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17 February 2022


 
(sequência daqui) Entende-se melhor olhando os videos que realizou para três das canções de Metal Bird, o terceiro álbum após os ainda insuficientemente definidos In Hell (2017) e Candy Colored Doom (2019): todos a preto e branco, "Butterflies" é puro David Lynch, com Eve despreocupadamente perseguindo e fotografando borboletas pelo campo enquanto, à distância, “the grim reaper” espia; "La Ronde" captura um sonho de luzes e movimento sob a grande roda de um parque de diversões; e "Prisoner" coreografa uma claustrofobia sonâmbula observada do lado de fora da vigia de um avião. Com Bryce Cloghesy/Military Genius no papel de Angelo Badalamenti, algures entre Hope Sandoval e Julee Cruise, desde a primeira faixa Eve Adams mostra o lugar mental que habita: “Time it comes running at your heels in the dark, chasing your memory like a dog with no bark, memories of mowing lawns and pink masquerades, ruby red slippers and the song that’s the same”.

14 February 2022

COMO UM CÃO QUE NÃO LADRA

“Escrevi a minha primeira canção quando andava por volta dos 12 anos. Chamava-se ‘I’ve Seen It All’ e ainda hoje me parece cómico ter sido tão incrivelmente triste. Não faço a mais pequena ideia de onde surgiu. Até aquela altura não tinha vivido nenhuma experiência traumática, tive uma infância óptima. Mas, mesmo nessa idade, as trevas já me fascinavam”, contou Eve Adams à “Uncut” numa entrevista em que a sua música era descrita como “baladas fatalistas de folk-noir” que “habitam uma zona crepuscular de ruinas românticas e devaneio melancólico onde o amor é tortuoso e volátil e a morte espreita sempre por entre as sombras”. Inspirações voluntariamente confessadas: a Concha Perez/Marlene Dietrich em The Devil Is A Woman (1935) e a Dorothy Vallens/Isabella Rossellini de Blue Velvet (1986). “Muitas vezes sinto como se não pertencesse verdadeiramente a esta era. Creio que muita gente sente também o mesmo. São tempos difíceis”. (segue para aqui)