(sequência daqui) E, assim sendo, os irmãos Charles e Andrew Hendy acrescidos de Sean McKenna e um grupo flutuante de acompanhantes (somando guitarras, baixo, banjo, bateria, acordeão, flauta e gaita de foles), escolheram como santa padroeira Mary Walloper, prostituta das docas de Dundalk, amante de cidra e lendária zaragateira. Alimentados desde o berço a música tradicional irlandesa posteriormente vitaminada com extractos de punk e – indetectável mas confessado – hip hop clássico (“Grandmaster Flash e 'The Message', era sobre a vida real de todos os dias. O mesmo lugar onde o punk e a folk germinam”), é ouvi-los em atmosfera de desbunda bordélica bem regada, exibindo desavergonhadamente o carregadíssimo sotaque, acamaradando com os Lankum, e cumprindo à risca o ponto único do seu programa: “Escrevemos sobre as coisas que nos irritam”.
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27 April 2023
28 March 2010
SQUASH
Porque o filósofo Gonçalves se socorre desse argumento com a perspicácia que o caracteriza, arrume-se já a questão: quase exactamente há três anos, o episódio-Stephin Merritt (consideravelmente diferente do que o filósofo supõe) tinha sido aqui referido enquanto ilustração da posição simétrica - logo, idênticamente obtusa - da tese gonçalvista. Quanto ao restante rosário de sapientes asserções, aplica-se o proverbial "estudasse!". Mas até tem sorte: já houve quem lhe mastigasse a papinha aqui e aqui. Por mim, desenrascava-se sozinho se quisesse.
Dito isto, é importante ter a noção que se trata de pura perda de tempo: quando o filósofo Gonçalves qualifica como "esteticamente miseráveis uns 95% (contas por baixo) da música popular produzida após 1955", compreende-se rapidamente que a ele cabe desempenhar o papel da parede numa partida de squash - a bola nunca passa para o outro lado, bate na impenetrável barreira e volta, igualzinha, para trás.
(2010)
Porque o filósofo Gonçalves se socorre desse argumento com a perspicácia que o caracteriza, arrume-se já a questão: quase exactamente há três anos, o episódio-Stephin Merritt (consideravelmente diferente do que o filósofo supõe) tinha sido aqui referido enquanto ilustração da posição simétrica - logo, idênticamente obtusa - da tese gonçalvista. Quanto ao restante rosário de sapientes asserções, aplica-se o proverbial "estudasse!". Mas até tem sorte: já houve quem lhe mastigasse a papinha aqui e aqui. Por mim, desenrascava-se sozinho se quisesse.
Dito isto, é importante ter a noção que se trata de pura perda de tempo: quando o filósofo Gonçalves qualifica como "esteticamente miseráveis uns 95% (contas por baixo) da música popular produzida após 1955", compreende-se rapidamente que a ele cabe desempenhar o papel da parede numa partida de squash - a bola nunca passa para o outro lado, bate na impenetrável barreira e volta, igualzinha, para trás.
(2010)
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