04 August 2026

"Born To Run"
 
(sequência daqui) Ele queria que todos os álbuns "tivessem a amplitude do cinema, mantendo-se, ao mesmo tempo, muito, muito pessoais. De certa forma, estava a usar os contornos e a forma dos filmes, ao mesmo tempo que tentava encontrar-me a mim próprio no meu trabalho. Mas a natureza cinematográfica das minhas canções nunca esteve longe dos meus pensamentos". É o perfeitíssimo caso da ópera de rua "Jungleland" (de Born To Run), com o seu protagonista em fuga, a namorada descalça e os miúdos a brandir guitarras "como navalhas". Essa canção "abriu-me um mundo de possibilidades porque se baseava inteiramente em imagens, foi a primeira vez que ouvi um solo de saxofone que me fez sentir como se estivesse a ver um filme em Technicolor". A arte, os filmes e a música "contextualizam a vida", permitindo que as pessoas se vejam reflectidas neles, proclama o credo de Springsteen. Isso explica por que razão as suas canções parecem tão cinematográficas: não são meras gravações, mas mundos plenamente concretizados onde pessoas comuns enfrentam a esperança, as dificuldades, a redenção e a promessa duradoura da estrada aberta.

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