20 September 2026

Revisões da matéria dada (LX)

 No 3º e último dia das eleições parlamentares na Rússia, reposição do label  

"Pussy Riot" (148 posts)


18 September 2026

OLHAR PARA TRÁS (OUTRA VEZ) 

Durante os dois próximos fins de semana, o Grande Auditório da Fundação Gulbenkian acolherá um ciclo de cinema que, entre o documentário, o musical e o videoclip, ensaia diferentes formas de cruzar música, arte, cultura popular e vanguardas artísticas. Para o abrir, dificilmente haveria melhor exemplo do que Don’t Look Back (que também dá o título ao ciclo), o filme de D. A. Pennebaker sobre a digressão britânica de Bob Dylan, em 1965. Pennebaker, provavelmente sem sequer o suspeitar, faria história logo nos primeiros 2’10”: ao som de "Subterranean Homesick Blues", (ver aqui também) numa rua de edifícios em obras, Dylan exibe e deixa cair, um a um, cartões com palavras e fragmentos manuscritos retirados do texto da canção. Com década e meia de antecedência, a sequência contém já os rudimentos da estética do videoclip, forma autónoma de micronarrativa audiovisual que só se consolidaria em 1981, com a MTV. A canção surgira em 1965 em Bringing It All Back Home, o álbum “escandaloso” no qual Dylan, acompanhado por uma banda eléctrica, abalou a ortodoxia folk. (daqui; segue)


17 September 2026

          STREET ART, GRAFFITI & ETC (CCCLIV)

Paris, França, 2026
  



 

"Materia 3"

(sequência daqui) Materia não se constroi em torno de clímaxes óbvios ou refrões instantaneamente memoráveis: uma primeira audição pode deixar a impressão de superfícies belas, mas enganosas; audições posteriores revelam quão cuidadosamente estas superfícies foram construídas. A mão de obra em acção era a mesma do álbum Something In The Room She Moves: Elizabeth Goodfellow, bateria, Devra Hoff baixo, Maia na flauta, Chris Speed no saxofone e no clarinete, Tashi Wada nos sintetizadores e Kenny Gilmore na coprodução, engenharia de som e mistura. As diversas peças começam a articular-se, e. ainda que aparentemente fragmentadas, vão revelando gradualmente uma intrincada arquitetura interna. Em última análise, Materia é um olhar curioso para o interior da oficina de uma das compositoras mais aventureiras da música contemporânea. Ao revelar o seu método e tratar as canções como conversas em curso, Holter cria uma obra complementar que se sustenta pelos seus próprios meios. É um disco no qual os fragmentos se transformam em novas formas, a experimentação permanece indissociável da emoção e até os mais pequenos gestos musicais podem conter mundos infinitos.

"The truth of things is not something I particularly like. I go more for a good story than what really happened. That's just the way I am. I'm a big liar"