"Oral Tradition"
(sequência daqui) No seu melhor, Archives descobre tensão na própria estranheza. Os ritmos gaguejam e transformam-se sob camadas de neblina analógica. Há um prazer genuíno na forma como o trio faz o familiar parecer subtilmente errado e torna a experimentação convidativa. Os arranjos podem parecer abstractos e imprevisíveis, por vezes, mesmo tentadoramente incompletos ou esboços deliberadamente não resolvidos, mas há sempre um forte instinto para a textura, o ritmo e a melodia. Assim, Archives tanto funciona como música de fundo envolvente como na qualidade de álbum que se torna tão mais rico quando lhe é dedicada atenção total. A melhor abordagem é, enfim, escutá-lo não como uma coleção de canções pronta a proporcionar satisfação imediata, mas sim como um universo sonoro excêntrico — algures entre a memória e a maquinaria, o orgânico, o bric-à-brac e o sintético — cujas descobertas mais cativantes se encontram nas margens.
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