27 April 2024

A malucagem ultra-direitolas do Heinrich XIII (aqui, aqui, aqui e aqui), incluindo uma especialista na adivinhação do futuro através dos ovos, num grande espectáculo, único no seu género! (a outra trupe nazistóide neo-hippie, de alma new-age e adepta da homeopatia deverá seguir-se)


Edit (28/04/2024) - ...Aaah!... "Oomância"!!!
"A Portal To Silver Linings"
 
(sequência daqui) E, à "Wire" acrescentaria: "A descoberta é a essência da minha prática. Está entranhada nos diferentes formatos segundo os quais o meu cérebro funciona quando penso em música, e na curiosidade de entender como tudo isto acontece e porque soa como soa. Uso muito o meu cérebro lógico e racional no acto de compor mas o objectivo é passar da lógica à emoção porque é aí que nos damos conta de que tudo está a correr bem. Ando sempre em bicos de pés entre duas versões de mim, procurando manter-me verdadeira em relação a ambas. A música ajuda-me a pertencer a esses dois mundos ao mesmo tempo". Composto à beira-mar na costa de Long Island, assenta todo ele em desdobramentos da clássica raga Bageshri (que exprime a emoção do encontro entre os amantes), rendilhada num psicadelismo translúcido de vagas de sintetizadores, voz, guitarra, violoncelo, marimba, flauta e sax, "drones" e fibrilhações sonoras.
Sam Lee - "Black Dog and Sheep Crook"

(daqui; álbum integral aqui)

26 April 2024

Mais um episódio que tinha ficado esquecido, desta vez, com a dona Ivone no papel principal

(clicar na imagem para ampliar)
 
Tutti Frutti: I, II, III

24 April 2024

O Grande Festival de Estereótipos Etno-Socio-Raciais (que deve ter deliciado os elementos da "Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal")
Último capítulo da fabulosa saga do lendário Newton & Cº  
(capítulos anteriores : I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII)

 DA LÓGICA À EMOÇÃO

Não confundir Arooj com Arushi. Até porque importa saber que Arooj Aftab - a saudita-paquistanesa radicada em Brooklyn, autora dos óptimos Vulture Prince (2021) e Love In Exile (2023) e primeira dama actual do que ainda se vai chamando "world music" (título que, aliás, rejeita: “Tenho raízes em imensos lugares. Vivi os últimos 20 anos em Nova Iorque e lá cresci musicalmente. Não me vejo na qualidade de artista ‘world’ ou ‘global’") - se inclui no mui activo círculo de apoiantes da indiana de Delhi, Arushi Jain. Após o estudo de música clássica indiana, também ela emigrou para os EUA - São Francisco e, depois, Nova Iorque -, onde se entregou â informática no Center For Computer Research In Music And Accoustics, da universidade de Stanford. Após a publicação de um primeiro álbum, Under The Lilac Sky (2021) que passaria despercebido no turbilhão pandémico, o novo Delight foi concebido como "um alerta para rejeitar firmemente qualquer existência da qual o deleite esteja ausente". (daqui; segue para aqui)

"Our Touching Tongues"

19 April 2024

Como era absolutamente evidente

"Green Mossy Banks"
 
(sequência daqui) Old Wow foi a reconfiguração desse reportório em modo sofisticadamente orquestral, retomando um esssencial elo de ligação: "Aquelas pessoas que cantavam estas canções também cuidavam da terra. Quando deixamos de cantar à terra, a terra deixa de cantar para nós". songdreaming retoma esse mesmo percurso, de modo ainda mais cinematicamente rico - a experiência como actor, cantor e compositor de bandas sonoras para Peaky Blinders, King Arthur, de Guy Ritchie, ou The Unlikely Pilgrimage of Harold Fry, de Hettie Macdonald, deu audíveis frutos - e, numa tapeçaria sonora que tanto utiliza recursos orquestrais convencionais como recorre ao qānūn árabe, à nyckelharpa sueca ou ao coral londrino Trans Voices, oferece-nos um álbum que, confessa à "Mojo", "é o mais arrojado que já gravei. São hinos que celebram a nossa identidade e diversidade, canções que contam muitas histórias colectivas e individuais acerca do que podemos aprender se escutarmos profundamente o que a terra nos diz".

17 April 2024

16 April 2024

Entre a cogumelização - da "esquerda" à "direita" - dos/as pequenos/as infractores/as e o deprimente circo dos/as palhacitos/as irremediáveis, só por muito improvável acaso a seita neo-facha não engordará para além da obesidade
ESCUTAR A TERRA
Talvez não se tenha devidamente reparado mas Old Wow, de Sam Lee, foi um dos mais importantes álbuns publicados em 2021. Se, desde há anos, escutando The Unthanks, Stick In The Wheel, Hack-Poets Guild, Lankum e mais uns quantos, podia afirmar-se que as músicas de raiz tradicional e raio de acção contemporâneo haviam entrado numa nova idade de ouro que em nada ficava atrás da era dos Fairport Convention, Seeleye Span ou June Tabor, não se estava propriamente â espera do surgimento de uma personagem renascentista que elevasse tudo a um nível superior. Reunindo todas as pontas soltas, Sam Lee abraçou quantas causas ambientais foi capaz - fundou a Music Declares Emergency, associou-a â Featured Artist Coalition e esteve na origem de The Nest Collective - e, no mesmo gesto, entregou-se à redescoberta da música tradicional britânica. Em particular, aquela que foi recolhendo no contacto com aa comunidades cigana/"traveller" locais. (daqui; segue para aqui)
 
"Bushes And Briars"

11 April 2024

Como, este ano, no 50º aniversário, ia dar muito nas vistas, foi à sorrelfa, no ano passado (ver aqui)
Esqueçam "esquerda" e "direita", "progressistas" e "reaccionários", "radicais" e "moderados": na actual fase rastejante do combate político, tudo se passa entre figurões "arrogantes" e mansos devotos da "humildade" - o chamado grau zero da actividade cerebral

10 April 2024

"Mão Na Mão"
 
(sequência daqui) Do mesmo lado da barricada, Ana Lua Caiano, reconhece a afinidade com intrépidos profanadores da sacrossanta tradição como os já vetustos Gaiteiros de Lisboa e sua contemporânea descendência, em cruzamento de genes com os Deolinda, os bravíssimos Cara de Espelho: "A articulação de vozes e instrumentos dos Gaiteiros que, às vezes, chega a apoximar-se do rap, é extraordinária e os Cara de Espelho são um projecto muito entusiasmante que, de alguma forma acaba por nos inspirar também". Mesmo correndo o risco de, antes de desfrutar plenamente do presente, se pretender enxergar ansiosamente o futuro, é praticamente invevitável perguntar a Ana Lua se faz alguma ideia do horizonte para onde a música que faz se encaminhará ou se se tratará apenas de um muito natural desdobramento do que até aqui chegou. Aguardemos, então: "Como nunca parei de compor diariamente, será necessariamente um desdobramento. Haverá certamente diferenças mas que só deverão decorrer de um processo natural, mas não muito racional - quando componho não consigo ser muito analítica. Mas se, porventura, ensaiasse outro tipo de estratégias, isso nunca poderia ser nada forçado".
O atroador ruído do momento em que, num estúdio de televisão, uma ideia (solitária) procura, em vão, penetrar-lhe o espesso crânio (ou "episódios da campanha de lançamento de 'novos valores' do bando do Ponto Negro")
 

09 April 2024

LE ROI SE MEURT

Ouvir o anúncio da minha morte
foi como ouvir uma língua estranha:
deram-me um esquisito passaporte,
sem dizerem se é pra vale ou montanha.

Pouco me vale reinar em qualquer Espanha,
a morte quer é haver-se comigo.
Porquê mostrar, a mim, sua gadanha,
achará que sou, pra ela, um perigo?

O que perturba é ela conhecer-me,
parecer saber, de há muito, quem sou,
andar atrás de mim a envolver-me!

Mas agora o momento chegou:
ser rei já muito pouco adianta,
quando a morte me aperta a garganta.

Eugénio Lisboa

NOTA: LE ROI SE MEURT é o título de uma notabilíssima peça
de teatro, de Eugène Ionesco, que vi, encenada em Paris. Como
o título me convinha, roubei-lho. É assim que se faz.

Eugénio Lisboa (1930 - 2024)

A tropa fandanga do costume, "starring" o Kaizer Albino e o Capelão Magistral, sob o comando do Láparo Tosquiado, a cumprir o seu triste  destino histórico de reaças irrecuperáveis
 

06 April 2024

"Se Dançar É Só Depois"
 
(sequência daqui) Foi durante os dois anos de isolamento pandémico que, com todo o imenso tempo disponível, Ana Lua se empenhou integralmente "na exploração desses dois mundos que me interessavam". Se, num primeiro instante, a intenção era que o que acabou por serem dois EP tivesse sido publicado como um único álbum, o risco de "engarrafamento" dos muitos temas impôs a divisão, cabendo agora a Vou Ficar Neste Quadrado o papel de longa duração de estreia oficial e cartão de visita do projecto de "folktronica" lusa. Mais a exploração de uma ideia do que será a realidde - tímbrica, melódica, rítmica e harmónica (vocal e instrumental) - da música tradicional do que uma expedição etno-respeitosa de recuperação do património popular, neste edifício electro-acústico de vários andares coabitam "loop stations", sintetizadores, memórias de polifonias beirãs e assombrações de Meredith Monk, bombos e "drum machines". A sublinhar o estatuto de butleriana Erewhon do território em que tudo decorre, é obrigatório conhecer os videos - fruto da colaboração com a irmã Joana, realizadora de cinema e video em Inglaterra - que decorrem de cada canção: um mundo fantástico onde micro ranchos folclóricos afro-nortenhos se cruzam com jogos de espelhos, quadros de gótico oitocentista e evocações chaplinianas deixam-se rectificar por Wes Anderson e ser coloridos por Almodovar. "O mundo visual dela, neste projeto, foi também o meu. Se eu experimentava uma articulação da música tradicional com a electrónica, os dois universos acabaram por sobrepor-se. Pegávamos em motivos visuais mais ou menos tradicionais e dávamos-lhes a volta, virávamo-los de pernas para o ar. Esse processo de exploração com ela acabou por tornar-se a minha linguagem visual". (segue para aqui)

03 April 2024

Ah leões!... Équémemassim!!... Tomar decisões duras sem medo das balas inimigas!!!... 
Não há cá merdas, caraças!!!...

"Não fazemos sucumbir as nossas referências históricas e identitárias a uma ideia de ser mais sofisticados, connosco não há disso. Já chega de política de plástico!!!" (até dá gosto, méne!... agora, botem lá também a catraia de Fátima, porra!)
"Vou Ficar Neste Quadrado"
 
(sequência daqui) Na verdade, o percurso apontava, desde o início, para uma ideia de articulação entre música popular tradicional portuguesa e música electrónica, com paragens de reabastecimento pelo meio: "Quando estudei piano, no convívio com a música clássica dei-me conta da preponderância dos dois modos - maior e menor. No estudo do jazz tive logo contacto com outros modos, dórico, frígio, mixolidio... que deixaram um rasto em mim. Estão presentes na minha música o que, antes, por não os ter conhecido nem estudado não afectava a minha forma de compor. Foram ferramentas que adquiri através do jazz embora este, em si, não esteja realmente presente", diz Ana Lua que, relativamente à música popular tradicional, confessa que - via dieta musical familiar - a descobriu através dos cantautores referidos acima, como igualmente por via de Michel Giacometti e descendência posterior. Muito em particular, em "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", o arquivo online de vídeos de Tiago Pereira: "Todas essas recolhas foram, evidentemente, importantes para mim como são hoje também as do Tiago que serão uma versão moderna do trabalho do Giacometti: uma forma de registar a evolução que todas essas praticas vocais e instrumentais foram assumindo". (segue para aqui)

01 April 2024

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XCIII)

(com a indispensável colaboração do R & R)
(clicar na imagem pra ampliar)
 "How To Be Dumb" (álbum integral aqui)
EXPLORAÇÃO DO(S) MUNDO(S)
Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Fausto, José Mário Branco. Mas também Portishead, Björk, Laurie Anderson. E ainda os lendários novaiorquinos Silver Apples, a banda de Simeon Oliver Coxe III que empilhava 9 osciladores audio e comandava 86 controlos com as mãos, pés e cotovelos mas nunca aprendeu a tocar piano. Todos estes figuram no panteão privado de Ana Lua Caiano que não só aprendeu a tocar piano aos 6 anos como frequentou durante 4 anos a escola do Hot Clube de Portugal. E passou por workshops de música concreta e cursos de adufe. Ela fala disto tudo quando lhe digo que, num primeiro contacto, a música que se descobre nos seus dois EP (Cheguei Tarde a Ontem, 2022, e Se Dançar É Só Depois, 2023) e, agora, no primeiro álbum, Vou Ficar Neste Quadrado, faz pensar no que poderia ter sido a estética sonora de pele e osso de uns Young Marble Giants nascidos à beira do Tejo, umas décadas mais tarde. (daqui; segue para aqui)
 
"O Bicho Anda Por Aí"