Até à data maligna de 24 de Fevereiro de 2022, quando as tropas do imperialismo russo marcharam sobre a Ucrânia, muito poucos suspeitariam que estavam à beira de descobrir um tesouro musical até aí praticamente oculto para o ocidente. Na verdade - e estamos ainda bem longe de esgotar o filão -, Folknery, DakhaBrakha, Torbán, Dakh Daughters, Joryj Kloc ou Daughters of Donbas foram os responsáveis por esse assombroso entreabrir de portas que, agora, prossegue com as Yagódy, fundadas em Lviv, em 2016, por Zoryana Dybovska, que canta numa fantástica harmonia a quatro vozes com Vasylyna Voloshyn, Tetiana Voitiv, Nadiia Parashchuk (voz e acordeão) e o percussionista Timur Gogitidze: "Não precisámos de partir em expedições para recolher folclore; crescemos no seio dele. Estas são as canções que as nossas avós nos cantavam. São as canções de embalar que nos adormeciam, as melodias que viviam nas nossas reuniões de família. Não estamos a reconstruir uma relíquia perdida — estamos a dar continuidade a uma tradição que nunca desapareceu verdadeiramente", declara Dybovska à "Songlines" (daqui; segue)
31 October 2026
Até à data maligna de 24 de Fevereiro de 2022, quando as tropas do imperialismo russo marcharam sobre a Ucrânia, muito poucos suspeitariam que estavam à beira de descobrir um tesouro musical até aí praticamente oculto para o ocidente. Na verdade - e estamos ainda bem longe de esgotar o filão -, Folknery, DakhaBrakha, Torbán, Dakh Daughters, Joryj Kloc ou Daughters of Donbas foram os responsáveis por esse assombroso entreabrir de portas que, agora, prossegue com as Yagódy, fundadas em Lviv, em 2016, por Zoryana Dybovska, que canta numa fantástica harmonia a quatro vozes com Vasylyna Voloshyn, Tetiana Voitiv, Nadiia Parashchuk (voz e acordeão) e o percussionista Timur Gogitidze: "Não precisámos de partir em expedições para recolher folclore; crescemos no seio dele. Estas são as canções que as nossas avós nos cantavam. São as canções de embalar que nos adormeciam, as melodias que viviam nas nossas reuniões de família. Não estamos a reconstruir uma relíquia perdida — estamos a dar continuidade a uma tradição que nunca desapareceu verdadeiramente", declara Dybovska à "Songlines" (daqui; segue)
26 April 2026
NÃO SERÁ UM ACASO
No início de 2023, aquando da publicação de Anadolu Ejderi, da turca Gaye Su Akyol, foi oportunidade para parar um pouco e reflectir sobre o imenso e maravilhoso mundo que, ao longo dos anos, fomos capazes de ir descobrindo sempre que nos demos ao trabalho de espreitar para lá dos muros do nosso quintal. Recordámos, então, a afegã Elaha Soroor, a saudita-paquistanesa Arooj Aftab e a israelo-iraniana Liraz, o - pelos piores motivos - recém-descoberto universo ucraniano (Folknery, DakhaBrakha, Torbán, Dakh Daughters, Joryj Kloc) ou o inesgotável baú das inúmeras variantes chinesas contemporâneas. Na verdade, era apenas uma actualização do que já antes, em Setembro de 2021, havia sido recenceado: preciosidades como Le Mystère des Voix Bulgares, Les Nouvelles Polyphonies Corses, Cocanha, San Salvador, Lankum, John Francis Flynn, Lisa O'Neill e Stick In The Wheel. Podemos, pois - enquanto as occitanas Cocanha não nos revelam o seu último álbum ("Flame Folclòre") e as estonteantes napolitanas La Niña não nos oferecem uma oportunidade de, ao vivo, nos fazer levitar ao som de Furèsta -, ir abrindo uma vaga para o quarteto integralmente feminino Seera, oriundo de Riade, capital da Arábia Saudita, estado islâmico no qual a condição feminina não é propriamente exemplar. (daqui: segue para aqui)



