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30 January 2020

Mais de 12 horas depois, o pasquim direitolas online continua a afirmar que a Alemanha "devolveu um enorme padrão de calcário à Namíbia, levado pelo navegador português Diogo Cão para a Alemanha" (tal como já explicado nesta caixa de comentários, por preocupante incapacidade de compreensão do texto do "DN")

Diogo Cão implantando um padrão em Lübeck, na costa alemã do Mar Negro, pouco antes de ir dar um abraço ao seu grande amigo, o ornitologista japonês Thomas Mann, na companhia de quem realizou a primeira travessia aérea do Atlântico Sul

29 May 2017

UTOPIAS

(post convidado no Delito de Opinião)

Adão dá nomes aos animais - Theophanes de Creta, sec. XVI
 
Ia jurar ter lido algures que, acerca de Marx – Karl, não Groucho –, alguém terá dito que fez todas as perguntas certas e deu todas as respostas erradas. Procurei o autor mas não fui capaz de descobri-lo. Caso o consigam, agradeço. Se não, podem sempre atribuir-me a citação. Até porque, com autor devidamente identificado (Voltaire), há outra pelo menos tão eloquente: “Devemos julgar um homem pelas perguntas que faz mais do que pelas respostas que dá”. Em Janeiro deste ano, “Le Monde”, numa das suas publicações “hors-série”, actualizava L’Atlas des Utopies, lançado pela primeira vez em 2012. Quase 200 páginas, outros tantos mapas e 25 séculos de História repletos de perguntas e respostas. Mas, naturalmente, num inventário que vai da propriamente dita Utopia – acerca de cuja autoria os académicos hesitam: se muitos pensam ter sido Thomas More, outros, adeptos das “teses de Boliqueime” de um doutor honoris causa em Letras pelas universidades de Goa e Heriot-Watt, de Edimburgo, juram tratar-se de Thomas Mann – à República, de Platão, ao esperanto (designação anterior daquilo a que, hoje, chamamos “inglês”), às comunas owenianas, fourieristas, comunistas, socialistas e anarquistas (para cima de uma centena de covis de bisavós hippies), ou às profecias de Marx – Karl, não Groucho –, a utopia primordial é, sem dúvida, o Paraíso bíblico (ou Jardim do Éden), sobre o qual, mais do que exigir respostas, há imensas perguntas a fazer.

Lilith - Kenyon Cox, 1892
 
Umberto Eco, por exemplo, em Serendipities: Language and Lunacy, interrogava-se a propósito de um perturbante mistério: se, em Génesis 2:20, Adão teve por missão dar nome “a todos os animais: os rebanhos domésticos, as aves do céu e a todas as feras”, quem (sim, quem?) nomeou os peixes? Aliás, logo a seguir, surge outra dilacerante dúvida: se, em Génesis 1:27, lemos “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”, por que divino raio, em inexplicável "raccord" com o episódio da bicharada, somos testemunhas de um Jeová que, verificando que "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”, não apenas pratica o primeiro acto cirúrgico precedido de anestesia – “Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne” – como realiza uma pioneiríssima clonagem transgénero: “com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele” (Génesis 2:21, 22)!... Onde pára, então, a miúda que nos tinha sido apresentada em Génesis 1:27?

Lilith (Suméria)

Poderá não ser a melhor resposta mas, algures entre os séculos VIII e XI, alguém arriscou dá-la, no Alfabeto de Ben Sirach. Afinal, no original, deveria ler-se assim: “Depois de ter criado Adão, Deus disse: não é bom que o homem esteja só. Criou, então, da terra, uma mulher para Adão, tal como o havia criado a ele e chamou-lhe Lilith. Adão e Lilith começaram imediatamente a desentender-se. Ela disse, ‘Não me deitarei por baixo de ti’, e ele disse ‘Não me deitarei por baixo de ti, apenas por cima. Foste feita para ficar por baixo e eu por cima’. Lilith respondeu ‘Somos iguais porque fomos ambos criados da terra’. Mas não chegaram a acordo e, quando Lilith se apercebeu disso, pronunciou o nome inefável e voou pelos ares”. Ou seja, tudo terá tido origem numa inconciliável diferença de preferências sobre posições coitais: enquanto Adão era adepto da que – por boas razões – viria a ser conhecida como “do missionário”, Lilith era, decididamente, uma “cowgirl”.

Fellatio Interruptus - Miguel Ângelo, sec. XVI 

Os sarilhos de Adão com mulheres continuariam com a segunda concubina, Eva. Por um motivo, aliás, teologicamente peculiar: em Génesis 2:16, Jeová, para autorizar o casal a viver no Eden Condominium, obrigara-o contratualmente a uma condição “De toda a árvore do jardim comerás livremente, Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás”. Traduzindo: uma vez que “o conhecimento do bem e do mal” é aquilo a que chamamos moral, se pretendiam permanecer eternamente felizes, não deveriam preocupar-se sequer com tais ninharias. E, a fazer fé (pois é disso que se trata) na maravilhosa representação do fellatio interruptus no qual Miguel Ângelo os apanha no tecto da Capela Sistina, cumpriam à risca o acordo. Momento dramático, porém: é justamente nesse instante que, enroscada na árvore, a serpente oferece o fruto proibido (como vimos antes, a moral) à compreensivelmente distraída Eva. E nova perplexidade surge: de cabeça perdida, Jeová vira-se para o surpreendido réptil e amaldiçoa-o: “Rastejarás sobre o teu próprio ventre!” (Génesis 3:14). Seguramente, mais tarde ou mais cedo, a paleontologia criacionista haverá de descobrir provas da existência de serpentes bípedes ou quadrúpedes contemporâneas de Adão e Eva. Mas, numa história que começou tão problemática e só pode ter prosseguido com um reprovável festival de incesto, é capaz de ser optimismo demasiado pensar em utopias.

14 April 2011

ESTOU A PRECISAR COM URGÊNCIA DE
UM PROGRAMA DE DESINTOXICAÇÃO




Thomas Mann em 1986, então com 21 anos, ao lado da sua grande amiga, Madonna.

Thomas acompanhou Madonna a Veneza, para a filmagem do video musical de “Like a Virgin”, e isso inspirou-o de tal modo que ele escreveu Morte em Veneza, 11 anos mais tarde, ou seja, em 1997.



(solução do enigma aqui... where else?)

(2011)

31 October 2010

TADZIO
(daqui)


Morte em Veneza - real. Luchino Visconti, 1971;
Adagietto da 5ª Sinfonia de Gustav Mahler


(2010)
PEDRO PASSOS COELHO: O PERFIL DE UM LÍDER (I)


"Com o cabelo da cor da espiga do trigo e uma franjinha que quase batia nos enormes olhos azuis, Pedro mais parecia uma boneca. Era o mais novo dos quatro irmãos - e aquele a quem a mãe (...) prestava mais atenção. Ela achava-o doce como um rebuçado, mas o pai sabia que o miúdo era dado a cóleras súbitas. Um dia, num restaurante, (...) a empregada de mesa perguntou: 'O que é que a menina vai comer?'. Nem houve tempo para explicações. Pedro cresceu na cadeira e, dirigindo-se ao pai, perguntou: 'Pai, mostro-lhe a pilinha?'" (Felícia Cabrita, da primeira parte da biografia de Pedro Passos Coelho, na "Tabu"/"Sol")

(2010)

25 April 2010

SE CALHAR É SÓ MÁ VONTADE MINHA MAS OUVIR
O CAVACO A DIZER COISINHAS QUERIDAS SOBRE
AS "INDÚSTRIAS CRIATIVAS" SOA-ME DEMASIADO
PARECIDO COM O CRISTIANO RONALDO A TECER
LOUVORES AO "TRACTATUS" DO WITTGENSTEIN...




Barcelona, Berlim, Amsterdão, Estocolmo e... tcharaaam!... Porto???!!!... assim como quem diz "aqui para nós, que ninguém nos ouve, se tivesse dependido de mim, tinha trocado vinte autoestradas pela Utopia do Thomas Mann" ?... (gente do Nuorte, nada de confusões: contem comigo na primeira linha para que o Puârto seja a "New Amsterdam" - estarei lá caído, dia-sim, dia-não).

(2010)