12 April 2017

“We cats didn’t invent the Internet to share it with this” (daqui)
21 - Em antecipação do formidável festival
da superstição
   
The Great Fatima Swindle
(patrocinado pelo CEO da Vaticano S.A. e 
acolitado por meliantes vários)

travemos conhecimento com Ângela Coelho, médica, esposa do senhor e "postuladora 
da causa dos pastorinhos":


" - Como se define um milagre? É um acontecimento não explicável pela ciência? 

 - Sim, ou pelas leis da Natureza. 90% são casos médicos. Uma cura duradoura não explicável pela arte médica actual. 

 - Então um milagre no século XVI hoje não seria? 

 - Poderia não ser" ("Sábado" de 12.04.2017)

(1 - Angelita, se a Ordem dos Médicos ainda não te deu uns bons safanões por andares a falar sobre "curas não explicadas pela ciência ou pelas leis da Natureza" e em "arte médica" - é uma CIÊNCIA, moça! -, é porque tem ainda uma ou duas coisas a aprender com a Ordem dos Psicólogos; 
2 - Então anda aí o p.o.v.o. a derreter cera com santinhos do século XVI - e de antes e depois - que nem nas vossas maravilhosas provas de aptidão passam???!!!...)
The Magnetic Fields - "A Cat Called Dionysus"

Jesca Hoop (entrevista c/ FaceCulture)
 


... e um cheirinho de Zyklon B 
pelas ventas acima?...

PELO BURACO DA FECHADURA

  
O Chateau Marmont, no 8221 de Sunset Boulevard, em Los Angeles – projectado segundo o modelo do Château d’Amboise, residência real francesa no vale do Loire –, foi um edifício de apartamentos de luxo, convertido em hotel em 1931, devido à enorme improbabilidade de, durante a Grande Depressão, haver quem pudesse suportar as elevadíssimas rendas. Ao longo dos anos, porém, acabaria por ganhar o estatuto de Chelsea Hotel da West Coast: como que aceitando o conselho de Harry Cohn, presidente da Columbia Pictures (“If you must get in trouble, do it at the Chateau Marmont”), foi lá que James Dean se atirou de uma janela, Jim Morrison caíu do telhado, John Belushi sucumbiu a uma overdose, Scott Fitzgerald teve um ataque cardíaco, os Led Zeppelin passearam de Harley Davidson pelos corredores, e, aos pares ou em grupos mais liberalmente alargados, celebridades várias (Dennis Hopper, Nicholas Ray, Natalie Wood, Jean Harlow, Clark Gable, Erroll Flynn, Marlene Dietrich, Scarlett Johansson, Benicio del Toro...) travaram conhecimento bíblico. Exactamente o género de matéria-prima que um "peeping tom" profissional e erudito como Jarvis Cocker – também ele, ainda com os Pulp, hóspede do hotel, no quarto 29 – dificilmente deixaria escapar. 



Concebido como um ciclo de 16 canções a quatro mãos, com o pianista canadiano Chilly Gonzales, Room 29 (primeiro álbum da Deutsche Grammophon a ostentar o aviso "Parental Advisory: Explicit Content") inaugura praticamente o sub-género de banda sonora para um documentário imaginário: algures num registo entre Satie e Kurt Weill espevitado por Noël Coward, o ponto de partida é esclarecedor: tratando-se de “a comfortable venue for a nervous breakdown”, obviamente, a questão que se impõe é “is there anything sadder than a hotel room that hasn’t been fucked in?” Daí, decorre, com naturalidade, uma sucessão de instantâneos e observações sobre personagens anónimas (“You’re a tearjerker, you don’t need a girlfriend, you need a social worker”) ou nem por isso (‘Howard Hughes Under The Microscope’, dissecado, em conversa com Cocker, por David Thomson, autor do clássico ensaio The Big Screen) e hábitos de consumo peculiares (“We ordered ice-cream as main course, in a turban of silk, drinking chocolate with milk, with a shot of rum on the side, well of course”). Ou não fosse, afinal, um caso exemplar de, como ali, à beira de Hollywood, é obrigatório apresentar-se “life with the boring bits edited out”.