02 June 2021
14 January 2021
E porque aqui foi referido, coloque-se a incontornável interrogação:
Como não votar em Eduardo Baptista?
Como ser insensível a alguém que confessa "Durante a adolescência não tive dúvidas sobre o que queria para mim - uma carreira nas Forças Armadas. Não durou muito. Aos 28 comecei a gostar de estudar". Mais vale tarde que nunca.
Porém... não: "Tentei as belas artes... e consegui. Mas era inconciliável com uma profissão durante o dia".
Qual polímato renascentista, tudo o atraía: "Comecei então a interessar-me pelas ciências sociais. Depois de ter frequentado o primeiro ano de psicologia, acabei por ter de abandonar o curso. Vida de militar não é fácil".
Logo a seguir, "um curso de seleção e experiência nas áreas do recrutamento e seleção de pessoal", "uma missão em Timor Leste" ("dando-me a conhecer outras culturas e povos"), e "o interesse pelo direito". E, "como tudo está interligado, haja vontade de ligar as pontas, pude juntar direito com psicologia e abraçar o desafio de criar uma Rede sobre o Género".
Uma epifania, então, o sacudiu: "Havia muito mais para além da instituição militar"! Guiado por uma força invisível, "arranjei assim um lugar na Associação de Moradores da Tapada das Mercês, perto de Sintra".
E, como, imparavelmente, o mundo pula e avança, "Com a chegada da austeridade e os problemas decorrentes desta, como ter ficado sem 1/3 do ordenado, surge uma oportunidade na esfera da iniciativa privada - produzir e vender cogumelos". Abrindo novos horizontes à agricultura, inventou "um processo de produção que reduzia quase a zero a energia consumida no processo", numa "pequena experiência de empreendedorismo". Sem dúvida, "uma experiência enriquecedora pelo contacto com formadores, empresários e vendedores". Mas a deusa Fortuna não o bafejou: "Não é fácil ser-se empresário, concluiu-se".
Ao mesmo tempo, a literatura chamava-o: "Também escrevi um livro". Morte Aos Romanos era "um romance de ficção que junta aventura com engenharia social. Foi uma resposta à enorme angustia que Portugal vivia na altura. Sem dinheiro e a ter que ficar em casa fechado, porque não escrever um livro. Talvez ainda providenciasse algum orçamento...mas não!! Quem quer saber de livros?"
Mas nunca desistiu: "O ritmo da vida não nos deixa parar, pois à sempre mais um desafio na linha do horizonte, mais uma janela de oportunidades por onde se espreitar". Depois de "quase três anos e meio num cargo internacional, num Quartel-general da NATO, na Holanda"... tcharaam!... "Chega-se a Portugal de armas e bagagens, mesmo em cima deste acontecimento - a campanha eleitoral para Presidente da República". (continua);
31 July 2018
A propósito desta eructação na caixa de comentários:
Nada devia ter acontecido assim, tudo seria convenientemente planeado. Através da prima de um amigo que é cunhado da mãe de um conhecido que, nas autárquicas de 2005, votou no Bloco - por acaso, as mesmas autárquicas em que votei na Maria José Nogueira Pinto para a CML -, consegui marcar um encontro com o Robles num café da Av. de Roma. Com betos, de esquerda ou de direita, tem de ser na Av. de Roma. E expliquei-lhe que, indo eu, indo eu, a caminho de Viseu (na verdade, não ia a caminho de Viseu - a direcção era a oposta - e, de modo multiculturalmente correcto, articulei "hindu eu, hindu eu"), se a notícia do episódio de "empreendedorismo imobiliário" saísse (porque "I know people who know people") depois de eu cortar amarras com a blogocoisa durante algumas semanas, iria ter de aturar gambuzinos a dizer "Livraste-te de boa... O episódio Robles no ar e tu de férias...". Missão impossível. O moço olhou-me com aqueles olhos azuis que despertam a costela gay que há em mim e contou que a familia, o filho pequenino (confirmei através de pessoa próxima que é um amor de menino), valores muito além da baixa realidade terrena & coiso o tinham levado a fazer o que fizera e, quanto mais tarde a notícia aparecesse, melhor. O coração tem razões que a ideologia desconhece e quem nunca tiver errado que atire a primeira pedra. Vacilei. E, tratando-se de edifício mesmo em frente ao Museu do do Fado, compreendi que só poderia ter a ver com os insondáveis desígnios do destino. Ou com o pecado original sobre o qual o Stephen Greenblatt (que estava a acabar de ler) discorre. Ninguém - diz o gudebuque - é inocente. Mais pulha ou só um bocadinho pulha, todos fazemos merda. Excepto o PCP e o Fazenda, do Bloco. O Robles tinha feito merda e da grossa. Mas deveria eu optar por continuar "gambuzino free" perante um tão comovente caso humano? Paguei-lhe a bica e retomei o percurso "hindu eu, hindu eu".
06 February 2017
14 March 2015
03 February 2014
19 January 2014
09 January 2014
13 November 2013
15 October 2013
02 July 2013
...
03 April 2013
27 May 2012
24 May 2012
02 May 2012
28 May 2009

O Direito à Preguiça
* não fui educado a utilizar esta linguagem; peço perdão.
(2009)
20 October 2008

"Este mundo focado no curto prazo e numa ideia muito particular de sucesso e felicidade tem coisas perversas. A aversão pela reflexão, pela ponderação, pelo raciocínio estratégico baseado em objectivos de longo prazo tem, como não podia deixar de ser, consequências muito complicadas. As pessoas só se apercebem disso quando acontece um desastre e afinal se conclui que a auto-regulação não funciona e que é necessária uma regulação responsável (...)
Agora existe a aprendizagem do século XXI, invariavelmente reduzida a tecnologia (e portanto incapaz de se adaptar à mudança da nossa forma de viver), (com "slogan" e tudo: “21st Century Learning Matters”), que diz, sem nenhum problema, de consciência ou outro, que a aprendizagem baseada nos três R (Reading, wRiting and aRithmetic), que colocava o foco inicial no domínio dessas competências (que não são skills, segundo esses educadores do novo milénio: isso das skills é mais high-tech, mais 21st century) está ultrapassada (destinava-se a um mundo repetitivo, onde as pessoas não tinham ambições, acomodavam-se, etc., a boring world), com argumentos high-tech e cheios de palavras bonitas e imagens muito atractivas como: skills, Internet, global, community, designing, creating new products, information, data analysis, aggregation, problem solving, information synthesis, in 2007 we produced more words than in the entire human history…, tudo com muitos blip-blip, data-flows e jobs of the future that we are unable to imagine yet, bem misturado e apresentado.
Claro que depois os alunos avançam e não são capazes de uma conta simples sem o auxílio de uma máquina de calcular, pensam que tudo é possível pois não conhecem as regras básicas do cálculo e da aritmética, não sabem ler (muito menos interpretar um texto), não sabem escrever uma simples frase sem vários erros de ortografia e, mais importante do que isso, sem uma sequência lógica (é preciso ler e reler várias vezes o mesmo texto, e recorrer a muita imaginação, para perceber o que eles querem dizer). Alunos cada vez mais excluídos, sem o saberem, neste mundo global onde o foco está cada vez mais no conhecimento. (...)
Vejam, por exemplo, o que os nossos líderes, nacionais e internacionais, diziam há poucos meses do actual sistema financeiro e do mercado. Como falavam da regulação. Ouvi um deles, há uns meses numa conferência, grande "economista dos comentários online", dizer que havia um “excesso de regulação, que isso impedia o dinamismo das empresas porque tinham de explicar tudo à CMVM, mesmo a mais pequena decisão. E isso retira agilidade às empresas…”. Ouvi-o há dias de novo, sem o mínimo de vergonha mas com a mesma arrogância, a dizer exactamente o contrário, que “isto (a crise financeira) demonstrou que os mecanismos de regulação não funcionaram e eram demasiado incipientes”.
Senti um arrepio. Imaginei os nossos "líderes" a dizerem-nos, dentro de anos, que infelizmente o caminho seguido foi um erro (mais uma experiência falhada) e que afinal saber a tabuada, saber ler, gostar de ler (o que se incentiva, colocando o foco na reflexão), utilizar métodos tradicionais de aprender aritmética, aprender e experimentar conceitos elementares de ciência e tecnologia, aprender música, incentivar o gosto por várias manifestações de arte, o gosto pela pesquisa e pelo pensamento original e criativo, incentivar o empreendedorismo e o risco, etc, é fundamental para as gerações do século XXI, é fundamental para aquilo que elas vão fazer, na sua vida do dia-a-dia. No fundo é isso que temos de lhes mostrar, para que não se sintam perdidos e encarem o futuro com optimismo e confiança.(...)" (o post integral de Norberto Pires, director da revista "Robótica", no De Rerum Natura)
(2008)





