Não são muitas mas há que prestar-lhes atenção. Falo das referências ao facto de Katherine Priddy ter dedicado boa parte do ano passado a participar na digressão Flying With Angels, de Suzanne Vega. Não só lhe fica muito bem no currículo ainda curto mas absolutamente imaculado, como não será, certamente, inferior à sensação que, em 2018, experimentou ao saber que, na "Mojo", Richard Thompson considerara o seu EP de estreia, Wolf, o melhor disco que escutara nesse ano. Aprender com os mestres foi, pois, aquilo de que Priddy desejou prestar contas nos belíssimos The Eternal Rocks Beneath (2021) e The Pendulum Swing (2024). “Queria terminar este álbum com um ponto de interrogação”, disse agora Priddy à "KLOF Mag" a propósito do último These Frightening Machines. "Embora tivesse esperado ter tudo resolvido no terceiro álbum e na minha terceira década de vida, acabei por aceitar que talvez uma parte de ser humano seja ser uma obra em constante evolução". (daqui; segue)
Pieter Bruegel, o Velho - O País da Cocanha (1567)
11 June 2026
"Remenanuèch"
(sequência daqui) Logo na faixa de abertura, “Remenanuèch”, estabelece-se a tonalidade global com uma intensidade quase punk, narrando a domesticação de um drac (dragão) metamórfico. “Adissiatz Palhassonaira” conduz o diálogo vocal do duo para um território no qual cada cantora se ocupa de melodias e textos diferentes antes de convergirem numa micro-coda translúcida. “Au Nòst’ Casalòt” intensifica ainda mais a experiência com percussão como um metrónomo de metal corroído. “Jana D’Aimet”, última faixa e clímax absoluto do disco, é uma composição monstruosamente exigente em que passagens solenes irrompem em explosões vocais extáticas. Dufau e Fraysse gargalham, murmuram e uivam como se evocassem algo antigo e perigoso sob a superfície ardente da música. Produzido em conjunto com o visionário catalão Raül Refree, as Cocanha haviam imediatamente antes publicado o álbum 4132314 em colaboração com os catalães Los Sara Fontan e Tarta Relena, no qual prestam homenagem às trabalhadoras da antiga fábrica têxtil de Barcelona, Fabra i Coats: através de padrões numéricos de tecelagem, traduziram os números em estruturas rítmicas e frases melódicas, articulando-as com canções tradicionais de trabalho. A tal actividade muito pouco apreciada no Pays de Cocagne.
Recorde para o "Guinness" de criaturas a cabecear perante lenga-lengas repletas dos chavões patriótico-camonianos do costume e uma ou outra "resiliência"... e nem uma referenciazinha à gloriosa tribo dos gebos do ludopédio que, em breve, partirá para oh quão terríveis refregas!...
A 21 de Julho de 2023, as televisões estavam cheias com padralhada, o Sumo Patífice, "peregrinos", pessoas que "questionam", zombies, bola, surubas e social-fascistas. Como sempre.