Obrigado Vaticano S.A.! Assim, de repente, não conseguia imaginar forma mais agradável de começar o fim-de-semana do que uma maravilhosa história de padralhada à bulha pelo baú dos milhões - enredo clássico, como deve ser -, com tempero do Verbo Divino e saborosas redundâncias... obrigado, obrigado, obrigado, eu não mereço
"Os dois candidatos à direcção da Confederação das IPSS são padres, mas nem por isso (?) deixam passar ao lado uma dura guerra"
"Hoje, em Fátima, no Seminário do Verbo Divino, o resultado do conflito será conhecido"
"A verdade é que a Confederação é uma megaorganização. (...) Só para ter uma dimensão do dinheiro que movimenta, veja-se o protocolo, assinado no mês passado, com o actual governo: €1,3 mil milhões que o Estado transferiu para a confederação gerir"
"Arsénio Isidoro garante que nem tinha pensado candidatar-se, mas o grupo Juntos Pela Solidariedade Solidária (...) insistiu e ele acabou por aceitar" ("Expresso" de hoje)
(2012)
O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (LXXXV)
José Manuel Fernandes
A 2ª Lei da Termodinâmica e o eterno feminino
"Bem sei que esta lei [a segunda lei da termodinâmica] é uma das mais difíceis de entender da física, pois não é intuitivo que, em todos os sistemas fechados, exista uma tendência para a entropia subir. No entanto, é esta lei que explica por que razão não é possível construir uma máquina de movimento perpétuo. Se a transpusermos para a vida do dia-a-dia, ela também nos ajuda a perceber porque é que uma casa se desarruma, mesmo que não a desarrumemos deliberadamente. Assim, se a única forma de manter uma máquina a trabalhar é nunca deixar de adicionar energia, só a 'energia' de uma dona de casa mantém o lar arrumado".
... claro que não, sotôr, pode perfeitamente tocar pífaro...
(2012)
VATICANO S.A. PODERÁ DESPEDIR FUNCIONÁRIO QUE NÃO ACTUOU DE ACORDO COM O REGULAMENTO INTERNO DA EMPRESA
Padre seduzido pelo 'pecado da carne':"Sacerdote de Viana do Castelo conheceu duas cabo-verdianas através de anúncios eróticos. Ficou sem milhares de euros"
Lip service:"Verbal expression of agreement or allegiance, unsupported by real conviction or action; hypocritical respect" (expressão verbal de acordo ou lealdade, desprovida de verdadeira convicção e não traduzida em acção; respeito hipócrita)
You left the motor running
But I know you're so attractive
Getting in some sharp practice
You better not do anything reckless
But everybody is going through the motions
Everybody is going through the motions
Are you really only going through the motions?
Lip service is all you'll ever get from me
Lip service is all you'll ever get from me
Lip service is all you'll ever get from me
But if you change your mind, you can send it in a letter to me
Don't make any sudden movements
These are dangerous amusements
When did you become so choosy?
Don't act like you're above me
Just look at your shoes
But everybody is going through the motions
Everybody is going through the motions
Are you really only going through the motions?
Lip service is all you'll ever get from me
Lip service is all you'll ever get from me
Lip service is all you'll ever get from me
But if you change your mind, you can send it in a letter to me
The Unthanks - The Songs Of Robert Wyatt And Antony & The Johnsons/Diversions Vol. 1 (Live From The Union Chapel, London)
Um pouco à maneira do Paradiso, de Amsterdão, a Union Chapel de Islington, no norte de Londres, é um lugar octogonal de milagres profanos. Não apenas por acolher, regularmente, concertos e outras manifestações artísticas mas porque, muitos deles acabam por adquirir significado marcadamente especial na obra dos seus autores. Para dar um único exemplo, pode recordar-se o concerto irrepetível de Björk, com o Brodsky Quartet, de 1999 (publicado em CD em 2000), momento de realinhamento dos planetas no mapa estético da islandesa. Sobre as Unthanks, talvez não seja possível afirmar exactamente o mesmo mas não será menos pertinente reparar como Diversions Vol. 1 constitui o tipo de gesto lateral e pouco previsível na trajectória de um grupo que (embora nunca purista e ortodoxo) tendia a deixar-se arrumar na gaveta folk. O mais interessante é mesmo a indicação de se tratar do Vol.1. Porque, como anuncia Adrian McNally – teclista, percussionista e Mr. Rachel Unthank –, este é só o capítulo inicial no registo de outras actividades extracurriculares que já passaram pela colaboração com a Brighouse and Rastrick Brass Band (gente importante na vetusta tradição das bandas de mineiros britânicas) e que, a avaliar por confissões deixadas cair aqui e ali, bem poderiam chegar a conspirações com Sufjan Stevens (Illinoise: "all-time favourite album" de Rachel) ou com The Voice Squad (trio vocal masculino de Dublin, altamente colocado no panteão Unthank).
Não é necessário especular demasiado: igualmente incensados (e já anteriormente interpretados) pela banda da Northumbria, Robert Wyatt e Antony Hegarty são, agora, objecto do "make over"-Unthanks e é por aí mesmo que se deve falar de milagre. Wyatt já o reconheceu (“Fomos abençoados por anjos. Se tivesse de levar para a proverbial ilha deserta uma síntese do que, durante anos, eu e a Alfie fizemos, não seria nenhum dos nossos discos mas sim as cristalinas interpretações das Unthanks”) mas quem lhes deverá estar verdadeiramente grato é Antony: conseguir adivinhar que, sob a espessa camada de melaço sentimental e para além do trémulo balido vocal dos álbuns de Antony & The Johnsons, se ocultavam canções aproveitáveis e saber convertê-las em algo bem melhor do que isso é, sem dúvida, do domínio do sobrenatural. "Bird Gerhl", "You Are My Sister" e "For Today I Am A Boy", em particular, despidas até ao osso, envolvidas pelas luzes e sombras das vozes de Rachel e Becky, pelo impressionismo do piano de McNally e pelas cordas de Niopha Keegan e do quarteto adicional, demonstram uma vez mais que nem sempre são os autores os melhores intérpretes da sua obra.
Acerca de Robert Wyatt, não se pode, obviamente, dizer outro tanto. Cada uma das suas gravações é um baú de preciosidades raras pelo que ousar tocar-lhes e reinventá-las exige doses iguais de talento e descaramento. As Unthanks já haviam prestado provas, com louvor e mérito, em “Sea Song” (que, aqui, reaparece), mas, nas restantes oito, permitem-nos compreender integralmente os motivos da genuflexão de Wyatt: é impossível elevar o grau de violência e avassaladora elegância simultâneas com que silabam “You planted everlasting hatred in my heart” (de "Out Of The Blue’" ou suplantar a forma como transformam a perplexidade de "Free Will And Testament" (“Given free will but within certain limitations, I cannot will myself to limitless mutations, I cannot know what I would be if I were not me, I can only guess me”) em canção de embalo lunar e assombrada, para não falarmos da celebração de "Dondestan" (com "clog dancing" incluído) ou do quase milesdaviseano "Lullaby For Hamza". Venha o segundo volume.