I saw,
With a catch of the breath and the heart’s uplifting,
Sorrow and pride, the “week’s great draw” –
The Mons Retreat;
The “Old Contemptibles” who fought, and died,
The horror and the anguish and the glory.
As in a dream,
Still hearing machine-guns rattle and shells scream,
I came out into the street.
When the day was done,
My little son
Wondered at bath-time why I kissed him so,
Naked upon my knee.
How could he know
The sudden terror that assaulted me? …
The body I had borne
Nine moons beneath my heart,
A part of me …
If, someday,
It should be taken away
To war. Tortured. Torn.
Slain.
Rotting in No Man’s Land, out in the rain –
My little son …
Yet all those men had mothers, every one.
How should he know
Why I kissed and kissed and kissed him, crooning his name?
He thought that I was daft.
He thought it was a game,
And laughed, and laughed.
Entre Janeiro e Fevereiro de 1968, a cidade de Hull, no Nordeste de Inglaterra – então o maior porto de pesca mundial de alto mar – foi abalada pelos terríveis naufrágios de três arrastões no mar Ártico e a consequente morte de 58 pescadores. Impulsionado por Lillian Bilocca – filha, mulher e mãe de pescadores –, foi, de imediato, constituído o Women’s Committee de Hessle Road (centro da comunidade piscatória local) que, após uma reunião de centenas de mulheres, invadiu as instalações dos todo-poderosos armadores e, apesar da oposição de muitos pescadores receosos de perder o emprego, exigiu a presença de meios de comunicação por rádio em todas as embarcações e um barco de socorro com apoio médico de emergência que garantissem as necessárias condições de segurança e contrariassem a longa tradição de tragédias nos mares gelados. Ameaçadas de morte e pressionadas a “não se meterem em assuntos de homens”, declararam-se prontas a montar um piquete à porta do primeiro-ministro, Harold Wilson: acabariam por ser recebidas pelo governo e todas as suas reivindicações acatadas.
Foi acerca desta heroína local que a actriz e dramaturga Maxine Peake escreveu The Last Testament of Lillian Bilocca, estreada em Hull em Novembro de 2017, para a qual encomendou às Unthanks o acompanhamento musical que constitui, agora, as 5 faixas do primeiro CD de Lines (Parts One, Two and Three): confrontacional e provocador em "A Whistling Woman" (“For a man may whistle and a man may sing, for a man may do a thousand things, but a whistling woman and a crowing hen may bring the devil out of his den"), intenso e assombrado em "The Sea Is a Woman", inesperadamente lynchiano na sonâmbula "Lonesome Cowboy". A encomenda para o segundo CD – “World War One” – chegaria, em 2014, por ocasião do centenário da primeira Guerra Mundial, com “A Time and a Place”, uma iniciativa da Sound UK e do Arts Council. Assente em poemas e cartas de intervenientes na carnificina inter-imperialista (Vera Brittain, Siegfried Sasson, Teresa Hooley) é um momento para recordar o horror (“My little son, rotting in no man’s land, out in the rain”, de "War Film", na voz de Rachel Unthank, é uma arrepiante assombração do "Dormeur du Val") nas belíssimas composições de Adrian McNally. “Emily Brontë”, o terceiro CD, nasceu de um convite da Brontë Society para assinalar o 200º aniversário da autora de Wuthering Heights. É o mais longo (10 canções) mas também o mais subserviente aos textos e, musicalmente, convencional.