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20 April 2023

"Horumarye"
 
(sequência daqui) Agora, em Nowhere and Everywhere, sob a designação Unthank : Smith, uma escapada a duo com Paul Smith (dos não demasiado memoráveis Maxïmo Park) vigiada pela produção de David Brewis (Field Music), o argumento regionalista volta a emergir: “Eu vivo em Northumberland, já vivi em Newcastle e a minha família é de Teesside. O Paul vive em Newcastle mas é de Teesside. O David é de Sunderland. Mas não concebemos o álbum como obra de um triunvirato do Nordeste, foi apenas uma coisa bastante natural”. Smith alega que a aproximação à folk decorreu da descoberta da música de Martin Carthy, Karen Dalton, Nick Drake e Bert Jansch, e ambos, sem o terem planeado, foram achando um lugar comum para as vozes que, com o suporte do clarinete de Faye MacCalman e da percussão de Alex Neilson, sob a supervisão espartanamente minimalista de Brewis, se lançaram, de sotaques e dialectos locais orgulhosamente em riste (“Sentimos que era importante não adocicar as nossas vozes”, diz Rachel), sobre histórias e lendas de marinheiros, mineiros e lendários seres marinhos enfeitiçados.

17 October 2010

SOTAQUE AMERICANO


Lloyd Cole é gente muito cá de casa. Um daqueles autores que, por motivos que nunca esclareceremos completamente, se torna convidado frequente dos palcos portugueses e que, mesmo tendo há muito deixado de habitar o Olimpo das divindades pop (desde que, há 21 anos, se mudou para a Costa Leste americana, a Inglaterra natal só intermitentemente o recorda e, na Europa, Alemanha e Portugal são os seus portos de abrigo), mantém uma base eleitoral suficiente para, regularmente o reeleger como representante da canção-pop de fino recorte literário. Broken Record, o último e magnífico álbum, é pretexto para uma mini-digressão de cinco concertos * e para uma conversa acerca do que é ser um inglês no novo mundo e não estar a ir para novo.

Ao fim destes anos todos de quase dupla nacionalidade, qual lhe parece ser a diferença entre fazer parte de uma banda visceralmente britânica e tocar com músicos maioritariamente americanos?
Se eu quisesse ser um pouco pedante, diria que existe uma diferencia entre o balanço da secção rítmica de uma banda inglesa e de uma banda americana. Na forma como os instrumentos funcionam em conjunto, agora, é possível que esteja um pouco mais próximo do que acontecia nos Commotions. O meu objectivo era que, neste disco, a banda soasse como o Highway 61, do Dylan. Ou como ‘Something On Your Mind’, da Karen Dalton. Ninguém está, realmente, a solar mas os músicos trocam melodias diferentes entre si. O que, quando se trabalha com bons músicos, se consegue.



Mas pode afirmar-se que viver durante todo este tempo nos EUA, de alguma forma o americanizou?
Há frases americanas que uso mas também sempre as usei. O meu vocabulário musical provém do Leonard Cohen e do Bob Dylan e da literatura que lia quando era jovem que era, predominantemente, americana. A propósito deste disco, um fã criticou-me por usar a expressão “stupid ass”, segundo ele, um britânico não deveria dizer isso. (risos) Mas eu vivo lá há 21 anos e compreendi que, se insistisse em falar o inglês britânico, uma de duas coisas aconteceria: ou não seria compreendido, ou passaria a vida a ouvir “oh tão giro!... diga lá isso outra vez”. Por isso, sim, é verdade que me americanizei um pouco e que o meu próprio sotaque se modificou.

A intenção da minha pergunta era mais acerca do seu sotaque musical...
Não me parece. A minha estética continua a ser europeia. Mas a música que sempre fiz, desde Rattlesnakes, é baseada em diversas formas americanas: rhythm ‘n’ blues, rock’n’roll, blues, folk, country... mas nunca folk britânico.


Por acaso, neste disco, pela primeira vez, tem uma canção, "Man Overboard", que poderia, facilmente, ser vista como uma variação sua sobre uma "sea shanty"...
Talvez mais com uma "sea shanty" escocesa do que inglesa. Há, neste álbum, diversas coisas que decorrem de ter actuado como folk singer durante dez anos, apenas com a guitarra. ‘Man Overboard’ poderá fazer pensar numa "sea shanty" mas também poderia ser uma canção dos primeiros tempos do Leonard Cohen. Mas, voltando à sua pergunta, os Commotions sempre se dedicaram a formas musicais americanas submetidas a uma estética europeia. Se reparar nas diferenças entre os R.E.M e os Commotions – que tocavam tipos de música semelhantes –, na música deles havia qualquer coisa que os aproximava mais dos Allman Brothers do que dos Rolling Stones. Os Commotions, apesar de tocarem pop, partilhavam com os Stones o facto de tocarem música americana com uma estética britânica: interessava-nos mais a elegância do que a paixão, interessava-nos a concisão. Nos Stones, uma canção nunca durava mais do que três minutos... há alguma dos Allman que seja inferior a cinco? Suponho que tudo isso permanece no que faço agora. A maioria dos músicos poderá ser americana mas a estética é europeia.


Outro aspecto que quase se esfumou da sua escrita foi a obsessão pelo "name dropping" enquanto tique de estilo...
Nunca me pareceu que fosse exactamente um tique. Mas, neste álbum, nem crio, necessariamente, as personagens através de imagens. Algumas delas nem sequer têm personagens, são apenas acerca de ideias. ‘If I Were A Song’ trata de uma das perguntas que mais detesto que me façam: essa canção é sobre quê? Uma canção não é acerca de coisa nenhuma, é uma coisa como isto (pega numa jarra), uma entidade. Uma entidade estranha porque não é corpórea, não a podemos agarrar mas pode ser escutada e encarada de várias formas. Os pontos de referência podem ser outras canções.

O que permanece constante é a sua preocupação com a passagem do tempo: em Mainstream, tinha uma canção, "29", acerca da tragédia iminente de ser trintão; há três anos, em Antidepressant, escrevia acerca de um tipo "no longer angry, no longer young, no longer driven to distraction, not even by Scarlett Johansson"; numa entrevista, declarou que não o entusiasmava demasiado a ideia de que, aos 75 anos, será, de certeza, parecido com o Orson Welles; e, agora, não foi, seguramente, um acaso que a porta que surge na capa do disco tenha o número 49...
Foi coincidência, foi. Uma boa coincidência mas não foi por esse motivo que escolhi essa fotografia. Por um lado, estou feliz por ser mais velho. Os jovens são estúpidos e é preciso muito tempo até conseguir libertá-los da estupidez e levá-los a ter, pelo menos, alguma noção das suas limitações. O que é também a beleza da coisa: pensar que sabemos tudo, fazermos uma viagem e imaginarmos que conhecemos o mundo todo. E que também proporciona a confiança indispensável para sermos ambiciosos. Mas do lado físico do envelhecimento... não gosto mesmo nada! Ter sido fotografado durante toda a nossa vida adulta e, de repente, vermos fotos actuais... brrr! A minha piada actual é que, durante 24 anos, escrevi acerca do envelhecimento. Agora, escrevo sobre ser velho.


(2010)

29 March 2009

OBRIGADO, DIVINDADE FELINA!



Alela Diane - To Be Still




Headless Heroes - The Silence Of Love

Eu já tinha obrigação de saber que a suposta sageza contida nos provérbios populares não possui, propriamente, valor científico. Mas, porque estas coisas se infiltram desde o biberão e continuam a actuar subliminarmente, desta vez, por pouco me ia deixando rasteirar por um dos clássicos do género, o universalmente repetido “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Há que conceder a atenuante de que as circunstâncias eram favoráveis ao tropeção: jovem singer-songwriter, natural de Nevada City, como Joanna Newsom, e coberta de louvores por Joanna Newsom, caminha a passos largos para a santidade "freak-folk" à custa de um álbum criado numa cabana de montanha, em Portland, na companhia de um gato. Se acabei por escutar o disco e este texto foi escrito, só pode ter sido por causa do gato, já que, pelas restantes personagens e contornos da história, o evitei cuidadosamente durante dias.


Obrigado, divindade felina: To Be Still é uma belíssima colecção de canções e, ou muito me engano, ou Alela Diane Menig rapidamente deixará na merecidíssima sombra a seita "hippy/psych" do pé descalço. Espreitem-na, no Youtube, nos três clips da série “Concerts à Emporter” de La Blogotheque – cada vez mais um lugar de atribuição de credibilidade indie através do reconhecimento “intelectual” europeu –, vagueando, de guitarra na mão, entre as pedras de Notre-Dame e a Place St. Michel. Já que aí estão, procurem também “The Rifle” (cenário de assombração flannery o'connoriana genuinamente "old weird America") e “The Pirate’s Gospel” (“While some folks pray their path to Jesus, we're gonna sing the pirate's gospel” em atmosfera de mar e trevas noturnas), do álbum anterior.



Podem, agora, passar a To Be Still e descobrir uma legítima descendente de (peso cada palavra) Sandy Denny e – muito mais obliquamente – Nico, algures, numa bissectriz mais contemporânea, entre Nina Nastasia, Kristin Hersh e Neko Case, mas (levando a utilidade do "name-dropping" às últimas consequências) com aquele teor de anacrónica excentricidade que Jolie Holland e Jesca Hoop terão de passar a partilhar com ela. No DVD que acompanha o disco, em concerto de Novembro do ano passado no Olympia de Paris, entre banjos, guitarras e bandolins, podemos, por outro lado, descobrir a personalidade de quem, em cima de um palco, parece estar com o mesmo à vontade que no alpendre do tal refúgio de Portland.



Etapa seguinte: The Silence Of Love, álbum de versões produzido por Eddie Bezalel a que Alela empresta a voz e, na companhia de gente com currículo ao lado dos R.E.M., Beck ou Red Hot Chili Peppers, reinventa temas de Nick Cave, Jesus & Mary Chain, Linda Perhacs ou Jackson C. Frank. Nos melhores momentos (“True Love Will Find You In The End”, “Just Like Honey”, “Nobody’s Baby Now”), dir-se-ia Karen Dalton a bordo dos Mazzy Star; nos outros, poderá não se voar tão alto mas também nunca há danos irreversíveis a registar. E, caso os houvesse, Alela Diane seria sempre mui justamente absolvida.

(2009)

01 January 2009

OLD, WEIRD KAREN



Karen Dalton - Green Rocky Road

Quase quarenta anos depois de se ter voluntariamente removido da cena musical e década e meia após, sem-abrigo, toxicodependente e seropositiva, ter sido encontrada morta nas ruas de Nova Iorque, Karen Dalton transformou-se num mito-folk equivalente aos de Billie Holiday, no jazz, ou de Nico, no pop/rock. A corte de admiradores – da seita “freak folk” a gente mais respeitável como Nick Cave ou Bob Dylan – não cessa de lhe ornamentar a lenda (episódio mais recentemente exumado: “Katie’s Been Gone”, das Basement Tapes da Band com Dylan, ter-lhe-ia sido dedicada por Richard Manuel) e a obra gravada vai regressando à superfície.


Karen Dalton - "Blues Jumped The Rabbitt"

Na sequência da reedição dos dois álbuns “oficiais” (It’s So Hard To Tell Who’s Going To Love You The Best, 1969, e In My Own Time, 1971), no ano passado, foi a vez da gravação ao vivo, Cotton Eyed Joe, e, agora, deste registo de gravações domésticas (de 1962 e 1963), apenas acompanhada à guitarra de doze cordas e banjo. Não acontece demasiadas vezes mas, neste caso, é obrigatório reconhecer que, ao culto, não faltam justificações: a voz áspera e ensopada de vida muito pouco fácil de Karen Dalton, num punhado de temas tradicionais, é mil vezes mais “old weird America” do que todos os pastiches actuais.

(2008)
MÚSICA 2008 - REEDIÇÕES


Karen Dalton - "It Hurts Me Too"

Karen Dalton - In My Own Time e Green Rocky Road
Bill Fay - Bill Fay
Laura Nyro - More Than A New Discovery
Marianne Faithfull - Come My Way
Weekend - Live At Ronnie Scott’s
Fairport Convention - What We Did In Our Holidays e Unhalfbricking
GNR – Independança
Caetano Veloso - Tropicália
Caetano Veloso – Caetano Veloso
Caetano Veloso - Araçá Azul
Laurie Anderson - Big Science


(2008)

21 January 2008

OS ÚLTIMOS TOSTÕES

Qualquer pretexto é bom para uma expedição de assalto às caves onde se arquivam os fundos de catálogo: os tempos não estão para aventuras e tudo o que possibilite contabilizar uns últimos tostões através da recuperação, reavaliação e reciclagem de vetustas “masters” há muito a acumular pó nas prateleiras – uma qualquer efeméride, um filme que vem mesmo a propósito, uma súbita infatuação de alguém subitamente em destaque ou… coisa nenhuma – há que ser aproveitado para, tanto quanto ainda é possível (e cada vez é menos possível), acrescentar algum valor positivo à contabilidade de uma indústria que nunca sonhou ter alguma vez de se reconverter tão rápida e drasticamente como agora, irremediavelmente, deverá acontecer. O que, se tende a fazer acumular robustas pilhas de discos a que não é fácil prestar a devida atenção no decurso do período de edições correntes, por outro lado (entre o inevitável entulho que, por arrasto, é desenterrado nesse processo), permite, muitas vezes, oferecer uma segunda vida a gravações que já não andariam propriamente na ponta da lingua da maioria dos seus potenciais apreciadores.

Control – o óptimo filme de Anton Corbijn em torno da figura de Ian Curtis – foi, sem dúvida, o rastilho para o “repackaging” em formato “collector’s edition” (isto é, embalagem de luxo com segundo CD obrigatório de concertos “históricos” e “booklets” repletos de fotos e textos informativo/analíticos) de Unknown Pleasures (1979), Closer (1980) e Still (1981), dos Joy Division. Em rigor, nada de extraordinariamente significativo acrescentam a quem já conheça e possua as publicações originais (Unknown Pleasures é uma obra-prima e Closer um assombrosamente austero epitáfio esculpido em mármore pelo próprio Curtis) mas – ainda que o espírito dos consumidores de música gravada ande cada vez mais longe de se deixar seduzir por objectos físicos de plástico, por mais atraentes que sejam –, cavalgando a onda gerada pelo filme, não é impossível que algum peixe venha à rede. Que, reconheçamo-lo, é uma excelente rede. Exactamente o mesmo que se terá de dizer acerca de Big Science, de Laurie Anderson (em altura de 25º aniversário), e de Songs Of Leonard Cohen (1967), Songs From A Room (1969) e Songs Of Love And Hate (1971), a inicial trilogia de ouro do poeta/songwriter canadiano: nenhum deles se encontrava em estado de inacessível clandestinidade mas todos incluem rica iconografia pronta a estimular a salivação dos fãs, a “bonus-track” de cortesia e devida contextualização (no caso do clássico de Laurie Anderson, da autoria dela mesma). Logo, peças exclusivamente para coleccionadores ou – imensa felicidade a desses! – dirigidas a quem, através delas, trave o primeiro conhecimento com Cohen e Anderson.

História inteiramente diferente é a de In My Own Time (1971), segundo e último álbum de Karen Dalton, de quem foi também já reeditada a estreia It’s So Hard To Tell Who’s Going To Love You The Best (1969), e que, provavelmente, ficarão como aquilo que de melhor alguma vez ficaremos a dever a Devendra Banhart e Joanna Newsom que contribuiram para gerar o “buzz” em torno desta figura trágica e praticamente ignorada da Greenwich Village dos anos 60. Venerada por Dylan (que, nas suas Chronicles, se refere a ela como “a minha cantora preferida da club scene”), por Nick Cave (nos arrebatados louvores que sobre ela derrama num dos textos do “booklet” desta reedição, afirma “she knows how to be sad”) e por diversos outros que, à época, a escutaram, Dalton, intérprete e executante de banjo de origem Cherokee, era, simultaneamente, uma voz com todos os desastres do mundo colados a si e uma personagem que, aparentemente, tudo fazia para que isso se convertesse também na matéria da própria vida. Alcoólica, heroinómana, insegura e vulnerável, após o insucesso de In My Own Time (que nunca desejou realmente gravar), abandonou a hipótese de uma carreira musical e, pouco depois, entregar-se-ia para sempre a uma existência de “homeless” nas ruas de Nova Iorque onde, em 1993, acabaria por morrer de overdose. Deixou dois belíssimos álbuns para os quais a designação (que ela abominava) de “Billie Holiday da folk-country”, apesar de tudo, continua a ser a mais apropriada.

Um quase idêntico estatatuto de “revelação” poderão ter para muitos os quatro álbuns de Caetano Veloso agora igualmente reeditados – Caetano Veloso (Tropicália) (1967), Caetano Veloso (1969), Caetano Veloso (A Little More Blue) (1971) e Araçá Azul (1972). Se os dois primeiros, contemporâneos da eclosão do Tropicalismo, incluem futuros clássicos como “Alegria, Alegria”, “Soy Loco Por Ti América”, “Tropicália”, “Clarice”, “Atrás do Trio Eléctrico”, “Não Identificado” ou “Os Argonautas” onde, cerzindo o “zeitgeist” eléctrico da pop e do psicadelismo desses anos com a batida cardíaca do Brasil mais puramente mulato e a visão de Rogério Duprat, Caetano provocava a colisão frontal da música popular brasileira com o futuro (só vinte anos mais tarde a pop internacional, deslumbrada, registaria os sinais desse sismo), é nos outros dois que residirão as maiores surpresas: A Little More Blue – gravação do exílio londrino após a perseguição pela ditadura brasileira – maioritariamente escrito e cantado em inglês, espécie de melancólico manifesto interior de distância e ausência projectado nas miragens de “London, London” ("I am lonely in London without fear, I'm wandering round and round here, nowhere to go, while my eyes go looking for flying saucers in the sky”) e, sobretudo, Araçá Azul, inclassificável cornucópia sonora de poesia fonética, concretismos, passagens orquestrais e labirintos bahianos.

Naturalmente, por cá (embora reeditar não seja um hábito instituído), a colecção “Do Tempo do Vinil” também apostou nesse filão, recuperando cinco títulos “perdidos”: Alibi, de Manuela Moura Guedes (1982), essencialmente interessante pela participação da “backing band”/equipa de compositores – os GNR, com Vitor Rua – e pela inclusão do “single” “Flor Sonhada”/”Foram Cardos, Foram Prosas”, já que, enquanto intérprete, Moura Guedes nunca faria (não fez) propriamente história; Com Uma Viagem Na Palma da Mão, de Jorge Palma (1975), a sua datada mas ainda valiosa estreia em estúdio; Missing You – Integral 1965/1967, dos Sheiks, mera memorabilia da rudimentar primeira infância da pop/rock/lusa; Mistérios e Maravilhas, dos Tantra (1977), testemunho de como o pesadelo do rock progressivo em versão indigente nacional era um pesadelo ainda maior (o que se poderá confirmar em Mestre, dos Petrus Castrus, de 1972, também agora republicado pela CNM); e, a anos-luz de todos os outros, o magnífico Independança, dos GNR (1981) – com Os Homens Não Se Querem Bonitos, ainda o duplo pico criativo da banda de Rui Reininho –, estojo de canções memoráveis como “Agente Único”, “Hardcore” ou (no original) um lado inteiro (“Avarias”) de glorioso aventureirismo experimental em tempo real. (2007)

03 January 2008

MÚSICA 2007 - VI (reedições)



The Triffids – In The Pines e Calenture
Pentangle - The Time Has Come
Ennio Morricone - Morricone In The Brain
Young Marble Giants - Colossal Youth & Collected Works
GNR - Independança
Robert Forster/Grant McLennan - Intermission: the best of the solo recordings 1990-1997
Laurie Anderson – Big Science
Leonard Cohen – The Songs Of Leonard Cohen, Songs From A Room e Songs Of Love And Hate
Joy Division – Unknown Pleasures, Closer e Still
Caetano Veloso – Caetano Veloso (Tropicália), Caetano Veloso, Caetano Veloso (A Little More Blue) e Araçá Azul
Karen Dalton – In My Own Time