04 August 2026

"Born To Run"
 
(sequência daqui) Ele queria que todos os álbuns "tivessem a amplitude do cinema, mantendo-se, ao mesmo tempo, muito, muito pessoais. De certa forma, estava a usar os contornos e a forma dos filmes, ao mesmo tempo que tentava encontrar-me a mim próprio no meu trabalho. Mas a natureza cinematográfica das minhas canções nunca esteve longe dos meus pensamentos". É o perfeitíssimo caso da ópera de rua "Jungleland" (de Born To Run), com o seu protagonista em fuga, a namorada descalça e os miúdos a brandir guitarras "como navalhas". Essa canção "abriu-me um mundo de possibilidades porque se baseava inteiramente em imagens, foi a primeira vez que ouvi um solo de saxofone que me fez sentir como se estivesse a ver um filme em Technicolor". A arte, os filmes e a música "contextualizam a vida", permitindo que as pessoas se vejam reflectidas neles, proclama o credo de Springsteen. Isso explica por que razão as suas canções parecem tão cinematográficas: não são meras gravações, mas mundos plenamente concretizados onde pessoas comuns enfrentam a esperança, as dificuldades, a redenção e a promessa duradoura da estrada aberta.

 Por ter ultrapassado o número máximo de concorrentes  

"Adiada 82.ª edição de prova de natação histórica em Ceuta"

02 August 2026

 
(sequência daqui) Born To Run (1975), terceiro álbum de Springsteen e aquele que marcou a sua definitiva consagração, abre com "Thunder Road", uma canção cujo título é exactamente o de um filme de 1958 protagonizado por Robert Mitchum. Este, então a estrela de cinema mais 'cool', interpreta Lucas Doolin, um contrabandista do Sul dos Estados Unidos. Na verdade, Springsteen não tinha visto o filme mas apenas o cartaz de Thunder Road pelo que a canção não se baseia tanto no filme, mas sim no que o cartaz lhe fez imaginar. Depois de, finalmente, o ver, descreveu-o como "um excelente 'filme noir'" e referiu-o como um dos filmes que mais o marcaram. De facto, do "western", ao "film noir", ou ao "road movie", pouco ou nada do cinema clássico americano escapou à rede estética de Springsteen que, abertamente, reconheceria a influência duradoura do cinema "noir" clássico, em particular The Postman Always Rings Twice (1946), de Tay Garnett, e Double Indemnity (1944), de Billy Wilder, adaptações de romances de James M. Cain. O seu amor pelo cinema americano estendeu-se a filmes de culto como Rolling Thunder (1977), Jackson County Jail (1976) e Cockfighter (1974), cujos anti-heróis se assemelham a muitas das personagens que povoam os álbuns de Springsteen. Mas também The Searchers (1956), de John Ford, Mean Streets e Taxi Driver, de Martin Scorsese, ajudaram a moldar a sua imaginação visual e o seu estilo de interpretação. "Os actores ítalo-americanos da década de 1970 tiveram um enorme impacto em mim", diz ele. "Se tivessem vindo ver-nos em palco nos anos 70, teriam assistido a uma actuação muito teatral. Eu estava, de certa forma, a canalizar todos aqueles actores daquela época e a trazê-los para o palco comigo". (segue para aqui)
Tratar-se de "um engenho explosivo improvisado" pode querer dizer que voltou a atribuir-se o devido valor aos produtos caseiros e artesanais

30 July 2026

Esta maltinha está danada porque querem estragar-lhe o brinquedo

(sequência daqui) Essa compaixão pelas pessoas comuns viria mais tarde a tornar-se central em álbuns como The Ghost of Tom Joad e abrir-lhe-ia as portas para a obra de realizadores como John Ford e Sergio Leone, e actores como Marlon Brando, James Dean, Al Pacino e Robert De Niro, cuja intensidade e vulnerabilidade moldaram a sua persona no palco ao longo da década de 1970. As Vinhas da Ira viria a tornar-se a principal influência no desolado ambiente acústico de Nebraska tal como aconteceria com The Night Of The Hunter, e "Badlands", baseada na história real do assassino Charles Starkweather ou no filme homónimo de Terrence Malick. Bruce Springsteen — cantor, compositor, estrela do rock, artista de palco consumado, ícone americano — sempre foi um cineasta. Os seus álbuns  têm investido na amplitude cinematográfica, no dinamismo e detalhes pictóricos. Ele admite que essa perspetiva cinematográfica lhe surgiu naturalmente. "Os filmes sempre significaram muito para mim. Provavelmente, é consequência de ser um miúdo dos anos 50, 60 e 70, quando havia tantos filmes excelentes".  (segue para aqui)

29 July 2026

Tudo aponta para que, muito em breve, 
seja urgente uma
 
Revisão da Matéria Dada (LX)
 

Marianne Faithfull - "Strange Weather"

  (daqui; do álbum Where The Willow And The Dog Wood Grow, na íntegra aqui)