AQUI SE DEMONSTRA SEM LUGAR PARA DÚVIDAS QUE A VATICANO S.A. PRATICA UMA POLÍTICA SOCIAL QUE PROTEGE OS POBRES E REAFIRMA QUE SÃO OS RICOS QUEM DEVE PAGAR A CRISE (A CRISE DA VATICANO S.A., EVIDENTEMENTE)
Quem tem olhos, que veja e quem tem ouvidos, que oiça: na digressão "Papa In Rio" (Lisboa/Fátima/Porto), aos santos devotos de um pobríssimo e deprimido país do clube dos PIGS, nem um cêntimo o Sumo-Patífice cobrou pelo raríssimo privilégio de lhe farejar o divino hálito. É verdade que houve microfones de ouro, helicópteros com tudo o que um Supreme Muthafucka Por La Gracia De Dios merece, tropas em alerta vermelho, palcosde designer para a performance e tal, mas, que raio!..., é o mínimo.
No Reino Unido, terra de lordes e gente ricaça, não há cá frescuras: os bilhetes para assistir às missinhas são pagos (chamam-se "contributions for pilgrims") e vão das 25 libras, em Birmingham, até às 20 de Gasgow, ou às 5, relativamente mais em conta, de Hyde Park. Claro que há sempre os sovinas que se queixam: os escoceses (olha quem...), por exemplo, estão em brasa por, em Glasgow, terem de pagar quatro vezes mais que os londrinos. E as deslocações, e os custos de travessia das "highlands", e o imposto pela histórica persistência do paganismo por aquelas terras, não contam? Nunca ouviram dizer que, se não há dinheiro, não há palhaços?...
E, vá lá, guardem ainda umas moedinhas para o merchandising que é bem catita.
NÃO DEIXA DE SER FUNDAMENTALMENTE IMBECIL * E RACISTA MAS, PELO MENOS, AO CONTRÁRIO DO ANÃO SARKOZY QUE FAZ PEITO À CUSTA DE UMA COMUNIDADE MARGINAL, ESTE ATREVE-SE A INSULTAR QUEM, DAQUI A MICROSSEGUNDOS, IRÁ DAR ORDENS AO MUNDO
"Morrissey: Chinese People Are A 'Subspecies': Morrissey described the people of China as a subspecies because of the way they treat animals, and he is is standing by his remarks. The outspoken former Smiths frontman, a longtime vegetarian and animal rights advocate, told the Guardian Weekend magazine: 'Did you see the thing on the news about their treatment of animals and animal welfare? Absolutely horrific. You can't help but feel that the Chinese are a subspecies'. (...) Morrissey has been called a racist before for lyrics in songs such as 'Bengali in Platforms' and 'Asian Rut,' and for the anti-immigration comments he made to NME music magazine in 2007. But he's not backing down on this one. He later said in a statement: 'If anyone has seen the horrific and unwatchable footage of the Chinese cat and dog trade - animals skinned alive - then they could not possibly argue in favour of China as a caring nation. There are no animal protection laws in China and this results in the worst animal abuse and cruelty on the planet. It is indefensible'".
*... uma rápida vista de olhos, por exemplo, pelo site daWSPA, seria suficiente para compreender como a selvajaria não conhece povos nem fronteiras
edit 1: olha um "subespécime" luso aqui... e outro aqui.
A PROFESSORA BRUNA E A JULIANNE MOORE BEM PODERIAM APRESENTAR UMA PROPOSTA PARA A GEMINAÇÃO DE VENEZA E MIRANDELA
"Veneza censura nudez de Julianne Moore: Um anúncio publicitário da marca Bulgari com Julianne Moore como protagonista foi impedido de ‘ver a luz do dia’ pelo presidente da câmara de Veneza, alegadamente por ser demasiado arrojado".
Não se conhece ainda a reacçãode Berlusconi mas imagina-se que esteja, muito justificadamente, chocado. Seja como for, era de não deitar a perder a hipótese de um festival de cinema em Mirandela.
E as assessorias da Kylie Minogue e da Dita Von Teese seriam sempre bem-vindas.
05 September 2010
DEPOIS DAQUELA DOR DE CABEÇA DE REBENTAR CRÂNIO PÓS-"ALICE", ALINHO SEM HESITAÇÃO NA RESISTÊNCIA
"Resistance Forms Against Hollywood’s 3-D Push: A joke making the rounds online involves a pair of red and green glasses and some blurry letters that say, 'If you can’t make it good, make it 3-D'. The fans of flat film have a motto. But do they have a movement?"
"Portogallo"(clicar na seta deplaypara imagem e som)
"Tal como o próprio nome [Sem Fronteiras] indica, não há barreiras linguísticas nem musicais para um artista que também é político (ou será o inverso?), e consegue como poucos comunicar com uma audiência de variado espectro etário e intelectual. (...) O que espanta não é a versatilidade do autor, compositor e intérprete. É a quase impossível compatibilidade entre um criador que compõe música e edita poesia, e aquele homem público que consegue ter tempo para representar Portugal no Parlamento Europeu onde fez mais de 60 intervenções nos últimos 3 anos. Discursos que apenas uma ínfima minoria daqueles que vão ter o prazer de ouvir este disco conhece..." (do booklet de Sem Fronteiras)
"Sem Fronteiras é o desenvolvimento em corpo inteiro daquilo que foi a experiência feliz do single 'Abraço de Paz' lançado por Mendes Bota no Verão de 1991. (...) Aqui estão bem patentes o ritmo contagiante de África e das Caraíbas, a nostalgia anglo-saxónica dos anos cinquenta e sessenta, e a vigilância social de quem não passa indiferente pelas injustiças do mundo" (do booklet de Sem Fronteiras)
(2010)
... NOW STOP WORRYING AND ENJOY YOUR LIFE
"Stephen Hawking says universe was not created by God" - In the new work, The Grand Design, Professor Stephen Hawking argues that the Big Bang, rather than occurring following the intervention of a divine being, was inevitable due to the law of gravity. (...) 'Because there is a law such as gravity, the universe can and will create itself from nothing', he writes. 'Spontaneous creation is the reason there is something rather than nothing, why the universe exists, why we exist. (...) It is not necessary to invoke God to light the blue touch paper and set the universe going. (...) The fact that we human beings – who are ourselves mere collections of fundamental particles of nature – have been able to come this close to an understanding of the laws governing us and our universe is a great triumph'".
Afinal, nada que Laplace, há 200 anos, não tivesse já explicado a Napoleão:
Pierre-Simon Laplace - Madame Feytaud, 1842
"Laplace went in state to Napoleon to accept a copy of his work [Mécanique Céleste], and the following account of the interview is well authenticated, and so characteristic of all the parties concerned that I quote it in full. Someone had told Napoleon that the book contained no mention of the name of God; Napoleon, who was fond of putting embarrassing questions, received it with the remark, 'M. Laplace, they tell me you have written this large book on the system of the universe, and have never even mentioned its Creator'. Laplace, who, though the most supple of politicians, was as stiff as a martyr on every point of his philosophy, drew himself up and answered bluntly,'Je n'avais pas besoin de cette hypothèse-là'. ("I had no need of that hypothesis"). (aqui)
(em particular, a partir dos 7'34", mas é de ver tudo)
... não me arranje problemas. A sério. É que, apesar de a minha capacidade de sentir a culpa judaico-cristã ter vindo, ao longo dos anos, a reduzir-se a pouco menos do que um ponto negro (disco giro, o último deles!), há coisas que ainda mexem comigo. E ter de carregar sobre os ombros a responsabilidade de imaginar que, lá pelo fim do século (pouco antes de pensar "Só pode ser das lentes, não se vê mesmo nada..." - corte abrupto/the end), as suas últimas palavras serão "Falhei, falhei miseravelmente na conversão do João Lisboa..." dá-me arrepios.
Que diabo (pardon my french)!... há tantos outros desafios igualmente estimulantes e mais realizáveis: elevar o QI da Sarah Palin, discordar, "com civilização e simpatia", daquele moço moreno dos Hammerskins, o Mário Machado, gravar uma versão do "Beijas Como Uma Freira" com o coral das irmãs Doroteias...
Olhe, aceite esta proposta e não se fala mais nisto: que tal colaborarmos naquela óptima ideia da "Bíblia-com-lols"? Ia, de certeza, dar luta (a meio do Génesis, eu já teria esgotado a minha quota de "lols" e ia reivindicar mais...), o Tiago poderia declarar que eu não só tinha feito uma palestra na sua igreja como me tinha convertido à exegese bíblica e acabava tudo em bem.
Deal?
Abraço.
JLX
(2010)
01 September 2010
TEORIA & PRAXIS MUSICAIS PORTUGUESAS (IV)
Mendes Bota - 1
Há tesouros ocultos na música portuguesa que apenas um espeleólogo em regime de dedicação exclusiva e armado da máxima devoção será capaz de revelar. Um dos mais preciosos é, sem qualquer dúvida, o espólio do "singer-songwriter" Mendes Bota, bravo militante do PSD allgarvio, farol laranja do lendário Pontal, escoteiro notável, ex-deputado europeu, cripto-marxista e, tão ou mais importante, autor de uma das mais assombrosas gravações que, na língua de Camões - e nas de Cervantes, Dante, Voltaire e Shakespeare -, canta, como ninguém antes o ousara fazer nem se atreveu depois, o ideal europeu. Muito apropriadamente, chamou-lhe Sem Fronteiras, data de 1992, e constitui um indiscutível desígnio da cultura nacional oferecer-lhe, ainda que com inexplicável atraso, o mais que merecido relevo. Para lhe dar início, "Eu Sou o Homem do Rock'n'Roll", um vibrante manifesto de juventude e desempoeirada modernidade estética.
(2010)
EM GRATA RETRIBUIÇÃO PELOS BONS SERVIÇOS DO GOVERNO PORTUGUÊS POR ALTURA DA GRANDE TOURNÉE "PAPA IN RIO" (OS FERIADOS E TAL), A VATICANO S.A. OFERECE O SEU DECISIVO CONTRIBUTO PARA DEMONSTRAR POR A + B QUE ESSA HISTÓRIA DA LENTIDÃO DA JUSTIÇA EM PORTUGAL TEM SIDO MUITÍSSIMO EXAGERADA E HÁ QUE RELATIVIZAR
Jacques de Molay: "Gay, moi?..."
"A Ordem dos Templários deverá definir esta semana as linhas gerais de actuação perante o Vaticano, face à 'abertura manifestada' pela Igreja, em 2007, com a divulgação do pergaminho que absolve a organização de várias acusações. (...) Fundada em 1118, a Ordem dos Templáriosfoi suspensa no início do século XIVpela Igreja, sob a acusação de que 'os seus membros cometiam todo o tipo de injúrias e insultos à Cruz', levando à fogueira o seu grande mestre, Jacques de Molay, explicou Claudino Marques. Coma divulgação, em 2007, do 'Documento de Chinon' veio a provar-se que, 'afinal, a Ordem não tinha sido extinta mas suspensa e tudo aquilo de que era acusada era mentira', disse o comendador delegado". (aqui)
Adoração de Baphomet - Leo Taxil, 1890
... por outro lado, uns Templários não-heréticos, atinadinhamente hetero, obedientes ao Sumo-Patífice e sem infatuações pagãs com o Baphomet, convenhamos que também não têm piadinha nenhuma...
(2010)
MEMÓRIAS DA AMÉRICA
The Gaslight Anthem - American Slang
Holly Golightly & The Brokeoffs - Medicine County
Encravada algures nas vísceras da Net, está uma entrevista com Brian Fallon, dos Gaslight Anthem, em que, à pergunta “Como é a sensação de se aperceberem que o Bruce Springsteen vos roubou a vossa sonoridade?”, ele, com absoluta candura, primeiro ri à gargalhada e, depois, responde “Mas fomos nós quem o roubou desavergonhadamente!...”. Tratava-se, claro de uma interrogação ironicamente armadilhada mas Fallon não só entrou no jogo sem pestanejar como, logo de seguida, se lançou num extenso elogio das imensas qualidades de Bruce como "everyday man" e vizinho de New Jersey nada difícil de encontrar nos bares e clubes da cidade, sempre à espreita de revelações locais. Estas coisas têm, evidentemente, consequências. Não foi também, por isso, uma daquelas manobras promocionais cozinhadas nos departamentos de marketing editoriais o facto de, em 2009, no concerto de Glastonbury dos Gaslight, Springsteen ter participado enquanto guest-star em "The '59 Sound", tendo repetido a visita em Hyde Park, pouco antes do seu London Calling (já publicado em DVD).
Serão, então, os Gaslight Anthem apenas mais uma das inúmeras bandas que fazem carreira à custa da clonagem de obra alheia? Considerem esta hipótese: muito mais legitimamente do que, por exemplo, os Arcade Fire – cuja dívida colateral ao mais célebre residente da E Street se limita a uma rígida simulação formal dos sinais exteriores da cinemática dimensão bigger than life da sua música –, os autores de American Slang trabalham, sim, sobre a mesma matéria que deu origem a clássicos como Darkness On The Edge Of Town, Born To Run ou The River. Por outras palavras, enquanto uns (ainda que não seja essa a sua matriz essencial) tomam de empréstimo o guarda-roupa, os cenários e os adereços de Springsteen, Fallon e cúmplices concentram-se na escrita dos episódios e na invenção das personagens que não chegaram a figurar no gigantesco painel da história americana contemporânea iniciado em Greetings From Asbury Park N.J.
Se lhes desejássemos encontrar genealogia diferente, poderíamos pensar, igualmente, nos Replacements, no ilustríssimo e ignorado Willy de Ville, no Van Morrison de “Domino” ou nos actuais Richmond Fontaine e Dropkick Murphys mas, eles próprios, quando inquiridos, tanto referem os Clash quanto Tom Petty, os Joy Division ou os Smiths. A espinha dorsal do argumento, essa, mantém-se fidelíssima à memória mítica de uma América (privada e colectiva) ancorada naquele tempo “when we were lions, lovers in combat, faded like your name on those jeans I burned”, povoada de “queens of the Bronx, blue eyes and spitfire”, “orphans before we were ever your sons of regret”, mesmo ali ao lado do "Andy Diamond’s Choir (...) who’ll sing the rhythm and the blues so sad and so slow”.
De fora para dentro – isto é, de Londres para a Georgia onde, actualmente, vive –, Holly Golightly procura outro ângulo para a reinvenção da mesma lendária narrativa (a da country, dos blues, do rockabilly, do bluegrass), em registo eruditamente noir e, pela terceira vez, na companhia do guitarrista e baterista Lawyer Dave. O pequeno milagre que ambos concretizam em Medicine County (gravado numa igreja abandonada) assenta, essencialmente, numa dupla e sábia fuga: ao diletantismo "new weird America" dos pretensos hillbillies de fim-de-semana – felizmente, em curva descendente – e ao pastiche cerimoniosamente respeitador da tradição. Aqui o modelo é o de uns Cramps algo menos psicadélicos filmados por Terrence Malick, com argumento co-escrito por David Lynch e Nick Cave e a "final cut" não poderia assentar-lhes melhor.