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14 February 2019

L'OSSERVATORE ROMANO (XLII)

Aprender com os doutores da igreja (I)


"Na quaestio 80 do Supplementum, São Tomás pergunta-se se os intestinos ressuscitarão, que são certamente órgãos do corpo humano, mas que não poderiam ressurgir cheios de imundície e muito menos vazios, pois a natureza tem horror ao vácuo. E o braço de um ladrão justamente amputado, caso ele depois se penitencie e se salve, poderá ser recuperado mesmo não tendo cooperado para a salvação do arrependido? Também não poderia ser eliminado, pois essa falta puniria alguém que passou a ser beato. Tomás responde que, assim como a obra de arte não seria perfeita se lhe faltasse algo que a arte exige, também é preciso que o homem ressurja perfeito e, portanto, é necessário que todos os membros realmente existentes no corpo sejam reconstituídos na ressurreição. 

Portanto, os intestinos ressurgirão cheios, não de ignóbeis dejectos, mas de nobres humores. E, quanto ao ladrão, embora o membro amputado não tenha cooperado para que o homem conquistasse a glória merecida posteriormente, ele merece ser premiado com todas as suas partes. 

Mas ressurgirão os cabelos e as unhas? Diz-se que são produtos, como o suor, a urina e os outros excrementos, do alimento supérfluo e que certamente não ressurgirão com o corpo. Mas o Senhor disse: 'Mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça'. Os cabelos e as unhas foram dados ao homem como ornamentos. Ora, o corpo humano, especialmente o dos eleitos, deve ressurgir em toda a sua beleza. Deve, portanto, ressurgir com cabelos e unhas. 

Contudo, pelo contrário, os genitais não ressurgirão, visto que no paraíso 'nem eles se casarão, nem elas serão dadas em casamento', como não ressurgirá o esperma, que não serve à perfeição do indivíduo, como os cabelos, mas apenas à perfeição da espécie. Ou seja, no paraíso será possível fazer tranças, mas amor, não" (Umberto Eco, Aos Ombros de Gigantes)

15 February 2019

L'OSSERVATORE ROMANO (XLIII)

Aprender com os doutores da igreja (II)


"Outro problema, já levantado por Santo Agostinho (De Civitate Dei XII, 20), é o que aconteceria a um morto devorado por canibais. Para Agostinho, a carne que alimentou o canibal dissolveu-se, mas, como Deus omnipotente pode trazer de volta o que se desfez, ela será restituída ao indivíduo comido: foi tomada de empréstimo pelo canibal e deve ser devolvida àquele a quem pertencia. Seria absurdo pensar que, não obstante nenhum cabelo da cabeça possa ser desperdiçado, se poderiam perder tantos quilos de carne" (Umberto Eco, Aos Ombros de Gigantes)

01 August 2019

L'OSSERVATORE ROMANO (XLVIII)

Aprender com os doutores da igreja (III)


(clicar na imagem para ampliar)
 
Ler de "The Pelagians had argued..." a "... that they seem to be singing from that region" - Santo Agostinho lança as bases para uma teomusicologia do peido (em The Rise and Fall of Adam & Eve - Stephen Greenblatt)