(sequência daqui) A voz permanece firme, quase coloquial, mesmo quando o assunto se torna desconfortável. Ele sempre teve um talento para o eufemismo, mas aqui parece ter-se aperfeiçoado ao máximo. A conversa flui. Nada explode. Agilmente acompanhado pelo núcleo da banda que o seguiu durante a última digressão - o guitarrista Matt Kinsey, o saxofonista Dustin Laurenzi e o baterista Jim White -, Bill Callahan sabe que apenas lhe resta manter-se muito atento: "O desconhecido é o que me mantém motivado para continuar a fazer música. É tudo uma questão de me ouvir a mim mesmo e aos outros. Muitas das melhores partes de uma gravação são os erros – transformá-los em pontos fortes, usá-los como trampolins para algo humano. Já ouvi as melodias mais celestiais e tento guardá-las no subconsciente. Mas elas nunca estão lá quando acordo. Já ouvi frases incríveis que desaparecem, como tinta invisível. Antes de dormir, peço aos sonhos que me mostrem algo. Às vezes funciona. Os sonhos e a música são muito próximos, são coisas intangíveis que nos atingem com muita força. É inacreditável que sonhemos e prestemos tão pouca atenção a isso".
12 March 2026
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment