KRAFTWERK
"Ruckzuck" (1970)
"Tanzmusik" (1973)
"Die Roboter" (1978)
(2008)
23 October 2008
22 October 2008
SPLENDID ISOLATION
(continuado daqui)
Cluster & Eno - "Ho Renomo" (c/ montagem de imagens
de bailado de Anna Pavlova realizada por riverotter)
"In the late summer of 1976, Brian Eno took up an eighteen-month-old invitation and travelled to West Germany to commune with his friends Joachim 'Achim' Roedelius and Dieter 'Mobi' Moebius of Cluster. The duo, plus their Harmonia colleague, Michael Rother, their girlfriends and an extended 'family' of creative comrades, were now living in splendid isolation in a huddle of picturesque, if draughty, wood-beamed farm buildings in the hamlet of Forst, close to a wide curve of the river Weser. (...) Eno quickly fell into step with Forst's relaxed, hermetic regimen: 'It wasn't like a hippy commune but there was an agreement that if we were going to make music together, we should share our lives together - the music should come out of the way we live', Eno later recalled. 'It has to be the thing that we constantly revolve around and refer back to. It was a nice period, we worked as the mood took us and came up with tons of stuff'" (On Some Faraway Beach - The Life And Times Of Brian Eno de David Sheppard)
(2008)
(continuado daqui)
Cluster & Eno - "Ho Renomo" (c/ montagem de imagens
de bailado de Anna Pavlova realizada por riverotter)
"In the late summer of 1976, Brian Eno took up an eighteen-month-old invitation and travelled to West Germany to commune with his friends Joachim 'Achim' Roedelius and Dieter 'Mobi' Moebius of Cluster. The duo, plus their Harmonia colleague, Michael Rother, their girlfriends and an extended 'family' of creative comrades, were now living in splendid isolation in a huddle of picturesque, if draughty, wood-beamed farm buildings in the hamlet of Forst, close to a wide curve of the river Weser. (...) Eno quickly fell into step with Forst's relaxed, hermetic regimen: 'It wasn't like a hippy commune but there was an agreement that if we were going to make music together, we should share our lives together - the music should come out of the way we live', Eno later recalled. 'It has to be the thing that we constantly revolve around and refer back to. It was a nice period, we worked as the mood took us and came up with tons of stuff'" (On Some Faraway Beach - The Life And Times Of Brian Eno de David Sheppard)
(2008)
21 October 2008
20 October 2008
SENTIR UM ARREPIO

"Este mundo focado no curto prazo e numa ideia muito particular de sucesso e felicidade tem coisas perversas. A aversão pela reflexão, pela ponderação, pelo raciocínio estratégico baseado em objectivos de longo prazo tem, como não podia deixar de ser, consequências muito complicadas. As pessoas só se apercebem disso quando acontece um desastre e afinal se conclui que a auto-regulação não funciona e que é necessária uma regulação responsável (...)
Agora existe a aprendizagem do século XXI, invariavelmente reduzida a tecnologia (e portanto incapaz de se adaptar à mudança da nossa forma de viver), (com "slogan" e tudo: “21st Century Learning Matters”), que diz, sem nenhum problema, de consciência ou outro, que a aprendizagem baseada nos três R (Reading, wRiting and aRithmetic), que colocava o foco inicial no domínio dessas competências (que não são skills, segundo esses educadores do novo milénio: isso das skills é mais high-tech, mais 21st century) está ultrapassada (destinava-se a um mundo repetitivo, onde as pessoas não tinham ambições, acomodavam-se, etc., a boring world), com argumentos high-tech e cheios de palavras bonitas e imagens muito atractivas como: skills, Internet, global, community, designing, creating new products, information, data analysis, aggregation, problem solving, information synthesis, in 2007 we produced more words than in the entire human history…, tudo com muitos blip-blip, data-flows e jobs of the future that we are unable to imagine yet, bem misturado e apresentado.
Claro que depois os alunos avançam e não são capazes de uma conta simples sem o auxílio de uma máquina de calcular, pensam que tudo é possível pois não conhecem as regras básicas do cálculo e da aritmética, não sabem ler (muito menos interpretar um texto), não sabem escrever uma simples frase sem vários erros de ortografia e, mais importante do que isso, sem uma sequência lógica (é preciso ler e reler várias vezes o mesmo texto, e recorrer a muita imaginação, para perceber o que eles querem dizer). Alunos cada vez mais excluídos, sem o saberem, neste mundo global onde o foco está cada vez mais no conhecimento. (...)
Vejam, por exemplo, o que os nossos líderes, nacionais e internacionais, diziam há poucos meses do actual sistema financeiro e do mercado. Como falavam da regulação. Ouvi um deles, há uns meses numa conferência, grande "economista dos comentários online", dizer que havia um “excesso de regulação, que isso impedia o dinamismo das empresas porque tinham de explicar tudo à CMVM, mesmo a mais pequena decisão. E isso retira agilidade às empresas…”. Ouvi-o há dias de novo, sem o mínimo de vergonha mas com a mesma arrogância, a dizer exactamente o contrário, que “isto (a crise financeira) demonstrou que os mecanismos de regulação não funcionaram e eram demasiado incipientes”.
Senti um arrepio. Imaginei os nossos "líderes" a dizerem-nos, dentro de anos, que infelizmente o caminho seguido foi um erro (mais uma experiência falhada) e que afinal saber a tabuada, saber ler, gostar de ler (o que se incentiva, colocando o foco na reflexão), utilizar métodos tradicionais de aprender aritmética, aprender e experimentar conceitos elementares de ciência e tecnologia, aprender música, incentivar o gosto por várias manifestações de arte, o gosto pela pesquisa e pelo pensamento original e criativo, incentivar o empreendedorismo e o risco, etc, é fundamental para as gerações do século XXI, é fundamental para aquilo que elas vão fazer, na sua vida do dia-a-dia. No fundo é isso que temos de lhes mostrar, para que não se sintam perdidos e encarem o futuro com optimismo e confiança.(...)" (o post integral de Norberto Pires, director da revista "Robótica", no De Rerum Natura)
(2008)

"Este mundo focado no curto prazo e numa ideia muito particular de sucesso e felicidade tem coisas perversas. A aversão pela reflexão, pela ponderação, pelo raciocínio estratégico baseado em objectivos de longo prazo tem, como não podia deixar de ser, consequências muito complicadas. As pessoas só se apercebem disso quando acontece um desastre e afinal se conclui que a auto-regulação não funciona e que é necessária uma regulação responsável (...)
Agora existe a aprendizagem do século XXI, invariavelmente reduzida a tecnologia (e portanto incapaz de se adaptar à mudança da nossa forma de viver), (com "slogan" e tudo: “21st Century Learning Matters”), que diz, sem nenhum problema, de consciência ou outro, que a aprendizagem baseada nos três R (Reading, wRiting and aRithmetic), que colocava o foco inicial no domínio dessas competências (que não são skills, segundo esses educadores do novo milénio: isso das skills é mais high-tech, mais 21st century) está ultrapassada (destinava-se a um mundo repetitivo, onde as pessoas não tinham ambições, acomodavam-se, etc., a boring world), com argumentos high-tech e cheios de palavras bonitas e imagens muito atractivas como: skills, Internet, global, community, designing, creating new products, information, data analysis, aggregation, problem solving, information synthesis, in 2007 we produced more words than in the entire human history…, tudo com muitos blip-blip, data-flows e jobs of the future that we are unable to imagine yet, bem misturado e apresentado.
Claro que depois os alunos avançam e não são capazes de uma conta simples sem o auxílio de uma máquina de calcular, pensam que tudo é possível pois não conhecem as regras básicas do cálculo e da aritmética, não sabem ler (muito menos interpretar um texto), não sabem escrever uma simples frase sem vários erros de ortografia e, mais importante do que isso, sem uma sequência lógica (é preciso ler e reler várias vezes o mesmo texto, e recorrer a muita imaginação, para perceber o que eles querem dizer). Alunos cada vez mais excluídos, sem o saberem, neste mundo global onde o foco está cada vez mais no conhecimento. (...)
Vejam, por exemplo, o que os nossos líderes, nacionais e internacionais, diziam há poucos meses do actual sistema financeiro e do mercado. Como falavam da regulação. Ouvi um deles, há uns meses numa conferência, grande "economista dos comentários online", dizer que havia um “excesso de regulação, que isso impedia o dinamismo das empresas porque tinham de explicar tudo à CMVM, mesmo a mais pequena decisão. E isso retira agilidade às empresas…”. Ouvi-o há dias de novo, sem o mínimo de vergonha mas com a mesma arrogância, a dizer exactamente o contrário, que “isto (a crise financeira) demonstrou que os mecanismos de regulação não funcionaram e eram demasiado incipientes”.
Senti um arrepio. Imaginei os nossos "líderes" a dizerem-nos, dentro de anos, que infelizmente o caminho seguido foi um erro (mais uma experiência falhada) e que afinal saber a tabuada, saber ler, gostar de ler (o que se incentiva, colocando o foco na reflexão), utilizar métodos tradicionais de aprender aritmética, aprender e experimentar conceitos elementares de ciência e tecnologia, aprender música, incentivar o gosto por várias manifestações de arte, o gosto pela pesquisa e pelo pensamento original e criativo, incentivar o empreendedorismo e o risco, etc, é fundamental para as gerações do século XXI, é fundamental para aquilo que elas vão fazer, na sua vida do dia-a-dia. No fundo é isso que temos de lhes mostrar, para que não se sintam perdidos e encarem o futuro com optimismo e confiança.(...)" (o post integral de Norberto Pires, director da revista "Robótica", no De Rerum Natura)
(2008)
19 October 2008
TEATRO RETRO

She & Him - Volume One
Começou muito bem: em 2006, durante a rodagem de The Go-Getter, o realizador Martin Hynes sugeriu a Matt Ward (que se ocupava da banda sonora) a ideia de, para o genérico final, ele e a actriz principal, Zooey Deschanel, gravarem uma versão de “When I Get To The Border”, de Richard & Linda Thompson. O proverbial “marriage made in heaven” musical – com os melhores padrinhos – estava encontrado. Volume One é apenas a sequência natural (e quase inevitável) desse episódio inicial onde a luminária “alt./country/folk” Ward actua como catalisador e eminência parda da beldade “indie” e lhe oferece o cenário ideal para que o seu talento de actriz floresça.
Sim, porque, neste requintado exercício de retro-pop/country, Deschanel vai desempenhando sucessivamente os papéis de Tammy Wynette, Linda Ronstadt, Carole King, das Ronettes ou de Karen Carpenter, num desfile de modelos que cobrem todo o espectro que vai de Phil Spector à Motown e de Tin Pan Alley a Nashville. Acrescente-se que o argumento é também dela: dez das doze canções são suas (uma a meias com o actor Jason Schwartzman) e as duas restantes dos Beatles e de Smokey Robinson.
(2008)

She & Him - Volume One
Começou muito bem: em 2006, durante a rodagem de The Go-Getter, o realizador Martin Hynes sugeriu a Matt Ward (que se ocupava da banda sonora) a ideia de, para o genérico final, ele e a actriz principal, Zooey Deschanel, gravarem uma versão de “When I Get To The Border”, de Richard & Linda Thompson. O proverbial “marriage made in heaven” musical – com os melhores padrinhos – estava encontrado. Volume One é apenas a sequência natural (e quase inevitável) desse episódio inicial onde a luminária “alt./country/folk” Ward actua como catalisador e eminência parda da beldade “indie” e lhe oferece o cenário ideal para que o seu talento de actriz floresça.
Sim, porque, neste requintado exercício de retro-pop/country, Deschanel vai desempenhando sucessivamente os papéis de Tammy Wynette, Linda Ronstadt, Carole King, das Ronettes ou de Karen Carpenter, num desfile de modelos que cobrem todo o espectro que vai de Phil Spector à Motown e de Tin Pan Alley a Nashville. Acrescente-se que o argumento é também dela: dez das doze canções são suas (uma a meias com o actor Jason Schwartzman) e as duas restantes dos Beatles e de Smokey Robinson.
(2008)
DE VIAGEM
Lonely Drifter Karen - Grass Is Singing
Se, num maravilhoso universo paralelo, tivesse passado pela cabeça de François Truffaut convidar Tom Waits para, a meias com Björk, compor a banda sonora de um filme musical seu – avisando-os, porém, que as partes vocais deveriam ser interpretadas, à vez, por Jolie Holland, Lhasa de Sela e Doris Day (sim, sim) –, o resultado final, muito provavelmente, não andaria assim tão longe de Grass Is Singing.
Neste menos maravilhoso universo, há que contar a história da austríaca Tanja Frinta que, de viagem entre Viena e Barcelona, via Gotemburgo, se cruzou com o teclista maiorquino Marc Sobrevias e com o percussionista italiano Giorgio Menossi, constituindo um trio baptizado com o nome de uma personagem de Os Idiotas, de Lars Von Trier. Como, de certo modo (mas de modos diferentes), acontecia também nos óptimos álbuns de Jesca Hoop, Hanne Hukkelberg e Phoebe Killdeer, somos instantaneamente capturados por uma suave vertigem onde “chanson”, cabaret, “nursery rhymes”, Wurlitzers, “film noir” e a Boadway coexistem no interior do espírito de uma Mary Poppins delicadamente demente e nem por um único instante nos apetece tão cedo sair de lá.
(2008)
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18 October 2008
SORRIR, NÃO SORRIR


Logo na primeira resposta, Aimee Mann trata de esclarecer o significado de @#%&*! Smilers, título do seu último álbum. Mas, numa entrevista dedicada a defender o ponto de vista da desnecessidade do sorriso permanentemente afivelado no rosto, houve bastante mais risos e sorrisos do que a média oficialmente estabelecida e nem mesmo quando a bem séria questão da difícil sobrevivência dos músicos no admirável mundo novo da Internet foi abordada, ela se deixou escorregar para a lamúria.
Começando por decifrar o título do álbum, como deverá ele ser lido?
Fucking Smilers! Tem a ver com aquela figurinha de “cartoon” que insulta as pessoas que insistem em tentar fazê-la sorrir. O que é uma situação verdadeiramente irritante quando a última coisa que nos apetece é sorrir. Não se refere a nenhum tema específico do álbum, é apenas uma ideia para a capa que eu já tinha há bastante tempo. Nasceu da pergunta que me fazem imensas vezes acerca de qual o motivo por que eu não escrevo canções felizes... o que acaba por ser o mesmo que “porque não sorris?”... Se as tais “canções felizes” me interessassem tanto como as outras, provavelmente fá-lo-ia.
Mas qual a razão porque não as acha interessantes?
Não posso avaliar as reacções dos outros mas não diria que as minhas canções são deprimentes. Parece-me que a vida é tão complexa e tão cheia de conflitos que penso ser mais positivo e honesto encarar os problemas de frente do que fingir que eles não existem.
Por outro lado, existe aquela ideia segundo a qual, se estivermos realmente muito em baixo, não há nada melhor para nos animar do que ouvir uma canção deprimente...
(risos) Sim, sim... é verdade. Escutar algo com o qual nos consigamos relacionar pode ser uma ajuda. Se estivermos num certo estado de espírito, apercebermo-nos de que outros também já se sentiram da mesma forma e atravessaram circunstâncias idênticas pode funcionar como apoio.
Essa pressão para o sorriso permanente recorda-me quando estive em Salt Lake City e, junto ao templo mormon, era ininterruptamente assediado por “elders” e “sisters” que não desistiam um minuto de me interrogar se era feliz, se o mundo era belo, se estava bem com a vida... uma coisa, essa sim, verdadeiramente deprimente!...
Siiiim!... Como eu o entendo... (risos)
O seu álbum anterior – The Forgotten Arm – era uma peça conceptual; regressa, agora, com uma colecção de canções sem nenhuma particular relação entre si. A experiência conceptual não é para repetir?
Não senti necessidade de voltar a recorrer a essa estrutura conceptual. Escrevi apenas estas canções como “short stories” sem a obrigação de existir um tema transversal a todo o disco. Claro que existe sempre uma série de tópicos acerca dos quais eu gosto de escrever, uma ou outra canção podem estabelecer pontes entre si, mas tive como referência um outro disco meu, I’m With Stupid, onde cada canção tinha um ponto de vista completamente diferente, até no que dizia respeito à produção... Como acontece que esse é o meu disco preferido, decidi tomá-lo como ponto de partida para este.
Porque prefere I’m With Stupid?
Por esse aspecto de conter canções inteiramente diferentes umas das outras. Ou, então porque, agora, estou num estado de espírito que me leva a preferi-lo. Tal como, quando gravei The Forgotten Arm, que se organizava à volta do tema de duas personagens em fuga, foi uma questão de me sentir bem a trabalhar no interior desse modelo e de me aperceber que as diversas canções que ia escrevendo tinham uma certa unidade conceptual.
Não lhe apetece, por vezes, que, tal como aconteceu com Magnolia e Paul Thomas Anderson, as suas canções voltassem a inspirar o argumento de um filme? Pergunto-lhe isto porque, quando escutei The Forgotten Arm, fiquei com a sensação de que poderia estar a invocar tais espíritos...
É curioso porque, por acaso, esse disco era fortemente influenciado pelo primeiro filme do Paul Thomas Anderson, Hard Eight, com a Gwyneth Paltrow e o John T. Riley... não me saía da cabeça a cena em que eles estão em Reno e são obrigados a fugir num velho Cadillac. Mas claro que adoraria que o que aconteceu com Magnolia se repetisse.
Por esta altura, parece-me evidente que já existe uma entidade a que podemos chamar “uma canção de Aimee Mann”. Esquecendo, agora, os textos, diria que a sua escrita das melodias consegue atingir aquele difícil equilíbrio entre não serem terrivelmente complexas nem desgraçadamente óbvias. Trabalha muito esse aspecto?
As melodias são aquilo que mais naturalmente me chega: instintivamente, agradam-me ou não e sugerem-me a progressão harmónica que, essa, exige mais trabalho. Mas é, principalmente, sobre as palavras que tenho de me aplicar mais – entender exactamente o que pretendo dizer, como, sob que ângulo –, embora também aconteça recebê-las de um jacto único.
Qual o motivo para, neste álbum, ter abdicado quase totalmente das guitarras em favor dos teclados?
Gravámos quase integralmente ao vivo, em estúdio, e o teclista criou diversas partes com uma sonoridade tão boa que, quando ouvimos o resultado, olhámos uns para os outros e dissemos “Não parece que as guitarras eléctricas façam muita falta!”. Claro que, inicialmente, essa hipótese não tinha sido excluída, porque... é suposto que apareçam guitarras... (risos) Mas, a dois terços do final da gravação, tinha-se tornado bastante evidente que não as iríamos utilizar mesmo.
A Aimee Mann foi pioneira na forma como cortou com as editoras discográficas, criando a sua própria etiqueta e ocupando-se da distribuição. Como vê, hoje, o estado da indústria discográfica que, tal como a conhecíamos, com a partilha gratuita de ficheiros na Net, caminha para uma morte certa?
Está tudo a esboroar-se aos poucos, é verdade. Ninguém é capaz de adivinhar como isto irá acabar. Neste momento, não consigo sequer pensar sobre o assunto porque não estou a ver o que possa fazer acerca disso. É impossível obrigar as pessoas a pagar uma coisa pela qual imaginam não dever pagar nada e não me apetece fazer sermões. Se gosto da música de alguém, vou comprar o disco, mas isso sou eu. Só nos resta esperar para ver, se, algures neste processo, sobreviverá alguma forma de podermos continuar a viver da música.
(versão integral da entrevista publicada no "Actual"/"Expresso" de 18.10.08)
(2008)
16 October 2008
ENSINAR? MOI?...
(adenda a este post)

"P. Quando diz que o verbo Ensinar foi banido, está a referir-se ao facto de ele ter sido banido do discurso oficial?
R. Sim, e essencialmente dos programas. Segundo esse discurso, um professor não ensina, deve apenas 'respeitar o discurso que os alunos trazem de casa', estar atento aos seus interesses, deixando-se estimular por eles. Esta nova estratégia pedagógica foi apresentada, como incontornável, numa acção promovida pelo Ministério da Educação (ME), em que estive presente, enquanto formadora, e que incidia sobre os objectivos da nova disciplina de Português, mascarada sob o nome de 'Língua Portuguesa', para de forma aparentemente natural dissociar Literatura e Língua, como se isso fosse possível.
P. Como interpreta isso?
R. Pura e simplesmente como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas, uma ofensa à nobreza da pedagogia, viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e a ignorância e afastando-os do convívio, consequente, com os textos literários, (no caso do Português), cuja leitura agora se denomina 'recreativa'; por outro, querem fazer ver aos professores que a situação se inverteu e agora são os alunos que 'ensinam' e definem as regras do jogo." (ainda da entrevista à profª Maria do Carmo Vieira repescada daqui pela senhora da pastelaria)
(2008)
(adenda a este post)

"P. Quando diz que o verbo Ensinar foi banido, está a referir-se ao facto de ele ter sido banido do discurso oficial?
R. Sim, e essencialmente dos programas. Segundo esse discurso, um professor não ensina, deve apenas 'respeitar o discurso que os alunos trazem de casa', estar atento aos seus interesses, deixando-se estimular por eles. Esta nova estratégia pedagógica foi apresentada, como incontornável, numa acção promovida pelo Ministério da Educação (ME), em que estive presente, enquanto formadora, e que incidia sobre os objectivos da nova disciplina de Português, mascarada sob o nome de 'Língua Portuguesa', para de forma aparentemente natural dissociar Literatura e Língua, como se isso fosse possível.
P. Como interpreta isso?
R. Pura e simplesmente como estratégia para obter um êxito rápido e cumprir metas estatísticas. Com efeito, as novas teorias pedagógicas, uma ofensa à nobreza da pedagogia, viciam os alunos no facilitismo, cultivando a preguiça e a ignorância e afastando-os do convívio, consequente, com os textos literários, (no caso do Português), cuja leitura agora se denomina 'recreativa'; por outro, querem fazer ver aos professores que a situação se inverteu e agora são os alunos que 'ensinam' e definem as regras do jogo." (ainda da entrevista à profª Maria do Carmo Vieira repescada daqui pela senhora da pastelaria)
(2008)
15 October 2008
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