19 October 2011

É OFICIAL: ESTAMOS ENTREGUES AOS BICHOS



"O deputado social-democrata Pedro Saraiva diz que é urgente adoptar como alternativa 'a visão da águia, a energia do dragão, a força do leão e a postura briosa da formiga' para responder ao que aí vem".

(2011)
NÃO ESQUECER



"Quando ouvires Cavaco Silva ou Mira Amaral dizer que não há dinheiro ou falar sobre pensões lembra-te que estás a ouvir pensionistas dourados que recebem 10.042,00€ e 18.000,00€ por mês, lembra-te que discursam pelas suas pensões e pelos seus interesses, lembra-te que na Suíça ninguém pode receber mais de 1700,00€ de pensão de reforma ou que em Espanha esse valor é de 2.290,59€, lembra-te que em Portugal só não há um tecto para o valor das pensões de reforma porque eles estão no poder há mais de 20 anos e a viver à sombra da dívida que agora nos querem obrigar a pagar". (aqui)

(2011)
AFINAL O NEGÓCIO AINDA TINHA OUTROS "FRINGE BENEFITS"


"E assim uma licenciaturazita como a tua, não?..." "Tu não me arranjes mais problemas... ficas com o 12º ano que já é porreiro, pá"

Figo faz o 12.º ano nas Novas Oportunidades

(2011)
E, POR UM DIA, O CAMARADA PRESIDENTE SILVA VOLTOU A FALAR ÀS MASSAS!


Dotado de superpoderes nas últimas semanas, o grande timoneiro vê mais longe

Cavaco Silva: corte dos subsídios é a “violação de um princípio de equidade fiscal”

(a luta continua)

(2011)
VINTAGE (XLV)

The 5.6.7.8 s - "I'm Blue"



(2011)

18 October 2011

POR CAUSA DISTO, A MORGADA, SEM QUERER, OFERECEU-ME ISTO:



Thank you very gracias.

(2011)
LOST IN TRANSLATION
(sequência daqui)


















Dead Combo - Lisboa Mulata

Tom Waits até é um rapaz apreciador de fado. Que, como uma vez, contou o seu guitarrista, Joe Gore (de passagem por Lisboa para produzir os Belle Chase Hotel), gostando, inevitavelmente, de Amália, lhe preferirá a modalidade terra-nas-unhas de Alfredo Marceneiro. E é tão fã que chegou mesmo a compor um (em improvável ternário...), inicialmente planeado para Mule Variations, mas só publicado como décima faixa de Blood Money: "The Part You Throw Away", aquela canção que ele gosta de citar como exemplo de desejável ruído no canal de comunicação, quando Terry Gilliam o ouviu cantar “In a Portuguese saloon” e supôs que o texto fosse “On the porch the geese salute”. E justificava-se: “Gosto de coisas mal compreendidas. Gosto de ouvir uma canção num rádio ao longe e não a perceber bem quando é interrompida pelo som de um avião, do vento ou de um tractor. Gosto das peças que faltam. Não gosto das coisas muito arrumadinhas. Espero que haja muito mais gente que me compreenda mal".



Tom Waits iria, de certeza, salivar com este álbum dos Dead Combo. Por várias razões: porque Tó Trips e Pedro Gonçalves também padecem desse problema de distorção da informação – escutam fados, mornas, marchinhas, e, quando tentam reproduzi-las (mesmo com Camané ou Sérgio Godinho a darem apoio), sem querer, sai-lhes outra coisa, perdem-se na tradução, e o objecto final, encardido e desleixado, parece-se admiravelmente pouco com o original; porque "Anadamastor" e "Blues da Tanga" só não foram escritas por Waits por mero acaso e "Esse Olhar Que Era Só Teu" é bem capaz de ser o fado que ele andava à procura; e porque o seu (outro) genial guitarrista, Marc Ribot, toca em quatro faixas (incinera literalmente a "Marchinha do Santo António Descambado") e, se tiver juízo e não andar excessivamente ocupado, cuidará de lhe meter Lisboa Mulata nas mãos e fazê-lo feliz durante 45 minutos.

(2011)
E ESTEJA DESCANSADO QUE HÁ POR CÁ MUITO
BOA GENTE
PRONTINHA PARA LHE DAR RAZÃO




José Eduardo dos Santos: "Não há aqui qualquer ditadura"

(2011)
O PAÍS DA ALICE É AQUI


Alice stepping through the looking-glass - John Tenniel (1820–1914)

"Não sinto que tenha de pedir desculpa aos portugueses"

A propósito da primeira página do Expresso de hoje, não posso deixar de explicar ao sr. primeiro-ministro:

Eu trabalho. Trabalho muito. Nem sempre com vontade, mas trabalho. Muito.
Eu não tenho outro remédio senão pagar os meus impostos, porque tenho o privilégio de trabalhar por conta de outrem. Sou paga com dinheiro do orçamento geral do estado. Mas não me sinto em dívida.
Eu pago as taxas e as contribuições. As que, mais uma vez, não tenho outro remédio senão pagar. Mas as outras também. A tempo. E não estrebucho.
Eu consumo. Faço mexer a economia.
Eu, sem contar com o corte no próximo subsídio de natal e sem pensar no que mais gasto quando consumo, ganho menos 150€ que no ano passado. Desde Janeiro. É só fazer as contas.
Eu gerei um nadinha menos que o 1,3 filhos da média portuguesa, portanto estou apenas ligeiramente abaixo da média.
Eu voto. Sempre. Mesmo quando dói.
Eu não votei, nem nunca votaria em si ou em pessoas que pensam a sociedade como o senhor pensa.
Eu já vai para uns 30 anos que não acredito que, se nos sentarmos sempre na cadeira em frente ao professor, apagarmos sempre o quadro e levarmos o livro dos sumários para a sala dos professores, passamos de ano de certezinha.

Portanto, não que me tivesse ocorrido a necessidade, mas, já que fala nisso, a mim sim, tem de pedir desculpa. (daqui)

(2011)

17 October 2011

E OBRIGAR O "GAMBRINUS" A SERVIR REFEIÇÕES AOS SEM-ABRIGO? E IMPLANTAR UM FALANSTÉRIO NO PARQUE DE MONSANTO? E OCUPAR O ESTÁDIO DA LUZ E TRANSFORMÁ-LO EM HORTAS COMUNITÁRIAS? E INVADIR A "PRADA" E DISTRIBUIR OS TRAPINHOS PELAS IRMÃS PROLETÁRIAS EXPLORADAS E OPRIMIDAS? E - SEJAMOS REALISTAS, EXIJAMOS O IMPOSSÍVEL! - EXIGIR QUE A CAVACAL FIGURA NUNCA MAIS DIGA "PUGRESSO" E "PUGRAMA"?...


Irmã proletária explorada e oprimida

Indignados querem expropriar bancos e invadir Casa dos Segredos

(2011)
TEMPOS MODERNOS



(2011)
ATÉ ACHO QUE ESTÃO MUITO BEM UM PARA O OUTRO



(2011)
LISBOA COMO MOLDURA



Não se trata, evidentemente, de crochet ou de tricot. Mas, no nicho musical dos Dead Combo, a “malha” é algo que também deverá ser cosido, costurado ou cerzido, uma espécie de célula sonora de geração mais ou menos espontânea, sempre apta a deixar-se integrar em tecidos de maior complexidade, desde que manipulada por peritos deste ramo da histologia aplicada à música. Até agora, de modo razoavelmente informal, tinha conduzido o guitarrista Tó Trips e o contrabaixista Pedro Gonçalves através de uma ficção onde traduções aproximativas do fado tropeçavam em cambaleantes espectros do western tal como Leone e Morricone o converteram à ópera. Mas, em Lisboa Mulata, assim eles o explicam (leiam a partitura a duas vozes como se tivesse sido transcrita para um único instrumento), tudo isso ganha um chão e uma moldura que ajuda a focar mais nitidamente a imagem e a identificar-lhe as coordenadas.

Um pouco de história retrospectiva, se calhar, ajudava a perceber melhor a trajectória...
Depois dos Lulu Blind acabarem, eu (Tó Trips) cansei-me um bocado de ter bandas, de andar a telefonar ao pessoal para ensaiar e, para aí em 2002, decidi gravar umas malhas que tinha. Era um cha-cha-cha e também uma versão dos "Verdes Anos", do Carlos Paredes que o Henrique Amaro ouviu e me convidou para gravar numa colectânea de homenagem ao Paredes. Encontrei o Pedro num concerto do Howe Gelb e perguntei-lhe se estaria interessado em meter o contrabaixo naquilo. Pedi-lhe boleia mas, como ele não tinha carro, acabámos por vir a pé até ao Bairro Alto. Gravámos e assim começaram os Dead Combo. Isto também passou um bocado por ter ouvido o Marc Ribot Y Los Cubanos Postizos e outro disco em que ele tocava músicas do professor haitiano dele, Frantz Casseus... ao fim ao cabo, tinha vontade de abordar a guitarra de uma outra maneira. Entretanto, andámos a gravar umas coisas para o Sudwestern, um filme do Edgar Pêra, onde eu tinha um papel de cangalheiro que usava uma cartola. A imagem de gato-pingado dos telhados acabou por ficar e o Pedro adoptou a do gangster, o tipo da noite, do jazz...






















A vossa música teve sempre um perfil de banda sonora imaginária para uma qualquer ficção – teatro, cinema – de localização geográfica imprecisa...
Se assobiares os "Verdes Anos" e imaginares aquilo num andamento mais lento, poderia ser um "western". As nossas próprias personagens também poderiam caber num filme. Já compusemos para teatro, para o filme Slightly Smaller Than Indiana, do Daniel Blaufuks, e, para este filme do João Canijo, também íamos compor mas ele, depois, decidiu prescindir da banda-sonora. Mas sempre dissemos que éramos duas personagens da Lisboa das palmeiras, tropical e antiga, da luz e das cúpulas das igrejas, a Lisboa da rua, dos bairros e das facadas.

Exactamente o género de "plot" que costuma rimar com fado...
Daí ter surgido a ideia do fado-"western". Mas, desta vez, preocupámo-nos mais com a ideia de o que poderíamos ter de diferente para mostrar? Temos sempre malhas para trabalhar mas qual haveria de ser a moldura? Pensámos, então, nesse lado da Lisboa africana. Já tínhamos tido umas malhas próximas disso mas nunca couberam nas outras molduras que tínhamos. Afirmámos sempre que vínhamos do Sul e éramos de Lisboa mas nunca tínhamos colocado explicitamente a cidade na capa de um disco. Até porque isso poderá facilitar alguma distribuição lá fora. Como irá acontecer, na Hungria, por exemplo.



Nesse registo “mulato”, descobriram-vos alguma alma cigana, zíngara?...
Não, por acaso, não há nada aciganado. Ainda não chegámos aí... mas, olha, até pode ser uma ideia.

Uma coisa notória é que as músicas são muito mais construídas, quase à beira de serem canções...
Nunca tínhamos trabalhado desta forma. No primeiro, já havia as malhas, foi só uma questão de as coser e gravar. No segundo, íamos trabalhando na Zé dos Bois, mas um gravava uma coisa e, a seguir, o outro trabalhava por cima. No Lusitânia, fomos para estúdio e não tínhamos quase nada, lá é que construímos tudo. Este foi a primeira vez que, uns meses antes, já tínhamos uma direcção. E, por causa desse lado africano, poderia facilmente colocar-se uma voz.

E escrever mesmo canções, com vozes e tudo?
Chegámos já a pensar na possibilidade dos Dead Combo e as Divas do Bairro que eram amigas nossas como a Suzie Peterson, a Mônica Coteriano, da Bomba Suicida, ou a Carla Bolito. Tivemos uma experiência ou outra com elas mas nunca se veio a concretizar. Mas será um projecto à parte que poderemos sempre fazer.



Os Dead Combo começaram a sonhar com o Marc Ribot e, neste álbum, ele aparece mesmo a tocar com vocês...
Há três anos, mandámos-lhe os nossos discos. No primeiro, havia uma música chamada "Ribot", achámos simpático enviar-lhe. Mas sem intuito nenhum. Quando começámos a pensar neste disco, lembrámo-nos de convidá-lo. Ele disse logo que sim. No início das gravações, retomámos o contacto e, por sorte, em Março, ele veio cá ao S. Jorge, e fomos ter com ele. Mandámos-lhe as gravações para Nova Iorque, ele gravou vários "takes" e deixou-nos escolher.

Ficaram, portanto, com imenso material inédito dele, pronto a usar...
Nem tínhamos pensado nessa hipótese... mas, agora que estás a falar nisso...

(2011)