"O homem forte na investigação da PJ no combate à criminalidade informática [o inspector chefe da Polícia Judiciária, Rogério Bravo] sublinhou, esta quinta-feira, que a maior parte da criminalidade económico-financeira praticada em Portugal recorre à informática e alertou para o facto da nova lei do cibercrime ser muitas vezes inexequível. '[A nova lei do cibercrime] rouba-nos a oportunidade de sermos eficazes, portanto não tenho fé nenhuma na aplicação concreta destas legislações atabalhoadas que vão saíndo', afirmou Rogério Bravo. (...) Lamentou ainda que 'numa altura em que se quer combater tanto o branqueamento e evasão fiscal, fica de fora mais um instrumento que nos permitiria reforçar o combate [a estes crimes]'".(aqui)
"O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) afirmou, esta sexta-feira, em declarações à TSF, concordar com o inspector-chefe da PJ responsável pelo combate à criminalidade informática, para quem a nova lei do cibercrime favorece os criminosos e não os investigadores. António Martins defendeu assim que a lei em causa deve ser alterada. (...) Exemplificou que numa operação em que estejam envolvidos cinco computadores de arguidos, 'o juiz tem um prazo de 72 horas para abrir e validar todos os e-mails trocados', sublinhando que esse período não chega para aceder a, por vezes, 15 a 20 mil mensagens de correio electrónico. (...) 'A sociedade não pode continuar a viver com leis que são feitas por quem não conhece a realidade' e, consequentemente, não sabe as implicações práticas do que escreve, disse. (aqui)
O meritíssimo juiz vai desculpar-me mas, certamente, acabou de desembarcar de um dos ONVIS que o Professor Doutor Joaquim Fernandes tanto aprecia. É que é exactamente ao contrário: as leis de que fala são feitas por quem conhece perfeitissimamente a realidade e sabe muito bem as implicações práticas do que escreve. E por isso mesmo as redige assim e não de outro modo.
Ora experimente lá somar2+2... isto não podia facilmente ter sido evitado?...
(2009)
ARQUIVO HISTÓRICO
Portrait of the Artist as a Young Dog (clicar na imagem para ampliar)
“Sempre senti uma certa irmandade com o que se passa em todas as épocas. Mas a verdade é que nunca estive (e continuo a não estar) no centro dos acontecimentos. Senti-me próximo da 'beat generation' e, apesar de não ter feito, realmente, parte dela, conheci Ginsberg, Kerouac e Corso. Antes deles, também me dava com aqueles a quem chamávamos os ‘boémios’, frequentava os seus cafés em Montreal, embora não fosse um deles. Os hippies não me interessaram especialmente, em particular, quando começaram a poluir os rios e a deixar lixo por todo o lado, quando iam para o campo adorar Deus e a Natureza. Eram péssimos campistas! Eu, que fui escuteiro, posso dizê-lo...”, disse-me Leonard Cohen, vinte e quatro anos depois de ter actuado no festival da ilha de Wight, perante uma matilha de meio milhão de hippies raivosos contra a feroz "exploração capitalista" que lhes cobrava a exorbitância de meia dúzia de libras por seis dias (de 26 a 31 de Agosto) em que escutaram, ao vivo, Kris Kristofferson, Gilberto Gil, John Sebastian, Joni Mitchell, Miles Davis, Sly & The Family Stone, Family, os Who, os Pentangle, Richie Havens e Jimi Hendrix, entre outras menoridades (porém, maioridades, à época) como Donovan, Moody Blues, Doors, Chicago, Ten Years After, Emerson, Lake & Palmer, Free, Jethro Tull e tutti quanti.
O p.o.v.o. revolucionário estava em fúria, uivava perante os portões fechados, mas, pelas quatro da matina, um Leonard Cohen acabado de acordar, severamente encardido – ao lado de Corlynn Hanney, Susan Musmanno e Donna Washburn, impecavelmente maquilhadas -, e uma banda de country-folk capaz de humilhar toda a seita "psych" contemporânea, pouco depois de ver acrescentadas labaredas amotinadamente reais ao palco a que, antes, Hendrix lançara fogo musicalmente metafórico, domesticou, facilmente, as hostes. “They gave me some money for my sad and famous songs, they said the crowd is waiting, hurry up or they’ll be gone, but I could not change my style and I guess I never will, so I sing this for the poison snakes on Devastation Hill”. "Devastation Hill" (nome oficial: "Desolation Row") era o nome do acampamento dos "radicais livres", que o documentário de Murray Lerner (DVD e CD gémeos) ilustra em toda a sua suja realidade. Levaram com Diamonds In The Mine. E com quase todo o Cohen de rasgar as veias da época – entre Songs Of Leonard Cohen e Songs Of Love And Hate. E calaram-se. Como deviam. Hoje, os mesmos, acham-no um "cantor de charme".
(clicar na imagem para ampliar a amestrada de Boston)
Alguns degraus mais abaixo, já lá tinha estado um (ver link no final de "Esta gente realmente não se enxerga"). Agora, chegou outra ao topo da cadeia alimentar. É a chamada mobilidade social ascendente. (caçadoaqui)
VÁ LÁ, SEJAM UNS QUERIDOS E OFEREÇAM-NOS UM JUNHO DE 2010 SEM BANDEIRAS NEM BUZINAS
edit (22.00): há momentos (felizmente curtos e fugazes) em que sinto um Karadžić a crescer dentro de mim... em Junho, emigro.
(2009)
A NOSSA COLEGA BLOGGER, "BELLE DE JOUR"
"Meet Belle de Jour, the anonymous blogger and former prostitute whose explicit, funny, articulate, eye-popping online Diary of a London Call Girl has fascinated millions of readers worldwide. Here she is: Belle, the famous tart, whose books became runaway bestsellers, who was played on screen by Billie Piper in the television series based on them, whose brand is instantly recognisable to anyone who uses the internet or bookshops and who has stirred up a considerable amount of controversy through her writing-as-a-whore career, not least because she has always refused to condemn prostitution as being necessarily bad or sad: our very own second-wave Happy Hooker. (...)
She’s real, all right, and I’m sitting on the bed next to her. Her name is Dr Brooke Magnanti. Her specialist areas are developmental neurotoxicology and cancer epidemiology. She has a PhD in informatics, epidemiology and forensic science and is now working at the Bristol Initiative for Research of Child Health. She is part of a team researching the effects of exposure to the pesticide chlorpyrifos on foetuses and infants". (entrevista integralaqui + aqui)