09 November 2022

 
(sequência daqui) Hesitaram muito quanto a abrir a encomenda que, entretanto, Laurie, já doara, com todo o resto do espólio, à New York Public Library for the Performing Arts, no Lincoln Center. Se, durante tantos anos, Lou Reed nunca desejara abri-la, teriam eles o direito de o fazer? Acabariam por ceder à curiosidade: no interior da embalagem arrumada entre vários livros de arte, numa prateleira por trás da secretária de Lou, no escritório da Sister Ray, encontrava-se uma bobina de fita magnética de 5”. Tratar-se-ia de uma espécie de talismã, uma recordação simbólica dos tempos da juventude? Mais uma vez, Laurie duvidou: sempre que houvera reedições da obra dos Velvet Underground, nunca a bobina fora mencionada ou tida em conta. Ouviram-na. O que estava perante eles era o documento que registava a primeira gravação de Lou Reed com John Cale, realizada para estabelecer aquilo que era designado como “poor man’s copyright”: aquela encomenda, datada e autenticada, provava que, naquele momento, as canções que continha existiam e pertenciam aquele autor. (segue para aqui)
Gal Costa (1945 - 2022)

"Vaca Profana" (C. Veloso) - ver aqui também

07 November 2022

COMO SE FOSSEM CANÇÕES FOLK


Nunca esteve escondida. Mas foi só após a morte de Lou Reed, em 2013, quando se tornou indispensável inventariar e organizar todo o seu espólio, que a inesperada descoberta aconteceu. Das 600 horas de gravações audio de todos os géneros (de estúdio, ao vivo, domésticas, "bootlegs", ou até de Lou e Moe Tucker a apanhar um táxi), mais 100 de video e incontáveis fotografias, cartas pessoais e memorabilia vária, divididos por um armazém de Chelsea, e pelos escitórios Sister Ray, na West Village de Nova Iorque – que a viuva, Laurie Anderson entregaria aos cuidados de Don Fleming, Jason Stern e Hal Willner –, emergiria uma encomenda postal selada dirigida a Lewis Reed, 35 Oakfield Avenue, Freeport, NY, com data de 11 de Maio, 1965. Estava autenticada por Harry Lichtiger, um farmacêutico local, condenado anos antes a uma multa de 700 dólares pela venda de barbitúricos sem receita médica. De início, Laurie não lhe atribuiu especial importância: “Ele nunca me transmitiu quaisquer indicações especiais acerca dos arquivos. Nada. Zero. Não era assunto sobre o qual falássemos. Nem lhe chamaria um arquivo porque guardar ali coisas não significa que estivesse consciente do valor que tinham. Na verdade, tinha muito pouco interesse pelo passado. Nada daquilo importava muito para ele”, diria ao “Guardian”. (daqui; segue para aqui)

MC Marselfie, yo!

(ver também aqui)

06 November 2022

VINTAGE (DCX)

Anita Lane - Dirty Pearl
 
"Blume" (álbum integral aqui)
E, para confundir tudo ainda um bocadinho mais, aqui e acolá, neo-fachos e social-fachos... por Belzebu!... ... rejuvenescem!
... e, depois, o ex-"sit-down comedian", comentadeiro da bola, crítico de fotografia, "charmoso" de Parque Mayer, e inquilino da Casa dos Bicos, deu-lhe uma coisinha muito, muito má e, como que possuído por espíritos malignos, sem beijinhos nem selfies, começou a dizer... coisas

05 November 2022

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LXXVIII)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem para ampliar)
 
"Do The Kamasutra" (álbum integral aqui)
"Making Gardens Out Of Silence"

(sequência daqui) E os lugares que Eno nos convida a experimentar tanto podem ser a perplexa interrogação quase robótica de "Garden Of Stars", o além descarnadamente sideral habitado por espectros dos 8 minutos de "Making Gardens Out Of Silence" ou o empolgado coral de "These Small Noises". O tipo de propostas que, certamente, não apontam nenhum caminho reconhecível mas que, ao apostar tudo na desorientação e perda de referências nítidas, poderão limpar o horizonte das cinzas que o atulham: “Como toda a gente, excepto, aparentemente, a maioria dos governos do mundo, tenho pensado sobre o nosso futuro precário e afunilado. Esta música desenvolveu-se a partir dessas reflexões. Ou talvez fosse melhor dizer, dessas sensações. Todos os que as partilham têm consciência que o mundo se encontra em mudança super-rápida e que enormes partes dele estão em desaparição irreversível. Estou cada vez mais convicto que a esperança de salvarmos o planeta é começar a ter sentimentos acerca dele... talvez se nos deixarmos voltar a encantar pela espantosa improbabilidade da vida., talvez se sentírmos remorsos ou mesmo vergonha por tudo aquilo que irremediavelmente perdemos. Talvez se nos sentírmos entusiasmados pelas mudanças que enfrentamos e pelo que poderia ainda ser possível. Em poucas palavras, precisamos de nos apaixonar de novo, mas, desta vez, pela Natureza, pela civilização e pelas nossas esperanças para o futuro”.
(mesmo no fim, aos 46' 31")