22 August 2026

PSICADÉLICO IMPERIAL
Jan Emil Młynarski e Piotr Zabrodzki, conhecidos pela actividade desenvolvida nos Oberkas Travel - quarteto de músicos da cena alternativa de Varsóvia (os dois anteriores mais Piotr Domagalski, Mateusz Niwiński) - juntaram-se à cantora Joanna Sztucka (discípula da lendária Maria Siwiec) para reimaginar a música tradicional polaca. Eles tocam oberkas, uma dança popular local e, agora que regressam com o Tercet Imperial, voltam a explorar esse universo e, desta vez, rompem com a instrumentação tradicional, preservando apenas o núcleo rítmico da dança. Młynarski ocupa-se da bateria eletrónica, enquanto Zabrodzki recria o papel do violino e do acordeão através de sintetizadores que cruzam timbres psicadélicos e electrónica experimental. Młynarski faz convergir influências que vão dos ritmos angolanos às músicas da América do Sul e ao jazz, enquanto Zabrodzki oscila entre a recriação fiel das melodias tradicionais e momentos de desmedida improvisação e abandono quase free. (daqui; segue)

"Lesie"
(oops!... ia-me escapando... mas não perde pela demora)

19 August 2026

"Gas Lights" / "Seanhamac Tube Station" / "Sailor’s Wife" / "Lovely Bann Water" 

(sequência daqui) O álbum de estreia da banda, Long Live Brown Wimpenny, começa, então, com uma versão de uma melodia de violino do início do século XIX chamada "Gas Lights", muito provavelmente composta para celebrar os primeiros candeeiros de rua a gás do mundo, instalados na Chapel Street, em Salford, em 1806, e, a seguir, "The Sheffield Grinder" remonta à década de 1860, quando as más condições de trabalho na indústria siderúrgica local levaram a uma série de protestos (os "Sheffield Outrages"), que acabaram por ser reprimidos por um inquérito governamental corrupto. Oriundos de diversas bandas de pós-punk e rock experimental, os Brown Wimpenny encontraram formas várias de experimentação sonora, testando os limites dos instrumentos que escolheram - banjo, violino, flauta, acordeão, eufónio ou contrabaixo - evocando, por vezes deliberadamente, o ruído de velha maquinaria ou o rangido de navios num porto.
O universo-Trampas: javardice, traição, fraldas e merda avulsa

17 August 2026

EM MEMÒRIA DO VELHO BROWN
Segundo conta Anna Korbel (bandolim, trompete e voz), foi tudo muito instintivo: "Perguntei simplesmente à minha irmã, Jess (que toca violino e eufónio), se não lhe apetecia formar uma banda folk e ela disse que sim. Isso foi em 2023". Sem grandes delongas, no domingo a seguir, juntaram-se-lhes Seth Lockwood (banjo tenor) e Archie Barker (bandolim). Voltaram a encontrar-se uma semana depois e, novamente, no domingo seguinte. A cada encontro, o número de participantes aumentava. "A certa altura, éramos 25", conta Korbel à "Songlines", rindo, incrédula. Na verdade, fixaram-se nos 11 actuais, tendo ido rebuscar o nome da banda ao tetra-avô de Lockwood, Brown Wimpenny: nascido em meados do século XIX, cresceu numa quinta no West Yorkshire e emigrou para os EUA, onde trabalharia como motorista em Brooklyn. Chris Bright (violino) acrescenta: "Manchester tem uma forte cultura folk, há uma grande diáspora irlandesa e muitas sessões nos pubs, uma das melhorees era no Peveril of the Peak. Estávamos sempre lá caídos". (daqui; segue para aqui)
 
"O’Keeffe’s" / "Farewell to Whalley Range"