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05 October 2025

(sequência daqui) Após a publicaçao em Abril de 2023, de Songs and Symphoniques: the Music of Moondog, (em torno da música do lendário "Viking da 6ª Avenida", reinterpretada pela Ghost Train Orchestra, pelo Kronos Quartet e avulsos notáveis vários (Rufus Wainwright, Joan Wasser, Jarvis Cocker, Petra Haden, Sam Amidon, Aoife O'Donovan), David Byrne que, durante um dos concertos em Brooklyn, entusiasmado com a variedade de instrumentos da Ghost Train, não resistira a subir ao palco com o grupo, deixou-se arrastar pela ideia de entregar as suas novas canções a um ensemble de bateria, percussão, guitarra, baixo, cordas e sopros. No fundo, apenas um prolongamento e diversificação da estratégia de American Utopia: "Senti que a opção por arranjos orquestrais mais íntimos realçaria a emoção que me parece estar presente nestas canções", diz Byrne, "É algo de que as pessoas nem sempre se aprecebem no meu trabalho, mas desta vez tive a certeza de que estava lá. Ao mesmo tempo, também me vejo como alguém que pretende ser acessível". (segue para aqui)

11 May 2025

Valerie June - "You Can't Be Told"

"This is my New York City music video which is appropriate because I never really played the blues when I lived in Memphis. I had written only one blues song in Memphis. Everything else was roots, rock and country. It wasn’t until I got invited to do monthly a residency at Terra Blues in Manhattan that I started playing the blues. I sat in with a fella named Junior Mack. The owner of the club was there and loved my sound. He’d heard I was from down south and asked ‘how’d you like to do a residency here once a month?’ I said, ‘well, what would I have to do exactly?’ He said, ‘can you play two hours of straight blues music?’ That’s when I lied. I told him yes and went home and prayed for the lawd to send me some blues songs. I was starving with medical bills that had wiped me out and physically so sick with chronic illness that I had no energy to stand for longer than 30 minutes, so working and getting a job was a problem. Luckily, at the residency I got to sit down and play for those two hours. It’s also lucky that I made enough in that gig once a month to pay the rent. (And he didn’t fire me when I’d squeeze in a country song; This is a part of my story... a story I’ve lived and though I can try to tell ya, you can’t be told!"

06 September 2024

INTRINCADO LABIRINTO 

Tenham medo. Tenham muito medo. Laurie Anderson é exactamente o tipo de pessoa que, involuntariamente, quase sem se aperceber disso, actua como veículo de antecipação do futuro. Aquilo que, antigamente, se designava como profeta. Em 1981, no primeiro álbum Big Science, incluia 'O Superman', inviamente inspirada na ópera "Le Cid", de Jules Massenet, na qual, em gélido registo vocal, mecanicamente entoava: “Well, you don't know me, but I know you, and I've got a message to give to you: here come the planes, they're American planes, made in America (…) And the voice said: neither snow nor rain nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds”. Dez anos depois, uma semana e um dia após o atentado da Al Qaeda ao World Trade Center, Laurie Anderson actuaria no Town Hall de Nova Iorque. Durante a interpretação de peças como "Strange Angels" (“Big changes are coming, here they come, here they come”), "Let X=X" ("I feel like I am in a burning building... I gotta go"), e, sobretudo, "O Superman'", na própria gravação (Live At Town Hall, New York City, September 19-20, 2001) era palpável a tensa atmosfera glacial que se instalara. (daqui; segue para aqui)

16 October 2023

09 November 2022

 
(sequência daqui) Hesitaram muito quanto a abrir a encomenda que, entretanto, Laurie, já doara, com todo o resto do espólio, à New York Public Library for the Performing Arts, no Lincoln Center. Se, durante tantos anos, Lou Reed nunca desejara abri-la, teriam eles o direito de o fazer? Acabariam por ceder à curiosidade: no interior da embalagem arrumada entre vários livros de arte, numa prateleira por trás da secretária de Lou, no escritório da Sister Ray, encontrava-se uma bobina de fita magnética de 5”. Tratar-se-ia de uma espécie de talismã, uma recordação simbólica dos tempos da juventude? Mais uma vez, Laurie duvidou: sempre que houvera reedições da obra dos Velvet Underground, nunca a bobina fora mencionada ou tida em conta. Ouviram-na. O que estava perante eles era o documento que registava a primeira gravação de Lou Reed com John Cale, realizada para estabelecer aquilo que era designado como “poor man’s copyright”: aquela encomenda, datada e autenticada, provava que, naquele momento, as canções que continha existiam e pertenciam aquele autor. (segue para aqui)