(sequência daqui) O resultado é simultaneamente sombrio, rude, leve e orquestral, o lugar de descoberta de uma identidade enraizada no passado, sem ficar prisioneira dele, e que privilegia a tensão emocional e a textura em detrimento da grandiosidade cinematográfica convencional. Inspirada numa balada inglesa, do século XVII (recolhida por Francis James Child como a balada Child n.º 120 na sua coleção de baladas populares), esta é uma música que reflecte uma visão revisionista sobre Robin Hood: não o lendário herói justiceiro que rouba aos ricos para dar aos pobres, mas um homem violento e imperfeito ("São tudo mentiras sobre mentiras. Sou um assassino e um ladrão, matei por prazer, roubei por ganância", confessa ele, a certo ponto), confrontado com as consequências dos seus actos.
The Death of Robin Hood assinala a emergência de Jim Ghedi - músico folk, de Sheffield - pela porta de entrada menos comum: a composição de bandas sonoras para cinema, transportando uma visão assombrada e apocalíptica da folk inglesa para o universo cinematográfico de Michael Sarnoski. O aclamado (porém ignoradíssimo) álbum de Ghedi, Wasteland (2025), já despertara a atenção de Sarnoski e o interesse comum pela folk tradicional - em particular, pelos Steeleye Span -, serviria de esteio a uma banda sonora que reinterpreta a figura de Robin Hood (Hugh Jackman) para lá dos mitos e das lendas habituais: centrando-se nas dimensões mais brutais e cruéis da sua história, real ou imaginária, porém, dando corpo aos muitos "Robins" que povoaram a fantasia popular medieval britânica. Combinando drones poderosos produzidos por instrumentos tradicionais (harmonium, nyckelharpa, uillean pipes e sanfona) com uma sensibilidade atmosférica e experimental, ergue um zumbido persistente e terroso, sobre o qual se elevam melodias de violino, e a voz poderosa de Ghedi emerge ocasionalmente desta paisagem sonora. (daqui; segue para aqui)