07 November 2026

MAIS VISÍVEL O ABSURDO

Richard Thompson recorda-se bem: "Nos anos 70, fiz uma digressão a solo pela Suécia e toquei algures no Círculo Polar Ártico onde cantava as minhas queridas canções folk-rock pelo meio da música de discoteca. A certa altura, um tipo aponta-me uma faca à garganta e diz: 'Porque não tocas nada normal?' Eu não tive medo; fiquei apenas a pensar: o que será normal? Talvez devesse ter feito uma cover do Buddy Holly... Também, ainda na escola, quando substituí uma banda local de covers de música pop, houve um verdadeiro motim na plateia, com os miúdos a atirarem cadeiras pelos ares. Tive de pegar no meu equipamento e fugir do palco", responde ele (ao "Guardian") quando lhe perguntam pela sua melhor, pior ou mais memorável recordação de palco. E, revendo os dois pontos no mapa que lhe têm servido de farol e porto de abrigo, acrescenta: "Nos últimos 40 anos, tenho tido uma casa em Londres e outra nos Estados Unidos. Vivi em Santa Monica durante muito tempo, mas lá estamos rodeados de britânicos, no mundo da música e do cinema. Não se consegue andar 10 ou 20 metros sem encontrar um pub a transmitir jogos da Premier League ou uma loja de fish and chips. Além disso, quando ligo o computador, o 'Guardian' é a minha página inicial. Podemos estar ligados a qualquer parte do mundo, mas nunca me senti ligado à cultura americana. Não vou cantar canções de surf de Jan & Dean. O meu mundo interior é Londres, a Escócia ou alguma charneca sombria na terra das irmãs Brontë". (daqui; segue)

"Cocaine Walking, Booze Talking"

No comments: