... e assim mesmo é que é: we aim to please. Mas, por quem sois!... deixem-se de cerimónias e não se fiquem pelos aperitivos. Sirvam-se à vontade que a mesa é farta e terão aqui muito mais com que se entreter.
(2010)
... E AQUI SE APRESENTA O PITEIRA, MAIS UM
CANDIDATO A MELHORAR AS SUAS HABILITAÇÕES
ACADÉMICAS ATRAVÉS DAS "NOVAS OPORTUNIDADES"
"Luís Piteira, nomeado [por Paulo Campos, secretário de Estado adjunto das Obras Públicas] em 2010 para a Payshop, não é licenciado conforme consta do currículo divulgado pelo site da Payshop. Luís Piteira, segundo o site, tem a frequência do terceiro ano de contabilidade. Dados que (...) não condizem com os elogios feitos ontem aos administradores numa nota do ministério divulgada sobre este assunto". (aqui)
Desde o primeiro instante – isto é, desde o seu álbum de estreia homónimo, de 2007 –, teriam sido necessárias uma cegueira e surdez verdadeiramente obstinadas para não reparar como o jogo para que os Vampire Weekend nos desafiavam era o da mais refinada ironia e da deliberada ambiguidade acerca do lugar que, na pirâmide social, uma banda de rock que se preza deve ocupar. Ou será que se consegue escutar uma canção intitulada "Cape Cod Kwassa Kwassa" e digerir-lhe o texto (“As a young girl, Louis Vuitton, with your mother, on the sandy lawn, as a sophomore, with reggaeton, and the linens you're sittin' on, is your bed made? is your sweater on? do you want to fuck? like you know I do, feels so unnatural, Peter Gabriel too, can you stay up to see the dawn, in the colors of Benetton?”) sem que nos apercebamos que, naquela recitação cruzada de marcas, estereótipos de classe e, sobretudo, na evocação de Peter Gabriel – representante máximo da apropriação das “músicas do mundo” pela intelligentsia bem pensante do Ocidente – enquanto símbolo de um procedimento “antinatural”, se encontrava praticamente um sarcástico manifesto integral contra-o-rock-tal-como-o-conhecemos?
E, reforçando a imagem de betos licenciados da Ivy Leaguer, universidade de Columbia, não se ficaram por aí: anunciaram que o seu código de honra proibia demasiados rockismos, guitarras distorcidas, trip-hop e pós-punk, e, quando interrogados acerca dos seus heróis novaiorquinos, Ezra Koenig não hesitou em nomear Ralph Lauren, criador do “pólo” do mesmo nome. Adicione-se ainda a isto um eufórico reportório de literatas canções acerca de minudências gramaticais, arquitectura barroca e desencontros amorosos no campus, encadernadas em remoínhos de guitarras “africanas”, ska de terceira geração e classicíssimos arranjos de cordas que trepou pelas tabelas de vendas, e teremos a receita acabada para a indignação crítica perante a usurpação da “música do povo” pela burguesia WASP do Upper West Side.
Inevitavelmente, aquando da publicação, o ano passado, do óptimo segundo álbum, Contra (1º lugar nos EUA e Reino Unido e confirmação da possibilidade de uma banda indie furar a via do mainstream sem perda de credibilidade), os quatro Vampire viram-se obrigados a explicar que, entre origens iranianas, judias leste-europeias, italianas e ucranianas, a nenhum assenta realmente bem, o carimbo WASP; que não frequentaram Columbia por privilégio de berço mas através de bolsas que fizeram por merecer; e, acima de tudo, quanto os irrita a ideia de que, “por termos escrito uma canção como ‘Mansard Roof’, somos, necessariamente, putos ricos e estragados com mimo. Como se, para ter acesso a informação acerca de estilos arquitectónicos, fosse obrigatório ser filho de investidores na banca. Cultura e educação não são sinónimos de riqueza”. E culpa não é também algo que sintam devido à alegada pilhagem da "world music": “O que nos interessa é a modernidade da música africana, não pretendemos apossar-nos de nada que soasse tribal. Eles usam guitarras eléctricas. Não se trata de nenhuma terra mítica de antes do início dos tempos”. Afinal, nada que, de Elvis Presley aos Rolling Stones, Paul Simon ou... Peter Gabriel, não tenha sido norma corrente, aceite e oficial no pop/rock. Natural ou antinaturalmente.
(Vampire Weekend, hoje, no Campo Pequeno)
(2010)
OU ACEITAS PARTICIPAR NO TEATRINHO RELES
ENCENADO PELO MANELINHO PARA O SÓCRATES OU
NEM PARA O LEITE ACHOCOLATADO RECEBES
Desempregados podem perder subsídio se recusarem programa Novas Oportunidades: "A partir da próxima semana, vão começar a ser chamados 300 mil desempregados e beneficiários do Rendimento Social de Inserção a integrar o programa Novas Oportunidades, um processo que deverá ficar concluído até ao final do ano. Quem recusar a formação arrisca perder o subsídio de desemprego, adverte o presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional".
... faz parte do esforço patriótico paramelhorar a imagemdo país - e quem o diz não é o Manelinho mas quase: é oMadelinoque, de Novas Oportunidades, sabe que se farta.E a verdade é que genuínas"novas oportunidades"não faltam...
"[Em 2005] Pedro cortara a direito e ganhara inimigos. (...) Entre barões, baronetes e marquesas do partido, é agora conhecido pelo 'Obama de Massamá', mercê de ali ter escolhido a sua morada. (...) Laura, a mulher, um fruto da miscigenação de São Tomé e Príncipe onde nasceu, com o calor da morna na voz, tenta pôr na ordem marido e filha, que se desfazem na troca de mimos. São horas de levar à rua as três caniches * que nunca o largam. Ele atira para o ar uma provocação à mulher: 'Costumo dizer que só tenho cachorrinhas em casa'". (Felícia Cabrita, da segunda parte da biografia de Pedro Passos Coelho, na "Tabu"/"Sol")
UMA CANÇÃO DE RICHARD THOMPSON ESCRITA A PENSAR EM
PORTUGAL E NOS FAMIGERADOS MERCADOS DE CAPITAIS (II)
Wall Of Death
Let me ride on the Wall Of Death one more time
Let me ride on the Wall Of Death one more time
You can waste your time on the other rides
This is the nearest to being alive
Oh let me take my chances on the Wall Of Death
You can go with the crazy people in the Crooked House
You can fly away on the Rocket or spin in the Mouse
The Tunnel Of Love might amuse you
Noah's Ark might confuse you
But let me take my chances on the Wall Of Death
On the Wall Of Death all the world is far from me
On the Wall Of Death it's the nearest to being free
Well you're going nowhere when you ride on the carousel
And maybe you're strong but what's the good of ringing a bell
The switchback will make you crazy, beware of the bearded lady
Oh let me take my chances on the Wall Of Death
Let me ride on the Wall Of Death one more time
Oh let me ride on the Wall Of Death one more time
You can waste your time on the other rides
This is the nearest to being alive
Oh let me take my chances on the Wall Of Death
Let me take my chances on the Wall Of Death
Oh let me take my chances on the Wall Of Death
(2010)
UMA CANÇÃO DE RICHARD THOMPSON ESCRITA A PENSAR EM
PORTUGAL E NOS FAMIGERADOS MERCADOS DE CAPITAIS (I)
I'm Walking On A Wire
I hand you my ball and chain
You just hand me that same old refrain
I'm walking on a wire, I'm walking on a wire
And I'm falling
I wish I could please you tonight
But my medicine just won't come right
I'm walking on a wire, I'm walking on a wire
And I'm falling
Too many steps to take
Too many spells to break
Too many nights awake
And no one else
This grindstone's wearing me
Your claws are tearing me
Don't use me endlessly
It's too long, too long to myself
Where's the justice and where's the sense?
When all the pain is on my side of the fence
I'm walking on a wire, I'm walking on a wire
And I'm falling
Too many steps to take
Too many spells to break
Too many nights awake
And no one else
This grindstone's wearing me
Your claws are tearing me
Don't use me endlessly
It's too long, it's too long to myself
It scares you when you don't know
Whichever way the wind might blow
I'm walking on a wire, I'm walking on a wire
And I'm falling
I'm walking on a wire, I'm walking on a wire
And I'm falling
I'm walking on a wire, I'm walking on a wire
And I'm falling
"Fátima Padinha, uma das fundadoras d'As Doce - a primeira girls band portuguesa - abandonara o grupo para enveredar por uma carreira a solo, e nesse dia marcara encontro no Happening com Luís Represas, dos Trovante, que a convidara para um novo projecto. A mulher, com 27 anos, dá brado por onde passa. (...) Eram duas da manhã quando entra no bar. (...)
O olhar dela procura Represas - e, quando o encontra, fica petrificada: 'Ele estava a falar com o Pedro, fiquei de olhos em bico ao ver um rapaz tão bonito e interessante. (...) Quando me disse que ele era da JSD, eu, que era muito esquerdista, disse logo Ai Jesus!' (...) O Pedro não sabia quem eu era. Devia ser a única pessoa do país que não sabia. E disse-me que eu era parecida com uma D. Lucinda, amiga da mãe, porque tinha um nariz de judia como o dela'". (Felícia Cabrita, da segunda parte da biografia de Pedro Passos Coelho, na "Tabu"/"Sol")
(2010)
08 November 2010
"ERGUER PORTUGAL ESTÁ NA NOSSA MÃO,
AMAR PORTUGAL ESTÁ NA NOSSA MÃO"...
PARECE-ME... ASSIM... ERR... COMO DIZER?...
... AUTOEROTISMO ADOLESCENTE, NÃO?...
"It was like a whole library had burned down" (Laurie Anderson, "Same Time Tomorrow")
The Searchers - real. John Ford, 1956
(2010)
07 November 2010
PUNK'S NOT DEAD
Women Of Antiquity - Anselm Kiefer, 2002
"On Wednesday night, at 7 p.m., Courtney Love was, by her assessment, 'slightly drunk'. She was sitting in the lobby of the Mercer Hotel, giving an impromptu concert with a guitarist and an entourage of friends. She wore a strapless white Marchesa gown, which appeared to be slipping off, and she knocked over a martini when I walked over and greeted her. 'I just need half an hour', she said, ignoring the mess. She directed me to wait in her room on the sixth floor, where she has resided, on and off, for much of the last year. She stayed behind, talking to André Balazs, the hotel’s owner, with whom she has been romantically linked in the past. (...)
Shortly after 8 p.m., Ms. Love burst into the room with the Marchesa dress slung on one arm and the noted German Neo-Expressionist artist Anselm Kiefer on the other. She was entirely naked and leaning on Mr. Kiefer for support. She made one lap around the room, walking in front of a photographer, an assistant, a hairstylist and me. She pulled over her head a transparent lace dress that covered up nothing, and demanded my assistance — 'Not you', she said to Mr. Kiefer, who was bent over trying to help her — to stuff her feet into a pair of black Givenchy heels that were zipped up the back and tied with delicate laces in the front. Then she applied a slash of red lipstick in the vicinity of her mouth.
'I really must get out of here', Mr. Kiefer said.
'Just a minute', Ms. Love said, as she pushed her feet, shoes and all, through a pair of pink knickers that she said cost $4,000. She grabbed a trench coat, walked through the hotel lobby with her breasts exposed to an assortment of prominent fashion figures, including Stefano Pilati, the Yves Saint Laurent designer, and then exited the hotel.
This is not at all how this story was meant to begin". (entrevista completa de Eric Wilson para o "NY Times" aqui)
06 November 2010
O GALEGO E O CATALÃO SÃO LÍNGUAS MUITO BONITAS (III)