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13 April 2021

VINTAGE (DLXIX)

 

 
(sequência daqui) "A terceira é a brutal 'Country Feedback', às vezes interpretada como o diário de uma banda em digressão, mas que se parece muitíssimo com outros cansaços e colapsos, uma canção desesperada e lânguida, nas emoções como no feedback, e com uma lista de tentativas de salvar as coisas que ó notória pela sua incapacidade de salvar as coisas: "We've been through fake-a-breakdown, self-hurt, plastics, collections, self-help, self-pain. EST, psychics, fuck all, I was central, I had control, I lost my head, I need this, I need this, a paperweight, junk garage, a winter rain, a honey pot, crazy, all the lovers have been tagged, a hotline, a wanted ad, it's crazy what you could've had". (Pedro Mexia na Revista do "Expresso", 01/04/2021)
 


Edit (14/04/2021) - ... e ainda (sugerido nesta caixa de comentários)...


R. E. M. & Neil Young

10 April 2021

VINTAGE (DLXVII)

R.E.M. - "Me In Honey"
 
 
(sequência daqui) "A segunda obra maior chama-se 'Me In Honey', tem a voz poderosa de Kate Pierson, dos B-52, parece ser uma discussão sobre uma gravidez indesejada e tem menos a ver com manifestos 'pró-escolha' do que com um ele e uma ela a perguntarem um ao outro, por interposto nascituro: 'What about me?'" (Pedro Mexia na Revista do "Expresso", 01/04/2021)

07 April 2021

VINTAGE (DLXVI)


 
 
"Além de 'Losing My Religion', Out Of Time tem outras três obras-primas. A primeira é uma maravilha estrutural e instrumental, uma peça de música de câmara para cordas intitulada 'Half A World Away', toda em vaivéns, enquanto o narrador está mais focado na sua cabeça do que no mundo à sua volta: 'This could be the saddest dusk I've ever seen, I turn to a miracle, high-alive, my mind is racing, as it always will, my hands tired, my heart aches, I'm half a world away, here in my head'. É uma canção de vidas gastas, olhos patéticos, tempestades e medos, 'lonely deeps and hollows', esquiva mas empática, perfeita" (Pedro Mexia na Revista do "Expresso", 01/04/2021; segue para aqui)
 
 

27 May 2013

24 October 2011

LEONARD COHEN: DISCURSO DE ACEITAÇÃO DO PRÉMIO PRÍNCIPE DAS ASTÚRIAS, OVIEDO, 21.10.2011



(continuando a pilhar o Lei Seca sob orientação externa)

(2011)
AKHMÁTOVA


Todas as tardes, pelas 19 horas, na RTP1

"António-Pedro Vasconcelos anunciou que a partir de agora se ia dedicar de corpo e alma à defesa do serviço público de televisão. Nada tenho contra o serviço público; mas há dias, num programa televisivo para o qual me convidaram, disse que telenovelas, concursos e futebol não correspondem ao meu conceito de serviço público. Na sua coluna de hoje do jornal Sol, APV diz que eu me referi a uma televisão que 'não existe', que é falso que a RTP1 transmita novelas, concursos e bola. Fui conferir a programação da última semana. E reconheço aqui publicamente o meu erro: 'Ribeirão do Tempo' e 'Poder Paralelo' são afinal óperas; o Basileia-Benfica é dramaturgia contemporânea; e 'O Preço Certo' e 'O Elo Mais Fraco' são, como os nomes indicam, documentários sobre Akhmátova". (daqui)

(2011)

26 December 2010

CAÍDOS NO CHÃO DA SALA DE MONTAGEM (I)










Nicotine’s Orchestra - Ghosts And Spirits

Tal como The Legendary Tigerman, a orquestra barreirense de Nick Nicotine é um exercício peculiar de encenação em território luso de uma narrativa musical, social e cultural integralmente importada, peça por peça, dos EUA: soul, country, rock’n’roll, com todos os adereços e marcas de origem devidamente autenticadas e irrepreensivelmente reconstituídas. Ou “the ghosts and spirits of Christmas past”.











Mice Parade - What It Means To Be Left-Handed

Adam Pierce, aliás, Mice Parade, detém o record mundial para títulos de álbuns em português oriundos de músicos novaiorquinos: Obrigado Saudade (2004) e Bem-Vinda Vontade (2005). Eram tão excelentes cadinhos de electrónica/pós-rock quanto este é um inclassificável e omnívoro concentrado de pop, tropicalismo, kora africana, "shoegaze", vozes Swahili e versões dos Lemonheads.











Efterklang - Magic Chairs

Algo como um Sufjan Stevens mais disciplinado, uns Arcade Fire sem peneiras, uns Blue Nile espartanos. Todos esses, discípulos compenetrados de Steve Reich e com o estrito programa de converter o somatório desses idiomas à quadratura pop, sem abdicar da complexidade de um lado nem abrir mão da concisão do outro. Abrigam-se sob o rótulo "indie-electronica-classical-experimentalists" e são óptimos músicos dinamarqueses.











Balla - Equilíbrio

Miguel Esteves Cardoso e Pedro Mexia nos textos, Samuel Úria oferecendo a voz, Luís Varatojo dedilhando guitarra portuguesa, Rui Reininho como mestre de cerimónias no "booklet", um sample dos UHF (sim, sim) como esqueleto de uma canção e Armando Teixeira/Balla a lubrificar os circuitos desta pop mais leve que o ar, em jeito de espumante sonoro.











Lali Puna - Our Inventions

"Easy listening" para Holiday Inns de Saturno, painéis sonoros de meditação destinados a fãs dos Kraftwerk, Valium-light refrigerante, espirais de vapor dentro de um aquário de cristal, toques de telemóvel para mosteiros zen, "synth-poetry" entoada por vozes digitais e outras suaves beatitudes tecnológicas com a marca Morr Music a quem devemos também os Notwist e Tied & Tickled Trio.

(2010)

17 December 2010

NADA DE NOVO, NADA QUE NÃO SAIBAMOS HÁ MUITO...



... mas, caso ainda interesse a alguém, pode ler-se o essencial aqui, aqui e aqui.

Porque, no fundo, o que, verdadeiramente importa, escreveu-o o Pedro Mexia, há algumas semanas: "Há pessoas que acham que ser pessimista deve ser 'angustiante'. Estão enganadas. Ser pessimista é sobretudo cansativo. Todos os dias o mundo confirma a ideia que temos do mundo. Imaginem: todos os dias".

(2010)

01 December 2010

A PESSIMIST IS NEVER DISAPPOINTED
(BUT HE IS OFTEN TIRED)



















"Há pessoas que acham que ser pessimista deve ser 'angustiante'. Estão enganadas. Ser pessimista é sobretudo cansativo. Todos os dias o mundo confirma a ideia que temos do mundo. Imaginem: todos os dias". (aqui)

(2010)

22 May 2010

GRANDES VULTOS NACIONAIS (XI)

Miguel Graça Moura
(por Pedro Mexia - parte III; continuação daqui)



"Claro que o que Miguel faz a Rachida em termos sexuais é um mimo comparado com a sua imparável 'descarga' cultural. Eis um homem que entre duas pranchadas diz 'George Steiner, ensaísta americano nascido em Paris em 1929'. Ou 'Sabe-se pouco sobre a vida de Hieronymus Bosch [...] Terá nascido à volta de 1450 e morreu em 1516'. Não há facto cultural que não seja feito conversa de engate. Entre duas sem tirar, o maestro, momentaneamente refractário, discorre sobre Tintoretto, a descolonização, a arquitectura do Pompidou, Rachmaninov, Visconti, a história da valsa, a sexualidade em Roma e as diferenças entre maoísmo e confucionismo. E depois, enquanto descansa de novo, retoma: 'Regressemos a Ingmar Bergman'. Rachida admite: 'É muita areia para a minha camioneta'. E para a nossa também". (Pedro Mexia na "Ler" de Maio)

(2010)

20 May 2010

GRANDES VULTOS NACIONAIS (X)

Miguel Graça Moura
(por Pedro Mexia - parte II; continuação daqui)


(desenho daqui)

"Rachida é uma escrava sexual. Disposta a tudo, tem a tarefa de enaltecer aquele macho-alfa. Ele é, exclama Rachida, culto, sensível, másculo, erudito, e, claro, bem apetrechado. 'A desmesura desta erecção pode causar-te dor', avisa o maestro, e ela confirma que o coiso é de facto 'imponente'. O coiso, aliás, tem petit nom: 'Senhor Embaixador'. Rachida: 'Faz-me sentir a poderosa dimensão do Sr. Embaixador dentro desse rego tão estreito'. Bela frase para um cartão de visita. Rachida está nas núvens com o seu macho de cobrição. 'Que fabulosa descarga', exclama Rachida. E, sonsita, profere a imortal frase: 'Engoli o teu líquido... Fiz mal?'" (Pedro Mexia na "Ler" de Maio)

(2010)

19 May 2010

GRANDES VULTOS NACIONAIS (IX)

Miguel Graça Moura
(por Pedro Mexia - parte I)



"(...) Miguel Graça Moura será ou não bom maestro. O que ele é com certeza é um ás da batuta. O Prazer, interminável calhamaço a que ele chama 'memórias desarrumadas', arruma as memórias em registo de ficção autobiográfica. Num TGV, o garboso condutor de orquestra encontra uma rapariga árabe de 22 anos, Rachida, e durante 600 páginas, obriga-a a ouvir a história da sua, dele, vida. E enquanto isso faz-lhe coisas, sempre assombrosas e inauditas.
Tudo começa com a relativa pacatez de
'afaguei-lhe resolutamente os seios'. E depois vai descendo, 'Trasladei-me para a curva lateral da cintura' é o meu verbo favorito. 'Introduzi a língua o mais que pude dentro da fenda túrgida' contém o adjectivo mais comovente. Rachida parece um petisco: 'nádegas indescritivelmente apetitosas', 'um rego de cortar a respiração'. Miguel Graça Moura não nos poupa a nenhum entusiasmo, a nenhuma posição e inserção, a nenhuma escorrência. Depois de uma arenga intelectual, o maestro determina: 'Tenta manter-te completamente descontraída. Os músculos do esfíncter são completamente elásticos e excitáveis, como aliás toda a região anal. Vou começar por saudar esta maravilhosa entrada'. E depois passam férias em Rabat (...)". (Pedro Mexia na "Ler" de Maio)

(2010)

06 April 2010

A VIA DA BISCA LAMBIDA PARA A SOCIAL-DEMOCRACIA



"(...) A gente sabe que já não há políticos churchillianos, com guerras, reportagens, viagens, polémicas e aforismos, mas há mínimos olímpicos. (...) Vejamos a sua [de Pedro Passos Coelho] estrada de Damasco, aquela que o levou de umas vagas curiosidades comunistas à militância no maior partido da direita portuguesa: 'A salvar o meu Verão, a JSD local fez um campeonato de cartas onde eu participei. Foi o primeiro contacto, por via lúdica, do que, até hoje, me situou politicamente'. Ora bem: eu sei que há muitos caminhos para a social-democracia, mas a bisca lambida não é um deles. Dizer que entrou para a JSD 'por via lúdica' revela uma louvável candura, mas fica a dúvida: quando é que a via deixou de ser lúdica? E fica outra interrogação: se ele tivesse jogado lerpa no Rato, seria hoje socialista? (...) Pedro Passos Coelho era um 'one trick pony'. Sabia fazer um truque: liberalismo. Um bocadinho de ideologia, num partido que não gosta de ideologia, um bocadinho de sociedade civil, num partido com tentações estatistas. Nada mau. Mas com o 'maldito subprime' Passos ficou impedido de fazer o seu truque. Cai mal ser liberal agora. É como contar piadas sobre aviões a 12 de Setembro. Assim sendo, o que resta? Nada, ou quase nada. Vejam por exemplo, o capítulo sobre a cultura, aliás, sobre o 'papel societal da cultura'. Decidi antecipadamente que Passos não tinha nada a dizer sobre cultura se usasse a palavra 'clusters'. E lá está ela, na página 234. Passei à frente". (Pedro Mexia, "Parece que é cluster" - crítica a Mudar, de Pedro Passos Coelho, na "Ler" de Abril de 2010)

(2010)

11 November 2009

MAIS UMA QUE ME DEIXA VERDE DE INVEJA
POR NÃO TER SIDO EU A ESCREVÊ-LA...




"O arcebispo de Braga, falando das «interpretações egoístas do dom da sexualidade», criticou o seu exercício «meramente amistoso» ou «lúdico». A única novidade aqui é o «meramente amistoso». Não sei se D. Jorge Ortiga está a pensar nos «fuck buddies», conceito que talvez ainda não tenha chegado à arquidiocese de Braga; talvez seja a «amizade colorida» ou a «amizade com benefícios». É disso que se trata? Mas será o coito entre amigos de facto «amistoso»? Confesso que não imagino o que seja «sexo amistoso». O acto sexual pode ser muitas coisas, apaixonado, desastroso, lascivo, competitivo, aborrecido, perverso, pode até ser simples débito conjugal, mas é sempre absolutamente contrário a qualquer noção útil de amizade. É um acto violento por natureza, que embora possa ser praticado com amigos, é tudo menos amistoso. Se, por regra, os amigos se viessem, nenhuma amizade durava muito". (Pedro Mexia)

(2009)

04 November 2009

UM DALAI LAMA A CADA ESQUINA



Não seremos ainda suficientes para desenhar um sorriso no rosto de cada contabilista, para oferecer um ramo de jasmim a cada talibã, para transformar cada surtida à secção de congelados do Pingo Doce num musical. Mas, nós, os escolhidos do Clube de Fãs do Pensamento Filosófico de Laurinda Alves, sabemos ser já os bastantes para, nas pequeninas coisas que realmente contam - ajeitar o lenço de um escuteiro, alinhar os chacras de um pedinte romeno, adoptar uma iguana orfã -, continuarmos a transformar o mundo num lugar onde, não tardará muito, Madre Amy Winehouse será abadessa das Carmelitas descalças e a OPEP cobrará pelo barril de crude aquilo-que-o-seu-país-generosamente-quiser-dar. É, porém, com transbordante alegria que a nossa bolsa marsupial dos afectos acolhe, todos os dias, novos residentes. Saudamos, pois, carinhosamente, Pedro Mexia, recentíssimo devoto-de-Laurinda, que, nas páginas da revista "Ler", lhe dedica o maravilhoso "Felicidade Alves".

Numa pré-publicação em rigoroso exclusivo, aqui ficam alguns excertos:

" (...) Coisas da Vida (Oficina do Livro) é a mais recente compilação de textos de Laurinda, ou seja, mais uma overdose de felicidade. O nosso prefaciador vai direito ao assunto: Laurinda é uma 'bordadora de palavras tecidas de sentimento'. É um caveat honesto: quem não apreciar 'palavras tecidas de sentimento' deve largar imediatamente o volume na livraria, e ir a correr para a aula de Pilates. Se há quem veja o copo sempre meio-cheio, Laurinda vê sempre o copo a transbordar, com água pelos bordos, tão cheio que é preciso dar o proverbial beijinho para que não se derrame. E ela dá. Não conheço outra pessoa que conviva com homens que operam guindastes e que frequente taxistas, como ela conta nestas croniquetas, e que não encontre uma imprecação, uma bílis que seja, uma tirada racista ou um insulto misógino. Quando Laurinda anda de táxi, os taxistas não querem um Salazar a cada esquina mas um Dalai Lama a cada esquina. (...) Desde o tempo da revista 'Xis', uma publicação que fazia a 'Vida Soviética' parecer uma bíblia do pessimismo, que Laurinda Alves é a pessoa mais feliz de Portugal, e insiste em comunicar isso a todos. Ela é como aquelas enfermeiras que acordam um doente para perguntar se tomou o comprimido para dormir. Nos tempos do catolicismo progressista, havia um famoso sacerdote contestatário chamado Padre Felicidade Alves. Mas só agora é que chegou verdadeiramente alguém que merece esse nobre título de Felicidade Alves".

(2009)

23 February 2009

MELHOR É POSSÍVEL



"Dizer que O Segredo é um manual de pensamento positivo é um eufemismo: O Segredo é a tese filosófica mais ousada desde a 'vontade de poder' de Nietzsche. E com vantagem no campo da eufonia. (...) O importante é a confiança: 'Comece já a gritar para o Universo: A vida é tão fácil! A vida é tão boa! Todas as coisas boas vêm a mim!'. Convém é que gritem antes das dez da noite ou arranjam chatices com os condóminos. (...) O guru Bob Proctor cujo nome remete para uma especialidade médica desgostante, afiança: 'Se consegue ver uma coisa na mente, consegue tê-la na palma da mão'. Mas isso qualquer adolescente sabe". ("Nietzsche para estúpidos", Pedro Mexia, Ler/Livros & Leituras, Fevereiro 2009)

(2009)