10 May 2025
"O 267º Papa, Leão XIV, é o primeiro Papa da Ordem de Santo Agostinho"
Aprendamos, então,com esse insigne doutor da igreja: I, II e III
14 June 2024
22 August 2023
22 September 2022
12 August 2022
21 February 2022
28 December 2021
26 October 2021
21 March 2021
"O Ur-Fascismo ainda paira à nossa volta, às vezes em trajos civis. Seria tão confortável para nós se alguém assomasse à cena do mundo e dissesse: "Quero reabrir Aushwitz, quero que as camisas negras tornem a desfilar em parada pelas praças italianas!" Mas, ai, a vida não é assim tão fácil. O Ur-Fascismo ainda pode voltar sob as vestes mais inocentes.O nosso dever é desmascará-lo e apontar a dedo cada uma das suas novas formas - diariamente, em todo o mundo". (Umberto Eco, Como Reconhecer o Fascismo/Da Diferença Entre Migrações e Emigrações, 1997)03 March 2021
02 March 2021
"13. O Ur-Fascismo assenta num 'populismo qualitativo'. Numa democracia, os cidadãos gozam de direitos individuais, mas o conjunto dos cidadãos só está dotado de um impacto político do ponto de vista quantitativo (seguem-se as decisões da maioria). Para o Ur-Fascismo, os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos e o 'povo' é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que exprime a 'vontade comum'. Como nenhuma quantidade de seres humanos pode possuir uma vontade comum, o líder pretende ser o seu intérprete. (...) O povo é, assim, só uma ficção teatral. (...) No nosso futuro perfila-se um populismo qualitativo TV ou Internet, em que a resposta emotiva de um grupo seleccionado de cidadãos pode ser apresentada e aceite como a 'voz do povo'. Devido ao seu populismo qualitativo, o Ur-Fascismo tem de opor-se aos 'putrefactos' governos parlamentares. Uma das primeiras frases pronunciadas por Mussolini no parlamento italiano foi: "Eu poderia transformar esta sala surda e pardacenta numa caserna para os meus manípulos'. De facto, arranjou logo um alojamento melhor para os seus manípulos, mas pouco tempo depois liquidou o parlamento. Sempre que um político lança dúvidas sobre a legitimidade do parlamento por já não representar a 'voz do povo', já podemos dizer que cheira a Ur-Fascismo" (Umberto Eco, Como Reconhecer o Fascismo/Da Diferença Entre Migrações e Emigrações, 1997)22 February 2021
"7. Aos que estão privados de qualquer identidade social, o Ur-Fascismo diz que o seu único privilégio é o mais comum de todos, o de terem nascido no mesmo país. É esta a origem do 'nacionalismo'. Além disso, os únicos que podem fornecer uma identidade à nação são os inimigos. Assim, na raiz da psicologia Ur-Fascista está a obessão da conspiração, possivelmente internacional. Os partidários têm de se sentir assediados. O modo mais fácil de fazer emergir uma conspiração é o de fazer um apelo à xenofobia. Mas a conspiração também tem de vir de dentro: costumam ser os judeus o melhor bode expiatório, dado que apresentam a vantagem de estarem ao mesmo tempo dentro e fora" (Umberto Eco, Como Reconhecer o Fascismo/Da Diferença Entre Migrações e Emigrações, 1997)
14 February 2021
"4. Nenhuma forma de sincretismo pode aceitar a crítica. O espírito crítico faz distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica entende o desacordo como instrumento de avanço do conhecimento. Para o Ur-Fascismo, o desacordo é traição.
5. O desacordo é também um sinal de diversidade. O Ur-Fascismo cresce e procura o consenso explorando e exacerbando o natural medo da diferença. O primeiro apelo de um movimento fascista ou prematuramente fascista é contra os intrusos. O Ur-Fascista é, portanto, racista por definição.
6. O Ur-Fascismo nasce da frustração individual ou social. Tal explica porque uma das características típicas dos fascismos históricos foi o apelo às classes médias frustradas, sentindo mal-estar por qualquer crise económica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos. No nosso tempo, em que os velhos 'proletários' estão a transformar-se em pequena burguesia (e os 'lumpen' se auto-excluem da cena política), o fascismo irá encontrar nesta nova maioria a sua audiência" (Umberto Eco, Como Reconhecer o Fascismo/Da Diferença Entre Migrações e Emigrações, 1997)






