09 March 2026

 
 
(sequência daqui) Não esqueçamos, pois, que (ainda que jure "Não hei-de morrer. A vida é demasiado boa. Não pode acabar”) lidamos com o autor do mais singular requiem de sempre: "Dress sexy at my funeral, my good wife, for the first time in your life, wear your blouse undone to here and your skirt split up to there, and when it comes your turn to speak before the crowd, tell them about the time we did it on the beach with fireworks above us" (de Dongs of Sevotion, 2000). My Days Of 58 revela um Bill Callahan reflexivo desenhando paisagens emocionais com a mesma precisão seca de um diário. Ainda que os espectros de Lou Reed e Leonard Cohen (a somar a John Lee Hooker e, menos detectavelmente, aos vestígios de free-jazz que reivindica) nunca se ausentem, não há aqui nenhuma grande reflexão, Apenas fragmentos, cenas domésticas, pensamentos passageiros. (segue)

05 March 2026

Pode ser que à bofetada a coisa vá
 
Sim, sim, é explicar isso bem explicadinho e, já agora, 
as profecias do Malaquias também
"Lonely City" (fotos de Daniel Arnold; legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) A verdade é que, num período em que não teve apenas que lidar com o inesperado encontro com a própria mortalidade mas também com o desaparecimento do pai, Callahan não se transformou em personagem soturna nem em gracejador à beira do abismo: "Sou mais o género do professor bêbedo. Gosto de acasos, coincidências e erros. Não percebo nada de sintetizadores, mas escolho um aleatoriamente, ligo-o e começo a gravar. Carrego em alguns botões, toco qualquer coisa e, de alguma forma, tento que funcione. Só sou preciso na composição das letras, o resto é mais atirar barro à parede. Também não sei nada sobre endadeamentos de acordes. É mais uma questão de estar aberto e aceitar as coisas de onde quer que elas venham. Sinto-me mais como um médium. Parece-me que recebo coisas já construídas e garanto que sejam recebidas de forma precisa" (segue para aqui)