(sequência daqui) Até ao encerramento em 1972, transformar-se-ia no ponto de encontro e centro nevrálgico das cenas folk, blues e tudo à volta da época, para lá convergindo tanto devotos das músicas tradicionais como audaciosos experimentadores do que não era ainda conhecido como "psicadelismo", futuras celebridades ou eternos desconhecidos. Bob Dylan, Joni Mitchell e Van Morrison terão também andado por lá, Nick Drake era visto como "um jovem nervoso que punha o público a dormir", e, conta o guitarrista Mike Cooper, uma noite, tendo-se cruzado à porta com um tipo que era a cara chapada de Tim Buckley, disse-lho. "Mas eu sou o Tim Buckley" respondeu ele. "Sim, sim, e eu sou o Tim Hardin". Era o Tim Buckley.
(sequência daqui) É, praticamente, essa mesma extensão de vida que Songs of Innocence and Experience 1965 – 1995 cobre: os 30 anos dos dois primeiros actos da carreira de Marianne Evelyn Faithful, baronesa Erisso Von Sacher-Masoch. No primeiro, gravou 6 álbuns de refinado ecletismo pop/folk/ country – Bacharach, Beatles, Rolling Stones, Phil Ochs, Dylan, Tom Paxton, Bert Jansch, Ewan MacColl, Serge Gainsbourg, Donovan, Tim Hardin, Waylon Jennings – que, no entanto, nunca a satisfizeram: “A minha ‘primeira voz’ não era a verdadeira, tinha uma voz muito melhor do que isso. Era mezzo-soprano, tinha tido uma educação musical clássica e, quando comecei a gravar, não me deixaram usá-la. O que se ouvia era falso”. Seria apenas após a descida "junkie" aos infernos que, com o avassalador Broken English (1979) – “Foi muito difícil mas fi-lo. Era o resultado de tanta frustração, ressentimento e fúria que tinha de ser mesmo assim. Na altura, estava convencida de que iria ser a última coisa que faria” –, as comportas se abririam e Marianne, a partir de Strange Weather (1987) e A Secret Life (1995) caminharia, de mãos dadas, com a nata pop/rock. Com preciosos 22 inéditos em edição vinil e 9 no duplo CD, Songs of Innocence and Experience detem-se naquele propósito que, há 10 anos, Marianne descrevia ao “Guardian”: “Nestes últimos anos, o meu objectivo tem sido o de encontrar alguma harmonia entre mim e Marianne Faithfull. Era ela que utilizava drogas e bebia, era ela dentro da minha cabeça. Ela, a Fabulosa Besta, como eu lhe chamo. Não posso dar-lhe ouvidos, tenho de ter sempre muito cuidado”.
(sequência daqui) “Sempre mantive a música como uma actividade em 'part-time' porque não me parece que seja saudável e artisticamente fértil encará-la como um modo de vida. A melhor forma de não deixar de escrever é continuar a viver do mesmo modo que as pessoas sobre quem escrevo vivem”, explicou Joyner à “Uncut”, revelando os TPC que entregou aos músicos com quem iria colaborar em Songs From A Stolen Guitar para que ficassem com uma ideia do que deles esperava: escutar o terceiro álbum dos Velvet Underground, Songs Of Love And Hate, de Leonard Cohen, Stories, de David Blue, Tim Hardin 2, First Take, de Roberta Flack, e Berlin, de Lou Reed. Ninguém falhou. O método? “I wrote a song on a stolen guitar, I gave it all I could, a thief dressed like a revolutionary, wielding nylon, steel, and wood, it was short, it was long, it was weak, it was strong, it was everything I wanted to say, I wrote a song on a stolen guitar, when I was just learning how to play”.
18 June 2014
A IDADE DA INOCÊNCIA
A concepção romântica da música como a arte a cuja condição todas as outras deveriam aspirar foi ferida de morte em 1877, às mãos de Thomas Edison, com a invenção do fonógrafo. Registada em cilindros de cera e, posteriormente, em discos de vinil, objectificada, coisificada, perdia, definitivamente, a aura de entidade incorpórea, ideal, sujectiva, quase imaterial, que a pintura, a escultura ou a literatura jamais poderiam alcançar. Três décadas e meia depois, ao visitar o Salon du Phonographe, dos irmãos Pathé, em Paris, Claude Debussy ainda se interrogava: “Não deveríamos recear esta domesticação do som, esta magia preservada num disco que, por 10 cêntimos, qualquer um pode despertar à sua vontade? Não será isto uma diminuição das forças secretas da arte que, até agora, foram consideradas indestrutíveis?” A imparável história da indústria discográfica no século XX trataria de eliminar tais reticências mas, há dois anos, Beck, com Songbook – 20 partituras originais apenas escutáveis por quem, mesmo que da forma mais livre, as decifrasse e interpretasse –, procurou reverter a trajectória.
Esse apelo de uma idade da inocência situa-o, agora, Neil Young nas tecnologias de registo sonoro de nula fidelidade das cabinas de gravação individual Voice-O-Graph (popularizadas dos anos 40 a 70 do século XX) de que, aparentemente, Jack White, é o possuidor do único exemplar sobrevivente em estado funcional, utilizado para a gravação de A Letter Home. Exactamente o mesmo Neil Young, paladino da luta contra a perda de qualidade do som digital que se propõe combater com o lançamento em Outubro do Pono, um serviço de dowloads em 24-bit 192kHz. Contradição? Nada disso. Em ambos os casos, o que o motiva é a demanda de uma certa pureza e autenticidade primordiais (porventura, apenas imaginárias) que, em A Letter Home, assume a forma de “art project”: menos uma colecção de versões musicalmente rudimentares – com todas as falhas preservadas – de canções de Dylan, Phil Ochs, Tim Hardin, Bert Jansch, Gordon Lightfoot, Willie Nelson ou Springsteen do que uma recuperação de memórias (interpoladas com mensagens dirigidas à mãe, Edna, morta em 1990), bloco de notas de uma viagem no tempo ou uma espécie de adenda contemporânea à Anthology Of American Folk Music, de Harry Smith.
12 June 2014
SUJO OU LIMPO?
O Voice-O-Graph assemelhava-se bastante a uma cabine telefónica das antigas. Como anunciava a International Mutoscope Reel Co., de Long Island, Nova Iorque, em 1957, “basta entrar, pegar no microfone, inserir 25 cêntimos, esperar pelo sinal luminoso e ditar uma carta, cantar uma canção ou gravar os parabéns pelo aniversário”. Concluído este processo, a máquina, qual Photomaton, cuspia um vinil de 45 ou 78 rotações o qual, entre outras utilidades, permitiria confirmar que “Há um pequeno Bing Crosby ou John Barrymore dentro de todos nós!” Popularizado dos anos 40 até ao final dos 60 do século passado quando o surgimento das cassetes de fita magnética lhe ditou o final do prazo de validade, o único Voice-O-Graph actualmente em funcionamento encontra-se nas instalações da Third Man Records, de Jack White, em Nashville, Tennessee. Foi, precisamente, nesse exemplar da arqueologia fonográfica que Neil Young optou por registar o seu último álbum, A Letter Home, uma colecção de versões acústicas para temas de Phil Ochs, Dylan, Tim Hardin, Everly Brothers e diversos outros, obviamente, em mono, e fazendo gala do primitivismo tecnológico assim recuperado.
A singularidade do objecto será ainda mais acentuada se nos recordarmos como, uma das últimas tábuas de salvação de que, no naufrágio destes anos, a indústria discográfica se tem socorrido é a múltipla reedição de obras sucessivamente remasterizadas e higienicamente expurgadas de todas as impurezas e imperfeições sonoras de origem. Caso mais recente: Skylarking, álbum de 1986, dos XTC. Já por diversas vezes submetido a operações de limpeza, foi apenas em 2010, por ocasião da sua (re)conversão para vinil, que, numa das obras maiores da banda de Andy Partridge – fruto improvavelmente milagroso do épico confronto entre este o produtor Todd Rundgren –, se diagnosticou uma falha imperdoável: o disco padecia de “polaridade invertida” (não façam perguntas, por favor). Entregue aos bons cuidados do mago John Dent que tratou de reparar tão indesculpável mácula, ei-lo, agora, por fim, em formato CD, com a censurada capa original das pudendas salpicadas de malmequeres e a portentosa invectiva ateia, "Dear God", que a edição americana excluíra. É provável que só os fãs com ouvidos de mocho se apercebam da diferença. Mas todos os pretextos são bons para voltar a escutar esta extraordinária "life in a day" da melhor colheita pop de 80.
Depois de tocarem em Braga, para uma plateia de estudantes, às quatro da manhã, sob chuva torrencial, os Tindersticks voltaram a Inglaterra. Mas Stuart Staples, voz e autoconfessada força motriz da banda ("embora não necessariamente na melhor direcção"), ficou em Lisboa para conversar acerca do novo álbum Can Our Love e dos dez anos de carreira de um grupo eternamente à beira da dissolução e ciclicamente redescobrindo que, se calhar, para as seis pessoas que o compõem, não existe estimulante mais intenso do que o que surge de cada vez que se reencontram.
Foi vossa intenção deliberada gravar um álbum de curta duração, 45 minutos de música? Não. Simple Pleasures foi intencional. Para este disco não fazíamos nenhuma ideia de como iria ser. Tínhamos imensos pontos de partida mas em canções como "Sweet Release", "Can Our Love" ou "People Keep Comin' Around", foi o próprio peso e intensidade delas que determinou tudo, elas exigiam espaços de respiração, não poderiam viver num álbum sobrelotado.
Não é, de todo, uma referência nova na vossa música. Mas, mesmo assim, parece-me existir uma certa predominância maior de uma estética soul clássica neste disco... É verdade. É algo que tem vindo naturalmente a crescer. Quando gravámos Curtains, sentimos claramente que ele assinalava o final de alguma coisa. E tivemos de nos afastar dos cinco anos da nossa história passada. Pretendemos redescobrir a essência das coisas, reinventar uma outra simplicidade, identificar os elementos básicos. Simple Pleasures emergiu de uma certa área da nossa consciência onde procurávamos distanciar-nos desse passado e isso era muito evidente. Neste álbum partimos de pequenas ideias e deixámo-las apenas fluir espontaneamente, sem nenhum plano prévio. Absorveu esse tipo de influências de que falou mas também, aos meus ouvidos, continua a transpirar Velvet Underground, Tim Hardin ou Joy Division por todos os poros. São pontos de referência de que não nos conseguimos afastar.
Talvez por isso o álbum não se desenvolva segundo um percurso rectilínio: de início, remete para o passado do grupo, depois assume a inflexão soul, "Tricklin'" é um momento de suspensão, a influência soul regressa e termina consigo recitanto mais do que cantando os textos... Não gostamos muito de linhas rectas... (risos) Qualquer um pode desenhar uma linha recta.
Se tiver bebido um bocadinho de mais pode não ser fácil... Pode-se sempre utilizar uma régua... Falando a sério, as canções reagiram umas às outras e temas como "Tricklin'" e "Don't Ever Get Tired" criaram esse tal espaço para que as outras se pudessem espraiar.
"Tricklin'" parece quase um mantra sonâmbulo... Ainda me surpreende a forma como ela acabou por aparecer no disco. Foi uma coisa que, por nenhuma razão aparente, ia trauteando a caminho de casa. Quando cheguei, gravei-a no meu pequeno estúdio em menos de três quartos de hora. É bastante representativa da forma como este disco foi concebido.
Que especial relação é essa que existe entre os Tindersticks e os burros? A vossa colectânea chamava-se Donkeys (segundo me disse na altura, porque a palavra soava bem), neste álbum, na capa e na contracapa, há fotografias de burros... Passámos três semanas num pequeno estúdio escuro. E quando decidimos sair cá fora, em Devon, existe um "santuário" de burros onde vou muitas vezes. É um lugar onde eles, encarados como uma espécie de símbolo de abuso laboral, são libertados. Não sei muito bem porquê, mas pareceu-nos que aquelas imagens teriam alguma coisa a ver com o espírito do disco. Experimente convencer um burro a andar se ele não estiver para aí virado....(risos) Mas aconteceu praticamente o mesmo com todas as nossas capas. A imagem do primeiro álbum vimo-la na parede de um restaurante chinês de "take-away". Era a capa perfeita para o álbum. Quisemo-la comprar mas o dono do restaurante não a quis vender. Tivemos de ir lá fotografá-la.
Há quatro ou cinco anos, houve um momento em que, segundo confessaram, o grupo teve de parar para reflectir e decidir se desejava ou não continuar a existir. Agora, que celebram dez anos de carreira, sentem que essa dúvida foi ultrapassada? No ano passado, não nos encontrámos durante sete meses. Quando iniciámos a gravação deste disco, fizemo-lo com uma atitude ultra-céptica. Não estávamos absolutamente convencidos de que fazê-lo seria uma boa ideia. Foi durante a gravação de canções como "No Man In The World" e "Sweet Release" que sentimos que havia outra vez alguma coisa importante que emergia de nós seis naquela sala. E compreendemos de novo que, só entre nós aquele tipo de relação se pode estabelecer.
De qualquer modo, quando ainda antes dos Tindersticks (chamavam-se, então, Asphalt Ribbons), começaram a compôr e a tocar, imaginavam que, mais de dez anos depois, continuariam a publicar discos e a actuar? Não. Procedemos sempre por pequenos passos. Num congeminámos um grande plano. Poderei ter funcionado como uma força motriz para a banda embora não necessariamente na melhor direcção... Mas, pelo menos, faço as coisas andar para a frente. Ainda na semana passada, em Bruxelas, demos cinco concertos totalmente diferentes, todas as noites: com pessoas diferentes tocando connosco e reportórios diferentes. A primeira noite foi mais dedicada ao primeiro álbum, a segunda com uma orquestra de cordas, a terceira com uma secção de sopros, na última, foi tudo o mais acústico e despojado possível. É este género de pequenas surpresas e estímulos que nos impele a prosseguir.
Stuart Staples fala como se tivesse pavor de que uma só das palavras que pronuncia pudesse deixar uma impressão errada. A voz sai-lhe segredada, quase inaudível, repete as ideias, gagueja, sorri embaraçado com algumas das perguntas mas, mesmo assim, lá consegue explicar as razões por que os Tindersticks se decidiram a editar Donkeys, uma compilação que recolhe todos os seus singles e raridades avulsas até aqui dispersas. E, depois, anuncia que o grupo se prepara para grandes mudanças ao mesmo tempo que conta como realizou a fantasia de cantar com Isabella Rosselini e não consegue encontrar outra razão para o título do álbum a não ser que "it just felt right".
Por que motivo decidiram publicar agora esta compilação de lados B e raridades que não é exactamente aquilo a que nos habituámos a chamar um "Best Of"? Suponho que porque, para nós, ele funciona como o encerramento de um capítulo. Resume todo um ciclo de canções, garantindo, ao mesmo tempo, que nada daquilo que fomos publicando fique indisponível.
Se isto encerra um ciclo de canções, como irá ser o seguinte? Ainda não sabemos bem, estamos a trabalhar para o proximo disco. Penso que vai ser muito diferente dos anteriores embora também não me espante que, depois, as pessoas não identifiquem muito bem essas diferenças. Mas estamos a descobrir uma nova forma de escrever as canções com uma ênfase muito mais nítida na totalidade do grupo e na contribuição das ideias de cada elemento.
Por que motivo esta compilação se intitula Donkeys? Só porque sentimos que ficava bem (risos). Há qualquer coisa nessa palavra que casa perfeitamente com o espírito das canções. Não houve nenhuma outra razão muito especial.
Ouvindo o disco, houve uma coisa que me chamou a atenção e em que antes nunca tinha verdadeiramente reparado: a apurada sensibilidade pop dos Tindersticks na forma como, a partir de um desenho de guitarra, de um "leitmotiv" de cordas ou da forma como cada canção cresce da estrofe para o refrão, se define o essencial... Mas nós sempre nos encarámos realmente como uma banda pop. Quando escrevemos uma canção, partimos de uma ideia inicial e procuramos conduzi-la até à sua conclusão natural. Embora isso não queira dizer que tenhamos uma fórmula secreta que nos indique exactamente como havemos de fazer as coisas.
A partir de certa altura, enveredaram por uma via de pop orquestral. Do vosso ponto de vista, isso constituiu um desenvolvimento inevitável? Foi uma consequência muito natural do facto do Dickon fazer parte do grupo e de ele tocar violino. A utilização de uma orquestra acabou por ser também uma forma de evitar que, para gravar as partes de cordas, ele tivesse de tocar trinta vezes a harmonia de cada canção. Parece-me, por outro lado, que essa via já deu os frutos que tinha a dar e é altura de mudarmos de rumo.
Vai ser essa, então, uma das mudanças? A mudança irá ser mais profunda. Não é uma questão de nos vermos livres disto ou daquilo em particular. Trata-se verdadeiramente de descobrir o que funciona realmente bem quando nós os seis tocamos em conjunto e ser capaz de transpôr isso que é, de facto, especial para um disco. O que, até aqui, creio que ainda não conseguimos. Esse é o objectivo mais importante.
De qualquer modo, os Tindersticks, como os Divine Comedy ou os Walkabouts integram-se numa corrente de pop orquestral que está a crescer... No caso deles, deve ter sido porque todos ouviram os nossos discos!... (risos) Claro que é muito simples decidir que se deseja escrever pop orquestral e contratar um arranjador. Como sabe, nós não funcionamos dessa forma. Connosco esse impulso veio de dentro.
Independentemente disso, no seu caso, como cantor, tem consciência de se estar a referir a uma antiga tradição de "crooners"? A verdade é que os cantores que eu admiro não vêm dessa tradição. É certo que, há cerca de dois anos, estávamos obcecados com a ideia de escrever a canção definitiva de Jimmy Webb. Mas levámos isso até onde era possível e, agora, já não vale a pena continuar por aí.
Lembro-me de ter lido que, em determinado momento, contactaram Juan Garcia Esquivel, o papa do "easy listening" mexicano para escrever para vocês... Isso foi há cerca de três anos. Foi uma daquelas coisas que nos passou pela cabeça. Admirávamos a música dele (se quiser, foi, mais uma vez, esse filão da música orquestral) e lembrámo-nos de lhe falar. Mas é como lhe digo, agora, há que seguir por outro caminho.
Como é que surgiu a ideia para o seu dueto com Isabella Rosselini em "Marriage Made In Heaven"? Pensou nela desde o primeiro momento? Essa é uma das nossas primeiras canções. Originalmente, cantei-a com a Nikki, das Huggy Bear, e editámos pouco mais de mil exemplares. Gravámo-la e misturámo-la num único dia mas era uma daquelas canções a que estávamos sempre a voltar. Quando decidimos regravá-la tínhamos um certo desejo instintivo em relação à possibilidade de o fazermos com a Isabella. Imaginámos como ela seria e fomos atrás dessa ideia para confirmar se tínhamos razão. E, de facto, encontrá-la e estar com ela confirmou as nossas fantasias.
Ela revelou-se uma cantora natural? Não. Mas os cantores naturais também não têm assim tanto interesse, pois não? Ela é uma actriz e o que faz nesta canção é representar.
Se relacionarmos esse seu dueto com a outra versão de "No More Affairs" cantada em francês, vamos ter quase directamente a Serge Gainsbourg e Jane Birkin... Espero bem que sim...(risos) Essa versão em francês tem a ver com a ideia de sempre me ter fascinado a expressão das emoções através da fonética de uma língua que não compreendo.
Na ultima linha do "press release" para este disco, é referido que os Tindersticks são vestidos por Timothy Everest, um alfaiate de cavalheiros londrino. Isso é assim uma coisa tão importante para vocês? Houve uma altura em que foi. Vestíamos uma roupa que mais ninguém usava. Tal como acontecia com as nossas canções.
Para terminar, posso-lhe pedir o seu "top ten" de discos privado? Sempre que me perguntam isso, faz-se-me uma branca no pensamento. Mas acabo sempre por falar de gente como Tim Hardin, Velvet Underground, Big Star, Al Green, Townes Van Zandt...
Na primeira vez que conversámos, disse-me que passou a juventude a ouvir os discos de Neil Diamond da sua mãe... Isso é uma velha tradição de família... Pelo Natal, ou são esses ou os do Perry Como...