03 August 2026

02 August 2026

 
(sequência daqui) Born To Run (1975), terceiro álbum de Springsteen e aquele que marcou a sua definitiva consagração, abre com "Thunder Road", uma canção cujo título é exactamente o de um filme de 1958 protagonizado por Robert Mitchum. Este, então a estrela de cinema mais 'cool', interpreta Lucas Doolin, um contrabandista do Sul dos Estados Unidos. Na verdade, Springsteen não tinha visto o filme mas apenas o cartaz de Thunder Road pelo que a canção não se baseia tanto no filme, mas sim no que o cartaz lhe fez imaginar. Depois de, finalmente, o ver, descreveu-o como "um excelente 'filme noir'" e referiu-o como um dos filmes que mais o marcaram. De facto, do "western", ao "film noir", ou ao "road movie", pouco ou nada do cinema clássico americano escapou à rede estética de Springsteen que, abertamente, reconheceria a influência duradoura do cinema "noir" clássico, em particular The Postman Always Rings Twice (1946), de Tay Garnett, e Double Indemnity (1944), de Billy Wilder, adaptações de romances de James M. Cain. O seu amor pelo cinema americano estendeu-se a filmes de culto como Rolling Thunder (1977), Jackson County Jail (1976) e Cockfighter (1974), cujos anti-heróis se assemelham a muitas das personagens que povoam os álbuns de Springsteen. Mas também The Searchers (1956), de John Ford, Mean Streets e Taxi Driver, de Martin Scorsese, ajudaram a moldar a sua imaginação visual e o seu estilo de interpretação. "Os actores ítalo-americanos da década de 1970 tiveram um enorme impacto em mim", diz ele. "Se tivessem vindo ver-nos em palco nos anos 70, teriam assistido a uma actuação muito teatral. Eu estava, de certa forma, a canalizar todos aqueles actores daquela época e a trazê-los para o palco comigo". (segue)
Tratar-se de "um engenho explosivo improvisado" pode querer dizer que voltou a atribuir-se o devido valor aos produtos caseiros e artesanais

30 July 2026

Esta maltinha está danada porque querem estragar-lhe o brinquedo

(sequência daqui) Essa compaixão pelas pessoas comuns viria mais tarde a tornar-se central em álbuns como The Ghost of Tom Joad e abrir-lhe-ia as portas para a obra de realizadores como John Ford e Sergio Leone, e actores como Marlon Brando, James Dean, Al Pacino e Robert De Niro, cuja intensidade e vulnerabilidade moldaram a sua persona no palco ao longo da década de 1970. As Vinhas da Ira viria a tornar-se a principal influência no desolado ambiente acústico de Nebraska tal como aconteceria com The Night Of The Hunter, e "Badlands", baseada na história real do assassino Charles Starkweather ou no filme homónimo de Terrence Malick. Bruce Springsteen — cantor, compositor, estrela do rock, artista de palco consumado, ícone americano — sempre foi um cineasta. Os seus álbuns  têm investido na amplitude cinematográfica, no dinamismo e detalhes pictóricos. Ele admite que essa perspetiva cinematográfica lhe surgiu naturalmente. "Os filmes sempre significaram muito para mim. Provavelmente, é consequência de ser um miúdo dos anos 50, 60 e 70, quando havia tantos filmes excelentes".  (segue para aqui)

29 July 2026

Tudo aponta para que, muito em breve, 
seja urgente uma
 
Revisão da Matéria Dada (LX)
 

Marianne Faithfull - "Strange Weather"

  (daqui; do álbum Where The Willow And The Dog Wood Grow, na íntegra aqui)

28 July 2026

A ESTRADA ABERTA
Jon Landau - o agente artístico que cunhou a profecia "Vi o futuro do rock'n' roll e ele chama-se Bruce Springsteen" -, costumava conversar com Bruce durante horas sobre música, livros e filmes (uma conversa ainda não interrompida). Enquanto gravavam Darkness On The Edge Of Town, recorda ele, Springsteen falou-lhe de um filme que tinha visto na televisão, sem ter memorizado o título. "Ele começou a descrevê-lo, e, a certa altura, interrompi-o: 'Bruce, isso é As Vinhas da Ira'.'". Ele respondeu: ‘É a melhor coisa que já vi’!" Perguntei-lhe: "O que é que gostaste mais?" E ele respondeu: "Tudo. As imagens, a intensidade, a concentração, a arte, tudo" E eu disse: "Sabes que foi o John Ford que o realizou?" E ele disse: "Sim, sim, já ouvi falar dele...". Foi nesse momento, diz Landau, que Springsteen começou a olhar para o cinema de uma forma completamente diferente. A adaptação de John Ford de As Vinhas da Ira, de John Steinbeck (1940), deixou-lhe, talvez, a marca emocional mais profunda: "O humanismo do filme afectou-me profundamente. Quero um pouco disso na minha música". (daqui; segue para aqui)