23 July 2019

O Trampas não quer matar 10 milhões de pessoas. O Trampas não quer matar 150 pessoas. Um dia destes, o Trampas vai ter de decidir quantas pessoas quer matar. Porque lá querer, ele quer.
UM FARDO


O litopédio é um fenómeno raro que ocorre quando, durante uma gravidez ectópica, o feto morre mas – sendo demasiado volumoso para ser reabsorvido –, em consequência de uma reacção de corpo estranho, calcifica. Evita o risco de infecção mas pode não ser diagnosticado durante décadas. Pelo menos, tão improvável e imprevisível é Jesca Hoop ter escolhido para título do quinto álbum a designação popular que lhe é atribuída, Stonechild, que, como um espectro, paira sobre as 11 canções e assombra de ângulos vários a própria ideia de maternidade. “Uma 'stonechild' é algo que carregamos connosco. Um segredo. Um fardo. Em cada canção, alivio-me de um peso”, explicou Hoop ao “Discussions Magazine”. E, após declarar que vive “obcecada com o poder da religião”, anuncia desejar “participar activamente na dissoluçao do regime patriarcal”. Uma a uma, é precisamente para esses alvos que cada peça de Stonechild aponta. 


Logo a começar por "Free of the Feeling” (“When the ringing bell falls deaf, we go look for dark, where no flag is waving red, we look for dark, past the grave and Vicar's House, people packed in bars, all the chaste and junkies raising hands to God”), litania folk coral reclinada sobre "drone" electrónico. Aí mesmo, as regras do jogo ficam estabelecidas: tudo decorrerá da acentuação do processo de despojamento sonoro iniciado em Memories Are Now (2017), agora comandado pelo ubíquo John Parish – “Foi um colaborador gentil até ao momento em que em que assassinou uma das minhas bem amadas canções. Nunca tinha sido tão brutalmente editada. Não medi as palavras para lhe dizer o que sentia. Respondeu-me: ‘Vais acabar por perdoar-me’. E, de facto, acabei por gostar daquele tratamento que me reduziu ao essencial” – e apoiado nas participações polifónicas de Kate Stables (This is The Kit), Rozi Plain, Jess Wolfe e Holly Laessig (Lucius). É, então, em estado de quase nudez vocal que oferece a horrenda candura maternal de "Old Fear of Father" (“I love my boys more than I love my girl, try not to show it, she knows like I knew, don't look to me to hold you, I shape and mould you so you can get the ring while you're still pretty”), a "lullabye" sem esperança "01" ("I can show you love that's fair, oh, a life that is bearable, so I'll show you how to win Solitaire”), ou a perplexidade infinita de "Shoulder Charge" (“I came out of this world, not into this world, nothing knows a finishing, where nothing begins”). E nem uma partícula precisaria ser-lhe acrescentada.

21 July 2019

 Lusofonia goleada: 
Trampas 12 - Bolsonaro 1

 
Claudio Monteverdi - "Sinfonia from Atto Terzo - L´Orfeo" (Eduardo Antonello)

Não incomodem demasiado os 20 (vinte) candidatos a Dauerling ("Forças Armadas apoiam Proteção Civil a combater os incêndios em Castelo Branco") nem humilhem os bravos guerreiros pondo-os a descascar batatas, que eles amuam por ter de "passar dos exercícios para as missões de combate aos incêndios" (isto é, mexer o cu) e dão logo à sola ("Militares que combatem incêndios deixam Exército")
VINTAGE (CDXCVII)

Sigue Sigue Sputnik - "Love Missile F1 11"

20 July 2019


Recordando: "E ainda há quem negue que os astros exercem influência sobre a vida dos humanos... no caso de Bruce Springsteen, foi a Lua de 20 de Julho de 1969, pelas 22h56. Neil Armstrong e Buzz Aldrin estavam prestes a dar um passo gigante para a humanidade mas, no Pandemonium Club, na esquina da Sunset Avenue com a Route 35 da costa de New Jersey, os presentes dividiam-se entre concentrar-se nas imagens a preto e branco que uma pequena televisão, num canto do bar, recebia de um ponto no espaço a 384 400 quilómetros de distância e prestar atenção ao concerto dos Child (designação original dos Steel Mill, semente da futura E-Street Band). Perante a indecisão, o baterista Vini "Mad Dog" Lopez fez jus ao nome e berrou “Se não desligarem imeditamente a merda da televisão, vou aí e espeto-lhe um pontapé!”, logo a seguir, saltou para cima do proprietário do clube e, nesse momento, Bruce e a banda viram o seu primeiro contrato para uma semana inteira de concertos ser, instantaneamente, cancelado"
E, para fechar este tríptico bem catita, um contributo para contextualizar as dúvidas do Jerónimo sobre a Coreia do Norte: o MDM - que está para as mulheres como os Verdes estão para a "ecologia", orbitando em torno das directivas do Comité Central -, ocupa-se da "luta pela paz", sem problemas, em Pyongyang (com comunicado em português, tal como é falado na Guiné Equatorial)
... e ainda: o destacado membro do clube de fãs da beatagem social-fascista anuncia que a luta continua!

19 July 2019

Na hora de votar, NUNCA ESQUECER a Santíssima Aliança! (em particular, a beatagem social-fascista) (IV)
 
 
 
 Nos séculos XV...


... XVI...


... XVII...


... o problema parecia não existir...
Nada a temer, Sãozinha: depois do genial golpe tricológico, tudo será diferente!

Mega Bog - "Diary of a Rose"

Nadia, não é proibido cuspir 
no focinho da aventesma...

Amin Maalouf: justissimamente premiado (e, por aqui, mui citado)