12 March 2026

 
(sequência daqui) A voz permanece firme, quase coloquial, mesmo quando o assunto se torna desconfortável. Ele sempre teve um talento para o eufemismo, mas aqui parece ter-se aperfeiçoado ao máximo. A conversa flui. Nada explode. Agilmente acompanhado pelo núcleo da banda que o seguiu durante a última digressão - o guitarrista Matt Kinsey, o saxofonista Dustin Laurenzi e o baterista Jim White -, Bill Callahan sabe que apenas lhe resta manter-se muito atento: "O desconhecido é o que me mantém motivado para continuar a fazer música. É tudo uma questão de me ouvir a mim mesmo e aos outros. Muitas das melhores partes de uma gravação são os erros – transformá-los em pontos fortes, usá-los como trampolins para algo humano. Já ouvi as melodias mais celestiais e tento guardá-las no subconsciente. Mas elas nunca estão lá quando acordo. Já ouvi frases incríveis que desaparecem, como tinta invisível. Antes de dormir, peço aos sonhos que me mostrem algo. Às vezes funciona. Os sonhos e a música são muito próximos, são coisas intangíveis que nos atingem com muita força. É inacreditável que sonhemos e prestemos tão pouca atenção a isso".

Recordando tudo o que, desde 2011, para aqui há sobre fundações, observatórios e afins (Crónica dos Anos da Peste I, II, III, IV) , de uma passagem muito por alto pelos ecrãs de televisão, descobre-se que, por esse doce paraíso, hoje vicejam "n" espécimes de categorias várias: 

Analista de segurança e defesa 

Analista de mercados 

Especialista em geopolítica 

Especialista do 0bservatório de defesa

Especialista do observatório do risco geopolítico 

Especialista do observatório do mundo islâmico

Especialista em economia internacional 

Especialista em relações internacionais 

Especialista em direito da energia 

Especialista militar 

Especialista em assuntos europeus 

Especialista em política americana

Consultor de comunicação  

(segue)

11 March 2026


(ver aqui também)
STREET ART, GRAFFITI & ETC (CCCXLV)
 
Lisboa, Portugal, 2026 
 
 
 
 

09 March 2026

 
 
(sequência daqui) Não esqueçamos, pois, que (ainda que jure "Não hei-de morrer. A vida é demasiado boa. Não pode acabar”) lidamos com o autor do mais singular requiem de sempre: "Dress sexy at my funeral, my good wife, for the first time in your life, wear your blouse undone to here and your skirt split up to there, and when it comes your turn to speak before the crowd, tell them about the time we did it on the beach with fireworks above us" (de Dongs of Sevotion, 2000). My Days Of 58 revela um Bill Callahan reflexivo desenhando paisagens emocionais com a mesma precisão seca de um diário. Ainda que os espectros de Lou Reed e Leonard Cohen (a somar a John Lee Hooker e, menos detectavelmente, aos vestígios de free-jazz que reivindica) nunca se ausentem, não há aqui nenhuma grande reflexão, Apenas fragmentos, cenas domésticas, pensamentos passageiros. (segue para aqui)