05 November 2010

ISTO É PARA SER COPIADO, IMPRESSO, DISTRIBUÍDO NAS ESTAÇÕES DE METRO, RUAS, À PORTA DOS CAFÉS, ENVIADO POR E-MAIL, CARTA, FAX OU POMBO-CORREIO

















"Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei: 'Este gajo não percebe nada disto'. Mas ele falava com aquela propriedade com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe. Eu, que nunca tinha ouvido o homem falar, pensei: 'Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis'. Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis".

"Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates só podia dar asneira".

"Gosto muito de Portugal – se tiver uma paixão é Portugal – e não gosto de ninguém que dê cabo dele. O Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto. Entre o mal que faz e o bem que faz, com o Sócrates, a relação é desastrada".

"Há caras de que gostamos mais e outras menos, mas não me pesa assim tanto. Além do facto de que estou convencido de que ele não é sério, também noutros campos. Conheci a vida privada do Sócrates, ele casou com uma moça de Leiria, de quem conheço a família. Sou amigo do pai dela, que foi o meu arquitecto para a casa de São Pedro de Moel. Esta pequena decoração que vê aqui [em casa] foi feita pela cunhada do Sócrates. Às vezes compro umas pinturas que a mãe delas faz. Nunca fui próximo da família, mas tenho boas relações. Não mereciam o Sócrates. Portanto, sei quem é o Sócrates num ambiente familiar. Sei que é um indivíduo que teve uma infância complicada, que é inseguro por força disso, que cobre a sua insegurança com a arrogância e com aquelas crispações. Mas um País não pode sofrer de coisas dessas".






















"Escrevi uma carta ao Guterres, que foi publicada, em que lhe disse coisas que digo do Sócrates. Era deputado quando escrevi a carta, era da comissão política do Partido Socialista. Foi na fase de Pina Moura e daqueles descalabros todos. Na comissão política, estão publicadas algumas dessas coisas, [sobre] os negócios do Jorge Coelho e do Pina Moura. Depois de ter falado disso tudo em duas ou três reuniões e não ter acontecido nada, escrevi uma carta e mandei ao Guterres. Ele distribuiu a carta. No outro dia veio nos jornais. Era uma carta duríssima. Os problemas eram os mesmos, estávamos a caminhar mal, estávamos a enganar os portugueses, a dizer que a economia estava na maior, quando não era verdade. Na altura já falava com o Medina Carreira e ele já falava comigo".

"Quando o Pina Moura foi ministro das Finanças, uma senhora das Finanças instalou-se lá na empresa. Nunca contei isto. Encontrava-a no elevador, nunca falei com ela, 'bom dia sra. Dra'. Mas os meus homens contavam-me. Andou à procura, à procura, à procura como uma doida. Esteve lá alguns dois anos. As coisas não são impunes, a gente paga-as neste mundo. Disse o que quis do Pina Moura, da maioria desses gajos; era natural que se defendessem. Os seus colegas jornalistas muitas vezes foram ao Pina Moura com o que eu disse; e ele: 'Não comento'. O Guterres também não comentava, e o Sócrates também não comenta. Aliás, quando faço uma intervenção ao pé dele fica histérico, não me pergunte porquê".















"Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos; fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo. Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate".

"A última comissão política do PS foi feita no dia em que o Sócrates anunciou estas medidas todas. Convocou a comissão política depois de sair da conferência de imprensa, para o mesmo dia, à última da hora, para ninguém ir preparado – primeira questão. Segunda questão, organizou o grupo dos seus fiéis para fazer intervenções umas a seguir às outras, a apoiar, para que não houvesse vozes discordantes. A ideia dele era que o Partido Socialista apoiasse as medidas. Fez medidas tramadas, toda a gente sabe. O mínimo era que o partido as apoiasse. Mas não falou antes. Depois o Almeida Santos fez aquilo que faz sempre: uma pessoa pode inscrever-se primeiro, mas o Almeida Santos só dá a palavra a quem acha. Os que acha que vão dizer o que não quer que digam, só vêm no fim. E no fim: 'Isto está tarde, está na hora de jantar'. Isto é uma máfia que ganhou experiência na maçonaria. O Arq. Fava é maçónico, o Sócrates entrou por essa via, e os outros todos. Até o Procurador-Geral da República. Utiliza-se depois as técnicas da maçonaria – não é a maçonaria – para controlar a sua verdade. Os sucessivos governos, este em particular, pintam uma imagem cor-de-rosa da economia portuguesa. Isto é enganar as pessoas sistematicamente.






















Depois aparecem críticos como o Medina Carreira ou eu a chamar a atenção para a realidade do País – chamam-nos miserabilistas! E quando podem exercem pressão nos lugares onde estão esses críticos e se puderem impedir a sua promoção ou acesso aos meios de informação, não hesitam. Isto era o que se passava antes do 25 de Abril, agora passa-se em liberdade, condicionando as pessoas, e usando o medo que têm de perder o emprego. José Sócrates, na última Comissão Política do PS, defendeu a necessidade das severas medidas assumidas pelo Governo, mas também disse que era muito difícil cortar na despesa do Estado porque a base de apoio do PS está na Administração Pública. Disse-o lá, e pediu para isso a compreensão dos presentes. Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de todos". (entrevista de Henrique Neto a Anabela Mota Ribeiro no "Jornal Económico")
PELO CAMINHO QUE AS COISAS LEVAM AINDA UM DIA
HAVEMOS DE VER ESTE E O RICARDO GONÇALVES A
ARRUMAR CARROS NUMA RUA SECUNDÁRIA QUALQUER
















Jardim chama “ladrão” ao Estado por não lhe permitir acumular reforma

(2010)
JUSQU'ICI TOUT VA BIEN


La Haine - real. Mathieu Kassovitz, 1995

FMI lamenta falência "quase certa" de Portugal

(2010)
ANO DO TIGRE (XXIV)


    Dita Von Tiger

(2010)

04 November 2010

PEDRO PASSOS COELHO: O PERFIL DE UM LÍDER (V)

(clicar para ampliar)

"Tinham passado seis meses desde a sua chegada [a Silva Porto, Angola] quando o rapaz prega o primeiro susto à família. Era véspera de Natal, saíra de manhã e não aparecera em casa durante todo o dia. Cai a noite - e o miúdo sem dar sinal. Os pais reviram a pequena cidade: ninguém o vira. (...) O pai, figura de destaque em Silva Porto e visita do governador, tenente-coronel Moura, procura-o como um louco. (...) Em dois tempos, militares e elementos da PIDE batem a zona, enquanto a rádio local difunde o desaparecimento e a descrição física do rapazito. Com meio mundo na sua peugada, Pedro embrenhara-se na mata para procurar musgo para o presépio (...). Quem acabou por dar o alerta foi um negro que ouviu na mata o desaparecimento do garoto. (...) Quando Pedro foi entregue em casa, a mãe estava transtornada. Incentivou o marido a dar-lhe uma valente lição: 'Uns bofetões, uns bofetões é o que ele merece!'" (Felícia Cabrita, da primeira parte da biografia de Pedro Passos Coelho, na "Tabu"/"Sol")

(2010)
RECORDAR É VIVER (XX)

Grandes belezas



(2010)

03 November 2010

NO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA, SIGAMOS OS SEUS MELHORES
EXEMPLOS ENRIQUECENDO O LÉXICO POLÍTICO E PARLAMENTAR


















Respondendo ao angustiado desabafo do inefável presidente Cavaco, aqui se apresenta uma singela proposta para o enriquecimento vocabular da classe política. As sugestões foram recolhidas nas páginas 203 e 204 de O Poder E O Povo (3ª edição, 1999), de Vasco Pulido Valente, e datam dos primeiros anos da República.

Assim, um adversário político poderá ser variadamente classificado como "sapo asqueroso e nojento", "rufia", "pavão farfalhudo", "insuficiente", "tiranete de farsa", "soba de sertão", "alma pequenina", "tlim das flores", "maluquinho de Arroios", "rei da madureza", "grande marau", "velho gaiteiro", "tubarão de comprida dentuça e grandes barbatanas", "sardanápulo", "pato mudo", "peçonhento" ou "cérebro dessorado".

Para melhor o caracterizar, alegar-se-á que "tira borriés do nariz, não lava os pés e manifesta uma decidida aversão a banheiras e sabonete", que é possuidor de uma "personalidade grotescamente estúpida", senhor de "mesquinha cupidez" e "vaidade senil", vícios decorrentes da "reles patologia nervosa do seu fraco espírito" o que o conduz a socorrer-se de "métodos tão repugnantes que até os jesuítas os desconheciam". Tudo, enfim, características de gente "irascível e selvagem", "megalómana e paranóica", "estadistas de pacotilha", "cataventos" e "tretas".

Ficam disponíveis para imediata utilização da totalidade do espectro político. A bem da Nação.

(2010)
O CAVACO... ... TWITTA???!!!...
UM DIA DESTES AINDA O APANHAMOS A FUMAR...


















"Cavaco Silva afirmou hoje através da rede social Twitter (@CavacoSilva2011) que vê 'com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates'"

(2010)

02 November 2010

PEDRO PASSOS COELHO: O PERFIL DE UM LÍDER (IV)

















"O Pedro não respira! O Pedro não respira!"

"Quando queria uma coisa tinha de a obter. E nessa luta para convencer os outros aplicava todas as armas, até a chantagem. Num Verão, com a família a banhos na Figueira da Foz, vê na praia um menino a brincar com um avião - e não encontra razão para não ter um igual. Mói a cabeça do pai. E, depois de um enorme pranto, teatraliza: "O Pedro não respira! O Pedro não respira!". O pai, para pôr termo ao transe, veste-lhe uns calções e partem ambos para a cidade - onde descobre o objecto voador a um preço valente. Regressam à praia. E, num instante, Pedro reduz o avião a sucata. O pai perde a cabeça. Prega-lhe dois tabefes - e leva-o para casa. Mas o rapazito já tinha a arte do improviso e de preparar consensos. Mal chegam a casa, numa voz doce para quebrar a fúria de António, faz o seu auto-retrato: "Ó pai, o Pedro só se porta mal na praia!". (Felícia Cabrita, da primeira parte da biografia de Pedro Passos Coelho, na "Tabu"/"Sol")

(2010)
STREET ART, GRAFFITI & ETC (LI)

Lisboa, Portugal, 2010 - Erica Il Cane e Lucy McLauchlan
(cinco meses depois - 4)













































































(2010)
O TEMPO DOS LOBOS
(sequência daqui)



Elvis Costello - National Ransom

Na capa de National Ransom (depois do anterior Secret, Profane & Sugarcane, outra vez assinada por Tony Millionaire), um prototípico “lobo mau” – fardado de casaca, cartola e polainas como os pérfidos capitalistas da iconografia agit-prop anarquista/comunista da primeira metade do século passado –, de dente arreganhado e olhar fulminante, corre sobre um fundo híbrido de dólar e libra de valor variável, carregando uma mala de onde se soltam notas em chamas. "National Ransom", a faixa de abertura, por entre a estridência eléctrica da guitarra de Marc Ribot e a vertiginosa cavalgada da secção rítmica de Pete Thomas e Dennis Crouch, abre o plano sobre o tumulto em curso “from the real old Macau to the new False Americas, in the liberated territories” onde “unusual suspects shake down various dubious characters” e as confusas silhuetas do naufrágio se apercebem de que “we’re working every day, paying off the national ransom” e reparam que “there’s a wolf at the window with ravening maw”.



Em registo despreocupado de vaudeville, "A Voice In The Dark", última paragem, antecipa o genérico final com o aforismo bem humorado “kings reign beneath umbrellas, hide pennies down in cellars and money pours down and yet not everyone gets soaking wet” enquanto “a wolf begins to howl in tune”. Em tempo de lobos predadores, Costello não dá tréguas e mesmo quando brinca fá-lo muito a sério. Como em Secret, Profane..., predomina uma benévola tonalidade "bluegrass" que, contudo, dá margem para que outros idiomas musicais se intrometam com mútuo benefício. Os sinos dobram, raparigas suspiram em português e Jimmie espera, à chuva, sob o céu que desaba numa nação indiferente. Outro grande Costello.

(2010)

01 November 2010

ERRATA: ONDE SE LIA "CHEFE MÁXIMO", DEVERÁ
PASSAR A LER-SE "DEUS" - ELE ESTÁ EM TODO O LADO

















Face Oculta: despacho final mantém 5 referências a José Sócrates

(2010)
PEDRO PASSOS COELHO: O PERFIL DE UM LÍDER (III)



"Depois disso, vi um anjo descer do céu. Tinha nas mãos a chave do Abismo e uma grande corrente" (Apocalipse 20:1)

(2010)