14 October 2009

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XXVII)

Laurinda Alves


sobre temas afins

Este crucial dilema ("na boca ou na mão") já tinha sido aqui abordado. Mas é sempre enriquecedor vê-lo repensado assim, sem quaisquer preconceitos, por alguém como a filósofa Laurinda Alves e atentarmos nos seus decisivos contributos ("na mão é tão digno como recebê-la na boca"). É de mentes abertas como a dela que o país tanto precisa. (aqui)

(2009)
A DOCE PÁTRIA PODE ESTAR COM ESTERCO PELAS NARINAS...



... mas nada temamos!... que o nobre povo e a nação valente e imortal estão sempre prontos a pegar em armas pelas Grandes Causas!

Grande Causa I

Grande Causa II

Grande Causa III

(2009)
UMA REDE MUITO NERVOSA



The Feelies - Crazy Rhythms




The Feelies - The Good Earth

Um ano em que são editados Closer, dos Joy Division, Crocodiles, dos Echo & The Bunnymen, Waiting For A Miracle, dos Comsat Angels, e Remain In Light, dos Talking Heads – para além de diversas outras jóias da coroa pop –, já teria tudo para poder ser considerado, sem nenhum favor, de colheita musical "vintage". Mas, se nos recordarmos que foi também em 1980 que os Young Marble Giants publicaram Colossal Youth e os Feelies ofereceram Crazy Rhythms ao mundo, então, há que começar a encarar seriamente essa data como momento particularmente singular na narrativa da música popular. Sobre os Giants já foram vertidos todos os louvores justos e necessários e a sua solitária gravação merecidamente reeditada. É, pois, agora, a altura oportuna (a pretexto da edição finalmente remasterizada de Crazy Rhythms e The Good Earth) para que múltiplas vénias se desenhem perante o absolutamente inclassificável álbum de estreia dos Feelies, peça literalmente única daquele raríssimo tipo de génio em estado quimicamente puro que só dificilmente se repete e muito infrequentemente faz escola. Baptizados a partir de uma das assombrações tecnológicas de Aldous Huxley, em Brave New World, Glenn Mercer, Bill Million, Anton Fier e Keith DeNunzio, prototípicos "nerds" de New Jersey, não dissimulavam a sua devoção pelos Velvets, Wire, Television, Modern Lovers e pelos primeiros álbuns de Brian Eno.


Porém, quando, na Primavera de 1979, entraram nos Vanguard Studios de Nova Iorque, foi como se tudo isso fosse instantaneamente calcinado por uma descarga eléctrica e desse agregado estético tivesse restado apenas uma rede (muito) nervosa exposta à flor da pele: geométrica, esquinada, tensa, ritmicamente dura e metronómica (Fier, como Mo Tucker, ignorava quase totalmente os címbalos), tão ingénua quanto ferreamente controlada, com as guitarras directamente ligadas à consola de mistura, a música dos Feelies era uma alucinatória vertigem de escalas em remoínho, confrontos de cordas em overdose de cafeína e percussão ansiosamente matemática e detalhada. Tipicamente, depois disso, a Stiff Records entendeu que eles deveriam transformar-se nos “novos R.E.M.”. Resistiram bravamente durante seis anos. The Good Earth acabou produzido por Peter Buck e era uma excelente confluência dos Velvets mais pastorais, dos Feelies e... dos R.E.M. Sem dúvida, ainda hoje, um belíssimo disco. Mas não voltou a existir outro Crazy Rhythms, nem nada que, muito remotamente, se lhe assemelhasse.

(2009)

13 October 2009

A PROPÓSITO DE PRIMATAS
(e retomando Tarzan)


Toofani Tarzan (real. Homi Wadia, 1937)



Tarzan Istanbul'da (real. Orhan Atadeniz, 1952)



Tarzan yell: "Although the yell ostensibly was that of Weissmuller, different stories exist as to how the sound effect was created. According to the newspaper columnist L. M. Boyd (circa 1970), "Blended in with that voice are the growl of a dog, a trill sung by a soprano, a note played on a violin's G string and the howl of a hyena recorded backward." According to Bill Moyers, it was created by combining the recordings of three men: one baritone, one tenor, and one hog caller from Arkansas. Another widely published notion concerns the use of an Austrian yodel played backwards at abnormally fast speed" (texto completo aqui)

(2009)
O SUMO PATÍFICE, RATZINGER,
DEVE VER COM MUITO BONS OLHOS
TAMANHO APEGO AOS "VALORES DA FAMÍLIA"



(clicar para ampliar)

caçado aqui

(2009)
E, NO ENTANTO...


?

What happened to global warming?

"This headline may come as a bit of a surprise, so too might that fact that the warmest year recorded globally was not in 2008 or 2007, but in 1998. But it is true. For the last 11 years we have not observed any increase in global temperatures". (texto completo aqui)

(2009)

12 October 2009

TONALIDADES DE UM VERÃO ECTÓPICO

Lisboa, Portugal, 2009















(2009)
UMA DAQUELAS SINGULARIDADES CÓSMICAS
EM QUE TOMÁS DE AQUINO, PAUL GAUGUIN,
JANE BIRKIN, SERGE GAINSBOURG E A BARDOT
VIVEM NA MAIS PACÍFICA E FELIZ HARMONIA

(a propósito da moral e da virtude)


Paul Gauguin - A Perda da Virgindade, 1890-91

Whether virginity is a virtue?

Objection 1: It would seem that virginity is not a virtue. For "no virtue is in us by nature," as the Philosopher says (Ethic. ii, 1). Now virginity is in us by nature, since all are virgins when born. Therefore virginity is not a virtue.



Objection 2: Further, whoever has one virtue has all virtues, as stated above. Yet some have other virtues without having virginity: else, since none can go to the heavenly kingdom without virtue, no one could go there without virginity, which would involve the condemnation of marriage. Therefore virginity is not a virtue.



Objection 3: Further, every virtue is recovered by penance. But virginity is not recovered by penance: wherefore Jerome says [*Ep. xxii ad Eustoch.]: "Other things God can do, but He cannot restore the virgin after her downfall." Therefore seemingly virginity is not a virtue.



Objection 4: Further, no virtue is lost without sin. Yet virginity is lost without sin, namely by marriage. Therefore virginity is not a virtue.



Objection 5: Further, virginity is condivided with widowhood and conjugal purity. But neither of these is a virtue. Therefore virginity is not a virtue. (...) (Tomás de Aquino, Summa Theologica, citado daqui)

(2009)

11 October 2009

VIVA FELGUEIRAS!



VIVA O MARCO DE CANAVESES!



(2009)
O PAÍS DOS ZEZÉS (XV)
(última mixtape/best of multitemático
em justa celebração das virtudes do poder local)
*





















* Bottom line: nada esperamos de vós; mas, ao menos, podiam aborrecer-nos um bocadinho menos, não matraqueando sempre as mesmas patacoadas imbecis...

(2009)
O PAÍS DOS ZEZÉS (XIV)
(penúltima mixtape/best of multitemático
em justa celebração das virtudes do poder local)
*















* Bottom line: nada esperamos de vós; mas, ao menos, podiam aborrecer-nos um bocadinho menos, não matraqueando sempre as mesmas patacoadas imbecis...

(2009)

10 October 2009

O PRIMATA: O ÚNICO ANIMAL
SUFICIENTEMENTE DESAGRADÁVEL
PARA SE TORNAR UM ANIMAL MORAL




Da sub-espécie dos Zezés, o primata Mário Nogueira: "Liquidar os orgulhosos, os arrogantes, os invejosos... os iníquos; Recuperar a identidade e os valores éticos, morais, e cristãos; Moralizar o sistema político". (estudado no seu habitat natural pela etologista Ana Sofia Couto)

(2009)
A CAMPANHA PELA IMORTALIDADE DO CORPO
TOMA RAPIDAMENTE A FORMA DAS CAMPANHAS
PELA IMORTALIDADE DA ALMA

(raccord com este post)



"(...) O fanatismo contra o tabaco - o único sentimento (não merece sequer o nome de "ideia") que os políticos do Ocidente conseguiram este século, pouco a pouco, incutir na populaça - chegou a um extremo inquietante. Em Nova Iorque, por exemplo, uma das cidades mais poluídas do mundo, o inominável sr. Bloomberg (o do "canal"), candidato à presidência da câmara, incluiu no seu programa a proibição absoluta de fumar na rua. (...) A campanha pela imortalidade do corpo toma rapidamente a forma das campanhas pela imortalidade da alma. No liberal e democrático Ocidente, nenhuma dissidência é tolerada, nem (por sensata que seja) ouvida qualquer razão de ordem médica, económica ou política. Se o deixassem, o sr. Bloomberg queimava os fumadores na praça pública. Como Sócrates, que, sempre atrás de Zapatero, se propõe agora "endurecer" as leis contra o tabaco, que acha demasiado permissivas. Impotente para acabar com o desemprego, aumentar a produtividade ou reformar a justiça, Sócrates ficou, pelo menos, com uma "causa" aparentemente justa - e a consoladora faculdade de proibir. O zelo religioso contra o fumo, julga ele, compensará o óbvio fracasso do país. Punir os maus (ainda por cima para seu próprio benefício) é um método provado para exibir a virtude de quem manda. E, de caminho, esconder a realidade". (Vasco Pulido Valente - texto integral aqui)

(porque a memória é curta, espreitar aqui)

(2009)

09 October 2009

PORTUGAL: O PRESENTE E O FUTURO (II)
(continuação daqui)



"Mais tarde, Yeroen e Nikkie formaram uma aliança e acabaram por depor Luit. Nikkie tornou-se o novo líder oficial, mas o verdadeiro poder parecia estar nas mãos de Yeroen. Na verdade, a seguir à ascensão de Nikkie, Yeroen manobrava contra ele de forma tão eficaz que é duvidoso que Nikkie alguma vez tenha tido o controlo. (...) A inteligência superior de Yeroen relativamente a Nikkie e a Luit consistia na capacidade que tinha para estabelecer múltiplas alianças para múltiplos objectivos: uma aliança para controlar Nikkie, outra para controlar Luit. A aliança entre Nikkie e Luit era comparativamente rudimentar. Para se ser um primata de sucesso - e exibir a inteligência símia no seu melhor - tem de se ser capaz de conspirar não apenas contra um primata, mas contra vários. E os primatas mais bem sucedidos são aqueles que conseguem conspirar ao lado dos mesmos primatas contra quem conspiram. (...)



Quanto mais desagradável for o animal, mais perverso ele é, e quanto mais insensível à hipótese de conciliação, mais sente necessidade de um sentido de justiça. Sozinho na natureza, por sua conta, encontramos o primata: o único animal suficientemente desagradável para se tornar um animal moral". (análise cortesia do politólogo Mark Rowlands em O Filósofo E O Lobo)

(2009)