05 September 2011

CECI N'EST PAS UN GEIR HAARDE



Islândia - ex-primeiro-ministro vai a tribunal por crise no país: "O antigo dirigente é acusado de ter, alegadamente, falhado em evitar a crise e também de insucesso em lidar com as consequências. Se o crime for provado, Geir Haarde pode ser condenado a uma pena de prisão".

(2011)
DOIS MESES DEPOIS DAS PRIMEIRAS NOTÍCIAS, HÃO-DE LÁ
ESTAR SÓ AQUELES MAILS COM ANEDOTAS MUITO ENGRAÇADAS,
FOTOS DE GAJAS NUAS E "A BOLA" NOS FAVORITOS

(mas teatrinho mediático oblige)






















(e, nos cacifos, uns posters dos heróis, claro)

Computadores e telemóveis de elementos das "secretas" confiscados em rusga interna: "Na passada quarta-feira, dois departamentos do SIS e um do SIED foram surpreendidos por acção ordenada por Júlio Pereira".

(2011)

04 September 2011

GROUND CONTROL TO MAJOR TOM, YOUR CIRCUIT'S DEAD,
THERE'S SOMETHING WRONG, CAN YOU HEAR ME MAJOR TOM?
CAN YOU HEAR ME MAJOR TOM? CAN YOU HEAR ME MAJOR TOM? CAN YOU...




Passos Coelho anuncia princípio do fim da crise em 2012

FMI: Economia mundial na "iminência" da recessão

(2011)
DON'T USE ME ENDLESSLY


Richard & Linda Thompson - "Walking On A Wire"

"Ferreira Leite arrasa a política fiscal. Marques Mendes questiona os insuportáveis sacrifícios. Pacheco Pereira critica a política do martelo. Soares avisa que Portugal está no limite. Barreto admite convulsão social. João Duque fala em pouca inteligência. O incómodo alastra no PSD e no CDS".

+ A "política do martelo"

(2011)
FALHAS, NADA MAIS QUE FALHAS, APENAS HUMANÍSSIMAS FALHAS


(cortesia de mr. apostate)

"O Vaticano negou categoricamente ter impedido as investigações realizadas na Irlanda a actos pedófilos cometidos até 2009 na diocese de Cloyne, onde reconhece ter havido 'falhas graves' da Igreja local".

(2011)

03 September 2011

A ETERNA CANTIGA DO BANDIDO



Read my lips: no new taxes

(2011)
ANTEVISÃO DO CORTE NAS GORDURAS
DO ESTADO - VERSÃO AUTÁRQUICA

(ou a territorialidade é uma coisa tramada)



Italian town Filettino declares independence

(2011)
VINTAGE (XLII)

Jonathan Richman & The Modern Lovers - "Vincent Van Gogh"



(2011)
MAS É UMA POLÍCIA SECRETA OU UM CLUBE DE PORTEIRAS?

(da primeira página do "Expresso" de hoje)

(2011)

02 September 2011

THE WAVE PICTURES - "SWEETHEART"



(2011)
MAS QUAL É O PROBLEMA DE REMOVER UMA PERSONAGEM
DE FICÇÃO COMO MARCADOR HISTÓRICO?























(cortesia de mr. apostate)

"Australian Christians are furious over changes to the national curriculum that will drop the terms BC (Before Christ) and AD (Anno Domini) from text books, replacing them with neutral, non-religious language".

(2011)
BUT WAS IT ART?


Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas

"In January of 1893, the thirty-nine-year-old Oscar Wilde was perfecting the art of 'feasting with panthers'. (...) From [Lord Alfred] Douglas he learned the decadent enchantment of taking beautiful young men (...) out for expensive dinners, then back to his rooms for sex. Money and lavish gifts for the boys followed. Blackmail often came next, with Wilde succumbing to the treats of the 'panthers' to go to the police with incriminating evidence like love letters. Already experts at this form of backhanded prostitution, these youths were then rewarded with more cash. Rather than disgust, Wilde felt an admiration for such greed: 'their poison was part of their perfection'. Corruption and criminality had become aesthetic interests. Art, he felt, required pushing past ideals of good and evil: 'Aesthetics are higher than ethics'". (Deborah Lutz, Pleasure Bound: Victorian Sex Rebels And The New Eroticism)
"It was precisely 5.47am on the morning of Friday 31 of December 1999 that a dark spirited pluralist began the dissection of 14-year-old 'Baby Grace Blue'. The arms of the victim were pin-cushioned with 16 hypodermic needles, pumping in four major preservatives, colouring agents, memory information transport fluids and some kind of green stuff. From the last and 17th, all blood and liquid was extracted. The stomach areas was carefully flapped open and the intestines removed, disentangled and re-knitted as it were, into a small net or web and hung between the pillars of the murder-location, the grand damp doorway of Oxford Town Museum of Modern Parts, New Jersey. The Limbs of Baby were then severed from the torso. Each limb was implanted with a small, highly sophisticated, binary code translator which in turn was connected to small speakers attached to far ends of each limb. The self-contained mini amplifiers were then activated, amplifying the decoded memory info-transport substances, revealing themselves as little clue haiku's, small verses detailing memories of other brutal acts, well documented by the ROMbloids. The limbs and their components were then hung upon the splayed web, slug-like prey of some unimaginable creature. The torso, by means of its bottom-most orifice, had been placed on a small support fastened to a marble base. It was shown to warring degrees of success depending upon where one stood from behind the web but in front of the Museum door itself, acting as both signifier and guardian to the act. It was definitely murder - but was it art?" (David Bowie, The Diary Of Nathan Adler Or The Art-Ritual Murder Of Baby Grace Blue/Outside)

(2011)

01 September 2011

CIDADES (XXX)

Manchester, Reino Unido, Madonna del Rosario Procession, 3 de Julho de 2011











(2011)
DA VIDA DA MÚSICA E DAS IMAGENS

















The Suburbs - Arcade Fire & Spike Jonze (CD + DVD)

As excepções à norma são inúmeras. Mas o que sugere a epígrafe de Keats que Claudia Gorbman colocou no inicio de Unheard Melodies – Narrative Film Music (“Heard melodies are sweet, but those unheard are sweeter”, de “Ode On A Grecian Urn”) e que, ao longo das cerca de duzentas páginas de uma das “bíblias” dedicadas ao estudo e investigação da música para cinema, desenvolve, é a ideia segundo a qual uma banda sonora será tanto mais eficaz quanto mais subconsciente e subliminarmente concretizar a sua missão de sublinhar, enfatizar ou contrariar o sentido daquilo que a imagem, por si só, não seria capaz de transmitir. Em meia dúzia de linhas: “a música actua como um dispositivo de sutura, auxiliando no processo de transformar a enunciação em ficção, diminuindo a consciência da natureza tecnológica do discurso fílmico. (...) Eu oiço (não muito conscientemente) esta música que as personagens não ouvem, eu existo neste banho de emoções, esta é a minha história, a minha fantasia, que se desenrola perante mim e para mim no ecrã (e das colunas de amplificação para fora)”.
























Um outro peculiar efeito colateral da coabitação entre cinema e música encontra-se no modo como sonoridades pouco ou nada "mainstream" podem ser incluídas, sem desconforto, num filme comercial (quem, fora do ecrã, estaria disposto, em 1956, a consumir a quase hora e meia das "electronic tonalities", de Louis e Bebe Barron, para Forbidden Planet?) ou no efeito de transfiguração exercido sobre espécimes musicais esteticamente desfavorecidos devido ao facto de terem coexistido com aquela narrativa visual (a filmografia integral de Tarantino). Mas, verdadeiramente interessante é assistir, em directo, à forma como todos estes pontos de vista são confirmados em Scenes From The Suburbs, o filme de cerca de meia hora que Spike Jonze realizou, inspirado no último álbum dos Arcade Fire.



Abundantemente premiado e avidamente consumido, The Suburbs não era, contudo, senão mais um exemplo daquela variedade de pop/rock messiânico e pomposo (ainda que assaz derivativo da era "prog" e dos épicos "à la" Springsteen) que a banda canadiana registou como marca própria e que apenas teve de aguardar o tempo necessário para cumprir a previsível trajectória de minoritário produto "indie" até à recepção em glória pelas massas. Já seria suficientemente interessante que, daí, pudesse ter resultado um argumento de perturbadas memórias de adolescência, encenadas em cenário distópico de sci-fi, no pesadelo climatizado de uns imaginários subúrbios de Austin, sob lei marcial (a inspiração, segundo Win Butler – co-argumentista com Jonze e o irmão, William – terá vindo tanto dos filmes de Terry Gilliam, quanto de Red Dawn, de John Milius, ainda que Virgin Suicides, de Sofia Coppola, também pudesse ser convocado a depor).



Verdadeiramente notável, porém, é a dupla transformação que, neste novo contexto, as canções dos Arcade Fire sofrem: constrangidas a um obrigatório segundo plano, cumprem plenamente o objectivo de actuarem como discreta e indispensável fonte de alimentação narrativa complementar; mas, potenciadas pelo fluxo fragmentário das sequências, ganham um sentido infinitamente mais denso e rico do que quando se encontravam exclusivamente entregues a si próprias, na superfície cega do CD. A fechar o círculo, não é menos curioso que o videoclip criado para "The Suburbs" (também de Spike Jonze, para além da obra cinematográfica – Being John Malkovich, Adaptation, Where The Wild Things Are –, com já vasto currículo na matéria, dos Sonic Youth a Björk, R.E.M ou Kanye West), ao inverter os papéis e voltar a atribuir, naturalmente, o primeiro plano à música, deixando às imagens (uma montagem/trailer do próprio filme) um desígnio meramente ilustrativo, o empobrecimento de sentido seja absolutamente notório e drástico. Tudo pesado, uma reedição de The Suburbs que vale, sem dúvida a pena.

(2011)
O FILÓSOFO ANDA A ESTUDAR GEORGE BERKELEY:
CONVENCEU-SE QUE O MUNDO NÃO POSSUI UMA
REALIDADE INDEPENDENTE DA MENTE; E, NA
MENTE DELE, CONTINUA A SER PRIMEIRO-MINISTRO



Yellow Submarine - Real. George Dunning (1968)

Ex-primeiro-ministro esteve na última sexta-feira com a chanceler alemã e uns dias antes com Zapatero.

(2011)