31 March 2009


(Grande) Lisboa, Portugal, 2009


"Everyone knows that if you want to find out how to program the video or use a new website, you should ask an eight-year-old. Everyone, that is, except Sir Jim Rose. In a novel reversal of the usual format (perplexed adult, know-it-all child oozing condescension), his review of primary education suggests, according to the leaked draft, that teachers will one day instruct children on "blogging, podcasts, Wikipedia and Twitter". I can almost see the look of fear on poor, technophobic Miss Jones's face as class 3A steadily ignore her because they're too busy updating their MySpace pages on their mobiles. (...) Although the internet can be a valuable educational tool, I also wonder if it isn't worthwhile having a little time off from it in the classroom. The adult world is so suffused with hyper-connectivity – emails landing every second, invitations to follow the sender on Twitter, colleagues pinging messages from their BlackBerries when they're in a meeting or at the doctor's – that I envy schoolchildren their brief window when they can concentrate on the task in hand. Part of the joy of learning is being thoroughly absorbed in another world, whether it's a medieval battlefield or the chrysalis of a grub turning into a butterfly.". (todo aqui e apanhado daqui)


"Braga é das mais antigas cidades portuguesas e uma das cidades cristãs mais antigas do mundo"



Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, condenado por tentar corromper o vereador Sá Fernandes, foi nomeado presidente da empresa intermunicipal "Braval". A Braval é a empresa de tratamento de resíduos sólidos do Baixo Cávado, que engloba os municípios de Braga, Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras do Bouro e Vieira do Minho. Para director-geral da Braval foi nomeado Pedro Machado, genro de Mesquita Machado, presidente da Câmara Municipal de Braga e dirigente do PS. (...) Domingos Névoa tornou-se publicamente conhecido pela sua tentativa de corromper o vereador Sá Fernandes. Em 25 de Fevereiro passado, o Tribunal da Boa Hora deu como comprovado o crime de tenativa de corrupção activa, mas condenou-o apenas em 5.000 euros. (...) Pedro Machado é casado com Cláudia Machado, filha do presidente da Câmara de Braga, Mesquita Machado. (daqui)



30 March 2009

David Byrne

"(...) There’s a Sonic Youth exhibit called “Sensational Fix” at the local museum. It’s got the expected album covers and music paraphernalia, but given that it’s Sonic Youth, the show is split between their art collections and their own work. As such it’s a taste of their world — friends, influences, connections, collaborations and accumulated collections of artwork and ephemera. (I’ve heard that Thurston and some of the others are obsessively rabid record collectors — especially obscure “out” stuff like old Sun Ra vinyl and Japanese noise bands — but that trove might have to wait for some other venue to see the light of day.)

There is work by their pals Richard Prince, Raymond Pettibon, Tony Oursler, Mike Kelley and Rita Ackermann — some of which was used for record covers; work by those who inspired them — a video of John Cage on “What’s My Line?”, Ginsberg photos of his Beat pals, William Burroughs’ gunshot art; and some of their own videos, paintings, collages and installations. Here’s a lovely walk-in room that Christian Marclay did — the floor littered to a few inches thickness with old vinyl. For a record lover, the experience is a kind of sacrilege — and that’s the point.

The exhibit posits Sonic Youth more as an art/media collective than simply as a band — which is probably accurate, though most people know them through their more accessible recordings, of course. But this is closer to how they must see themselves — as the hyphenate legacy of both the Beat and performance art worlds, and the wacky fringes of pop culture — death metal, freaky cults, underground comics, vinyl junkies and the dark side of Madonna and Karen Carpenter. What’s nice about it is the thread that ties together the art world with the pop music world with the Beat poets and a million others — and it stretches through time, backwards, forwards and sideways. It’s also a world of fandom — in a way, Sonic Youth are impresarios presenting the work of others that they love.

I might be imagining it, but it seems to me that in Europe, the mixing of pop culture and high art — as evidenced in this show, put on in a big, state-run museum, as opposed to an alternative art space — is more accepted as an idea than in the US. It could explain why the show originated here, and might only reach the US after traveling elsewhere for a while. Here, it seems that Sonic Youth can be perceived as an arts collective that happens to occasionally make accessible recordings, rather than as a pop band that dabbles in art. (...)" (aqui)


29 March 2009


Alela Diane - To Be Still

Headless Heroes - The Silence Of Love

Eu já tinha obrigação de saber que a suposta sageza contida nos provérbios populares não possui, propriamente, valor científico. Mas, porque estas coisas se infiltram desde o biberão e continuam a actuar subliminarmente, desta vez, por pouco me ia deixando rasteirar por um dos clássicos do género, o universalmente repetido “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Há que conceder a atenuante de que as circunstâncias eram favoráveis ao tropeção: jovem singer-songwriter, natural de Nevada City, como Joanna Newsom, e coberta de louvores por Joanna Newsom, caminha a passos largos para a santidade "freak-folk" à custa de um álbum criado numa cabana de montanha, em Portland, na companhia de um gato. Se acabei por escutar o disco e este texto foi escrito, só pode ter sido por causa do gato, já que, pelas restantes personagens e contornos da história, o evitei cuidadosamente durante dias.

Obrigado, divindade felina: To Be Still é uma belíssima colecção de canções e, ou muito me engano, ou Alela Diane Menig rapidamente deixará na merecidíssima sombra a seita "hippy/psych" do pé descalço. Espreitem-na, no Youtube, nos três clips da série “Concerts à Emporter” de La Blogotheque – cada vez mais um lugar de atribuição de credibilidade indie através do reconhecimento “intelectual” europeu –, vagueando, de guitarra na mão, entre as pedras de Notre-Dame e a Place St. Michel. Já que aí estão, procurem também “The Rifle” (cenário de assombração flannery o'connoriana genuinamente "old weird America") e “The Pirate’s Gospel” (“While some folks pray their path to Jesus, we're gonna sing the pirate's gospel” em atmosfera de mar e trevas noturnas), do álbum anterior.

Podem, agora, passar a To Be Still e descobrir uma legítima descendente de (peso cada palavra) Sandy Denny e – muito mais obliquamente – Nico, algures, numa bissectriz mais contemporânea, entre Nina Nastasia, Kristin Hersh e Neko Case, mas (levando a utilidade do "name-dropping" às últimas consequências) com aquele teor de anacrónica excentricidade que Jolie Holland e Jesca Hoop terão de passar a partilhar com ela. No DVD que acompanha o disco, em concerto de Novembro do ano passado no Olympia de Paris, entre banjos, guitarras e bandolins, podemos, por outro lado, descobrir a personalidade de quem, em cima de um palco, parece estar com o mesmo à vontade que no alpendre do tal refúgio de Portland.

Etapa seguinte: The Silence Of Love, álbum de versões produzido por Eddie Bezalel a que Alela empresta a voz e, na companhia de gente com currículo ao lado dos R.E.M., Beck ou Red Hot Chili Peppers, reinventa temas de Nick Cave, Jesus & Mary Chain, Linda Perhacs ou Jackson C. Frank. Nos melhores momentos (“True Love Will Find You In The End”, “Just Like Honey”, “Nobody’s Baby Now”), dir-se-ia Karen Dalton a bordo dos Mazzy Star; nos outros, poderá não se voar tão alto mas também nunca há danos irreversíveis a registar. E, caso os houvesse, Alela Diane seria sempre mui justamente absolvida.


Notes on "Join Or Die": In "Join Or Die", I paint myself having sex with the Presidents of the United States in chronological order. I am interested in humanizing and demythologizing the Presidents by addressing their public legacies and private lives. The presidency itself is a seemingly immortal and impenetrable institution; by inserting myself in its timeline, I attempt to locate something intimate and mortal.

I use this intimacy to subvert authority, but it demands that I make myself vulnerable along with the Presidents. A power lies in rendering these patriarchal figures the possible object of shame, ridicule and desire, but it is a power that is constantly negotiated.

I approach the spectacle of sex and politics with a certain playfulness. It would be easy to let the images slide into territory that's strictly pornographic — the lurid and hardcore, the predictably "controversial".

One could also imagine a series preoccupied with wearing its "Fuck the Man" symbolism on its sleeve. But I wish to move beyond these things and make something playful and tender and maybe a little ambiguous, but exuberantly so. This, I feel, is the most humanizing act I can do. (Justine Lai, March 2009)


... John Arbuthnot - leitura obrigatória em ano de balanço e peleja eleitoral - derrama detalhada e utilíssima sabedoria sobre os praticantes da arte e, uma vez mais, demonstra a validade eterna do epigrama de Jean-Baptiste Alphonse Karr, "plus ça change, plus c'est la même chose":

John Arbuthnot

"Quanto às mentiras que se propalam no público para animar e encorajar o povo, vejamos por ora as regras que o Autor prescreve. Não devem tais mentiras, diz-nos ele, exceder os graus ordinários de verosimilhança; deverão ser variadas, não se insistindo com teimosia só numa delas. E quanto às que contêm promessas ou prognósticos, prudente não será fazer previsões a prazo breve; seria o mesmo que exporem-se à vergonha e ao transtorno de a breve trecho se verem impugnados e convictos de falsidade. (...) Quanto ao prodigioso, quer dizer, quanto às mentiras que anunciam prodígios, contenta-se o Autor, dirigindo-se aos que queiram inventá-las, com dar-lhes à laia de regras os seguintes conselhos:

que os Cometas, as Baleias e os Dragões sejam de tamanho razoável e proporcionado; e que a respeito das trovoadas, das tempestades e dos tremores de terra convém sempre pressupor e anunciar irem acontecer em comarcas que fiquem afastadas do sítio em que se esteja obra de pelo menos uma jornada a cavalo. (...) Já para o fim deste capítulo, dá como conselho aos chefes de partido que não creiam excessivamente nas suas próprias mentiras; e lhes propõe o exemplo do que tem sucedido nestes últimos anos, em que um partido sábio e uma sábia nação trataram de seus negócios com base em mentiras de sua própria invenção. Supõe ele que a causa disso deva ser atribuída a exagerado zelo, a um excesso na prática de tal arte, e bem assim a uma acalorada veemência nas conversas; zelo este, e excesso, e veemência, por via dos quais uns aos outros nos vamos convencendo de que aquilo que queremos e recitamos como verdadeiro, o é de facto".


28 March 2009


"Devemos libertar o jogo e o treino de um determinismo mecanicista, de um construtivismo cartesiano, de uma fascinação positivista e de um fisiologismo energicista mutilantes".(aqui)


"'É corrupto'. É desta forma que Charles Smith fala de José Sócrates no DVD que é fundamental para a investigação do processo Freeport em Inglaterra. A TVI revelou, no Jornal Nacional desta sexta-feira, o som de uma conversa de 20 minutos em que é mencionado o nome do primeiro-ministro. A reunião juntou três pessoas: Charles Smith, já arguido em Portugal, João Cabral, ex-funcionário da Smith e Pedro, e Alan Perkins, administrador do Freeport, que sem conhecimento dos outros intervenientes no encontro, fez a gravação". (TVI)

Algumas considerações sobre a Arte da Mentira Política (atribuídas a Jonathan Swift mas, na realidade, da autoria de John Arbuthnot) onde se teoriza sobre o que é legítimo chegar ao conhecimento do povo e são dadas as primeiras instruções acerca do papel das "agências de comunicação e imagem":

John Arbuthnot

"Tenha-se pois em conta o povo dever esperar dos vizinhos que lhe digam a verdade em seus assuntos particulares; que cada qual também tem direito à verdade económica, podendo pois exigir que os parentes lhe contem a verdade para não ser enganado pela mulher, pelos filhos ou pelos criados; mas que à verdade política não tem ele direito algum, não tendo o povo direito a que lhe digam a verdade em matéria de governo, tal como não tem direito a possuir grandes fortunas, terras ou casas senhoriais. (...) O capítulo oitavo contém um projecto, o de reunir numa só corporação várias pequenas sociedades de embusteiros (...) O que nele há mais digno de nota é a prescrição de esta sociedade ser composta pelos chefes de cada partido; de nenhuma mentira ser posta a circular sem sua aprovação, por serem eles os melhores capacitados para avaliar aquilo que nas diferentes conjunturas mais interessa e para decidir que género e espécie de mentira convém utilizar numa e noutra ocasião; (...) que além das pessoas atrás mencionadas, a dita sociedade deve ser constituída por génios mui promissores que se possam seleccionar na urbe em grande número, especialmente nas tavernas. (...) A este género de pessoas caberá pôr a circular o que os outros forjarem e inventarem; pois não há quem recite e espalhe uma mentira com melhor vontade do que aquele que nela crê". (Arte da Mentira Política, John Arbuthnot, 1733)


Magnetic Fields - "Let's Pretend We're Bunny Rabbits"

If you knew how I long
For you now that you're gone
You'd grow wings and fly
Home to me
Home tonight
And in the morning sun

Let's pretend we're bunny rabbits
Let's do it all day long
Let abbots, Babbitts and Cabots
Say Mother Nature's wrong
And when we've had a couple'a'beers
We'll put on bunny suits
I long to nibble your ears
And do as bunnies do

Let's pretend we're bunny rabbits
Let's do it all day long
Rapidly becoming rabid
Singing little rabbit songs
I can keep it up all night
I can keep it up all day
Let's pretend we're bunny rabbits
Until we pass away

Let's pretend we're bunny rabbits
Until we pass away

(descodificando a canção)


27 March 2009


(ovo da Páscoa gentilmente depositado pelo coelhinho numa caixa de comentários aí em baixo)



"Pieces Of String"

"Oh! My Mama"

"Can You Blame The Sky"

"Tatted Lace"


26 March 2009

(Comité de Apoio a Laurinda Alves)

Apercebendo-se do avassalador vendaval - social, político, espiritual, quiçá, místico - que, encabeçado pela candidata Laurinda, varre a sociedade portuguesa, de norte a sul e de nascente a poente, as forças negras da reacção niilista manobram na sombra para dividir o campo dos que sabem que MELHOR É POSSÍVEL e não desistem de acreditar que, por trás de um dente cariado, está sempre um sorriso de esperança e fé.

Eduardo Correia

O mais recente sintoma desse desatinado desespero é o surgimento do grupelho fantoche MMS - Movimento Mérito e Sociedade -, camarilha dirigida pelo falso Messias, Eduardo Correia, inominável anti-Cristo sem alma, que às forças do Bem compete combater sem tréguas! O C.A.L.A. desde já se compromete a exercer sobre ele a mais apertada vigilância e a denunciar cada uma das suas pérfidas maquinações.


25 March 2009


Simon Reynolds

If you had tracked you music listening in 2008, what bands would we see in your top 10?

(...) If it was by band, Vampire Weekend would win by a long distance. But they are a band whose music has an intense playability to it, you can just listen to it over and over, day after day. There are other groups who are very impressive and have a powerful effect on you but are harder to integrate into everyday life. I really liked the Portishead album and admired it tremendously but it’s a little too heavy and intense for that kind of heavy rotation listening. You have to be in a certain mood. (...) There’s a cluster of energy in Brooklyn, kind of “ecstatic/experimental” is my shorthand for it — Animal Collective, Gang Gang Dance, High Places — groups that are all quite distinctive but have certain things in common, a ritualistic, tribal, often percussive aspect; an interest in combining folksiness or ethnic-ness with technology and modern dance rhythms...

Animal Collective - "My Girls"

I really enjoyed the Gang Gang Dance and High Places records from last year, and the new AC is lovely. But Gang Gang Dance are on their sixth album or something and AC have been going since about 2001 if not before and are on their, what, ninth? So it’s not exactly “new”. (...) “New” is not such a stringent or strident concern of mine these days. I don’t know if anyone really knows what “new” would look like these days. I will settle for rapture! Bliss and delight. Accordingly my favorite record from last year was Vampire Weekend. Although I actually think their sound is “new”, it just doesn’t correspond to any of our existing stereotypes of “new”, it’s not extreme. But extreme is old hat and predictable and meaningless, really. “Extreme” only signifies if something has an intense aesthetic or emotional effect you. And often the softest, gentlest, most euphonious music can do that. Nothing could be more extreme than being brought to tears or made to feel like you’re about to swoon, and most “extreme” music fails in that area. Rapture is the true rupture. (Simon Reynolds ao The Dumbing Of America)


"Orvon Gene Autry (September 29, 1907 – October 2, 1998) was an American performer who gained fame as "The Singing Cowboy" on the radio, in movies and on television for more than three decades beginning in the 1930s.

Autry created the Cowboy Code, or Cowboy Commandments, in response to his young radio listeners aspiring to emulate him. Under his code, the Cowboy:

1 - must never shoot first, hit a smaller man, or take unfair advantage.
2 - must never go back on his word, or a trust confided in him.
3 - must always tell the truth.
4 - must be gentle with children, the elderly and animals.
5 - must not advocate or possess racially or religiously intolerant ideas.
6 - must help people in distress.
7 - must be a good worker.
8 - must keep himself clean in thought, speech, action and personal habits.
9 - must respect women, parents and his nation's laws.
10 - is a patriot"

Actor Gene Autry acting out cowboy's code violation
that he cannot ever kiss the girl

Singing Cowboy Gene Autry enacting violation
of the model cowboy's code-kicking a man when he's down

Actor Gene Autry (center) acting out
cowboy's code violation that he cannot gamble

(segundo a interpretação muito livre do Life Photo Archive)


24 March 2009



Não há bateristas de jeito em Paris. É Rhys Chatham quem o confessa um pouco embaraçadamente e quase off-the record, uma vez que, desde 1989, é parisiense por adopção. E, agora que terá de resolver esse problema para a actual “Guitar Trio Is My Life Tour”, parece um momento oportuno para indagar acerca dos motivos que conduziram um moço de formação imaculadamente académica, com início de carreira como afinador de piano e cravo para sumidades como Glenn Gould ou Gustav Leonhardt e que nunca tinha posto os pés num concerto de rock, a mergulhar na cena minimalista e na no-wave novaiorquina do final dos anos setenta: “Tive duas epifanias: uma foi quando, em 1969, assisti a um concerto do Terry Riley. Nessa altura, interessava-me pela música pós-serial, por Stockhausen e outros compositores dessas correntes de pensamento musical. Quando ouvi aquela música completamente tonal, apeteceu-me exigir o dinheiro do bilhete de volta. Mas fiquei até ao fim e a minha vida mudou. Comecei a tocar com o La Monte Young e o Tony Conrad e tornei-me minimalista. A segunda epifania foi num concerto dos Ramones, em 1976, logo a seguir à publicação do primeiro álbum deles. Um amigo disse-me 'Mas que história é essa de nunca teres ido a um concerto de rock?...Anda ver esta banda ao CBGB’s'. E… meu deus!... Eles podiam tocar apenas três acordes, eu só tocava um, mas havia imenso em comum no que fazíamos. No dia seguinte, outro amigo emprestou-me a Stratocaster dele e, desde aí, apaixonei-me pela guitarra eléctrica”.

No princípio de tudo esteve, então, o agora reanimado “Guitar Trio”: “Criei-o em 1977, originalmente, para três guitarras eléctricas. Era tocado por mim, pelo Glenn Branca e pela Nina Canal (dos Ut). Tinha duas partes, cada uma de meia hora, em que tocávamos a corda de Mi grave e todo o seu vocabulário assentava na exploração da série harmónica. Quando se escuta esta peça, inicialmente, parece tratar-se apenas de uma nota – logo, minimalista – mas, a seguir, começamos a reparar em todas aquelas 'vozes'... que não são vozes mas harmónicos. Nos anos 80 e 90, toquei uma versão mais curta, de cerca de oito minutos. Mas, há algum tempo, a minha editora, a Table Of Elements, sugeriu-me que recuperasse a versão antiga, desta vez com seis guitarras. O [artista plástico] Robert Longo que, na altura, também integrava a banda, fez uma série de slides lindíssimos que eram projectados num fade-in/fade-out muito gradual. Fizemos uma digressão por quinze cidades dos EUA – em cada cidade, os amigos locais participavam no concerto, em Nova Iorque, foram os Sonic Youth, em Chicago, os Tortoise – e, posteriormente, decidimos fazê-lo também na Europa”. A duplicação do elenco instrumental, segundo Chatham, não só implica uma maior potência sonora como torna a escuta da música muito mais intensa: “Actualmente, tocamos com um mínimo de seis e um máximo de dez guitarras. Acima disso, torna-se demasiado confuso. Eu toco um determinado padrão rítmico e os outros guitarristas reagem em contraponto comigo. Através de mudanças subtis na dedilhação, é possível escutar os diferentes harmónicos”.

A música de Rhys Chatham, no entanto – embora, juntamente com a de Glenn Branca, dando origem a uma numerosa descendência em que se incluem grupos como os Sonic Youth, Husker Du, Godspeed You!Black Emperor, A Silver Mount Zion e diversos outros –, tendeu sempre a ser recebida através de duas grelhas de leitura distintas: “Em 'Drastic Classicism', que escrevi para a Karole Armitage, uma guitarra está em Ré, outra em Dó sustenido, outra em Ré sustenido e a outra em Mi. É uma peça muito dissonante, os harmónicos, ressoam por todo o espaço. Eu que trabalhei como afinador de pianos e cravos, estou habituado a ouvir harmónicos. Na cena downtown de Nova Iorque, em sítios como a Kitchen, isso era encarado como uma nova forma radical de minimalismo mas, no CBGB’s ou no Mudd Club, era visto como uma variante da wall of sound ou noise-rock. Aliás, quando criei o 'Guitar Trio', via-o como uma peça musical que utilizava a intrumentação do rock mas não como rock em si mesmo. Em 1976, porém, com a explosão artística que teve lugar, tudo se modificou. Conhecia, por exemplo, a Patti Smith como poeta na cena de St. Mark’s, e, subitamente, vejo-a com os Television, no CBGB’s. Chegou a um ponto em que metade do mundo da arte novaiorquina frequentava os clubes de rock e a outra metade fazia parte das bandas que estavam a tocar em palco. Foi uma época única. No entanto, mesmo quando os Sonic Youth se tornaram bastante conhecidos, nunca me senti em competição com eles. Actualmente, é verdade, sou obrigado a reconhecer que já toquei muito mais em clubes de rock do que em salas de concerto”.

Sunn O))), Brooklyn, 2005

Estará, apesar disso, Chatham disposto a perfilhar toda a descendência posterior do seu "mind-deadening sound" (tal como o definiu numa entrevista em que, por outro lado, descrevia com gráfica minúcia o seu conhecimento bíblico de uma ex-namorada de Michael Gira, nos bastidores do Hurrah's)? “Oh oh oh... essa entrevista!... Na música dos Sonic Youth ou das outras bandas que referiu, existem, sem dúvida, elementos que já estavam presentes em “Guitar Trio” e que eles desenvolveram, num contexto mais ou menos pop. Mas interessam-me particularmente bandas de drone metal como os Sunn O))) que admitem ter escutado o que fazíamos há trinta anos e que o transportam para um contexto naturalmente diverso”.


"Tired Feet"

"The Rifle"

"Pieces Of String"


23 March 2009

(Comité de Apoio a Laurinda Alves)

Já não virá longe o dia em que, na memória dos povos, o nome da candidata Laurinda terá eclipsado os de outros como Kennedy, Churchill, Gandhi ou Obama. Onde quer que se manifeste, o povo acorre para se dessedentar com as suas palavras e - não há memória de tal na história política recente - suscita mesmo declarações arrebatadas de paixões sexualmente alternativas. No seu blog, há dois dias, a prova de que mais nenhum outro candidato se poderá orgulhar:

"De CristinA. a 21 de Março de 2009 às 13:15 - 'Imensas vezes, depois de a ler, penso que me apaixonaria facilmente por si... Acontece!'"

O Bloco que se roa de inveja!!!


 Lloyd Cole - Cleaning Out The Ashtrays 
Se pararmos um segundo para espreitar debaixo da carpete da memória, vamos facilmente reparar na considerável quantidade de músicos e escribas de canções que, sem que realmente déssemos por isso, há muito não deixam rasto no radar pop contemporâneo. Ou que, se o fazem ainda, não o poderiam desenhar de modo mais discreto, tal é a forma como passam despercebidos sob os raios cruzados dos focos luminosos. Onde andam, por exemplo, Suzanne Vega, Martin Stephenson, Liz Phair, Andy Partridge, Neil Hannon, os magníficos It’s Immaterial de Life’s Hard And Then You Die e Song? É verdade que o universo pop nunca demonstrou grande vocação para acarinhar aqueles que não inscrevem diariamente na agenda a obrigação de aparecer em todo o talk-show disponível, da entrada ritual na clínica de desintoxicação ou de exibir a "trophy-wife" ou o "trophy-husband" do trimestre. Mas, mesmo assim, uma tão curta memória de médio prazo deveria ser objecto de estudo científico.

Lloyd Cole, ele da mesma época em que ilustres desaparecidos em combate como os Bluebells, Sundays ou Waterboys edificavam a glória da música britânica, bissextamente, faz prova de vida com um álbum que ocupa uma ínfima parcela de página nas revistas “da especialidade”, sacia fugazmente o apetite dos seus cento e catorze fãs e esfuma-se. Agora, porém, excedeu-se: uma caixa de quatro CD (esta, de que nos lança a côdea de um sampler de dez títulos) e a promessa de dois live em modo “Folksinger Series”. A avaliar pelo isco, se a maioria das 56 sobras, lados B e raridades for da estatura de algumas das aqui reunidas (“I Will Not Leave You Alone” ou “The Steady Slowing Down Of The Heart” são Cole-vintage instantâneo) só se poderá afirmar que, mesmo que sejam poucos a reparar nisso, quando Lloyd Cole limpa os cinzeiros (pobre ingénuo que, um dia, me garantiu que eu haveria de deixar de fumar), há que correr para lhe tirar o saco do lixo das mãos. (2009)

"The Rifle"

"The Pirate's Gospel"


22 March 2009

Hélia Correia

Felino residente do Katten Kabinet

"Há, no Museu do Gato em Amsterdão, um mimoso sofá em que preguiçam felinos vivos. Os visitantes olham e eles dormitam. Parecendo que não, há um contacto entre os seres dos dois mundos, um contacto que dispensa os sentidos: anterior ao próprio entendimento visual. À presença do humano, recebendo, por certo, as suas ondas de calor, o animal ajeita-se para o afago que poucos ousam dar. Mas ele recebe-o, tal como o visitante se consola com algo de macio que não precisa de lhe subir pela mão para lhe ir ao peito. São pequenos encontros primordiais que devolvem os protagonistas ao tempo bom, ao tempo em que era tudo uma unidade e uma respiração. Resultam, como todos os encontros assim, do impulso amoroso e têm, por isso, o seu imperativo e o seu mistério" (texto integral na "Correntes D'Escritas - Revista de cultura literária da Póvoa de Varzim")


"O que podemos esperar de uma sociedade que começou a jogar xadrez e acabou a jogar futebol?"

(uma lista de restaurantes jeitosos onde, em noite de ludopédio, se possa jantar sem o desconfortável convívio com ecrãs de televisão é que era mesmo serviço público)


21 March 2009


"Chantal Biya, the 38-year-old First Lady of the Cameroon has grabbed the attention of the style world. Her outfit when she and her husband, President Paul Biya, 76, received Pope Benedict XVI on Wednesday, singled her out as a leading African lady of fashion.

Her elaborate headgear, quite obviously ordered for the occasion, was decorated with crosses and was as sophisticated as it was expensive.

One American style writer described it as combination of a miter (a type of headgear now known as the traditional, ceremonial head-dress worn by bishops) and a head wrap.

Boston Globe style writer Christopher Muther was quoted in blogosphere as having said: “Carla Bruni-Sarkozy? Michelle Obama? Neither of these glamorous first ladies can compare to style icon Chantal Biya, the first lady of Cameroon... Chantal even showed up the Pope’s miter with her jaunty head wrap, which was adorned with tasteful crosses for the occasion. No further deliberation is necessary; it’s time to declare Mrs Biya a saint of style”.

President Biya’s second wife is a fashion icon in the West African country. Among Cameroonian women, Mrs Biya is famous for her hairstyles. Her signature style is called the banane, and is used for formal occasions. The first lady has popularised other styles that are collectively known as the Chantal Biya.

Various fashion critics write that it is impossible for Cameroonians to recall having seen their First Lady with the same outfit in public twice. Mrs Biya, was born in Dimako, Eastern Cameroon, to French expatriate Georges Vigouroux and Miss Doumé pageant winner Rosette Ndongo Mengolo. She married President Biya in 1994 at the age of 23. Mr Biya’s first wife, Jeanne-Irène Biya, died in 1992.

“There are Cameroonians who can vow that they have never seen the first lady wear the same dress twice”, Peterkins Manyong once wrote in Cameroon’s The Post. It’s a good thing then that Cameroon has oil". (aqui)

+ leitura recomendada: The Domestication of Hair and Modernised Consciousness in Cameroon: A Critique in the Context of Globalisation