer tipo de produção sobrecarregada, deixando-o sozinho com uma guitarra e as letras. Para capturar o som na sua forma mais crua, o álbum seria gravado entre a sala de estar de Rubin e a cabana de Cash no Tennessee. Para além das cinco faixas escritas por Cash, o álbum incluiria, então, igualmente uma coleção de canções assinadas por um grupo eclético de artistas, de que faziam parte Nick Lowe, Kris Kristofferson, Leonard Cohen.e Loudon Winright III. Tom Waits também foi convidado a contribuir com uma canção. Mas, como ele contaria a Jim Jarmusch no substack "Every Tom Waits Song", havia apenas “Down There By the Train” que, até à altura, "ninguém quisera gravar. E também não conseguimos encontrar uma forma de o fazer que nos satisfizesse, por isso deixámo-la para trás. E lá ficou ela, à espera". (daqui; segue para aqui)

 

19 June 2026

Los Sara Fontán - "All the Bastards"

(do álbum Consuelo, na íntegra aqui)
É maravilhoso como tanta certezinha, bazófia e adivinhação, muito pouco tempo depois, não passam de certezinha, bazófia e adivinhação

Edit (15:56) - ... e o grande líder proletário, perante a derrota do pacote laboral devida ao neo-facho, verte uma sentida lágrima...
 
Edit (20:39) - ... e as forças reaccionárias da burguesia acusam-se mutuamente de terem caído na armadilha do neo-facho-quase-comuna...
É em todo o lado... já não se encontram por aí uns Baader-Meinhofzitos decentes nos saldos?...

17 June 2026

(JPP via CdO)

 
(sequência daqui) "Embora tivesse esperado ter tudo resolvido no terceiro álbum e na minha terceira década de vida, acabei por aceitar que talvez uma parte de ser humano seja ser uma obra em constante evolução. Será que esta coleção de canções é suficiente? Se acender uma faísca e lançar um pouco de luz para quem alguma vez sentiu o corpo vacilar, o amor vacilar ou o tempo a escapar-lhe por entre os dedos, então isso é suficiente para mim". E acrescentou: "Não queria que parecesse uma coisa completamente sólida e perfeita. Nunca é mais do que um instantâneo do momento em que nos encontramos". A faixa de abertura, "Matches" - sobre os históricos julgamentos das "bruxas" - é esclarecedora: "Quis transmitir raiva e dar voz aos milhares de mulheres que foram mortas naquela época". Demonstração dessa tese a meio do percurso do texto é assaz elucidativa: "They weren't burning witches, It was women on those fires". e a resposta que, 4 versos abaixo, colhe, ainda muito mais: "And you, you will rise with the moon, and show what scorn can do, don't they know that we have matches too?"