03 February 2023

O EIXO SOMBRIO DO MUNDO


Em Superstars: Andy Warhol e os Velvet Underground (Assírio & Alvim, 1992) – extenso dossier incluindo entrevista quadripartida e dicionário sobre os VU, publicado por “Les Inrockuptibles” aquando da reunião histórica da banda para a abertura da exposição Andy Warhol System, Pub, Pop Rock, a 15 de Junho de 1990, na Fundação Cartier, em Paris – John Cale, por entre um desfile de memórias agridoces, aqui e ali, vai deixando cair uma ou outra confissão que ajudam a iluminar melhor o percurso dele e da banda. Por exemplo, logo a abrir, ele que, enquanto jovem, tocara com a National Youth Orchestra do País de Gales, estudara no Goldsmiths College, de Londres, aproximara-se de John Cage, do Fluxus e do Theatre Of Eternal Music de La Monte Young, dispara: “Não existe qualquer futilidade no rock’n’roll. Na vanguarda, sim. O rock’n’roll é demasiado urgente para ser fútil e é isso que ele tem de fantástico”. Tudo começara quando, aos 15 anos, num cinema de Gales, assistiu a Rock Around The Clock. Para ele que, até ali, “imaginara o rock’n’roll como algo semelhante à música de Stravinsky”, o choque fora tremendo: “Fiquei terrivelmente confuso: queria mesmo dedicar-me à música de vanguarda ou atirar-me ao rock’n’roll?”, conta ele, agora, ao “New York Times”. (daqui; segue)

Se fossem 59 milhões, safava-se

02 February 2023

Gaye Su Akyol - "İsyan Manifestosu"

Mas porque é que ninguém fala do que verdadeiramente importa: a  exigência intolerávelmente cruel de inocentes criaturas do 9º ano terem de escrever, acerca do que for, 150/180 palavras???!!!... Querem matar os nossos jovens???

01 February 2023

(real. Giuseppe Tornatore)
 
(ver também aqui)
Em síntese, é isto:
Gaye Su Akyol - "Yıllar Yılan"

"AI Can Now Make Music From Text Descriptions" (mas os resultados não são extraordinários...)
 
 Hugo van der Goes - The Fall of Man (c. 1440 –1482)
 
(ver também aqui)

31 January 2023

Hildegard von Bingen - Symphonia armonie celestium revelationum (Sinfonye)
 
(sequência daqui) Para Neil Young, porém, tudo fora simples e confortável. As canções que, a 19 de Janeiro de 1971, apresentara, a solo, no Massey Hall, de Toronto, justificando-se – “Escrevi tantas canções novas que não tenho outro remédio senão começar a canta-las” –, sob a orientação de Glazer e do co-produtor Jack Nitzsche, acharam o melhor caminho sem a ocorrência de quaisquer sobressaltos: Harvest foi muito fácil. Tudo aconteceu muito rapidamente. Como se se tratasse de uma coisa acidental. Não andava à procura do som de Nashville, aqueles eram apenas os músicos que estavam ali à mão. Pegaram nas minhas canções e tocaram-nas. Chegaram, gravaram e foram-se embora. Como se faz em Nashville”

Registado entre Janeiro e Setembro de 1971 no celeiro do Broken Arrow Ranch – Barn, publicado no início do ano passado, voltaria a ter lugar num celeiro de Telluride, no Colorado, recuperado por Young –, nos Quadraphonic Sound Studios, de Nashville, no Royce Hall da UCLA, em Los Angeles, e, em Londres, com a London Symphony Orchestra dirigida por Jack Nitzsche, Harvest era também uma demonstração de como as relações entre os quatro Crosby Stills Nash & Young – um ano após a separação do grupo – não se encontravam ainda irremediavelmente comprometidas: David Crosby cantaria em "Are You Ready For The Country?" e "Alabama", Stephen Stills em "Alabama" e "Words" e Graham Nash em "Words" e "Are You Ready For The Country?", aos quais se juntariam James Taylor e Linda Ronstadt em "Heart Of Gold" e "Old Man". Mesmo as contrariedades mais indesejáveis, Neil Young parecia posuir poderes para as fazer jogar a seu favor. Tal como a poliomielite que contraíra em criança lhe condicionara a mobilidade do braço esquerdo, oferecendo-lhe, contudo, a possibilidade de se transformar num incandescente guitarrista eléctrico mas – abençoadamente! – incapaz de malabarismos circenses, durante a criação de Harvest, debatera-se com problemas na coluna vertebral que o obrigaram a intervenção cirúrgica e ao uso de uma cinta ortopédica. Como mais tarde explicaria à “Rolling Stone”, “Gravei praticamente todo o álbum com a cinta. Foi uma das razões para aquela sonoridade mais suave. Fisicamente, não conseguia pegar numa guitarra eléctrica”.
Boas notícias (para variar)

28 January 2023

Neil Young - Harvest Time (Welcome to my farm)
 
(sequência daqui) Quem se encontrava no interior do celeiro do Broken Arrow Ranch de Neil, na Califórnia (visível no video Harvest Time que, juntamente com outro de um concerto a solo na BBC em 1971, acompanha a reedição comemorativa do meio século), eram os, por ele baptizados, Stray Gators – Ben Keith ("pedal steel guitar"), Tim Drummond (baixo), Kenny Buttrey (bateria) –, ratazanas de estúdio que, após um encontro fortuito de Young, em Nashville, com o produtor Elliot Mazer (acabado de montar os Quadraphonic Sound Studios), este lhe propusera como cúmplices para o sucessor de After The Gold Rush (1970). 
 
 
Buttrey e Drummond haviam tocado com Bob Dylan em Nashville Skyline e Blonde On Blonde o que poderá ter sido o motivo por que, apesar de prestar homenagem a Young, Dylan sempre encarou uma das canções de Harvest, "Heart Of Gold", como uma espinha na garganta.: “A única vez que me incomodou ser confundido com outra pessoa foi quando eu vivia em Phoenix, no Arizona, por volta de 1972, e a canção que se escutava a toda a hora era "Heart Of Gold". Odiava-a quando a ouvia no rádio. Sempre gostei de Neil Young mas aborrecia-me ouvi-la e dar comigo a pensar ‘Merda, sou eu! Se soa como eu, deveria ser eu’. E ali estava, algures no deserto, a tentar acalmar-me um pouco... Nova Iorque era um sítio pesado. Woodstock era ainda pior, com pessoas a viver nas árvores, no exterior da minha casa, fãs a bater-me à porta, automóveis a perseguir-me pela escuridão nas estradas da montanha. Precisava de um sítio tranquilo para descansar, esquecer-me das coisas e de mim. Mas, ali tão longe, bastava ligar o rádio e lá estava eu... mas não era eu. Parecia que alguém me tinha roubado e fugido com o que era meu. Nunca ultrapassei isso”, confessaria ele à “Spin”, em 1985. (segue para aqui)
Concorrência para o Marselfie

27 January 2023

É preciso reconhecer o que este episódio do palcoaltar da JMJ tem de absolutamente maravilhoso: durante dois dias, nunca as palavras "religião", "fé" e "catolicismo"/"cristianismo" foram pronunciadas - o que se discutiu (como deve ser em tudo o que diz respeito à Vaticano S.A.) foram investimentos, orçamentos, negócios, ajustes directos e maroscas afins. Muito bem!