Em vez de prestar atenção às patacoadas mais ou menos empedernidamente beatas em oferta nas TVs e afins, recomenda-se a leitura de:
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08 May 2025
25 June 2020
16 April 2019
A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (LX)
"A coroa de espinhos que se acredita ter restos da que foi usada por Jesus salvou-se" (na verdade, foi o Luís IX - e não o Luís XIV, uns valentes séculos à frente *- quem comprou esta e muito mais relíquias bem catitas daquele momento culminante da "proveitosa fábula")
Edit (12:31) - Recorde-se, a propósito o "escândalo de Notre Dame"
* levou tempo mas o moço (ou alguém por ele) lá corrigiu o disparate...
* levou tempo mas o moço (ou alguém por ele) lá corrigiu o disparate...
06 January 2019
Mas, ó Capelão Magistral, para se pronunciar sobre fábulas e superstições, o "cidadão comum" tem muito mais do que as "habilitações" necessárias...
22 December 2018
Não valia a pena o venerável Capelão Magistral ter refeito a fábula em modelo-telenovela; a versão de Celsus - com todo o picante original - já era plenamente satisfatória
(cortesia de mr. apostate)
16 December 2018
Sapientíssimo Capelão Magistral: ok, os portugueses foram muito queridos e fofinhos na colonização de África, nunca movidos - vade retro!... - pela "ideia de conquista, nem pelo afã comercial"; mas, já que falou em Leão X, não lhe parece que, mais importante do que relatar que ele elevou "ao episcopado o presbítero congolês D. Henrique, filho de D. Afonso I, rei do Congo", seria recordar a genial Taxa Camarae e a belíssima declaração "Quantum nobis prodeste haec fabula Christi!"?
31 October 2017
... aliás, tendo em consideração acontecimentos recentes, é de sublinhar o carácter avançadíssimo do ponto 7:
Ética protestante do trabalho, ética protestante do trabalho, mas tinha-lhe custado muito escrever mais 5 teses para aquilo ficar com um número catita e redondinho?... (e, já agora, a Taxa Camarae não era uma óptima ideia?)
26 April 2017
The Great Fatima Swindle
O Carlitos insiste nas subtilezas semânticas para boi dormir ("visão"/"aparição") mas fiquemos-lhe eternamente gratos pela revelação da tirada do Pio XI (quase à altura da do colega Leão X): “Se a Nossa Senhora tem coisas a dizer, porque não me diz a mim?”
21 March 2017
Eu também gostava muito de ver o túmulo do Robin Hood, dos Três Mosqueteiros, do Rato Mickey e de outras personagens de ficção (e desejo sinceramente que o lugar do fim da fábula tenha tanta animação quanto o do início)
25 February 2016
Motiva polémica, sim: de um só golpe, reforça a "fábula de Cristo" que nem o Leão X engolia; recita, convictamente, o credo católico do "deus pai todo poderoso"; e, dezanove séculos depois, comete a proeza de situar-se à direita de Celsus (isto de ter tido na origem um padre vermelho é no que dá)
23 December 2014
08 October 2014
Não é propriamente uma novidade mas é sempre simpático descobrir alguém que é da mesma opinião do papa Leão X
17 July 2013
Não chega aos calcanhares da Taxa Camarae mas, graças a deus, pecar tornou-se, sem dúvida, muito mais fácil
12 February 2013
Houve um instante de felicidade no famoso discurso de 12 de Setembro de 2006, na Universidade de Regensburg (mil vezes mais interessante do que o da pseudo-ofensa ao Islão), em que quase se chegava a acreditar que poderíamos estar perante um novo Leão X:
Foi bonito mas a ilusão durou pouco.
(porém, sofreu muito, sofreu imenso, o pobrezinho...)
12 December 2012
“faiunadomandaalpappa”: "Jurava que sei a resposta, mas... ... tu também não acreditas mesmo nessa merda, pois não?" (não vale cruzar os dedos!)
19 December 2011
ESTILHAÇOS DO BIG BANG
B Fachada - B Fachada
Osso Vaidoso - Animal
Quando houver recuo suficiente para se fazer a história da música popular portuguesa nas primeiras décadas do século XXI, há-de ser inevitável dedicar um extenso capítulo – de certeza, o mais importante – à improbabilíssima aventura dupla FlorCaveira/Amor Fúria, episódio de imprevisíveis raízes cristãs remontando às cisões no empório do Vaticano do século XVI, entre o magnífico papa ateu, Giovanni di Lorenzo de Medici, aliás, Leão X (ele que afirmava “Quantum nobis prodeste haec fabula Christi”, isto é, “Quão proveitosa nos tem sido esta fábula de Cristo” mas, igualmente, o genial criador do Seguro de Pecado Vitalício conhecido como “Taxa Camarae”), e o teutónico e aborrecidíssimo Martinho Lutero. Alegadamente, protestantes/baptistas uns, católicos os outros – e não estamos propriamente habituados a estabelecer este tipo de clivagens no que ao pop/rock diz respeito –, inegável é que, após demasiado tempo de domínio de roqueiros lusos travestidos de naturais do eixo UK/USA, o terreno estava preparado para a germinação de uma estirpe de renascentistas dedicados a reactivar o ADN – Heróis do Mar, Variações, GNR, Sétima Legião, até a geração prévia dos cantautores – que havia permanecido em estado de latência desde o início de 90. E se, até agora, daí não emergiu ainda nenhum A Um Deus Desconhecido ou Os Homens Não Se Querem Bonitos, já nesse santíssimo ventre foram gerados alguns belos nacos de música e de palavras bem saboreáveis.
Como, por exemplo (para além do que pariram Tiago Guillul, João Coração, Os Golpes, Samuel Úria ou Os Pontos Negros), a discografia bianual de Bernardo Fachada, espécie de desarrumado artesanato salta-pocinhas entre a música tradicional e as muitas declinações da pop: ora Reininho, ora Gainsbourg, aqui Giacometti, ali Godinho, concentrado no estudo quase entomológica do sapiens local, observado do exterior ou encarnado na primeira pessoa do singular, em perfurantes tiradas multireferenciais do jeito de "Vou casar discretamente e ser um belo pai presente, ter pouca vida social e ser senhor de Portugal, vou candidatar-me à presidência, vou fazer concertos de Natal, vou insistir na persistência, eu vou ser o Zappa nacional". Com temíveis desvios infanto-juvenis adicionais (B Fachada É Pra Meninos, 2010) e oferendas estivais (o EP Deus, Pátria e Família, 2011) em modo de imprecação diante das muralhas da cidade: “Portugal está para acabar, é deixar o cabrão morrer, sem a pátria para cantar, sobra um mundo para viver”. B Fachada (indistintamente intitulado da mesma forma que o opus de 2009), entretanto, não será motivo para celebrar com foguetório o décimo volume em quatro anos e meio de discografia: desta vez, em registo autêntica ou ficcionalmente confessional, se a agilidade verbal se deixa reconhecer desde o primeiro instante (“Noutro tempo, noutra configuração, eu dedicava-me ao roque, só tocava distorção, entretinha as raparigas com letras de pressão, uma cassete das antigas, pelas garagens do Monte Abraão”), a moldura musical – piano escolar, coros esquemáticos, percussão residual – reduz ao menor denominador comum uma sequência de canções melodicamente letárgicas, francamente muito pouco memoráveis e de rumo errático, que dificilmente puxarão o lustro ao CV de Fachada.
Se, no entanto, recuarmos até ao tal Big Bang da pop nacional, pelo caminho, tropeçaremos naquele instante em que, tal como se fala dos Pink Floyd com e sem Syd Barrett, nos deveremos referir aos GNR com e sem Alexandre Soares (embora com danos colaterais consideravelmente mais atenuados na banda do Porto): de coração pop e sistema nervoso experimental, os GNR devem-lhe algumas das mais preciosas jóias da primeira e melhor fase (só um exemplo: o alinhamento integral de Os Homens Não Se Querem Bonitos), pecúlio estético que transportaria, primeiro, para o seu The Madcap Laughs, a solo (Um Projecto Global, 1988), e que, mais tarde, integrado na tripulação dos Três Tristes Tigres – onde se cruzaria com Ana Deus –, voltaria a reconfigurar em formato de nave pop com radares apontados à estratosfera, em Guia Espiritual (1996), e Comum (1998). É, justamente, o núcleo Soares/Deus que, agora (metabolizadas obscuras etapas intermédias universalmente desconhecidas sob os nomes de Nadadores de Inverno e D. Chica), regressa, muito apropriadamente, sob a designação de Osso Vaidoso.
Porque a primeira sensação é a de tratar-se de uma reencarnação apenas um pouco menos sonoramente anoréctica dos Young Marble Giants: melodias telegráficas, traçado rítmico de electrocardiograma, espessura harmónica espalmada no quase único contraponto de voz e guitarra, com os eventuais adereços remetidos à percussão-Mo Tucker de "Cacofonia", às interferências siderais de "Animal" ou aos abstraccionismos cenográficos de "Ponto Morto". Caso absolutamente eloquente de quão produtiva pode continuar a ser a atitude "less is more", há, mesmo assim, que reconhecer o valioso contributo dos textos de Regina Guimarães (o terceiro tigre retornado à selva, aqui literaturando a partir dos estímulos de Nina Simone, Charles Cros e de interlocutores de diversas e insondáveis proveniências – é favor dar uso útil à ficha técnica), dos outros de Alberto Pimenta e Valter Hugo Mãe, da semi-invisível mas indispensável aguada tímbrica dos teclados de João Pedro Coimbra (dos Mesa, e outro tigre episódico), das percussões de Gustavo Costa e da electricidade de Tó Trips que, apesar de apenas presente numa só faixa, terá, aparentemente, reanimado o espectro Velvet Underground que Alexandre Soares mantinha sequestrado dentro de si e que ioniza com minerais radioactivos o frágil tecido conjuntivo, esplendorosamente descarnado, do Osso deste Animal.
(2011)
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Três Tristes Tigres
01 November 2011
EU CÁ NÃO HESITAVA: COM O DESEMPREGO A BATER NOS 13%, SALÁRIO, CAMA, MESA E ROUPA LAVADA VITALÍCIOS NÃO É COISA QUE SE DEITE FORA (E NEM É OBRIGATÓRIO ACREDITAR NA FÁBULA)
Católicos em oração contínua para pedir mais padres

(cortesia de mr. apostate)
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(2011)
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