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18 March 2026

Já faz falta uma polémica catita como esta (mergulhando nas profundezas do blog, reparei que, ultimamente, foi bastante revolvida)

23 January 2022

10 August 2020

FÁBULAS DO INFERNO

  
Há 11 anos, por altura da publicação de Um Fim de Semana no Pónei Dourado, evocando, muito provavelmente, o camiliano anjo caído, Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, nascido na aldeia de Caçarelhos, B Fachada dizia: “Se eu vivesse em Caçarelhos, não era autor e cantava o Romanceiro. Na cidade, tenho esta pressão ocidental, estúpida, para ser original e para criar”. Uma dúzia de EP e álbuns depois, supõe-se que – embora com pausas, por vezes, prolongadas – até não se tenha dado demasiado mal com a “pressão ocidental”. Dir-se-ia mesmo que os esquemas mentais com que triangulava a matéria prima (“Eu divido a música em três: a erudita, a tradicional e a pop. A erudita e a tradicional são artes e a pop é artesanato. A erudita e a pop têm autores individuais e a tradicional tem um autor colectivo. Estou no meio deste triângulo a ser puxado para um lado e para o outro”) deixaram de ser tão inflexíveis: aquele que, então, se via como “o pagão da FlorCaveira”o meteórico conglomerado de gentes que, no início do novo século, por insondáveis designos teológicos e sob o alto patrocínio do papa antipapista, Tiago Guillul, se reuniu para, agarrar pelas tripas a música portuguesa –, sempre abençoado pelos santos tutelares Fausto, Afonso e Godinho, parece ter descoberto o lugar geométrico onde os três eixos se confundem e geram outros sentidos.



Rapazes e Raposas, o sucessor de B Fachada (2014), prossegue o minucioso estudo antroposanfoneiro dos espécimes que povoam o pedaço, observados a partir de Mértola, de Março a Maio de 2020 DC (“Durante o Confinamento”). E, por entre chulas-punk, enlevos pastoris e teclados de feira, desfilam profetas apocalípticos (“A cada mais cem anos que hão de vir, hão de vir mais maldades e agonia, hão de vir mais injustiças e azar, nunca vão faltar o desgosto e abandono”), proclamam-se manifestos anti-tudo (“Sou anti-Freud, sou anti-Marx, não há truque semiótico, eu sou anti-patriótico, faço o direito em cepa torta, sou anti-basta e anti-corta”), glosa-se a “horrorosa Natureza pseudo-mãe” (“A noite é negra, o vento só ajuda os predadores à matança, à luz das estrelas piam todas as corujas, às escuras dormem as crianças”) e, mesmo “sem a graça do Camilo, sem as barbas do Antero” e com engarrafamentos silábicos (“A baleia ainda tem duvidas quanto ao sobrenatural, mas nunca foi mais indiferente às questões de identidade nacional”), o cenário destas fábulas não é de deixar ninguém descansado: “o Inferno está tão cheio que até o Diabo se mudou”.

25 October 2017

13 February 2015

MISSÃO APOLO 


O projecto espacial Apolo, da NASA, cobriu-se de glória ao 11º capítulo quando Armstrong e Aldrin caminharam sobre a Lua, a 20 de Julho de 1969, mas não foi além do 17º, em Dezembro de 1972, ocasião em que Harrison Schmitt, o primeiro geólogo a pousar no vale de Taurus-Littrow, aí recolheu 110 quilos de amostras. Outro lugar existiu, porém, onde a missão Apolo chegou mais longe: a avenida Júlio Dinis, em Lisboa, morada do Drugstore (posteriormente Centro Comercial) Apolo 70, inaugurado, como é de regra, com um ano de atraso sobre o nome, a 26 de Maio de 1971. Não foi o primeiro do género – esse chamou-se Sol A Sol, na Avenida da Liberdade, e data de 1967 – mas poderá, de agora em diante, reivindicar uma relevância histórica ainda maior que restabelece a ligação com a origem mítica do nome: um quinteto de jovens criaturas lusas, em demanda da Constituição Portuguesa de 1976 (uma obra de ficção) no computador da livraria local, prime, por engano “o botão encarnado” e, instantaneamente, o centro converte-se numa imponente "mothership" que os empurra para o que só poderá ser encarado como uma 2015 – Odisseia no Espaço.



Na verdade, o documento áudio da homérica expedição deverá ser oficialmente designado por A Viagem dos Capitães da Areia A Bordo do Apolo 70 e nele, encadernado numa réplica "low cost" da capa de Sgt Peppers, se descobrirão os formidáveis encontros, aventuras e sobressaltos que, de planeta em galáxia, de sistema solar em asteróide, os fazem confrontar-se com singularidades cósmicas e entidades de horror, assombro e mistério como José Cid, Capitão Fausto, Tiago Guillul, Samuel Úria, Rui Pregal da Cunha, Toy, Tiago Bettencourt, Bruno Aleixo, Tiago Pereira, as Adufeiras de Monsanto, Miguel Ângelo ou Manuel Fúria. É o género de "space oddity" em que os major Tom residentes se sentem menos inclinados a estabelecer contacto com o "ground control" do que a encetarem debates sobre minudências linguísticas e a grandeza conservada sob rotações no espaço tridimensional, em decorrência da isotropia (isto é, o momento angular aplicado às bicicletas), pretexto para um portentoso álbum conceptual de loja do chinês, genuína sci-fi em "happy hour", primeiro épico de vão de escada e manifesto inaugural do surrealismo de quiosque.

28 January 2012

O AUTOR HERMENEUTA DE SI MESMO

Os Lacraus - "Um Peito Em Forma de Bala"



0:16 olhos nos olhos
0:24 a verdadeira direcção da música está aqui
0:43 o típico 1,2,3
0:34 o guitar hero inspira e sabemos que tudo acabará bem
0:47 primeira aproximação ao baterista
0:52 olhos fechados, alma aberta
1:03 descida gingada do vocalista
1:09 b-r-e-a-k-!
1:19 compenetração do organista convidado que nos tempos livres é uma estrela muito maior que a banda que aqui serve
1:38 o outro break do baterista que é o grande pormenor da canção
1:42 a harmonia suada mas em falsete do guitar hero
2:07 batida à Abba a separar a banda de toda a multidão restante
2:13 springsteen, claro
2:25 avanço duplo
2:36 grito ao baterista para esforço final e retoque ultra-boss
2:43 a segunda voz é um dogma inabalável
2:51 final roqueiro como aqueles estúdios no Porto nunca tinham visto
No fim: uma canção sobre encarar a morte com fé.

(Nota PdC: a última frase suscita sérias reservas mas, à luz da "excepção Tiago Guillul", foi mantida)

(2012)

19 December 2011

ESTILHAÇOS DO BIG BANG



B Fachada - B Fachada




Osso Vaidoso - Animal

Quando houver recuo suficiente para se fazer a história da música popular portuguesa nas primeiras décadas do século XXI, há-de ser inevitável dedicar um extenso capítulo – de certeza, o mais importante – à improbabilíssima aventura dupla FlorCaveira/Amor Fúria, episódio de imprevisíveis raízes cristãs remontando às cisões no empório do Vaticano do século XVI, entre o magnífico papa ateu, Giovanni di Lorenzo de Medici, aliás, Leão X (ele que afirmava “Quantum nobis prodeste haec fabula Christi”, isto é, “Quão proveitosa nos tem sido esta fábula de Cristo” mas, igualmente, o genial criador do Seguro de Pecado Vitalício conhecido como “Taxa Camarae”), e o teutónico e aborrecidíssimo Martinho Lutero. Alegadamente, protestantes/baptistas uns, católicos os outros – e não estamos propriamente habituados a estabelecer este tipo de clivagens no que ao pop/rock diz respeito –, inegável é que, após demasiado tempo de domínio de roqueiros lusos travestidos de naturais do eixo UK/USA, o terreno estava preparado para a germinação de uma estirpe de renascentistas dedicados a reactivar o ADN – Heróis do Mar, Variações, GNR, Sétima Legião, até a geração prévia dos cantautores – que havia permanecido em estado de latência desde o início de 90. E se, até agora, daí não emergiu ainda nenhum A Um Deus Desconhecido ou Os Homens Não Se Querem Bonitos, já nesse santíssimo ventre foram gerados alguns belos nacos de música e de palavras bem saboreáveis.



Como, por exemplo (para além do que pariram Tiago Guillul, João Coração, Os Golpes, Samuel Úria ou Os Pontos Negros), a discografia bianual de Bernardo Fachada, espécie de desarrumado artesanato salta-pocinhas entre a música tradicional e as muitas declinações da pop: ora Reininho, ora Gainsbourg, aqui Giacometti, ali Godinho, concentrado no estudo quase entomológica do sapiens local, observado do exterior ou encarnado na primeira pessoa do singular, em perfurantes tiradas multireferenciais do jeito de "Vou casar discretamente e ser um belo pai presente, ter pouca vida social e ser senhor de Portugal, vou candidatar-me à presidência, vou fazer concertos de Natal, vou insistir na persistência, eu vou ser o Zappa nacional". Com temíveis desvios infanto-juvenis adicionais (B Fachada É Pra Meninos, 2010) e oferendas estivais (o EP Deus, Pátria e Família, 2011) em modo de imprecação diante das muralhas da cidade: “Portugal está para acabar, é deixar o cabrão morrer, sem a pátria para cantar, sobra um mundo para viver”. B Fachada (indistintamente intitulado da mesma forma que o opus de 2009), entretanto, não será motivo para celebrar com foguetório o décimo volume em quatro anos e meio de discografia: desta vez, em registo autêntica ou ficcionalmente confessional, se a agilidade verbal se deixa reconhecer desde o primeiro instante (“Noutro tempo, noutra configuração, eu dedicava-me ao roque, só tocava distorção, entretinha as raparigas com letras de pressão, uma cassete das antigas, pelas garagens do Monte Abraão”), a moldura musical – piano escolar, coros esquemáticos, percussão residual – reduz ao menor denominador comum uma sequência de canções melodicamente letárgicas, francamente muito pouco memoráveis e de rumo errático, que dificilmente puxarão o lustro ao CV de Fachada.



Se, no entanto, recuarmos até ao tal Big Bang da pop nacional, pelo caminho, tropeçaremos naquele instante em que, tal como se fala dos Pink Floyd com e sem Syd Barrett, nos deveremos referir aos GNR com e sem Alexandre Soares (embora com danos colaterais consideravelmente mais atenuados na banda do Porto): de coração pop e sistema nervoso experimental, os GNR devem-lhe algumas das mais preciosas jóias da primeira e melhor fase (só um exemplo: o alinhamento integral de Os Homens Não Se Querem Bonitos), pecúlio estético que transportaria, primeiro, para o seu The Madcap Laughs, a solo (Um Projecto Global, 1988), e que, mais tarde, integrado na tripulação dos Três Tristes Tigres – onde se cruzaria com Ana Deus –, voltaria a reconfigurar em formato de nave pop com radares apontados à estratosfera, em Guia Espiritual (1996), e Comum (1998). É, justamente, o núcleo Soares/Deus que, agora (metabolizadas obscuras etapas intermédias universalmente desconhecidas sob os nomes de Nadadores de Inverno e D. Chica), regressa, muito apropriadamente, sob a designação de Osso Vaidoso.



Porque a primeira sensação é a de tratar-se de uma reencarnação apenas um pouco menos sonoramente anoréctica dos Young Marble Giants: melodias telegráficas, traçado rítmico de electrocardiograma, espessura harmónica espalmada no quase único contraponto de voz e guitarra, com os eventuais adereços remetidos à percussão-Mo Tucker de "Cacofonia", às interferências siderais de "Animal" ou aos abstraccionismos cenográficos de "Ponto Morto". Caso absolutamente eloquente de quão produtiva pode continuar a ser a atitude "less is more", há, mesmo assim, que reconhecer o valioso contributo dos textos de Regina Guimarães (o terceiro tigre retornado à selva, aqui literaturando a partir dos estímulos de Nina Simone, Charles Cros e de interlocutores de diversas e insondáveis proveniências – é favor dar uso útil à ficha técnica), dos outros de Alberto Pimenta e Valter Hugo Mãe, da semi-invisível mas indispensável aguada tímbrica dos teclados de João Pedro Coimbra (dos Mesa, e outro tigre episódico), das percussões de Gustavo Costa e da electricidade de Tó Trips que, apesar de apenas presente numa só faixa, terá, aparentemente, reanimado o espectro Velvet Underground que Alexandre Soares mantinha sequestrado dentro de si e que ioniza com minerais radioactivos o frágil tecido conjuntivo, esplendorosamente descarnado, do Osso deste Animal.

(2011)

16 November 2011

RESSURREIÇÃO

















Os Lacraus - Os Lacraus Encaram O Lobo

Como qualquer pessoa sofrivelmente culta sabe, só por imoderada arrogância (e a isso devemos estar infinitamente gratos) se continuou a escrever depois da Bíblia, do Épico de Gilgamesh ou do Mahabharata. Não por qualquer motivo de superioridade religiosa, teológica ou espiritual – nesse ponto, equivalem-se exactamente às crenças dos caçadores-recolectores do Sudeste Asiático, que acreditavam que o deus do trovão perdia as estribeiras se visse alguém a pentear o cabelo durante uma tempestade ou se encontrasse quem tivesse assistido a um acasalamento de cães – mas porque todas, literalmente todas, as histórias da desgraçada tragicomédia humana (nas suas incontáveis possibilidades e combinações), aí ficaram definitivamente registadas.



A Bíblia – em particular, o Antigo Testamento, esse portentoso repositório de divina violência gore, traição, inveja, pornografia, ficção-científica, incesto, irracionalidade e ódio –, por nos ser culturalmente mais próxima, desde a Idade do Bronze até hoje, permaneceu como matriz (aceite ou repudiada) de considerável parte da cultura popular e erudita, e não é sequer preciso evocar Leonard Cohen, Dylan, Springsteen ou toda a soul para nos apercebermos disso. Tiago Cavaco/Guillul/Lacrau é pastor Baptista mas não é por isso que, nesta muito apropriada ressurreição dos Lacraus, se aspiram odores bíblicos (ainda que subliminares) em todas as faixas: eles estão geneticamente impressos na natureza profunda desta antiquíssima música – rock’n’roll, variante punk – que praticam e que os autoriza a dedicar (mui excelentes) epístolas a Alexandra Lencastre ou Flannery O’Connor, a traduzir "Children Of The Revolution" para "Filhos da Ressurreição" ou a erguer, em "L.A.C.R.A.U.S.", o equivalente luso e perigosamente infecto-contagioso de "G.L.O.R.I.A.". Com arte final pop q.b., para ainda maior proveito de crentes, agnósticos e ateus.

(2011)

29 September 2010

CARÍSSIMO TIAGO (PARTE III)



Desisto. Não enxergo como irá conseguir fazê-lo mas, pronto, salve-me a alma, livre-me do Inferno (isso, por acaso, até agradeço: detesto calor), ponha-me a salmodiar (mas avise com antecedência porque tenho de ir rever os tons gregorianos), tudo menos colocar em risco a sua discografia!... Não lhe posso garantir muita convicção mas, para mim, trata-se de uma questão de princípio: it's a dirty job but someone's gotta do it!

Num ponto, porém, terá de apurar os seus dons persuasivos: mesmo que, imbuído desse heróico espírito de missão, eu fosse ouvido a admitir a existência do Grande Fantasma Celeste, por que motivo haveria eu de pensar que ele “é bom”? Digo-lhe mesmo mais: na escala das tarefas impossíveis, essa comporta um grau de dificuldade infinitamente superior a, pura e simplesmente, eu poder vir a afirmar “Pronto, está bem, o princípio dos princípios, o piparote inicial, o big antes do bang... ganhaste”.

Abraço.

JLX

PS - enquanto não desencravar no Voz do Deserto uma forma de fazer links dos seus posts, será sempre difícil citá-lo. Este meu refere-se, evidentemente, à "Correspondência Olissiponense", de 20 de Setembro.

(2010)

09 September 2010

OLÁ OUTRA VEZ, CARO TIAGO GUILLUL


Platypus (ornitorrinco)

Antes de mais, explique-me, por favor, uma coisa: como se copia o link dos posts do seu blog? É que já tentei por todas as formas que conheço e só queria perceber se é apenas uma questão de incompetência informática minha (hipótese com elevado grau de probabilidade) ou, sabe-se lá, uma Pedra de Tropeço que, certamente, razões de ordem superior o conduziram a lá colocar.

Por falar em Pedras de Tropeço (daqui em diante, refiro-me ao seu post "Compacto Férias Voz do Deserto 2010", de 7 de Setembro), não me parece que o álbum dos Arcade Fire se deixe arrumar, facilmente, nessa categoria. Como sabe, "pedra de tropeço" dizia-se, em grego, "scandalon" e The Suburbs, coitado, é tudo menos escandaloso. A menos que, por "scandalon", se tenha passado a entender todo e qualquer desabafo da D. Belmira do 7º esquerdo acerca da "desgraça a que isto chegou". Um bocadinho escandaloso, de facto, é os pobres moços Arcade, após uma fugaz semana a saborear as inefáveis delícias do 1º lugar da tabela de vendas portuguesa, se terem deixado desalojar por essa pérola do "Mas quem será o pai da criança?". É, sem dúvida, um título com fortíssimas ressonâncias bíblicas neotestamentárias mas, ainda assim... De resto, não se preocupe que não me "perdi em batalha" nenhuma: foi só mesmo uma entrada por saída.

E, mais uma vez - estou a ficar inquietantemente conciliador -, dois importantíssimos pontos de acordo total: as chinelas e a cafeína. Quanto ao "sentido de humor de Deus", finalmente, há uns bons anos, no Dogma, o Kevin Smith já tinha arrumado o assunto: "Please - before you think about hurting someone over this trifle of a film, remember: even God has a sense of humor. Just look at the Platypus". Claro que ele (desculpe-me se não utilizo a maiúscula mas estar a admitir-lhe a existência já é uma respeitosa cedência) faz sempre humor à custa de alguém. Mas, aí, não há volta a dar: está-lhe na natureza.

Abraço.

JLX

(2010)

02 September 2010

CARÍSSIMO TIAGO...


(em particular, a partir dos 7'34", mas é de ver tudo)

... não me arranje problemas. A sério. É que, apesar de a minha capacidade de sentir a culpa judaico-cristã ter vindo, ao longo dos anos, a reduzir-se a pouco menos do que um ponto negro (disco giro, o último deles!), há coisas que ainda mexem comigo. E ter de carregar sobre os ombros a responsabilidade de imaginar que, lá pelo fim do século (pouco antes de pensar "Só pode ser das lentes, não se vê mesmo nada..." - corte abrupto/the end), as suas últimas palavras serão "Falhei, falhei miseravelmente na conversão do João Lisboa..." dá-me arrepios.

Que diabo (pardon my french)!... há tantos outros desafios igualmente estimulantes e mais realizáveis: elevar o QI da Sarah Palin, discordar, "com civilização e simpatia", daquele moço moreno dos Hammerskins, o Mário Machado, gravar uma versão do "Beijas Como Uma Freira" com o coral das irmãs Doroteias...

Olhe, aceite esta proposta e não se fala mais nisto: que tal colaborarmos naquela óptima ideia da "Bíblia-com-lols"? Ia, de certeza, dar luta (a meio do Génesis, eu já teria esgotado a minha quota de "lols" e ia reivindicar mais...), o Tiago poderia declarar que eu não só tinha feito uma palestra na sua igreja como me tinha convertido à exegese bíblica e acabava tudo em bem.

Deal?

Abraço.

JLX

(2010)

21 August 2010

TRANSPIRAÇÃO



Bruce Springsteen & The E Street Band - London Calling/Live In Hyde Park (duplo DVD)

Steve Van Zandt está com um facies de peixe-balão e aquela pinta de fazer coagular o sangue do mais maligno Drácula que foi aperfeiçoando durante a sua vida paralela como Silvio Dante, nos “Sopranos”. Clarence Clemmons, o único saxofonista do mundo capaz de tocar com uma banda de rock sem que, do palco, comecem imediatamente a escorrer Amazonas de óleo, é um discreto (porém, contundente, quando necessário) faraó. Max Weinberg, após diversos anos à ilharga de Conan O’Brien, cada vez menos foge a ser visto como o atinado chefe de família, profissional de seguros, de dia, e baterista, à noite (mas, claro, com horários flexíveis).



E, se não existisse, Soozie Tyrell teria de ser inventada: não apenas porque o timbre do seu violino circula já na corrente sanguínea da E Street Band mas também pela não menos importante razão de que o seu glamour de loira cabeleireira suburbana é – na ausência de Patti Scialfa – o perfeitíssimo contraponto do bravo operário metalúrgico Springsteen, mouro de trabalho e jóia de rapaz que, mesmo já entrado nos sessenta, dá o litro como muitos de vinte não conseguem.



Perdoem-me se volto a citar Tiago Guillul mas, depois de três horas ininterruptas de concerto, em Hyde Park, com pôr-do-sol e tudo pelo meio, faltam-me as forças: “Sempre os mesmos acordes. Sempre os mesmos xilofones sentimentais. Sempre as mesmas capas péssimas em subtis variações de auto complacência. Sempre os mesmos optimismos insufláveis ianques. Sempre as mesmas queixinhas de classe média. Sempre a mesma coisa. Bruce Springsteen não sabe fazer maus discos". Este duplo DVD (um quase-greatest hits ao vivo) não só não é mau como é, deveras, óptimo. A intensidade pode ser, objectivamente, medida pelo alastrar das manchas de transpiração na camisa de Bruce: começam no segundo tema e, ao quinto, já está ensopada. E ainda faltam mais vinte e cinco.

(2010)

24 May 2010

MELHOR DO QUE QUALQUER SARAMAGO COMUM



Tiago Guillul - V

Indo direito ao assunto e para acabar de vez com as indefinições: o que pode um agnóstico/ateu (ou, noutro plano algo diferente, um católico vulgar de Lineu) retirar do “panque roque” criado e gravado por um pastor evangélico baptista que não só não esconde a sua condição como a expõe abertamente nas canções? Tiago Guillul digere mal este tipo de generalização mas, ainda assim, é indispensável dizer que o que ele e restante trupe FlorCaveira – que nem sequer é, confessionalmente, homogénea – produzem não possui o mínimo ponto de contacto estético com aquilo que é, habitualmente, conhecido como “rock cristão” ou com o kit-pronto-a-usar do pseudo-gospel de IURDs, Manás e afins.



A minha (só minha) resposta exige um prévio "disclaimer": na escala-Richard Dawkins (de 1 a 7) de “probabilidade teísta”, situo-me, tal como Dawkins, no 6-a-escorregar-para-o-7, isto é, ateu de facto“não posso ter a certeza absoluta mas acho Deus muito improvável e vivo assumindo que não existe”. Arrumada a questão, há que reconhecer que, como bom protestante exegeta da Bíblia – essa fantástica compilação de histórias de violência, ódio, paixão, vingança, mistério, acção, fantasia, aventura, ficção científica e pornografia –, Tiago dá-lhe muito melhor uso do que qualquer Saramago comum.



E se, aqui e ali, o pé lhe foge demais para a homilia ("Nem Um Só Cabelo Será Perdido") ou se agarra a metáforas um tanto herméticas ("Roma E Avinhão"), com tão boa matéria-prima seria difícil falhar. E ele não falha: o caldo de cultura poderá ser oitentista mas há também suficiente África, ferrugem e impurezas várias surripiadas, para dar origem a óptimas canções – e escutá-las desprovido de fé só lhes acrescenta um picante suplementar – prontas a receber o testemunho da melhor época dos GNR (Reininho assina o ponto), Pop Dell’Arte e Variações e oferecer-lhe uma sequência inteiramente à altura.

(2010)
DERRUBAR AS MURALHAS DE JERICÓ



Quase dois anos após o vírus FlorCaveira - aquela peculiar combinação de “religião & panque roque” que apresentou à sociedade Tiago Guillul, João Coração, B Fachada, Samuel Úria, Diabo na Cruz e os Pontos Negros - ter contaminado praticamente toda a imprensa, estou, de novo, na Igreja Baptista de S. Domingos de Benfica, perante Tiago Guillul, locomotiva editorial e teológica da conspiração, à beira de publicar (em vinil e CD) o novo álbum V. E, agora que o contingente FC já, definitivamente, não compete na categoria “new kids on the block”, só lhe posso perguntar se isso, para ele(s) é uma desgraçada fatalidade ou um alívio: “Estamos felizes por o pó ter assentado. Há um lado que eu diria cavaquista que é o de que mostrámos trabalho. Independentemente do fenómeno real, na medida em que se falou dele, foi também um fenómeno muito circunscrito à imprensa. A minha vida continua tão anónima como antes”.



Sim, Tiago Cavaco/Guillul assegura que ainda não é perseguido nas ruas por jovens fãs tresloucadas: “Eu também tenho pouco perfil para isso, pai de filhos e tal... quem tem mais esse perfil na FlorCaveira é o Samuel Úria, aquele ar mais romântico. Mas, se pensarmos no que se passou depois desse momento de descoberta, toda a gente continuou a gravar, apareceu o Diabo na Cruz... quem achava que aquilo seria, necessariamente, um fogacho, não acertou. É nesse sentido que eu digo que foi uma resposta um bocado cavaquista: dissemos ‘deixem-nos trabalhar’ e nós trabalhámos. Espero que não seja só o Portugal do betão mas estradas onde as pessoas possam andar e dizer que valeu a pena”.



O balanço mais interessante deste tempo terá sido, entretanto, o facto de a percepção que se tinha desta associação de exegetas bíblicos, praticantes de “roque enrole” e “compagnons de route” vários, ter saltado as fronteiras de apenas um grupo de gente "cool" mas oriunda de uma religião “exótica”: “Parece-me que há muitas pessoas a descobrir-nos independentemente desse fenómeno de imprensa. Reparei especialmente nisto a propósito do teledisco que fizemos para o ‘Sete Voltas’. De repente, o 'Record' quer falar comigo porque uns amigos criaram um grupo no Facebook a anunciar que esta devia ser a música oficial da selecção para o Mundial!... A culpa é minha porque eu fiz uma piada com isso (a canção, na verdade, é sobre o episódio bíblico das muralhas de Jericó) e, se calhar, o problema deste país é que ninguém pode fazer piadas porque as pessoas não percebem a ideia. Mas com o Samuel Úria, com o Diabo na Cruz e com este efeito do teledisco, sinto que há, de facto, pessoas novas a descobrir-nos”.



A verdadeira questão, no entanto, é: perdida essa aura de cristãos-militantes-nas-catacumbas-de-Roma, não correrão o risco de começar a haver quem pense “you’re no fun anymore?” “Reconheço que, como este é um país tão pouco tocado pela diversidade religiosa, por mais que nos apeteça que falem de outra coisa, isto irá continuar a ser jornalisticamente forte. Mas, mesmo quando as pessoas se aperceberam do nosso lado ‘National Geographic’, apesar de tudo, falaram da música. Isso, para mim, é um alívio. Na verdade, continuar a sobrevalorizar esse aspecto do ‘exotismo’ religioso será um caso de ‘it’s no fun anymore’. Isso já é notícia, seguramente, de 2008. Até porque, às vezes, a melhor maneira de encenarmos tolerância ou civilização é termos uns espécie de bobos da corte que era como, se calhar, a FlorCaveira aparecia”. Neste V, na realidade, o segundo álbum de Guillul para o mundo, que só o descobriu com o IV (“Isto, agora, é uma categoria um pouco kierkegaardiana... e a piada é essa. Ir assumindo números que, aos olhos da maior parte das pessoas, são virtuais”), a grande maioria das canções é construída sobre “uma amostra de” – batidas rítmicas, excertos de outras músicas... afinal, uma estratégia de auto-defesa:



“Se me armasse em grande cantor ou grande tocador e chamasse uma banda para servir as minhas canções, não funcionaria. Também por ser, simbolicamente, a primeira vez que iria trabalhar canções minhas em estúdio, tentei arranjar balizas para arrepiar caminho. E boa parte das balizas foi criada ou roubando excertos de batidas ou – apenas em dois casos – de música de bandas evangélicas portuguesas dos anos 80 e 90. Senti-me confortável ao pensar que, se ia gravar um disco em estúdio, e se reconhecia que não iria conseguir fugir ao feeling anos 80, ao menos, levoava migalhas da música que me permitiu chegar aqui. Umas vezes, o processo já estava quase concluído e era só um argumento rítmico para juntar; outras, o argumento rítmico estimulava-me a inventar a canção. Por outro lado, é a minha maneira humilde (ou falsamente humilde, também existe esse risco) de invocar outras vozes na hora de trazer a minha”. A excepção é uma canção “construída sobre a indignação resultante de declarações de Mário Soares”: “Se os evangélicos, coitados, não têm grande voz perante um gigante da nossa democracia como o dr. Mário Soares, na minha maneira patética, achei que me devia pronunciar. Numa palestra, ele referiu-se ‘às novas religiões que nos chegam’, falou em ‘evangélicos fanatizados’, aquele eterno clima de suspeição... o Mário Soares não precisa de ser católico para, na estranheza perante as confissões socialmente rebaixadas, numa atitude, de facto, racista, insinuar que não devemos ter nada a ver com essa classe média-baixa dos brasileiros, africanos e ciganos que chegam cá com essa ‘balbúrdia’ de cultos”.



E, a emprestar uma tonalidade comum a todo o disco... uma peculiar forma de pornografia: “Sim, é verdade, há clichés dos anos 80 por todo o lado. Sem querer sociologizar demais, as nossas fronteiras de pudor com o passado, quando estamos numa fase em que precisamos de muita auto-estima – que são, tipicamente, os anos da universidade –, mais tarde, desaparecem. E, aí, pensamos: quais foram as canções que, quando era miúdo, me marcaram? Por isso, é que há esta sede pela nostalgia. Numa canção, eu digo que é a nova pornografia, porque é uma luta espiritual minha e passa por ir ao YouTube procurar os anúncios que via quando era pequeno e que assume um poder idólatra e mentiroso em relação ao passado”.

(2010)

17 May 2010

TIAGO GUILLUL ESCLARECE DOIS OU TRÊS PONTOS
IMPORTANTES E ACRESCENTA ALGUMAS OBSERVAÇÕES
SOBRE O LUDOPÉDIO QUE NÃO INTERESSAM NADA







Nota: no blog "Provas de Contacto, existe uma cláusula de excepção, em matéria religiosa, para Tiago Guillul e Leonard Cohen. Relativamente a eles, o furioso jacobinismo anti-clerical que aqui é extremosamente acarinhado, aceita tréguas e moratórias temporárias. Porque sim.

(2010)

27 December 2009

DEPOIS DA CORRIDA AO OURO



B Fachada - B Fachada




Samuel Úria - Nem Lhe Tocava

Um ano depois de o petardo mediático FlorCaveira/Amor Fúria rebentar, ter-se-à tudo esfumado como acontece, regularmente, com as modas sazonais, ou haverá estilhaços valiosos para recolher? Quando, por essa altura, Tiago Guillul declarava “Há um sentido de desgosto, de não identificação com a maior parte das coisas que a geração à minha volta está a fazer. Quando ninguém nos ouvia, tínhamos a profunda consciência de que éramos pessoas que ninguém ouvia. É preciso que alguém se sinta, às vezes, enojado para conseguir fazer alguma coisa. Há pessoas que não gostam de nós e não gostam por boas razões: 'Estes gajos têm a mania que são espertos!' E, nesse sentido, temos, de facto, a mania que somos espertos em relação ao resto, aquilo embaraça-nos”, estava apenas a tirar partido dos megafones que lhe eram colocados à frente ou, durante os doze meses seguintes, justificou – por obras, além de palavras – aquilo que afirmava?



Dos manifestos da Amor Fúria (“Surge um exército de rapazes e raparigas de caras e almas pintadas, pronto a transformar as emoções colectivas num momento partilhável pelas multidões. Apresentam cantigas, planeiam o fim deste mundo e o início de um novo tempo onde as canções substituam as janelas fechadas dos automóveis, as conversas dentro dos edifícios, as filas de espera para os autocarros, os desesperos solitários”), emergiram, de facto, destacamentos poéticos armados, de carne e osso? Será que o que Samuel Úria escreveu acerca de B Fachada (“Alguém que se julga um povo não pode estar bom da cabeça. Eu não sei o que é que o B Fachada se julga, mas lá que se etnografa a si próprio, etnografa. Giacomette-se consigo mesmo, não pode estar bom da cabeça. Graças a Deus”) teve consequências práticas? O que o próprio Úria confessou sobre si mesmo (“já nasci depois do PREC, tarde demais para proto-punk, branco demais para ser do rap") eram só "soundbytes" rimados ou confirmou-se?



Nada como fazer o balanço: um belíssimo devaneio estival de João Coração (Muda Que Muda); vários EP, compilações e elucubrações artesanais a ensaiar sementeiras diversas; duas ou três estreias com índices de acerto no alvo variáveis (Pontos Negros, Smix Smox Smux, Os Golpes); uma colecção de polaróides de figurões urbano-rurais de B Fachada (Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado); um EP de “seis canções que rockam-popam-dançam em cima do tempo” (Meio Disco, de Os Quais); e uma longa pausa de Tiago Guillul que, ainda assim, não o impediu de, aqui e ali, ir opinando com imponderável sabedoria (exemplo: “Sempre os mesmos acordes. Sempre os mesmos xilofones sentimentais. Sempre as mesmas capas péssimas em subtis variações de auto complacência. Sempre os mesmos optimismos insufláveis ianques. Sempre as mesmas queixinhas de classe média. Sempre a mesma coisa. Bruce Springsteen não sabe fazer maus discos"). Chega, agora, o momento em que os piores receios de Guillul (“Irrita-me muito pensar ‘será que isto é o próximo passo, este grau de respeitabilidade crítica em que as pessoas andam todas a dar palmadinhas nas costas umas às outras?...’ O nosso rastilho é um certo prazer em fazer inimigos”) se irão concretizar: Nem Lhe Tocava, de Samuel Úria, e B Fachada (apesar de publicado pela Mbari e já não pela incubadora FlorCaveira), irão fazer muitos amigos e a respeitabilidade crítica está a bater-lhes à porta.



Por mui óptimas razões, aliás: se, nem um nem outro perderam aquela faceta de artesãos que preferem lidar com materiais recolhidos no quintal das traseiras ou em que tropeçaram, acidentalmente, numa investida pelo sótão, tudo atingiu já, um grau mínimo de perfeição de acabamentos que, sem tresandar a produto industrial, também não é, decididamente, apenas coisa de amador jeitoso. Fachada é o diletante que respiga na tradição e a evapora ("Responso Para Maridos Transviados"), quase incorpora o espírito do primeiro Kevin Ayers ("Tempo Para Cantar"), joga ao toca-e-foge com o ié-ié tal como Rui Reininho, em dia de folga, o pratica ("Estar à Espera Ou Procurar"), gainsbourgiza-se levianamente ("Setembro" e "A Bela Helena"), pisca o olho a Vitorino, Cesariny e (no grafismo da capa) aos Trovante e, de tudo isso, constrói uma personagem inteiramente singular de quem não esperamos senão que debite aforismos como “É bom ter má fama, dá para ter vazia a cama, e nesta solidão de Kant, é bom ter de fundo o que anda nas bocas do mundo” e mais uma mão cheia de outros de igual quilate.



Nem Lhe Tocava é um sinuoso, virtuoso e vertiginoso exercício de mimetismo em que, sobre uma camaleónica pele inconfundivelmente lusa, se projectam as sombras do tango, do blues, de Elvis Presley, Johnny Cash, caricaturas de Prince e daquele género de soul gingada nos arraiais de Verão, revisteirices de coreto, sobras da mesa do rock português de 80, e por tão repetidas e rápidas sobreimpressões, transpira nacos de língua em estado de graça nos quais, Úria se confessa (“Pôr sal nas minhas feridas e acordes nos meus brados, derramar mel nas saudades, verter choros sincopados”), se desenha (“Eu nunca fui do prog-rock, sou neo-retro-redneck, nasci num antro só de Enters, já nem sei carregar num Rec”) e, no ultra-waitsiano "Batuta e Batota", abre completa e magnificamente o jogo: “Ou em berço de ouro, ou em disco de prata, brotei já artista ou fiz-me pirata? Um Messias pop, freewheelin com dono, se me biografo ou revisiono”.

(2009)

22 November 2009

AS "TESES DE ROMA" DO PRESIDENTE RATZINGER


"O Papa Bento XVI recebeu ontem 260 artistas aos quais pediu que não tenham medo de dialogar com os crentes, garantindo ao mesmo tempo que a Igreja quer 'restabelecer a amizade com os artistas'. (...) O Papa pediu também aos artistas que transmitam a verdadeira beleza da arte, recusando as formas de 'propaganda' e ilusão que ela por vezes traduz. 'Trata-se de uma beleza sedutora mas hipócrita, que desperta' a vontade de poder, de 'prepotência sobre o outro', assumindo o rosto da 'obscenidade, transgressão ou provocação'.

Oh quão delicioso e santíssimo matrimónio estético/teológico entre o pensamento filosófico português do Diácono Remédios e as Teses de Yenan do Presidente Mao Tsé-Tung!... *

"O poeta José Tolentino Mendonça, um dos convidados presentes, resumiu ao 'Público' a forma como leu o discurso de Ravasi [Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura]: "Ele criticou alguma arte contemporânea auto-referenciada e fechada nos seus próprios limites, mas disse também que a Igreja deixou de lado a questão estética e tem repetido acriticamente modelos do passado e não tem construído uma estética moderna e contemporânea". (aqui)

Enquanto aguardamos, então, com mal disfarçada ansiedade, o "Livrinho Vermelho" do Presidente Ratzinger, sugere-se que, numa manifestação de abertura ao "diálogo inter-confessional", o Sumo Patífice aceite considerar a proposta FlorCaveira:



* "Some works which politically are downright reactionary may have a certain artistic quality. The more reactionary their content and the higher their artistic quality, the more poisonous they are to the people, and the more necessary it is to reject them" (Teses de Yenan, Mao Tsé-Tung).

(2009)