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25 December 2025

 
"Briogais"
 
(sequência daqui) E, em ambos os casos, o trânsito para dentro e para fora da banda (uma dúzia de músicos nos Mànran, 16 nos Fairports) foi intenso. O que, sem insinuar que os 4 primeiros álbuns da banda escocesa se contentaram em navegar por águas tranquilas à espera da inquietação que este To The Wind traria, obriga, porém, a reconhecer que este é o ponto de partida para uma nova etapa na qual o actual septeto Mànran se compraz numa múltipla identidade: sem arriscar gestos estéticos tão extremos como os de John Francis Flynn ou Lankum, mistura no mesmo caldeirão a raiz folk/gaélica e um enérgico virtuosismo pop que, por entre vozes, violino, uilleann pipes, acordeão, guitarra, bateria e baixo, disparam em remoinhos instrumentais e acrobáticos port-a-beul que lançam achas sobre a já imensa fogueira.

19 December 2025

ACHAS SOBRE A IMENSA FOGUEIRA
 

A propósito da publicação de To The Wind, Kim Carnie e Gary Innes confessaram à "Spiral Earth": "Queríamos explorar novos territórios juntos e sentimos que era o momento ideal para nos afastarmos do que as pessoas esperariam de um álbum dos Mànran. Queríamos fazer algo surpreendente, divertido e cheio de energia, algo que quebrasse um pouco as regras. Passaram quatro anos desde o nosso último álbum completo (Ùrar, 2022) e estávamos ansiosos por criar alguma coisa nova. Queríamos ver até onde podíamos ir e ainda assim continuar a soar como nós mesmos. Este álbum está cheio de sons poderosos, contrastes marcantes e reviravoltas inesperadas. Adorámos dar forma a tudo isto”. Nada de extraordinariamente diferente do que aconteceu com os Fairport Convention, modelo supremo de todas as bandas britânicas de folk/folk rock que lhes sucederam. Mas, se a estes bastaram 2 anos,  entre Fairport Convention, 1968, e  Liege & Lief, 1969, para diagnosticar o problema - como enxertar modernidade eléctrica  num organismo velho de séculos?  -  e definir-lhe a terapia, aos escoceses Mànran foram necessários 15. (daqui; segue) 
"Standing Still"

25 November 2022

APENAS "MÚSICA LINDÍSSIMA"

Há 12 anos, preparavam-se Rachel e Becky Unthank para actuar no Olga Cadaval, em Sintra, pareceu-me urgente anunciar a verdadeira dimensão do que iríamos testemunhar: “Desde a era dos Fairport Convention, Steeleye Span, Pentangle, Richard & Linda Thompson e das irmãs Collins – ainda que com valiosíssimos porta-estandartes como June Tabor durante o interregno –, não surgia nenhum grupo na cena folk inglesa capaz de deixar absolutamente clara a ideia de que, no idioma popular tradicional, circulava ainda sangue suficientemente oxigenado e pronto a garantir que ‘os anos de ouro’ nunca seriam apenas uma antiga e saudosa memória. The Unthanks, em três magníficos álbuns – Cruel Sister (2005), The Bairns (2007) e Here’s The Tender Coming (2009) –, mudaram tudo”. Desde então, vários outros notáveis - Kinnaris Quintet, Lankum, Stick In The Wheel, Mànran, Sam Lee – se lhes juntaram. (daqui; segue para aqui)
 
"The Old News"

15 March 2022

Mànran - "The Pot Inspector"/
"MacLittle's March"/"Pushing Mist"

13 March 2022

"A Bhriogais Uallach"/"Meal do Bhrògan"
 
(sequência daqui) Embora já com uma década de existência, foi, porém, nesta segunda vida – quando Kim e o guitarrista e vocalista Aidan Moodie foram recrutados, imediatamente antes da montanha russa de confinamentos e constrangimentos – que, contra todas as maldições pandémicas, a banda (Kim e Aidan + Ewen Henderson, voz, violino e gaitas, Gary Innes, acordeão, Ross Saunder, baixo, Ryan Murphy, "uilleann pipes" e flautas, e Mark Scobbie, bateria) logrou erguer-se-se às elevadíssimas alturas de clássicos como Battlefield Band, The Boys Of The Lough, Capercaillie, ou, no exterior do perímetro escocês, The Bothy Band, Planxty ou Moving Hearts: "Crossroads", e "The Loop" são assombrosos galopes instrumentais, "Briogais", "Puirt Ùrar" e "Black Tower" inventam o trava línguas xamânico e, a encerrar, "Griogal Cridhe" – supostamente a mais antiga canção gaélica – é um amantíssimo canto de embalo encharcado em sangue.

10 March 2022

EM FLOR
 

Partindo do assaz razoável princípio de que a esmagadora maioria das criaturas falantes do planeta não é exactamente fluente em gaélico (nas variantes escocesa, irlandesa ou da ilha de Man), será de toda a conveniência esclarecer que o puirt à beul – ou port-a-beul, puirt a bheul, puirt a' bhéil – é uma forma de “mouth music” na qual o ritmo das palavras (que poderão fazer sentido ou ser apenas uma gincana acrobática de fonemas ou vocábulos) pretende replicar o ritmo de certas músicas de dança, servindo de mnemónica ou de meio de substituição de instrumentos não disponíveis. De caminho, não pesará demasiado saber também que mànran significa uma melodia doce e suave e ùrar algo fresco ou em flor. Juntando todas as peças, poderá, então, dizer-se que os Mànran são um septeto escocês em cujo quinto álbum, Ùrar, entre muitos outros motivos de deleite e admiração, se descobrem diversos puirt à beul executados com prodigiosa destreza pela recém alistada Kim Carnie. (segue para aqui)

"Ailean"