Revisões da matéria dada (LVIII)
12 June 2026
11 June 2026
"Remenanuèch"
(sequência daqui) Logo na faixa de abertura, “Remenanuèch”, estabelece-se a tonalidade global com uma intensidade quase punk, narrando a domesticação de um drac (dragão) metamórfico. “Adissiatz Palhassonaira” conduz o diálogo vocal do duo para um território no qual cada cantora se ocupa de melodias e textos diferentes antes de convergirem numa micro-coda translúcida. “Au Nòst’ Casalòt” intensifica ainda mais a experiência com percussão como um metrónomo de metal corroído. “Jana D’Aimet”, última faixa e clímax absoluto do disco, é uma composição monstruosamente exigente em que passagens solenes irrompem em explosões vocais extáticas. Dufau e Fraysse gargalham, murmuram e uivam como se evocassem algo antigo e perigoso sob a superfície ardente da música. Produzido em conjunto com o visionário catalão Raül Refree, as Cocanha haviam imediatamente antes publicado o álbum 4132314 em colaboração com os catalães Los Sara Fontan e Tarta Relena, no qual prestam homenagem às trabalhadoras da antiga fábrica têxtil de Barcelona, Fabra i Coats: através de padrões numéricos de tecelagem, traduziram os números em estruturas rítmicas e frases melódicas, articulando-as com canções tradicionais de trabalho. A tal actividade muito pouco apreciada no Pays de Cocagne.
10 June 2026
Recorde para o "Guinness" de criaturas a cabecear perante lenga-lengas repletas dos chavões patriótico-camonianos do costume e uma ou outra "resiliência"... e nem uma referenciazinha à gloriosa tribo dos gebos do ludopédio que, em breve, partirá para oh quão terríveis refregas!...
“Apenas o mastro em que a bandeira é hasteada e o vento. Nenhuma bandeira”
09 June 2026
A 21 de Julho de 2023, as televisões estavam cheias com padralhada, o Sumo Patífice, "peregrinos", pessoas que "questionam", zombies, bola, surubas e social-fascistas. Como sempre.
08 June 2026
Cocanha feat. Edredon Sensible - Flame Folclòre - Live
(sequência daqui) Flame Folclòre (terceiro álbum das Cocanha, após I Ès ?, 2017, e Puput, 2020) é uma obra inquieta e arrebatadora que transforma tradições ancestrais em algo ferozmente contemporâneo, impulsionado por ritmos hipnóticos, pandeiretas de cordas, percussões corporais e harmonias explosivas. É, pois, na matéria do próprio álbum que se encontra um duplo gesto artístico e político relevante: as representantes actuais da Cocanha original cantam integralmente em occitano (uma língua minoritária com cerca de 600 000 falantes que se estendem pelo Pays d’Oc, no sul de França, e chegam até aos Pirenéus e ao norte de Itália), durante muito tempo marginalizado pelo Estado francês, que o encarava como manifestação exótica, folclórica, e peculiar, mas sem qualquer importância. As Cocanha, porém, em vez de o tratar como folclore de museu, injectam-lhe urgência e vitalidade. A sua música torna-se "um acto de recuperação da língua, da memória coletiva e da tradição, uma força subversiva e libertadora: a alegria colectiva como acto político". (segue para aqui)
07 June 2026
Los Sara Fontán (en directe des del Museu del Ciment, a Castellar de n'Hug)
"La proposta musical de Los Sara Fontán parteix del diàleg imaginatiu i sempre en constant mutació de la bateria i les bases d’Edi Pou i el violí i els pedals de Sara Fontán. El duet ha trobat a través de nombrosos concerts pel territori i l’estranger un espai elàstic per improvisar, modular i fer créixer les seves composicions. Però encara que la naturalesa del seu so parteixi del moment capturat en viu, Los Sara Fontán tampoc han defugit les possibilitats d’experimentar dins de l’estudi amb el seu debut Queda pendiente.
Numa manifestação de piroseira nostálgica, não podia faltar o lugar comum (ainda por cima erradíssimo!) da, ó da!... "sódade"... ("António José Seguro apontou ainda a palavra 'saudade' como exemplo da riqueza e singularidade do português"), teimosamente "intraduzível"
Hildegard von Bingen - The Marriage of the Heavens and the Earth by Catherine Braslavsky & Joseph Rowe
+ The Marriage of the Heavens and the Earth (Braslavsky/Rowe), na íntegra aqui
06 June 2026
Agora que parece que, de repente, toda a gente acordou apavorada com a AI, é capaz de ser a altura certa para:
Revisões da matéria dada (LVII)
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