03 November 2022

Uma óptima oportunidade para recordar que uma livraria que é uma livraria já é uma coisa bem rara (V), acrescentando outra à lista

"EL - A mudança passará tanto pelos movimentos sociais como pela arte ou pelo voto. Em contrapartida, não penso que se deva procurar o bem comum, mas sim as fracturas, as oposições, as tensões, que de qualquer modo existem. Porque o bem dos dominados será possível contra o que os dominantes vêem como sendo o seu bem. Não é o bem comum, é a melhoria da vida dos que sofrem, contra aqueles que têm tudo" (Diálogo Sobre Arte e Política - Ken Loach/Édouard Louis)

02 November 2022

 
(sequência daqui) E não, não se trata de jogo de cintura calculado para fugir a assumir compromissos políticos claros. Basta pesquisar um pouco no labirinto do Google e facilmente se descobrirão os seus diálogos com o nada conciliador ex-ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis (com quem fundaria o movimento DiEM25 - Democracy in Europe Movement 2025), o apoio ao boicote cultural a Israel em consequência da ocupação dos territórios palestinianos, a criação da plataforma EarthPercent (dedicada a angariar fundos oriundos da indústria musical para o combate à emergência climática) ou o video de puríssimo escárnio-Monty Python, de 2019, "Everything’s On the Up With the Tories", no qual o governo Conservador – aliás, “the government from Hell” –, a propósito da doença profunda do Serviço Nacional de Saúde britânico, é devidamente escarnecido: “They’re selling off the NHS to cowboys, they’re cutting back on nurses but investing it in hearses, the nitwits and the we-don’t-have-a-clue boys”. Porque, na verdade, o que está em causa é algo como uma obrigação de honestidade de que fala à “Uncut”: “Sinto que envolver uma mensagem pré-formatada numa obra de arte com a capacidade de produzir emoções é um pouco desonesto. De certo modo, assume que o criador já conhece as respostas. E eu, de certeza, não as conheço. É admitir que não há problema nenhum em vender as nossas respostas dramatizando-as numa embalagem emocional para soarem convincentes. Não tenho um programa que desejo que as pessoas sigam. Sugiro apenas que experimentem um outro lugar e que decidam se se sentem bem nele”. (segue para aqui)
Voltando ao assunto, mas, agora, com "California Love" e, certamente, "Flowers In Your Horn"


Edit (17:24) - ... mas o bro Moedas também poderia estar a pensar no 2Pac:
 
"California Love" (feat. Dr. Dre)
Se o coração de D. Pedro não funcionou como talismã do Fachonaro, aguardemos um pouco para verificar como os ossinhos do Potemkine-amante-de-Catarina-a-Grandessíssima possuem idênticos poderes sobrenaturais
 
Príncipe Grigory Aleksandrovich Potemkin-Tauricheski
... e, regressando ao que, deveras, importa...
 

31 October 2022

"We Let It In"
 
(sequência daqui) A segunda canção e video a serem conhecidos, "We Let It In", espécie de extático hino ao Sol (“We open to the blinding sky, and let it in, and let it in, with open hearts through burning fields, the soul of it in gorgeous flame”), alarga o horizonte do que Eno observa: em animação abstraccionista do multi-disciplinar Orfeo Tagiuri, nas tonalidades de azul-sobre-ouro da bandeira ucraniana, projectam-se as palavras que ele canta e a filha, Darla, á transparência, ecoa. Algo como um manifesto subliminar dos modos de intervir sobre a realidade sem cair na facilidade da agit-prop pronta a usar: “Não pretendo dizer a ninguém como agir ou no que deve acreditar. Em vez disso, são uma exploração dos meus próprios sentimentos. Espero apenas que vós, os ouvintes, partilhem dessas experiências e explorações. Levei muito tempo até acolher a ideia de que nós, artistas, somos, afinal, mercadores de sentimentos. Os sentimentos são subjectivos. A ciência evita-os porque são difíceis de quantificar e comparar. Mas os sentimentos são o ponto de partida do pensamento, uma reacção de todo o corpo, muitas vezes antes de o cérebro começar a carburar, e, frequentemente, com uma lente de muito maior alcance do que o cérebro poderia ser capaz”, diria o possuidor de dois dos mais venerados hemisférios cerebrais, por esse mesmo motivo também anagramaticamente conhecido como Brain One. (segue para aqui)