09 May 2018

O CDS ("O CDS-PP entende que [a legalização das medicinas não convencionais] só deve ser efectuada após prova de eficácia, através de métodos científicos, quer de actos diagnósticos, quer de actos terapêuticos, bem como a eficácia e segurança dos produtos usados, para que a livre escolha seja efectuada com a segurança e qualidade de todo um processo e assim protegida a saúde pública. Legalizar sem provas inequívocas é questionar a ciência e qualidade científica") à esquerda do obscurantismo karambista do Bloco ("Em Portugal existe um interesse crescente das populações por estas medicinas e terapêuticas, pelo que não se pode continuar a ignorar a sua existência. (...) É importante assegurar aos doentes a maior liberdade possível de escolha de método terapêutico"). Reler aqui e aqui
(Thank dog for sin - II)






"But what matters is not working out a reform of capitalist society, but launching an experiment that completely breaks with that society, an experiment that will not last, but which allows a glimpse of a possibility: something which is revealed for a moment and then vanishes. But that is enough to prove that something could exist" (Jean Paul Sartre interviews Daniel Cohn-Bendit, Le Nouvel Observateur, 20 de Maio, 1968)
Diz que é uma espécie de 
Carlos Santos Silva
(Thank dog for sin - I)





08 May 2018

LES PORTUGAIS SONT TOUJOURS GAIS (LXXIV)

Turquia 2005 (“world music” de Holiday Inn)

Conhecem Jacqueline Boyer? Séverine? Bobbysocks? Eimear Quinn? Sertab Erener? Jamala?... É muito provável que não. Mas foram todos vencedores do Festival da Eurovisão. Respectivamente, em 1960, 1971, 1985, 1996, 2003 e 2016. Na verdade, é uma amostra representativa da esmagadora maioria dos concorrentes e das 65 canções vencedoras desse concurso desde 1956, das quais, sem um pingo de exagero, pode dizer-se que não entraram para a história. Como informa a Wikipedia, “vencer o Festival da Eurovisão proporciona uma oportunidade para os vencedores rentabilizarem o sucesso e lançarem ou reforçarem uma carreira internacional. Contudo, poucos se tornaram grandes estrelas mundiais”. Em rigor, apenas dois: os ABBA, em 1974, e Céline Dion, em 1988 (France Gall, Lulu ou Sandie Shaw não contam uma vez que já tinham um percurso anterior a que a participação no concurso nada acrescentou). Justissimamente ignorado pela indústria discográfica, salvou-o da extinção por irrelevância ter sido adoptado enquanto espaço de celebração transnacional da comunidade LGBT e, simultaneamente, haver-se transformado no grande momento "camp"/"kitsch" anual, oportunidade para a exibição do mais cintilante pechisbeque, no qual imperavam os valores estéticos do "slut power" de Leste, da "exotica"-de-Club-Med ou do "hotel lounge glamour". 

Alemanha 2009 ("guest star" Miss Dita Von Teese)

Nicho ecológico ideal para a proliferação de Spice Girls bálticas, romantismos de "trottoir", punkóxungas balcânicos, "soft-porn" étnico, “world music” de Holiday Inn e corpos de baile de legionários romanos, onde, na edição de 2009, nem sequer faltou a participação de Miss Dita Von Teese, de chibatinha na mão, a acrescentar um picante "kinky" à canção alemã. A glória seria alcançada com o triunfo das transexuais israelita e austríaca Dana International (1998) e Conchita Wurst (2014) mas, desde o início da actual década, os mais autênticos valores "kitsch" que lhe vincavam a identidade foram sendo trocados, sem ganhos, pela uniformização industrial, entre a baladona xaroposa e a "playlist" de discoteca suburbana. Foi sobre os escombros deste império arruinado que, no ano passado, Portugal acrescentou mais um nome aos (quase todos) anónimos anteriores. De imediato, o presidente da república anunciou que “a vitória deu mais 20 centímetros aos portugueses” e, no Parlamento, por unanimidade, foi aprovado um voto de saudação aos heróis de uma pátria em êxtase. Como dizia Charles Lecocq, na ópera-bufa Le jour et la nuit (1881), “Qu’il fasse beau, qu’il fasse laid, au mois de Décembre ou de Mai, les Portugais sont toujours gais!”

07 May 2018

VINTAGE (CDXXII)


Li e, de início, pensei tratar-se de um daqueles exercícios de ironia à maneira de Swift; só depois - processo a informação com alguma lentidão... - me apercebi que a autora estava incluída neste quadro de deficientes visuais; por fim, tudo se esclareceu: um Serviço Nacional de Saúde que permite a existência, sem cuidados médicos, de um tão grande número de cidadãos oftalmologicamente desfavorecidos é uma vergonha intolerável!
Chrysta Bell - "Right Down to You"