07 July 2023

A marabunta (XXX) 

(reanimando uma série que, inexplicavelmente, com tanta matéria para a engordar, estava há 4 anos, em jejum)
 
(sequência daqui) Outra memória de Dorset que lhe ficou agarrada à pele foi o dialecto local, essa antiquíssima descendência saxónica, variante do Old English, quase totalmente dizimada no século XX em consequência da chegada do caminho de ferro mas ainda vestigial nalgumas aldeias e, em particular, no vale de Blackmore, cenário de Tess of the d'Urbervilles, de Thomas Hardy. Foi nesse universo vocal de "h" ausentes e "r" farpados que Polly Jean, durante oito anos, foi escrevendo Orlam, um poema narrativo em variante britânica do realismo mágico, sob o olhar atento do poeta e amgo escocês, Don Paterson: "Era muito claro que a Polly estava determinada a escrever no seu dialecto nativo. Encorajei-a a fazê-lo sem hesitar. Leu todos os livros de William Barnes, o grande poeta da West Country, bem como o seu dicionário do dialecto de Dorset. Devorou aquilo tudo. Acabou por escrever Orlam que é, na realidade, a primeira obra escrita no dialecto de Dorset desde há um século. No fundo, é apenas mais uma parcela de um movimento geral através do Reino Unido. Podemos observar as mais variadas formas de celebrar a nossa dupla herança. Imensa gente escreve tanto em inglês-padrão como nos seus dialectos locais". (segue para aqui)
Li e voltei a ler mas não há dúvida, é mesmo "A voz dos alunos na simbiose dos ecossistemas de aprendizagem". Obálhamedeus!!!...

05 July 2023


Cocanha - "Que son aüros"

AS CORES DAQUELE MUNDO


Corscombe é uma pequena aldeia de 445 almas do condado de Dorset, no Sudoeste de Inglaterra, sobre a costa do English Channel. Após os três primeiros curtos parágrafos que a Wikipedia lhe dedica, no quarto e último de uma única linha, lê-se: "The musician Polly Jean Harvey is a former resident". Na verdade, tornou-se apenas o polo de residência que alterna com Londres e, de modo algum, perdeu a importância de casulo no interior do qual se formaria PJ Harvey. Crescendo no meio de ovelhas, vacas, galinhas e cães na pequena quinta dos pais, contava no ano passado ao "Guardian": "Era maravilhoso – o meu irmão e eu tínhamos toda a liberdade de vaguear e brincar por lá. Vivíamos na nossa imaginação. E os nossos fantásticos pais encorajavam-nos a fazê-lo". Aproximando mais a memória, "Desde muito cedo, tivemos consciência do ciclo da vida e da morte e rapidamente aprendemos esse ritmo. Dorset é luminoso e escuro, o êxtase e a melancolia. Se estivermos no cume de Eggardon Hill, sentimos o coração abrir-se à beleza. Mas, se andarmos por um vale sem muita luz, apercebemo-nos de uma lindíssima melancolia. A natureza é crucial para a regeneração do meu espírito".(daqui; segue para aqui)

02 July 2023

"John Ashbery Takes A Walk" (feat. Charlotte Gainsbourg)

(sequência daqui) Nos últimos dez anos, porém, na companhia de Carter Logan e do engenheiro de som Shane Stoneback, aliás, o trio Sqürl, experimentaria criar música para The Dead Don't Die e Paterson. Agora que Silver Haze, o primeiro álbum, é publicado, em jeito de manifesto, proclamam: "Sqürl gosta de pintar com guitarras ruidosas e lentas e bateria. Sqürl adora shoegaze, haze-rock, drone metal e trip hop. Sqürl aborrece-se com Auto-Tune". Com Charlotte Gainsbourg, Anika, e Marc Ribot a bordo, invoca a sabedoria dos Navajos ("Quando tecem uma manta que tem um padrão repetido totalmente simétrico, rejeitam.na e dizem que não possui magia. Só se mostrar alguma assimetria, ela poderá surgir") e acrescenta: "Não somos 'mainstream' nem 'underground'. Algures no meio. Mas as coisas verdadeiramente belas crescem nas margens". Sem dúvida.
... é que não pára
não dá descanso...