26 March 2026
16 February 2025
14 February 2025
(sequência daqui) Justamente por nunca ter sido senão um total desconhecido, Todd Haynes, em I'm Not There (2007), dividiu-o em seis heterónimos: Arthur Rimbaud (narrador, comentador), Woody Guthrie (um miúdo negro que reune num só o jovem Dylan e Woody); Jack Rollins (Dylan “cantor de protesto” sobreposto ao simétrico cristão "born again"); Robbie Clark (protagonista de “Grain Of Sand”, um biopic ficcional sobre Jack Rollins), Jude Quinn (o assombroso Dylan em roda livre de Highway 61 a Blonde On Blonde); e Billy The Kid (o fora-da-lei em fuga do papel de “porta-voz de uma geração”). Já Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese (2019), o registo da digressão de Dylan de 1975, combinava desvairadamente material documental com delirante efabulação na qual nem Sharon Stone escapava de se ver retratada como "groupie/roadie" adolescente que desfrutara de favores vários de um Dylan em modo poeta errante. (segue para aqui)
13 February 2025
21 January 2025
30 October 2024
"Deportee (Plane Crash At Los Gatos)" (Woody Guthrie) (III)
29 October 2024
28 October 2024
14 May 2024
12 September 2022
18 July 2022
A ÚNICA BANDA QUE IMPORTA
Ainda a invasão da Ucrânia pelos exércitos russos de Putin não tinha completado um mês e já Bohdan Hrynko, Oleg Hula e Andriy Zholob (o trio punk-hardcore ucraniano Beton) tinham corrido até um estúdio de Lviv para gravar a banda sonora e, logo a seguir, o vídeo do apelo à resistência e solidariedade anti-imperialistas. Qual cantiga seria essa arma? "London Calling" – canção-título do terceiro álbum de The Clash (1979), inspirada pelo indicativo da BBC nas emissões para a Europa acupada pelas tropas nazis durante a segunda guerra mundial – em versão adaptada às actuais circunstâncias e imediatamente abençoada pelos Clash sobreviventes: “Kyiv calling to the zombies of death, quit holding Putin up and draw another breath, Kyiv calling see we cannot retreat, we’re already home so Russia ships fuck you! Kyiv is rising, we live for resistance!” Zholob, o guitarrista, vocalista e ortopedista que, na frente de combate, se dedica ao tratamento de soldados feridos e vítimas civis, é, segundo ele, “apenas um entre muitos outros músicos que trocaram as guitarras pelas armas na defesa do território”. Não espanta, pois, que tenham optado por uma canção dos Clash que, tal como, décadas atrás, Woody Guthrie anunciava, sempre encararam as canções como armas de elevada precisão. (daqui; segue para aqui)
11 August 2021
23 July 2021
O futuro confirmaria tudo: o Dylan que, no início, se moldara em torno da lenda militante de Woody Guthrie, a partir de 2015, durante dois álbuns simples e um triplo, deslocaria a reverência para o universo de Frank Sinatra e diversos outros "crooners" coevos; nos cerca de 100 programas da XM Radio, “Theme Time Radio Hour”, estruturado em torno de temas como o riso, a Lua, a sorte, o dinheiro, o sangue, a guerra, com intervenções de ouvintes maioritariamente "fake", ministraria um curso avançado de história da música popular; nas canções (em particular, no último álbum, Rough And Rowdy Ways), na autobiografia e mesmo no discurso de aceitação do Prémio Nobel de Literatura, não cessaria de se divertir disseminando, quais ovos de Páscoa, citações e apropriações de textos clássicos e contemporâneos, à espera de caçar quem mordesse o isco. Julian Barnes, concorrente de Bob Dylan na lista de candidatos ao Nobel no ano (2017) em que este o ganhou, muito dylanianamente, afirmou: “Se algum biógrafo me quiser biografar eu terei o poder de deixar pistas falsas”. Ao longo da vida inteira, Bob Dylan não tem feito outra coisa senão lançar-nos iscos envenenados. Mas, acerca de um ponto não deveremos nunca mais enganar-nos: a 24 de Maio, comemorou-se o 80º aniversário de Robert Allen Zimmerman. No próximo 2 de Agosto, celebram-se os 59 anos de Bob Dylan, nesse dia de 1962 registado numa conservatória de Nova Iorque. Só faltava que, na inauguração do Bob Dylan Center, em Tulsa, Dylan comparecesse à porta apenas para segredar ao ouvido dos visitantes “I’m not there”.
09 July 2021
07 July 2021
JOGOS DE ESPELHOS
Para o concerto que, na sexta-feira 12 de abril de 1963, apresentaria no Town Hall de Nova Iorque, Bob Dylan fez imprimir no programa um poema, “My Life In A Stolen Minute”. Aí, referindo-se à pequena cidade do Minnesota onde crescera, dizia: “Hibbing’s a good ol’ town, I ran away from it when I was 10, 12, 13, 15, 151/2, 17 an’ 18, I been caught an’ brought back all but once.” É o ponto de partida para uma longa enumeração de proezas e infortúnios — prisões por suspeita de homicídio e roubo à mão armada, viagens em comboios de mercadorias e à boleia, entre o Texas, o Mississípi, a Califórnia, o Oregon, o Novo México, o Wisconsin e a Luisiana, noites ao relento, tareias por motivo nenhum — que desemboca numa explicação do que o conduzira aquele palco: “I started doing what I’m doing, I can’t tell you the influences ’cause there’s too many to mention an’ I might leave one out, an’ that wouldn’t be fair, Woody Guthrie, sure, Big Joe Williams, yeah, it’s easy to remember those names, but what about the faces you can’t find again, what about the curbs an’ corners an’ cut-offs that drop out a sight an’ fall behind, what about the records you hear but one time, what about the coyote’s call an’ the bulldog’s bark (…) Open up yer eyes an’ ears an’ yer influenced an’ there’s nothing you can do about it.”











