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22 August 2012

DE VERÃO 


The Soaked Lamb - Evergreens
   
Segundo volume da trajectória dos lusos Soaked Lamb pela "old-time music", depois do inaugural Hats & Chairs (2010). Com pontos de paragem em Nelson Cavaquinho, Hank Williams, Merle Travis, Georgia White, Blind Reverend Gary Davis ou por tradicionais como "La Llorona" (e versões de três originais da banda), viaja-se do gospel ao jazz ou ao samba com números de alquimia incluídos como a transformação de um blues em tango.




Os Quais - Pop É o Contrário de Pop
  
Já por altura de Meio Disco, há três anos, Jacinto Lucas Pires e Tomás Cunha Ferreira – Os Quais – especulavam sobre essa aterradora ideia de pop ser o contrário de pop. Agora de corpo discográfico inteiro, prosseguem a intrigante (mas preguiçosamente amável) exploração desta estirpe mutante de minimalismo de espírito tropical, mão-de-obra europeia, bizarrias electrónicas e "outsourcing" do outro lado do grande charco.




Billy Bragg & Wilco - Mermaid Avenue/The Complete Sessions

Mermaid Avenue nasceu em 1998 quando, por convite de Nora Guthrie (filha de Woody Guthrie), Billy Bragg, com os Wilco, compôs música para uma série de textos inéditos de Woody. Em 2000, houve um segundo volume e, este ano, por ocasião da comemoração do que seria o 100º aniversário do primeiro (e maior) inspirador de Bob Dylan, é publicada esta edição de luxo que, aos dois volumes iniciais, acrescenta um terceiro e ainda um documentário sobre a concretização do projecto.




Fadomorse - Magála Invisível
 
Os Fadomorse são uma experiência de geometria vastamente variável pela qual, em treze anos, já passaram 45 músicos e 25 “técnicos criativos” que, do rock às colagens sonoras, ao jazz ou às músicas de raiz tradicional, criaram uma obra singular sem ascendência nem descendência demasiado óbvia, desta vez, liberalmente expandida e exibida em formato triplo, provavelmente o suporte mais adequado para a defesa convincente desta estética sonora do excesso.

09 February 2009

MEIO DO ATLÂNTICO



Os Quais - Meio Disco

Na toca do MySpace, anunciam “seis canções que rockam-popam-dançam em cima do tempo, sem medos, desabitualmente. Fundar o mundo em Portugal, imaginar um sotaque do meio-do-Atlântico” e esclarecem que "pop é o contrário de pop". No BI e no cartão de contribuinte constam como Jacinto Lucas Pires, escritor, e Tomás Cunha Ferreira, professor e pintor. Meio Disco (designação apropriada para o que, quando ainda existiam discos, se designava por EP, no caso, com seis faixas) é editado pela Amor Fúria o que, a fazer fé na taxonomia do pastor-irmão, Tiago Guillul, indicia a emergência de uma parceria de perfil católico, baptizada, digamos assim, a partir de uma tradução literal de The Who.



Em termos mais terrenamente agnósticos, assegure-se que começam muito bem com o belo balanço eléctrico a acompanhar as palavras “Não me olhes assim, vamos comer carne, mas com nomes falsos, vamos pelo jardim pisar obras de arte, mas com pés descalços”, prosseguem em óptimo andamento piscando repetidamente o olho ao Caetano Veloso de (parente próximo do outro do Tropicalismo) e concluem bravamente num improvável matrimónio dos Clash com o espírito de John Coltrane (via Carlos Martins) e um poema de José Tolentino de Mendonça. O disco inteiro promete.

(2009)