02 February 2026

CERCADOS PELA LINGUAGEM
No "Guardian", Alexis Petridis encontrou aquela que é provavelmente a melhor forma de caracterizar o papel da voz de Florence Shaw nos Dry Cleaning: "É um pouco como dizia o Stuart Moxham dos Young Marble Giants acerca da Alison Statton: 'Ela canta distraidamente como se estivesse na paragem, à espera do autocarro". Na verdade, Florence mal chega a cantar: da colagem de cut-ups e spoken word a que quase apaticamente se entrega qual Laurie Anderson dadaísta, resulta o que, ao longo dos três álbuns publicados - New Long Leg (2021), Stumpwork (2022) e, agora, Secret Love (2026) - foi encarado como poesia post-punk, sismogramas beatnick e surreal excelência idiossincrática de poetas punk londrinos. Nada, porém, de estratégias furtivas, jogos de dissimulação ou evasão. Apenas uma questão de acreditar numa ética do trabalho peculiar: "I make sure there are hidden messages in my work”. E de se manter fiel ao método que assegura que "the ordinary is worth mining for the extraordinary". (daqui; segue)
 
"Cruise Ship Designer" (legendas disponíveis)

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