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05 December 2024

Rollerskate Skinny - "Bow Hitchhiker"/"Abba's Song"/"Violence To Violence" (Peel Session 1993)

(ver aqui e aqui)

30 November 2024

Rollerskate Skinny - "Some Give Birth"


"Shoulder Voices is the debut album by Rollerskate Skinny, released in 1994. (...) 'Trouser Press' called the album 'a fascinating and delightful debut that jumps easily from intimate indie tunefulness (the vocals sound like Pavement) to free-fire pop noise, with plenty of wild and wonderful textures along the continuum'. (...) 'Washington City Paper' wrote: 'Mixing the sonic textures of My Bloody Valentine with the rich melodies of Echo & the Bunnymen and angular, runaway rhythms, Voices' layered brilliance was maniacally complex, immediately catchy, and refreshingly innovative'". (ver aqui; álbum integral aqui)

24 November 2024

Rollerskate Skinny - "Swingboat Yawning"

(daqui; álbum na íntegra aqui)

MEA MAXIMA CULPA (VII)

(publicado no nº 11 da "Granta")

(sequência daqui) Mas verdadeieamente sísmico foi o encontro imediato com os Rollerskate Skinny! No "field report", relataria quase telegraficamente "um concerto de rock flamejante (como em 'gótico flamejante') construído sobre um 'patchwork' de Sonic Youth na técnica de esforço dos materiais, Echo & The Bunnymen na complexidade da arquitectura, Pixies na disciplina formal e Neil Young no arrojo clássico, num somatório elevado à milésima potência". Porém, escutado Horsedrawn Wishes (1996), não houve hipérbole insuflada que bastasse para traduzir o estado alterado de consciência por via exclusivamente sonora. Começava — evidentemente — com "Toca-me então a mim finalmente dizer: eu vi o futuro da pop e ele chama-se Rollerskate Skinny!" e terminava, claro, bradando "Peço imensa desculpa mas este não é o meu álbum do ano, estou a reservar-lhe o lugar da década. Quanto ao século, se não se importam, dêem-me mais algum tempo para pensar". Pelo meio, avistava "uma prodigiosa (estou a pesar bem as palavras) montagem de 30 anos de pop, aos quais o trio de 'dubliners' extraiu todas as fibras vivas e, como Frankensteins competentes, a partir delas criou um novo organismo (...), rebuçados de melodia embrulhados em esquadrias de ruído, cenários surreais atravessados por intromissões lunares, moinhos sonoros e corais docemente labirínticos. Um edifício construído como uma catedral medieval desenhada por um Hyeronimus Bosch que trabalhasse para Walt Disney, com tanto de arte pop como de iluminura gótica (...), 'flashes' de Pet Sounds e o género de caótico bricabraque psicadélico de alquimistas esotéricos como Van Dyke Parks e os XTC. Queiram perdoar a miserável limitação das referências: aqui também há Gershwin, Pixies, Steve Reich, música concreta, Glenn Branca, Kevin Ayers e Ramones. Muito raras vezes 12 composições fizeram tão perfeito sentido de modo a ser absolutamente impossível excluir umas ou destacar outras. Aquilo com que muitos outros sonharam, os Rollerskate Skinny realizaram".

Seis meses mais tarde, no entanto, no balanço de final do ano, acalmada a extra-sístole e controlada a temperatura corporal, limitavam-se a surgir numa lista de 20 "clássicos, neoclássicos e estetas da colagem alucinada nos vários sectores do espectro pop/rock" que "através de reedições e novas publicações (...) marcaram distâncias em relação ao revisionismo puro e simples de que o 'britpop' se arvorou em paladino". Horsedrawn Wishes, segundo álbum da banda cujo nome fora subtraído a uma frase de The Catcher In The Rye, de J. D. Salinger ("She's quite skinny, like me, but nice skinny, rollerskate skinny") seria também o último. Várias vezes me interroguei se não me teria transformado num involuntário lançador de mau olhado sobre indefesos jovens génios irlandeses. (segue para aqui)

27 September 2023

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LXXXVII)
 
(com a indispensável colaboração do R & R)
(clicar na imagem para ampliar)
 
Nine Wassies from Bainne live in Mountjoy Prison

14 February 2013

PANDEMIA
 

Toy - Toy 

O quadro de sintomas que caracteriza a síndrome retromaníaca encontra-se já inteiramente estabelecido embora, de momento, não tenha ainda sido descoberta terapêutica profiláctica nem curativa capaz de lidar de modo eficaz e decisivo com essa pandemia que assola a pop contemporânea. Porém, até agora, não havia sido identificado um caso de tão complexa etiologia como o dos britânicos Toy. Capturados no lugar de intersecção dos vários eixos que, desde o final da década de 60 do século passado, atravessaram o rock de coloração (para simplificar) mais ou menos psicadélica, na análise dos diversos marcadores foram descobertos níveis elevadíssimos de Pink Floyd, da variante situada entre The Piper At The Gates Of Dawn e A Saucerful Of Secrets, mas também – e é, justamente, aí que reside o seu maior interesse – de toda a posterior descendência e derivações colaterais. 



Sem errar muito, é possível afirmar-se que, nos instantes de mais elevada temperatura criativa, abeiram-se, perigosamente, do delírio multicolorido a que se abandonavam os Rollerskate Skinny, enquanto, nos restantes, operam no interior de um perímetro definido pela junção dos pontos ocupados por Echo & The Bunnymen, Chameleons, My Bloody Valentine, Ride, House Of Love e Jesus & Mary Chain, com uma teimosa insistência em percorrer, paralelamente, uma outra via na qual, por acidente, o "krautrock" dos Neu! ou Can esbarra no primitivismo rítmico dos Velvet Underground. É de notar que o potencial de contaminação – especialmente, em espaços densamente povoados como arenas ou festivais – aparenta ser extremamente sério, pelo que todos os esforços legitimamente exigíveis às autoridades de saúde estética pop nunca serão inúteis nem demasiados. 

12 August 2011

ROLLERSKATE SKINNY - "SPEED TO MY SIDE"



Em 1996, vi-os no Temple Bar Music Centre, de Dublin. Fui ao tapete, corri a comprar Horsedrawn Wishes e proclamei-os o alfa e o ómega da música dos últimos cinco milénios e dos próximos dez (sort of). Depois, perdi o álbum. Pelos meios possíveis e necessários, consegui voltar a ouvi-lo. Sim, é óptimo. Mas houve ali uns milénios a mais.

(e, na altura, ainda não sabia isto: "Ken Griffin, Ger Griffin (no relation) and Steve Murray had been in The Hippyshakes in the 1980s. Later the band became Shake and was characterized by a strawberry logo. In 1991, Jimi Shields (younger brother of My Bloody Valentine's Kevin Shields) joined the band and suggested a name change to Rollerskate Skinny, chosen from a line in The Catcher in the Rye, by J. D. Salinger: 'She's quite skinny, like me, but nice skinny, rollerskate skinny'")

(2011)

27 April 2009

RESPOSTAS AO QUESTIONÁRIO FLUR



01 - Um disco que tenha sido muito importante (e já não seja) + razão.
Horsedrawn WishesRollerskate Skinny; disse dele coisas do tipo “o melhor disco de todos os tempos (passados, presentes e que hão-de vir)”, depois de os ter visto, ao vivo, em Dublin; continua a ser muito bom (tive de o downloadar porque, entretanto, perdi-o!...) mas parece-me que, na altura, fui um bocadinho hiperbólico...



02 - Um disco que seja muito importante agora + razão.
Um é difícil. Mas qualquer coisa algures entre os três álbuns da Hanne Hukkelberg, o Poème, de Ernest Chausson (um romântico francês do sec XIX que eu nem fazia ideia que tinha existido e descobri a ouvir rádio), pelo Itzhak Perlman e Zubin Mehta, e The Bairns, de Rachel Unthank & The Winterset. Todos por causa daquela insubstituível sensação de “mas de onde é que isto saiu?...”


03 - Um disco irresistível mas que o resto do mundo acha que é mau. 
Não é “um disco”, é a discografia completa dos ABBA (álbuns, singles, DVDs) e “o resto do mundo” até tende a estar do meu lado; “o resto do mundo” do suposto “bom gosto” – com ilustríssimas excepções – é que lhe torce o nariz. Ah… e oMamma Mia é um grande filme.



04 - A capa de disco favorita.
Resposta impossível. São imensas. Mas, assim de repente, em jacto de memória, Micah P. Hinson & The Gospel Of Progress.



05 - Mais CD ou mais vinil? Porquê?
De certeza, mais CD. Tive a minha fase de fundamentalista do vinil mas a pressão da realidade venceu. Continuo, no entanto, a não dominar a técnica de retirar o CD do celofane (a cena da Mira Sorvino, no Lulu On The Bridge, do Paul Auster, a debater-se com o mesmo problema sempre me falou ao coração). E a caixa de plástico dos CD deve ser o exemplo de design mais mal amanhado da História.



06 - Qual o primeiro disco que se lembra de comprar e onde foi?
Não me lembro (quero dizer, comprado mesmo por mim e não financiado por fontes externas). Mas pode ter sido ou o Saucerful Of Secrets, dos Pink Floyd (mais dois ou três álbuns e ficaram prontos para o matadouro – a propósito, nunca consegui ouvir o Dark Side Of The Moon até ao fim) ou o Stormbringer, de John & Beverley Martin, ou o Astral Weeks, do Van Morrison. Por aí.



07 - Qual o último disco que comprou?
Renaissance Dance (Susato, Morley, Praetorius, Mainerio)The Early Music Consort Of London/David Munrow; em Fevereiro de 2008, Sevilha. Andava há anos atrás dele (o meu velho vinil já estava imprestável) e, de surpresa, acabei por descobri-lo ali.



08 - Qual o disco que irá comprar de certeza, em 2009?
Não faço a menor ideia.



09 - Qual é o artista mais representado na colecção?
Há vários de que tenho as discografias completas ou quase. Mas há-de ser qualquer coisa entre, Richard Thompson, Tom Waits, Van Morrison, Laurie Anderson, Leonard Cohen, Elvis Costello e Nick Cave.



10 - De que artista tenta comprar todos os discos, bons e maus?
Sendo que “comprar”, comigo, é um conceito bastante relativo (a esmagadora maioria é-me enviada pelas editoras/distribuidoras), diria Leonard Cohen. Que, como se sabe, mesmo quando os discos aparentam ser menos que óptimos, trata-se apenas de engano e ilusão.



11 - Que projectos tem em mãos actualmente?
Aplico toda a minha energia no imenso objectivo de nunca ter projectos.



(2009)

01 February 2009

THE BROTHERHOOD OF THE UNKNOWN (IX)
 
(segundo David Thomas: "The first Pere Ubu record was meant to be something that would gain us entry into the Brotherhood of the Unknown that was gathering in used record bins everywhere")



(pela calada da noite, o video aqui colocado - "Speed To My Side" - foi removido do Tubo; fica, agora, a capa de Horsedrawn Wishes, dos Rollerskate Skinny)

(2009)