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17 October 2023
28 October 2019
A longa marcha que, mais ou menos inevitavelmente, vem dar aqui
(+ ligeiramente "off-topic" mas não muito)
30 January 2016
"Não é deixando passar um aluno que não sabe minimamente ler, por exemplo, que um professor o ajuda, antes o trai porque se desresponsabiliza profissionalmente e o entrega à desmotivação que acabará por acontecer, mais tarde ou mais cedo, por acumulação de dificuldades, todas elas resultantes de não ter aprendido a ler de forma satisfatória. Parece óbvio, mas o certo é que se mantém a ausência de um debate sério sobre o Ensino, nele incluindo necessariamente a formação de professores. (...) Aquilo a que temos vindo a assistir no Ensino resulta por um lado, do trabalho da Direita apostada ostensivamente na defesa da Escola Privada e no abandono e desmantelamento da Escola Pública, e por outro, da Esquerda, em que ideologicamente me revejo, mas cuja postura lamento pelo fanatismo de um triste discurso miserabilista, que inclui a facilidade e que, paradoxalmente, contribui para a ausência de futuro daqueles que pretende defender, vislumbrando a igualdade na ignorância que fomenta" (aqui)
27 May 2012
16 October 2008
ENSINAR? MOI?...
(adenda a este post)

"P. Quando diz que o verbo Ensinar foi banido, está a referir-se ao facto de ele ter sido banido do discurso oficial?
R. Sim, e essencialmente dos programas. Segundo esse discurso, um professor não ensina, deve apenas 'respeitar o discurso que os alunos trazem de casa', estar atento aos seus interesses, deixando-se estimular por eles. Esta nova estratégia pedagógica foi apresentada, como incontornável, numa acção promovida pelo Ministério da Educação (ME), em que estive presente, enquanto formadora, e que incidia sobre os objectivos da nova disciplina de Português, mascarada sob o nome de 'Língua Portuguesa', para de forma aparentemente natural dissociar Literatura e Língua, como se isso fosse possível.
P. Como interpreta isso?
R. Pura e simplesmente como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas, uma ofensa à nobreza da pedagogia, viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e a ignorância e afastando-os do convívio, consequente, com os textos literários, (no caso do Português), cuja leitura agora se denomina 'recreativa'; por outro, querem fazer ver aos professores que a situação se inverteu e agora são os alunos que 'ensinam' e definem as regras do jogo." (ainda da entrevista à profª Maria do Carmo Vieira repescada daqui pela senhora da pastelaria)
(2008)
(adenda a este post)

"P. Quando diz que o verbo Ensinar foi banido, está a referir-se ao facto de ele ter sido banido do discurso oficial?
R. Sim, e essencialmente dos programas. Segundo esse discurso, um professor não ensina, deve apenas 'respeitar o discurso que os alunos trazem de casa', estar atento aos seus interesses, deixando-se estimular por eles. Esta nova estratégia pedagógica foi apresentada, como incontornável, numa acção promovida pelo Ministério da Educação (ME), em que estive presente, enquanto formadora, e que incidia sobre os objectivos da nova disciplina de Português, mascarada sob o nome de 'Língua Portuguesa', para de forma aparentemente natural dissociar Literatura e Língua, como se isso fosse possível.
P. Como interpreta isso?
R. Pura e simplesmente como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas, uma ofensa à nobreza da pedagogia, viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e a ignorância e afastando-os do convívio, consequente, com os textos literários, (no caso do Português), cuja leitura agora se denomina 'recreativa'; por outro, querem fazer ver aos professores que a situação se inverteu e agora são os alunos que 'ensinam' e definem as regras do jogo." (ainda da entrevista à profª Maria do Carmo Vieira repescada daqui pela senhora da pastelaria)
(2008)
13 October 2008
CUMPRIR ORDENS
(extracto da entrevista da professora
Maria do Carmo Vieira à revista do "DN")

"Contagiados pela febre de catalogar e incapazes de pensar pela sua própria cabeça, têm-me descrito, uns, como 'lamentavelmente fascista', outros, como 'sonsa comunista', outros ainda, como estando 'a soldo do PSD para destruir o governo socialista', e há também quem me descreva como 'agitadora catastrofista', ignorando, sobretudo, estes últimos, que são eles próprios os agitadores ao pretender limitar a liberdade de pensamento e de expressão, que em boa-hora o 25 de Abril nos trouxe. Esquecem ainda que 'as ideias têm asas e ninguém as pode impedir de voar', recuperando as palavras do realizador egípcio, recentemente falecido, Youssef Chahine, no seu inesquecível filme O Destino.
Por conhecimento de causa, continuarei a afirmar que o nivelamento por baixo, que oficialmente se instituiu no ensino (lembremo-nos das palavras recentes do Dr. Jorge Pedreira a propósito do ensino em Portugal ser demasiado exigente), faz com que os alunos deixem de acreditar nas suas próprias capacidades, perdendo a vontade e a perseverança, que acompanham habitualmente o desenvolvimento de todo o estudo. É uma forma deselegante, no mínimo, mas também muito elitista, de dizer antecipadamente aos alunos, sobretudo aos da Escola Pública, que são uns incapazes. Com perversa doçura, qual droga que vai corroendo, entrega-se como oferta aos alunos 'o êxito a que têm direito' (palavras do coordenador do GAVE) que assim se viciam na crença de que tudo se consegue sem trabalho. E, no entanto, inteligentemente reflectiu Albert Einstein: 'O único sítio onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário'.
Inebriados pelo facilitismo e estimulados pelo passa palavra de 'em pouco tempo faz-se...' (e completamos a frase, o 2º ou 3º ciclos e o secundário) correm também muitos daqueles que, por motivos vários, interromperam, ou tiveram de interromper, os seus estudos, a inscrever-se nos cursos das novas oportunidades, não compreendendo, muitos, ou sequer admitindo, que os objectivos delineados assentam não na preocupação de formar, mas de atingir metas estatísticas.
É por ter conhecimento de como se processa este ensino 'pronto a vestir', desenhado na base de um suposto 'quadro de competências', que põe de lado a noção de programa, transformando-o em pózinhos de saber disto e daquilo (as tais aprendizagens ou saberes) e que rejeita o diploma, agora tornado certificado ('validação das aprendizagens'), de coisa nenhuma, que desejo transcrever as directivas comunitárias, as quais calarão quem tem vindo a insultar e a desmentir os que criticamente têm escrito sobre o assunto. (...) Lendo-os, compreendemos o manifesto desprezo pelas disciplinas de Humanidades, o aligeiramento da matéria científica, o facto de a Escola servir quase exclusivamente para responder ao mercado de trabalho, o porquê da conhecida e divulgadíssima expressão 'aprender a aprender', a defesa exaustiva da autonomia das escolas, ou ainda o espírito que rege a avaliação de desempenho dos professores, centrado nos bons resultados com os seus alunos, mediante o cumprimento acrítico das ordens impostas, num convite descarado à desresponsabilização do acto de ensinar. (...)
Não virão agora certamente desmentir a existência de um sistema perverso, cozinhado pela Comissão Europeia, que finge formar e educar, num manifesto desrespeito pelo papel da Escola e do professor, pela dignidade dos alunos, seja qual for a sua idade, e do próprio Saber. Cumprem-se ordens. Uma atitude que exige a abdicação de pensar e a anulação da nossa própria consciência e que tem servido de justificação ao longo da História para as maiores aberrações.
Por acaso já leram Desobediência Civil do escritor Henri Thoreau?" (o resto aqui)
(2008)
(extracto da entrevista da professora
Maria do Carmo Vieira à revista do "DN")

"Contagiados pela febre de catalogar e incapazes de pensar pela sua própria cabeça, têm-me descrito, uns, como 'lamentavelmente fascista', outros, como 'sonsa comunista', outros ainda, como estando 'a soldo do PSD para destruir o governo socialista', e há também quem me descreva como 'agitadora catastrofista', ignorando, sobretudo, estes últimos, que são eles próprios os agitadores ao pretender limitar a liberdade de pensamento e de expressão, que em boa-hora o 25 de Abril nos trouxe. Esquecem ainda que 'as ideias têm asas e ninguém as pode impedir de voar', recuperando as palavras do realizador egípcio, recentemente falecido, Youssef Chahine, no seu inesquecível filme O Destino.
Por conhecimento de causa, continuarei a afirmar que o nivelamento por baixo, que oficialmente se instituiu no ensino (lembremo-nos das palavras recentes do Dr. Jorge Pedreira a propósito do ensino em Portugal ser demasiado exigente), faz com que os alunos deixem de acreditar nas suas próprias capacidades, perdendo a vontade e a perseverança, que acompanham habitualmente o desenvolvimento de todo o estudo. É uma forma deselegante, no mínimo, mas também muito elitista, de dizer antecipadamente aos alunos, sobretudo aos da Escola Pública, que são uns incapazes. Com perversa doçura, qual droga que vai corroendo, entrega-se como oferta aos alunos 'o êxito a que têm direito' (palavras do coordenador do GAVE) que assim se viciam na crença de que tudo se consegue sem trabalho. E, no entanto, inteligentemente reflectiu Albert Einstein: 'O único sítio onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário'.
Inebriados pelo facilitismo e estimulados pelo passa palavra de 'em pouco tempo faz-se...' (e completamos a frase, o 2º ou 3º ciclos e o secundário) correm também muitos daqueles que, por motivos vários, interromperam, ou tiveram de interromper, os seus estudos, a inscrever-se nos cursos das novas oportunidades, não compreendendo, muitos, ou sequer admitindo, que os objectivos delineados assentam não na preocupação de formar, mas de atingir metas estatísticas.
É por ter conhecimento de como se processa este ensino 'pronto a vestir', desenhado na base de um suposto 'quadro de competências', que põe de lado a noção de programa, transformando-o em pózinhos de saber disto e daquilo (as tais aprendizagens ou saberes) e que rejeita o diploma, agora tornado certificado ('validação das aprendizagens'), de coisa nenhuma, que desejo transcrever as directivas comunitárias, as quais calarão quem tem vindo a insultar e a desmentir os que criticamente têm escrito sobre o assunto. (...) Lendo-os, compreendemos o manifesto desprezo pelas disciplinas de Humanidades, o aligeiramento da matéria científica, o facto de a Escola servir quase exclusivamente para responder ao mercado de trabalho, o porquê da conhecida e divulgadíssima expressão 'aprender a aprender', a defesa exaustiva da autonomia das escolas, ou ainda o espírito que rege a avaliação de desempenho dos professores, centrado nos bons resultados com os seus alunos, mediante o cumprimento acrítico das ordens impostas, num convite descarado à desresponsabilização do acto de ensinar. (...)
Não virão agora certamente desmentir a existência de um sistema perverso, cozinhado pela Comissão Europeia, que finge formar e educar, num manifesto desrespeito pelo papel da Escola e do professor, pela dignidade dos alunos, seja qual for a sua idade, e do próprio Saber. Cumprem-se ordens. Uma atitude que exige a abdicação de pensar e a anulação da nossa própria consciência e que tem servido de justificação ao longo da História para as maiores aberrações.
Por acaso já leram Desobediência Civil do escritor Henri Thoreau?" (o resto aqui)
(2008)
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