21 September 2017

O pessoal mete o rabo entre as pernas com medinho que ele tenha ainda escondido um facalhão da fábrica de enchidos no capachinho 

Tenha uma 3ª idade vigorosa e activa, candidate-se à presidência da república!

Mesmo dando o desconto ao valente photoshop...


... falar de uma "Senhora Lisboa" só se for no mercado do peixe...

(ver também aqui)

"Reduzir a pobreza infantil através do trabalho infantil" 

20 September 2017



Spent the day in bed 
Very happy I did, 
Yes I spent the day in bed 
As the workers stay enslaved 
I spent the day in bed 

 (...) 

And I recommend that you 
Stop watching the news! 
Because the news contrives to frighten you 
To make you feel small and alone 
To make you feel that your mind isn't your own

(...)

Oh time, do as I wish 
Time, do as I wish 
Oh time, do as I wish 
Time, do as I wish 
Oh time, do as I wish 
Time, do as I wish 
Oh time, do as I wish 
Do as I wish

(...)

Life ends in death 
So, there's nothing wrong with 
Being good to yourself 
Be good to yourself for once!

And no bus, no boss, 
No rain, no train 
No bus, no boss, 
No rain, no train 
No bus, no boss, 
No rain, no train 

No emasculation, no castration 
No highway, freeway, motorway

No bus, no boss, 
No rain, no train 
No bus, no boss, 
No rain, no train 
No bus, no boss, 
No rain, no train

19 September 2017

OUTUBRO 



Quem, um século depois, e exaustivamente conhecida a sanguinária distopia em que se transformou, sonha ainda com a “Grande Revolução Socialista” de Outubro de 1917? Quem, à excepção dos guardiães das relíquias ideológicas, continua a comemorá-la? Resposta: os Test Dept, no festival Assembly of Disturbance, que, entre 5 e 7 de Outubro próximos, terá lugar na Red Gallery, em Londres, durante o qual apresentarão também o novo álbum, Disturbance. Segundo o programa, a intenção é “Explorar o modo como, cem anos após a Revolução Russa ter desencadeado forças radicais em busca de uma sociedade nova, o actual clima político estará também a gerar a necessidade de uma profunda mudança”. É importante, contudo, saber que a “revolução russa” a que os TD se referem é a dos futuristas e construtivistas, de Dziga Vertov e Eisenstein, de Mayakovsky, El Lissitzky e Malevitch, de Arseny Avraamov e da sua Sinfonia para Sirenes de Fábricas, da Proletkult, dos atonalismos de Roslavets e da Fundição, de Mosolov. Isto é, todas as vanguardas a que a insurreição escancarou as portas mas que o realismo-socialista de Estaline/Zhdanov não demoraria muito a esmagar. 



Foi no início dos anos 80 que Graham Cunnington, Paul Jamrozy, Jonathan Toby Burdon, Paul Hines e Angus Farquhar, "squatters" de New Cross Gate, em Londres, sufocados pela atmosfera da era Thatcher – guerra das Falklands, duríssimo e prolongado conflito entre sindicatos e governo em torno do encerramento das minas de carvão, as 54 semanas de greve dos tipógrafos do grupo Murdoch, os "Brixton riots" –, fundaram os TD, colectivo militante de produção de imagens (fotografia e cinema) e música, inspirada na actividade cultural dos primórdios da cultura revolucionária soviética mas também no que, pela mesma altura, os Laibach, Cabaret Voltaire, Einstürzende Neubauten ou SPK já praticavam: no caso dos TD, uma música literalmente “industrial”, criada a partir da convulsiva percussão de todo o tipo de desperdícios de fábricas desactivadas, aí mesmo executada ou transportada para os diversos cenários das lutas que apoiavam. Separados em 1997 (mas todos individualmente ainda activos), após a exibição e publicação, em 2014 e 2015, do filme DS30 e do livro Test Dept: Total State Machine, Jamrozy e Cunnington regressaram no ano passado como Test Dept:Redux. Já no início de 2017, as tréguas seriam definitivamente rompidas: o quase vertoviano video de guerrilha audiovisual “Faces of Freedom (HeadFuck)”, higiénico exercío de violenta desfiguração de Trump e demais jagunços do Apocalipse.
Qualquer coisinha de português (LXIII) 

Estejam com muita atenção: aquela semicolcheia, no 6º compasso da 3ª faixa, vai ser indiscutivelmente alfacinha!
Morrissey - "Spent the Day in Bed"

Laurie Anderson - Chalkroom

17 September 2017


"After one conversation with a prison guard, who pleads with her to stop her hunger strike, Maria Alyokhina records her reaction: 'What kind of answer can I give you, Guard? I protest wherever I can, wherever I need to. That’s my nature. I need to protest'. As the end of her incarceration draws nearer, Alyokhina and another inmate at IK-2 in Nizhny Novgorod make an insulting poster and parade it up and down before the entire prison colony. 'This is what protest should be — desperate, sudden and joyous'. (...) The grinding reality of prison life in Russia takes up over half of Riot Days.It is hard not to grimace at Alyokhina’s description of the intense cold of one cell in Moscow, where cracks in the walls are stuffed with chewed bread and sanitary pads. She recounts inspections by guards of naked prisoners, apparently looking for tattoos, regular gynaecological examinations and her brushes with drug addicts on the verge of death, murderers and stool pigeons" (daqui)

16 September 2017

   
Notas: 1) Como esquecer Dana International? 2) Sobre o kitsch/camp, ver aqui; 3) Sobre o kitsch/camp eurovisivo, ver aqui; 4) Sobre o "easy listening", ver aqui, aqui e aqui; 5) Nem o Philip Glass, nem o Michael Nyman iniciais eram kitsch.
"As autarquias permitem que milhares de cidadãos sejam insultados pelo espectáculo da imbecilidade colectiva que se passa nos jardins e nas ruas. Aliás, o que se passa não é diferente do pastoreio das claques de futebol pela polícia de choque, em que um exército excitado e violento ameaça entrar em guerra com o exército do lado. Os espaços públicos pertencem ao público, a todos nós, não podem ser apropriados por actividades violentas e as praxes são um espectáculo de violência da estupidez. (...) Se se quer permitir as praxes — o que para mim está bem fora das escolas e das ruas —, ao menos que se proceda com medidas de sanidade pública, como seja atribuir-lhes uns locais vedados, cercados por altos muros, os curros das praças de touros, ou os lotes vazios da selva urbana, os sítios poluídos onde ninguém quer ir, os matadouros abandonados, as fábricas em ruínas, aqueles cenários dos filmes de terror. Aí, se quiserem, podem dedicar-se a rastejar pelo chão, a lamber coisas inomináveis, a fazerem genuflexões 'servis' como mandam os manuais da praxe" (JPP)
Para os Dauerling, há sempre uma flexibilidadezinha orçamental