Revisões da matéria dada (L)
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É a festa do final da hibernação de Sua Majestade, cambada!
"Não esperamos ver um urso no centro da cidade, especialmente no domingo à hora do almoço"
teve de ir mais longe nas suas estratégias hagiográficas para eliminar os últimos santuários dos antigos cultos que lhe eram dedicados. Para o conseguir, desde o início, certos prelados tiveram a ideia de utilizar o calendário: nos diferentes momentos do ano em que se desenrolavam cerimónias e rituais pagãos relacionados com a admiração votada a esta fera invencível, foram planeadas festas dedicadas a grandes santos ou a santos mais locais e regionais mas tendo todos, de uma ou de outra forma, relação com o urso.
regressava à toca e começava o seu longo período de hibernação. A data era, por outro lado, no mundo rural, a altura em que as actividades exteriores começavam progressivamente a cessar e em que cada camponês recolhia o gado e armazenava os cereais, antes de ele próprio se abrigar com a família. O comportamento do urso que partia para a hibernação, simbolizava este momento forte do calendário: a passagem do exterior para o interior, a passagem da vida para a morte. Essa a razão porque numerosos ritos e cerimónias associavam o urso às diferentes festas do Outono. Ritos pagãos, certamente ruidosos, violentos, transgressivos, por vezes perigosos e sexuais, feitos de danças, disfarces e mascaradas que só podiam aterrorizar os clérigos e os prelados". (segue para aqui)
"Carlos Magno foi o maior inimigo do urso que a Europa conheceu? O historiador tem o direito de o perguntar, tantos foram os massacres desta fera que tiveram lugar durante o seu reino. Na Germânia, tiveram mesmo um carácter sistemático: por duas vezes, em 773 e em 785, de cada vez após uma série de campanhas vitoriosas contra os Saxões. (...) A bem dizer, os inimigos dos ursos não são tanto Carlos Magno e as suas tropas mas sim os prelados e os clérigos que os rodeiam. Foram eles quem declarou guerra ao mais forte de todos os animais presentes no solo europeu e decidiu o seu extermínio, pelo menos em terras germânicas.
Tarefa difícil, quase impossível, uma vez que estes cultos não são nem recentes nem superficiais. (...) Mais forte que todos as outras feras, ele é o rei da floresta e de todos os animais. Os guerreiros procuram imitá-lo e investir-se da sua força no decurso de rituais particularmente selvagens. Os chefes e os reis, pelo seu lado, fazem dele o seu atributo preferido e tentam apropriar-se dos seus poderes através das armas e dos emblemas. No entanto, a veneração dos germânicos pelo urso não se fica por aí. Aos seus olhos, ele não é apenas um animal invencível nem a encarnação da força bruta: é também um ser à parte, uma criatura intermediária entre o mundo dos animais e o dos homens, e mesmo um antepassado ou um parente do homem. Assim, é rodeado de numerosas crenças e objecto de diversos tabus que têm a ver, nomeadamente com o seu nome.
Aos olhos da igreja cristã, tudo isto é absolutamente aterrador. Especialmente, porque esta devoção pela grande fera não se limita unicamente ao mundo germânico. Observa-se igualmente entre os Eslavos e, em menor grau, entre os Celtas. (...) Com efeito, na época carolíngia, em grande parte da Europa não-mediterrânica, o urso aparece ainda como uma figura divina, um deus ancestral, cujo culto reveste diversos aspectos mas permanece solidamente enraízado e impede a conversão dos povos pagãos. Por todo o lado ou quase, dos Alpes ao Báltico, o urso perfila-se como rival de Cristo. Para a igreja, é indispensável declarar-lhe guerra, combatê-lo por todos os meios, fazê-lo descer do seu trono e dos seus altares". (seque para aqui)